Uma vitória que quebrou uma série de duas derrotas consecutivas na Liga dos Campeões e no Campeonato em Alvalade, a oportunidade para elementos com menos minutos mostrarem que merecem maior utilização, vários jogadores da formação a serem lançados no decorrer da segunda parte, a passagem à Final Four da Taça da Liga confirmada como tem acontecido nas últimas temporadas. Perante este contexto, estavam reunidas condições para um final de noite tranquilo, de apoio e com aquele sentimento de dever cumprido. No entanto, e também pela forma tremida como o encontro terminou com um golo do Marítimo e Rui Silva a evitar o empate no final dos descontos, os adeptos dividiram-se. Houve aplausos, houve assobios, houve o que o Sporting mais temia no momento que vive: nem um triunfo espantou o descontentamento geral.

Dois proscritos a endireitar uma realidade que se mantém torta (a crónica do Sporting-Marítimo)

Num “modelo” semelhante ao que aconteceu na última época, com a equipa a jogar 48 horas depois de um jogo oficial com tudo o que isso influencia depois na escolha dos jogadores titulares, os leões confirmaram a décima presença consecutiva na Final Four da Taça da Liga, tentando agora chegar à sétima final só esta década com quatro troféus conquistados (2018, 2019, 2021 e 2022). Tudo na noite em que Geny Catamo chegou ao 150.º jogo pelo Sporting, Pedro Lima bisou na primeira oportunidade como titular desde que foi contratado no verão ao AVS e Rui Silva terminou como MVP em termos estatísticos no regresso à baliza. Por tudo isso, e passando ao lado de tudo o resto, Rui Borges elogiou a exibição e o regresso aos triunfos numa noite em que voltou a não passar ao lado de alguma contestação no início que se ouviu menos no final.

“Foi um jogo competente de toda a equipa, concentrada. Sabíamos que o momento não era o melhor, vínhamos de dois resultados negativos e isso afeta a confiança, gerando por vezes desconfiança individual numa falha de passe, numa interceção ou num duelo perdido. Mas a equipa tentou sempre lutar contra essa desconfiança individual e coletiva. Foram muito competentes com e sem bola. Apresentámos uma equipa toda nova, um onze que se calhar nunca tinha jogado junto. É difícil apanhar certas dinâmicas mas a equipa esteve lá: competente, bastante competitiva, a perceber o que tinha de fazer perante um adversário que alterou o sistema habitual para defrontar o Sporting. Sabíamos que procurariam o contra-ataque e o ataque rápido, mas fomos conseguindo anular essas saídas. Eles acabam por fazer golo numa perda de bola nossa em fase de construção. É um erro que claramente não pode existir mas faz parte do jogo. Acabámos com algum sentimento de incerteza escusado”, começou por dizer à SportTV.

“Onze novo? Se estão no Sporting é porque têm qualidade. Já na época passada aconteceu esta acumulação de jogos nesta fase e optámos sempre por rodar, até porque é fisicamente impossível colocar quem jogou há dois dias. A equipa deu uma boa resposta. Mostraram que estão presentes e prontos para ajudar. Não só o Pedro [Lima] mas todos eles. O Moncef [Zekri], por exemplo, procura ainda a sua melhor forma física; é um miúdo que teve uma paragem mais longa e precisa de adaptação. Não podia estar mais satisfeito com a entrega de todos e com a forma como aproveitaram a oportunidade. Agora é pensar no jogo com o Casa Pia”, prosseguiu o técnico leonino, olhando já para o próximo compromisso do Campeonato.

“Rui Silva? Mostrou mais uma vez o grande guarda-redes que é. A qualidade do Rui nunca esteve em causa com a rotação na baliza. É um guarda-redes de Seleção em quem acreditamos muito. No meio de tantos miúdos, a experiência e a maturidade dele foram fundamentais a falar, a equilibrar a equipa e a transmitir máxima confiança a quem está à frente dele”, elogiou Rui Borges sobre a exibição do guarda-redes.

“Agora é reconquistarmos a nossa confiança e não deixar entrar desconfiança no grupo quando as coisas correm mal. Tivemos bolas no poste, cortes inesperados, mas há que lutar contra isso e ir à procura da sorte, que dá muito trabalho. Para a sorte estar do nosso lado temos de continuar a trabalhar, acreditar no processo e jamais desconfiar daquilo que somos enquanto equipa”, concluiu ainda na flash interview.

Mais tarde, na conferência de imprensa, e perante uma questão sobre o que podia prometer aos adeptos depois de assumir que é normal haver descontentamento pelos últimos resultados do Sporting, Rui Borges respondeu de forma lacónica com a mesma frase: “O que posso prometer? Prometo trabalho, prometo trabalho”, referiu, de rosto mais fechado perante a insistência de questões sobre a continuidade. “Se posso facilitar a saída? Eu estou aqui para falar do jogo, o presidente está todos os dias na Academia, falo com o presidente todos os dias… Eu estou focado no jogo com o Marítimo, só isso…”, destacou mais tarde.

“A insatisfação é natural naquilo que é o meu trabalho. Não há bitolas nenhumas, não estou preocupado com isso, sinceramente. Estou preocupado em fazer o melhor no meu trabalho, tentar ser melhor a cada dia que passa, ir à procura de soluções e de fazer o melhor pelo Sporting. Isso é garantido”, rematou.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]