Em condições normais, até tendo em conta que esta é uma semana com maior densidade competitiva perante o regresso das competições europeias, o Benfica podia ter a receção ao V. Guimarães resolvida logo na meia hora inicial. No entanto, falhou a finalização. Uma, duas, três, demasiadas vezes. Samuel Dahl inaugurou o marcador ainda na primeira parte, mas foi preciso esperar até ao último quarto de hora para o encontro ficar de vez decidido, com a boa entrada de Echeverri e o regresso aos golos de Sudakov a carimbarem o triunfo por 2-0 que recolocou os encarnados na segunda posição e permitiu o regresso às vitórias na Liga.

Entre alguns destaques individuais como Prestianni, Dahl (que foi considerado o MVP da partida) ou Claudio Echeverri, foi o médio ofensivo ucraniano que deu mais nas vistas com o regresso aos golos dez meses depois, após uma semana em que esteve em dúvida por uma lesão contraída ao serviço da seleção. No final, Marco Silva não passou ao lado do momento, valorizando uma exibição coletiva que acabou por ter jogadores a apresentarem um desgaste físico acima do normal depois dos compromissos pelas respetivas seleções.

“O V. Guimarães veio marcar de forma individual praticamente o campo todo o Prestianni e mesmo assim conseguimos criar as dinâmicas suficientes para entre ele e o Schjelderup, e algumas vezes com o Dahl, ter o terceiro homem no corredor. Foi uma primeira meia hora muito boa da nossa equipa, momentos de boa reação, o jogo controlado. E, acima de tudo, o controlo com bola também. Conseguimos ser pacientes. Algo que depois, sem razão aparente, uma vez que o V. Guimarães não alterou nada, nos foi faltando em alguns momentos, ter mais paciência com bola nos últimos minutos da primeira parte e no início do segundo tempo…”, começou por comentar o técnico dos encarnados na zona de entrevistas rápidas da BTV.

“Acima de tudo, quis claramente refrescar. Senti que alguns jogadores sentiram mais cansaço do que o normal, principalmente aqueles que estiveram nas seleções. Durante 15 dias alteram-se muito as rotinas e esperávamos que isso pudesse acontecer mas conseguimos entrar bem e fomos sentindo isso. O Leandro [Barreiro] já estava cansado, sabemos que o Aursnes nos dá calma com bola e é mais cerebral, precisávamos disso. E depois a questão do Claudio [Echeverri], para nos dar aquilo que o Prestianni também estava a dar e haver ligação por dentro. Rapidamente precisámos de alterar essa ideia com o desconforto do Bah, que fez um esforço enorme para poder jogar. Ressentiu-se um pouco e tivemos de alterar essa dinâmica. O Sudakov entrou, entrou bem e deu o contributo com o golo, algo que procurava há algum tempo e é muito importante para ele”, prosseguiu Marco Silva, destacando a importância do golo marcado por Sudakov.

“Confiança extra para Sudakov? Todos os jogadores precisam de golos. O Sudakov andava à procura e tem tido algumas oportunidades, mas desta vez conseguiu concretizar. Foram três pontos importantes, voltar a jogar em casa após muitas semanas… Quero também agradecer aos mais de 60 mil adeptos que estiveram novamente na Luz. A realidade é que praticamente não demos oportunidades ao adversário, apenas um cruzamento já a fechar o encontro. Mesmo não controlando o jogo com bola como queremos, não demos quase oportunidades ao V. Guimarães”, concluiu o técnico das águias no canal do clube.

Também Samuel Dahl, que terminou como MVP da Liga eleito pelo antigo avançado Rui Águas, destacou a importância do triunfo numa noite em que marcou pela primeira vez na Luz. “Foi um jogo difícil. Estamos de volta a casa com os nossos adeptos e é um sentimento especial alcançar esta vitória e este golo, que não acontece muitas vezes, mas quando acontece é muito bom. É incrível. Poder fazer isto em casa com os nossos entes queridos é um sentimento incrível e que vou sempre recordar. Celtic? Estamos habituados. É um calendário difícil com muitos jogos, mas vamos recuperar e depois estaremos prontos”, destacou.