O Brasil decide, no domingo, quem será o próximo Presidente do maior país lusófono e da América Latina, numa luta entre o atual chefe de Estado, Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair.
Os dois estão tecnicamente empatados nas sondagens, uma imagem de um país dividido ao meio.
Lula aproxima-se de Flávio, mas continuam em empate técnico nas sondagens
O filho de Bolsonaro conseguiu na primeira volta, em 04 de outubro, uma vantagem de dois pontos percentuais sobre Lula da Silva e perfila-se como favorito na reta final da campanha para as eleições de 25 de outubro.
Escolhido como candidato pelo pai, que cumpre em prisão domiciliária uma pena de 27 anos por liderar uma tentativa de golpe de Estado para derrubar Lula após perder as eleições de 2022, Flávio tem na segurança pública, na redução do peso do Estado e numa economia de orientação liberal as principais bandeiras.
Sob o lema “Brasil sem medo”, defende a redução da idade de responsabilidade penal para os 14 anos em determinados crimes, a adoção do modelo prisional do Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o reforço do combate ao narcotráfico e às principais organizações criminosas do país.
No plano económico e administrativo, pretende reduzir significativamente a estrutura do Estado, incluindo a eliminação de pelo menos dez ministérios e a redução dos cargos de confiança política e da despesa pública.
Promete ainda baixar impostos, privatizar empresas públicas e adotar medidas para alcançar o equilíbrio orçamental, reduzir a dívida e baixar o custo de vida.
Lula da Silva, de 80 anos, se vencer, renovar o mandato e completar os quatro anos de governo, será o segundo Presidente que mais tempo governou o Brasil, 16 anos, e também o mais velho.
Nascido no Nordeste, em Pernambuco, mudou-se em criança para os subúrbios de São Paulo, onde começou a trabalhar como torneiro mecânico antes de se afirmar como um dos principais líderes sindicais em plena ditadura militar.
Em 2003, depois de ter perdido as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998, Lula da Silva tornou-se Presidente do Brasil.
Em 2018, o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou a oficializar a sua candidatura, na época em que estava preso devido ao caso Lava Jato, mas foi impedido pela Justiça Eleitoral. Fernando Haddad concorreu e perdeu contra Jair Bolsonaro.
No lançamento da sua campanha, em agosto, encheu de apoiantes o estádio onde liderou as greves dos anos 1980, numa homenagem emotiva à luta sindical e a si próprio.
A política social marcou os seus três mandatos presidenciais, com destaque para o Bolsa Família, que ajudou a retirar milhões de brasileiros da pobreza.
Agora, chama para si esse legado e acrescenta uma outra luta: impedir o regresso da extrema-direita, cuja mais recente reencarnação é Flávio Bolsonaro, filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro, que perdeu a Presidência em 2022 para Lula.
Será nestes dois projetos políticos que mais de 158,7 milhões de eleitores poderão votar no domingo nas 563.910 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.
A campanha de Lula da Silva na segunda volta foi marcada por uma forte mobilização nas redes sociais, ruas, manifestações convocadas por artistas e iniciativas de estudantes e movimentos sociais para conquistar votos e combater a abstenção.
Depois da desvantagem na primeira volta, apostou na defesa da democracia e do seu legado social, intensificou os ataques ao adversário e anunciou medidas económicas e laborais para procurar inverter o resultado.
Flávio Bolsonaro combinou manifestações de força nas ruas, com uma aposta nas redes sociais, mobilizando influenciadores digitais e figuras como o deputado Nikolas Ferreira para ampliar o alcance da campanha.
Conseguiu ainda o apoio de candidatos derrotados na primeira volta, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, que somaram 5,34% dos votos válidos, além do antigo Presidente Michel Temer e dos principais partidos de centro do país.
A disputa estendeu-se às plataformas digitais, com a campanha de Lula a acusar a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, de favorecer Flávio Bolsonaro e a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para exigir tratamento igual entre as candidaturas, denunciando restrições de contas, remoção de conteúdos e falhas nas ferramentas de inteligência artificial.
Brasil no eleições. Meta afirma que aplicou medidas exigidas pela Justiça Eleitoral
Os dois realizaram o primeiro debate no último domingo e vão agora enfrentar-se esta sexta-feira à noite no segundo e derradeiro debate da TV Globo.
No sábado, véspera da votação, Lula da Silva prevê encerrar a campanha com ações no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto Flávio Bolsonaro deverá passar por Belo Horizonte antes de terminar o dia com uma caravana automóvel no Rio de Janeiro.