O chefe de Estado português, António José Seguro, elogiou esta segunda-feira o antigo Presidente da República de Moçambique Joaquim Chissano e pediu que se escolham líderes que deem prioridade à defesa da paz.
António José Seguro discursava no encerramento de uma lição sobre “Liderança, Paz e Desenvolvimento” por Joaquim Chissano na Universidade Europeia, em Moscavide, no município de Loures, distrito de Lisboa.
O chefe de Estado português elogiou Joaquim Chissano “pelo seu papel decisivo em momentos-chave, desde as negociações que conduziram à independência do país até às negociações que puseram fim à guerra civil e conduziram à paz”.
“O seu contributo foi fundamental para a construção da democracia em Moçambique. Impulsionou as reformas que levaram à adoção da Constituição de 1990, implementando um sistema político multipartidário e abrindo a economia. Falamos de decisões difíceis, tomadas num contexto muito exigente, e que moldaram o país que Moçambique é hoje“, acrescentou.
Neste contexto, o Presidente português questionou “porque é que os homens continuam a insistir em fazer a guerra para resolver os problemas e os conflitos entre eles”, “porque é que as armas não se calam” e porque os líderes atuais não procuram soluções de paz duradouras, “sentados, como aconteceu em Moçambique”.
“Em momentos em que os conflitos se alastram, em que teimam em persistir, é importante voltar a frisar que todos nós temos a capacidade, o dever de contribuirmos para que possamos escolher líderes que queiram colocar no topo das suas prioridades a defesa da paz como condição para o nosso desenvolvimento”, defendeu.
António José Seguro afirmou que Joaquim Chissano — que esteve na fundação da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que mais tarde liderou, e foi Presidente da República entre 1986 e 2005, entre outros cargos políticos — “é uma personalidade incontornável da história de Moçambique”.
Esta segunda-feira, prestes a cumprir 87 anos, “continua envolvido em várias causas, projetos e plataformas internacionais, em prol da paz, dos princípios democráticos, do desenvolvimento e do combate à pobreza”, referiu Seguro.
“As missões e os valores da Fundação Joaquim Chissano e do Fórum dos Antigos Chefes de Estado e de Governo Africanos, a que também preside, espelham bem a sua vocação e o seu empenho na promoção da qualidade de vida das populações, dos diálogos e da paz, bem como da valorização da cultura moçambicana e africana”, apontou.
Dirigindo-se a Chissano, o chefe de Estado português agradeceu-lhe: “Senhor Presidente, obrigado por continuar a ser uma voz da paz e do diálogo num mundo que tanto precisa de entendimento, de cooperação e de solidariedade entre os povos“.
Sobre o estado das relações luso-moçambicanas, António José Seguro destacou a 6.ª Cimeira Portugal-Moçambique, realizada em dezembro de 2025, no Porto, e a recente visita oficial do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, a Portugal, em julho deste ano.
“Tivemos oportunidade de trocar ideias sobre as relações entre a Europa e África, partilhando a visão sobre o potencial do continente africano e a ambição de uma parceria renovada, baseada no diálogo político e numa cooperação mutuamente benéfica, em que o comércio e o investimento têm um papel essencial”, disse.
Segundo o Presidente português, a 6.ª Cimeira Portugal-Moçambique “constituiu um novo patamar de reforço da parceria estratégica” e traduziu-se “no compromisso comum com a melhoria do ambiente de negócios, a promoção do investimento sustentável e o reforço do setor privado enquanto motor fundamental do crescimento económico e da criação de emprego”.
Seguro salientou que há “cerca de 500 empresas portuguesas a atuar em Moçambique, em múltiplos setores”.
O Presidente deixou também um elogio à Universidade Europeia, instituição privada de ensino superior, que qualificou como um “espaço de excelência” que “se tem projetado para o exterior”.