“Katie é uma distinguida graduada na Universidade Pepperdine e na Pepperdine Caruso School of Law, uma advogada e uma comentadora frequente”. Foi com estas palavras que, na semana passada, Donald Trump anunciou Katie Zacharia como a nova porta-voz da Casa Branca. O escrutínio a Zacharia no rescaldo da “brutal” estreia no cargo, na passada terça-feira, revelou que um dos títulos utilizados pelo Presidente no anúncio é falso: Katie Zacharia não é advogada — e pode estar a incorrer num crime por se apresentar como tal.

A informação foi revelada esta quarta-feira pelo Wall Street Journal, que cita uma fonte próxima de Zacharia, que garante que a licenciada em direito nunca passou no exame da Ordem dos Advogados, obrigatório para exercer a profissão nos EUA. Zacharia chegou a fazer o exame na Califórnia, depois de se ter licenciado em 2011, mas chumbou.

Nova porta-voz da Casa Branca confundiu o marido com Trump na estreia — e os bastidores falam em conferência “brutal”

As questões sobre o estatuto profissional de Katie Zacharia levantaram-se devido ao facto de o seu nome — quer com o apelido de solteira quer de casada — não aparecer como advogada registada nos estados onde já viveu, trabalhou ou estudou e acentuaram-se depois de Zacharia ter falado sobre o tema na terça-feira, depois da sua primeira conferência de imprensa.

Questionada pelos jornalistas sobre onde fizera o exame da Ordem, Zacharia respondeu apenas: “Quando me mudei para a China.” Na China, Zacharia trabalhou durante dois anos como “associada” da empresa de advogados Zhong Lun e como conselheira externa do Banco Mundial. Questionada pelo New York Times, Zacharia considerou que se tratara apenas de um equívoco. “Eu achei que a questão era ‘Onde é que esteve depois da Law School?’”, explicou.

Zacharia adiantou ainda ao jornal que, quando se tornou comentadora, foi aconselhada pela direção da Universidade Pepperdine a evitar a classificação como “attorney” ou “esquire“, mas que poderia classificar-se como “lawyer” sem problema. Os três termos traduzem-se diretamente em português como advogado e são utilizados de forma intercambiável no discurso comum, mas o código de conduta da Ordem dos Advogados da Califórnia utiliza especificamente a palavra “lawyer” para se referir aos advogados registados. É precisamente essa a palavra utilizada por Zacharia na biografia da sua conta pessoal no Instagram. Mas na apresentação de Trump da nova porta-voz, citada acima, o Presidente utiliza a palavra “attorney“.

Casa Branca defende Zacharia, mas no cerne da questão está um problema legal e não político

Face ao escrutínio, a Casa Branca saiu em defesa da nova contratação. Um responsável da presidência destacou ao Wall Street Journal que Zacharia foi contratada para trabalhar na equipa de comunicação e não em questões legais, enquanto o diretor de comunicação a classificou como “uma adição maravilhosa para a equipa”.

“Ela tem qualificações únicas e é extremamente perspicaz para dar a conhecer ao povo americano todas as grandes coisas que o Presidente Trump e a sua Administração têm vindo a fazer, e fará um trabalho incrível como secretária de imprensa”, acrescentou Steven Cheung, em comunicado citado pela imprensa norte-americana.

Porém, como destaca a CNN, “o problema aqui não é que é preciso um curso de Direito para ser porta-voz da Casa Branca — não é”. Aliás, são vários os casos de conselheiros, procuradores e outros altos responsáveis que desempenharam cargos nas administrações norte-americanas depois de terem concluído cursos de Direito, mas sem se terem tornado advogados registados na Ordem.

Assim, o que está sob escrutínio é o facto de Zacharia ter violado a lei da Califórnia ao apresentar-se, em múltiplas ocasiões, como advogada, tendo utilizado esse título enquanto comentadora de canais conservadores. Segundo a lei estadual da Califórnia, “qualquer pessoa que se apresente ou promova como capaz de praticar advocacia sem ser um membro ativo da Ordem ou autorizado por um tribunal [para praticar advocacia] é culpada de um crime”. Foi com base nesta lei que, esta quarta-feira, um grupo de monitorização apresentou uma queixa na Califórnia contra Zacharia por “se ter apresentado repetidamente ao público como capaz de praticar advocacia sem uma licença”.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]