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A greve desta quinta-feira dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica da ULS Amadora-Sintra regista uma adesão elevada, a atingir os 80% e os 100% em vários serviços, avançou à Lusa o presidente do sindicato do setor.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS), Luís Dupont, “esta é já a terceira greve desde 30 de setembro e, de novo, com um forte impacto”.
“Temos serviços a 100% [de adesão], temos outros que rondam os 80%, 85%, 90%, mas os serviços de grande dimensão, de uma maneira geral, estão com níveis muito elevados“, afirmou.
O dirigente sindical sublinhou que estão a ser assegurados os serviços mínimos previstos no pré-aviso de greve em áreas essenciais, como a imagiologia, as análises clínicas, a cardiopneumologia e a farmácia.
A paralisação visa exigir a aplicação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos hospitais do setor empresarial do Estado (EPE) aos técnicos da ULS Amadora-Sintra com contrato individual de trabalho, que, segundo o STSS, continuam sem beneficiar das mesmas condições aplicáveis aos técnicos de diagnóstico e terapêutica das restantes entidades públicas empresariais da saúde.
Segundo o STSS, esta situação gera desigualdade ao nível da carreira, da progressão profissional e da tabela salarial.
Luís Dupont explicou que o sindicato e o Conselho de Administração da ULS Amadora-Sintra já tinham alcançado um entendimento sobre o texto de adesão ao ACT, que previa a reconstituição da carreira dos trabalhadores e o pagamento das diferenças salariais retroativas a que houvesse lugar.
“O problema é que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) deu um parecer negativo a esta reconstituição e a esta reposição de diferenças salariais e, portanto, neste momento estamos naquilo que consideramos um impasse que não pode continuar”, vincou.
Para o líder sindical, é preciso que o Governo e o Ministério da Saúde, enquanto tutela, “clarifiquem de uma vez por todas se querem continuar a tratar estes trabalhadores de forma desigual”.
Sublinhou ainda que, “do ponto de vista daquilo que o Conselho de Administração da ULS Amadora-Sintra podia fazer, já o fez”.
Luís Dupont alertou que a ausência de uma resposta da tutela prolonga uma situação de desigualdade que, considera, deveria ser ultrapassada através da aplicação dos mesmos princípios adotados nas restantes entidades públicas empresariais.
O dirigente sindical questiona ainda os fundamentos do parecer negativo da ACSS e defende que, se o objetivo é colocar os profissionais da ULS Amadora-Sintra em condições idênticas às dos trabalhadores dos restantes hospitais EPE, deverá ser aplicado o mesmo princípio de reconstituição da carreira, incluindo o acerto das diferenças salariais.
A greve é acompanhada por uma concentração, que teve início às 11h00 e se prolonga até às 14h00, em frente ao Ministério da Saúde, onde são esperados mais de 100 trabalhadores, cerca de um terço dos profissionais da instituição, segundo a estimativa avançada por Luís Dupont.
Durante a iniciativa, o sindicato prevê entregar uma moção ao Ministério da Saúde, exigindo uma resposta concreta para o processo de adesão ao ACT e para a reconstituição das carreiras.
A ULS Amadora-Sintra conta, segundo os números mais recentes referidos pelo dirigente sindical, com cerca de 377 técnicos integrados nesta carreira, distribuídos por 14 profissões.
Além da aplicação do ACT, o STSS alerta para o descontentamento entre os trabalhadores, que estará a traduzir-se em pedidos de contagem do tempo de serviço com vista à possibilidade de procurarem outras instituições de saúde.