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RFK Jr. critica árabes por "não produzirem ciência" e gera avalanche de críticas em plena campanha para as intercalares

O secretário da Saúde dos EUA fez os comentários num evento no Michigan, estado-chave para o controlo do Senado, onde o democrata Abdul El-Sayed se tem vindo a destacar.

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▲As afirmações de Kennedy levaram a uma avalanche de críticas dos democratas, da comunidade muçulmana, organizações de direitos civis nos Estados Unidos e de académicos que repudiaram fortemente as afirmações feitas

Getty Images

▲As afirmações de Kennedy levaram a uma avalanche de críticas dos democratas, da comunidade muçulmana, organizações de direitos civis nos Estados Unidos e de académicos que repudiaram fortemente as afirmações feitas

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“Há 500 milhões de árabes no mundo e, no entanto, não produzem ciência, não ganham o Prémio Nobel, não ganham a Medalha Fields, não ganham o Prémio Wolf, não produzem literatura”. Foi esta a frase de Robert F. Kennedy Jr., durante um comício no Michigan e com a qual pretendia atingir o democrata Abdul El-Sayed, que colocou o secretário da Saúde dos Estados Unidos da América (EUA) como alvo de fortes críticas de organizações de defesa dos direitos civis, bem como dos democratas.

Os comentários antiárabes, recorda a Reuters, foram feitos durante mais um evento da campanha eleitoral para as eleições intercalares norte-americanas nos EUA. RFK Jr. esteve no Michigan, um dos estados-chave para o partido de Trump conseguir controlar o Senado, numa corrida que tem sido bastante renhida, com os democratas à frente em várias sondagens. O republicano Mike Rogers concorre contra El-Sayed, um dos alvos favoritos de Trump.

As dez corridas que vão ditar o controlo do Senado — e o resto do mandato de Donald Trump

A escalada da retórica contra muçulmanos, árabes, imigrantes e minorias étnicas, intensificada pelos ataques de Donald Trump e pelos republicanos durante a corrida às intercalares, tem vindo a preocupar várias organizações em defesa dos direitos civis nos Estados Unidos.

O Conselho para as Relações Americano-Islâmicas emitiu um comunicado, na terça-feira, a exigir o despedimento de Kennedy, dizendo que “a diatribe repugnante de Robert F. Kennedy Jr. contra os árabes é um exemplo típico de racismo e intolerância sem disfarces“.

A organização diz que “apagar de forma generalizada o contributo dos árabes para a humanidade não só é maliciosamente falso, como também alimenta o ódio contra árabes e muçulmanos, numa altura em que estas comunidades já estão vulneráveis a ataques motivados pelo preconceito por parte de outros responsáveis públicos em todo o país.”

Peter Hotez, professor no Baylor College of Medicine, respondeu ao governante, lembrando Ahmed Zewail, o vencedor do Prémio Nobel de 1999 em Química de origem árabe, que morreu em 2016. “(…) JFK Jr. esquece-se que foram os cientistas árabes da Idade Média que mantiveram Aristóteles, Hipócrates e Galeno vivos para transmiti-los no Renascimento”, escreveu.

“Acredito sinceramente que toda a gente precisa de prestar atenção a esta campanha coordenada para deslegitimar os muçulmanos americanos — não apenas enquanto cidadãos, mas enquanto seres humanos”, disse, por outro lado, o senador democrata Chris Murphy, do Connecticut, citado pela Reuters.

El-Sayed, que é muçulmano, tem vindo a ser vítima de vários ataques islamofóbicos por parte dos republicanos, começando pelo Presidente dos EUA. No fim de semana, Donald Trump mencionou os atentados às Torres Gémeas de 11 de setembro de 2001 enquanto falava do candidato democrata, a quem chamou “jihadista”.

Trump chama “jihadista” a El-Sayed durante comício. Candidato democrata responde: “Pode chamar-me apenas Senador”

Os republicanos também têm acusado El-Sayed de ter ligações à Irmandade Muçulmana, um dos grupos islamistas mais influentes do mundo árabe. O candidato democrata já negou qualquer ligação e repudiou publicamente o grupo durante um townhall que se tornou viral nas redes sociais, após um jovem republicano questionado com a organização.

*Editado por Cátia Andrea Costa

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

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