Dois jornalistas ucranianos do jornal Ukrainska Pravda, que foram ontem detidos em Viena, foram, esta sexta-feira, acusados dos crimes de espionagem a favor dos serviços de informações militares ucranianos, participação em organização criminosa e provocação de danos à Áustria. A informação é avançada pelos jornalistas detidos ao jornal.
“No início do interrogatório, deram-me um documento para assinar. Pelo que entendi, é o equivalente a uma notificação de suspeita. E lá estavam indicados três artigos pelos quais somos acusados. Um deles é espionagem a favor dos serviços de informações militares ucranianos. Outro é a participação nestas ações, incriminada como participação numa organização criminosa. E o terceiro artigo, tanto quanto me lembro, dizia respeito a causar danos à Áustria”, refere Mykhailo Tkach, um dos jornalistas detidos.
O jornalista, que foi detido juntamente com o operador de câmara do jornal, afirma que foi sujeito a cerca de duas horas de interrogatório, durante as quais não terão sido explicadas as bases das detenções, e diz que a detenção terá sido um “mal-entendido extraordinário” provocado por uma denúncia manipulada.
Após o interrogatório, Tkach foi autorizado a falar com o cônsul da Ucrânia, que o informou sobre a situação e que o terá ajudado “significativamente” com o caso, antes de ter sido submetido a mais uma ronda de interrogatório.
Os jornalistas foram libertados, mas o seu operador de câmara, Yaroslav Bondarenko, terá ficado ferido durante a detenção. Numa curta publicação nas redes sociais, Tkach agradeceu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia pela libertação, e colocou um link para um vídeo no YouTube a explicar a situação.
[postblock id = "76t7t3ya1" ]No vídeo, Mykhailo Tkach afirma que foram parados perto de um semáforo em Viena, por “homens armados e mascarados”, que partiram os vidros do veículo onde seguiam. Terão sido depois agredidos e um dos homens terá colocado um joelho no pescoço de Tkach, enquanto este gritava que era um jornalista.
O incidente foi condenado pelo Comité Internacional para a Proteção dos Jornalistas, que, em comunicado, manifestou “alívio” pela libertação, mas pediu às autoridades austríacas para “darem uma explicação completa sobre porque [os jornalistas] foram tratados desta maneira”.
A detenção sob suspeita de espionagem foi confirmada por Gerhard Karner, ministro da Administração Interna austríaco.
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