São pelo menos mil os manifestantes que se voltaram a reunir, no Porto, para mais uma noite de protestos, que desta vez tem também como alvo o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte. Depois de terem estado duas horas concentrados na Praça D. João I, os mais de mil manifestantes seguiram pelas ruas da baixa do Porto e dirigiram-se para a Avenida dos Aliados, com alguns a subirem as rampas laterais de acesso à Câmara Municipal do Porto.

Durante todo o breve percurso, foram os manifestantes, e não a polícia, que cortaram a circulação automóvel. Se alguns agentes já estavam à espera na avenida, mais foram chegando nos últimos minutos, com a mobilização da multidão.

Inicialmente, centenas de pessoas encheram, desde as 19h desta quinta-feira, a Praça D. João I no Porto, para mais uma ronda de manifestação contra os preços da habitação. Além da concentração onde começaram a ser entoados cânticos de protesto, estava marcada uma assembleia popular onde deviam ficar definidos os próximos passos do movimento. Um dia depois de uma intervenção policial ter terminado o acampamento, não está excluída a hipótese de serem novamente montadas tendas.

Os manifestantes começaram a chegar ao local pouco antes das 19h, mas ficaram sentados, expectantes, nas escadas laterais da praça. Pouco depois, alguns dos organizadores utilizaram os megafones para chamar as pessoas para a parte central da praça, que se encheu em poucos minutos.

Além do número mais elevado de participantes, a manifestação desta quinta-feira tem também um novo alvo, que até agora pouco tinha sido visado nas críticas. Entre os cartazes, há muitas menções pouco elogiosas ao Presidente da Câmara Municipal do Porto: “Pedro Duarte, o implacável. Menos bastão, mais habitação”; “Pedro Duarte = Falso hipócrita”; “Montenegro e Duarte = Cínicos brutos”, são algumas das mensagens erguidas pelos participantes neste protesto.

Na roda central onde estão a ser entoados gritos de protesto, também já se ouviram pedidos de demissão do autarca. Esta tarde chegou a ser partilhada uma petição — que já leva mais de 1300 assinaturas — a exigir a demissão de Pedro Duarte.

Se num primeiro momento o Presidente da Câmara manteve o silêncio sobre esta manifestação — não falou na segunda-feira, depois da primeira retirada de tendas por parte da Polícia Municipal — o mesmo não se verificou nos últimos dias. Esta quarta-feira subiu o tom e disse que “pelo menos uma parte” dos manifestantes acampados na Praça D. João I tem apenas o objetivo de “tentar provocar e acicatar problemas e distúrbios”. Sem colocar em causa o “direito à manifestação”, respondeu que os serviços autárquicos serão “absolutamente implacáveis com qualquer tentativa de colocação de tendas naquela zona”.

Nos protestos da última noite, alguns manifestantes ouvidos pelo Observador condenaram estas palavras e classificaram-nas como uma tentativa de descredibilizar o movimento. Esta quinta-feira o Presidente da Câmara do Porto, numa conferência de urgência para reagir à intervenção policial da última madrugada, denunciou uma “atitude provocatória” dos manifestantes e lamentou apenas que “a polícia se tenha visto forçada a intervir daquela forma”.

Tal como aconteceu na última noite, a manifestação está a ser acompanhada pela PSP e pela Polícia Municipal. Só depois da assembleia, que se poderá atrasar dada a quantidade de gente a participar, se saberá se os manifestantes querem voltar a acampar na Praça D. João I.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]