O mercado residencial português está mais “exigente” e “seletivo”, segundo a análise feita pelas mediadoras imobiliárias, condicionado pela dificuldade de acesso à habitação, pela escassez de oferta adequada e pelo esforço financeiro exigido às famílias.
Em declarações à Lusa, o presidente executivo (CEO) da Century 21 refere que os dados disponíveis continuam a evidenciar um mercado ativo, mas “claramente mais seletivo”, com o interesse das famílias em comprar casa a nem sempre conseguir “transformar-se em transações”.
“O mercado continua muito forte, com as vendas a abrandar e o número de transações a cair, mas não é por falta de procura, o mercado é que está a pôr mais pessoas de fora, porque esta subida dos preços continua a um ritmo superior ao do rendimento médio dos portugueses”, afirma Ricardo Sousa.
O CEO da Coldwell Banker, Frederico Abecassis, aponta “um sinal de maior exigência” no mercado residencial, com o tempo médio de absorção dos imóveis acompanhados pela imobiliária a passar de 107 para 119 dias.
“Embora o número de vendas tenha crescido, o tempo que demora até à conclusão de um negócio também aumentou”, refere, em comunicado.
Segundo explica, “para os proprietários, isto significa que o preço definido, se não estiver alinhado com a procura, pode custar semanas de exposição sem uma proposta sólida”, enquanto relativamente aos compradores “revela uma postura mais comparativa e negocial”.
Com a subida da prestação média dos contratos de empréstimo à habitação, das taxas Euribor e do preço dos combustíveis a pesarem nos orçamentos familiares, a Coldwell Banker Portugal espera “processos de decisão mais longos, sobretudo nas compras mais dependentes de crédito”, se este contexto persistir.
O CEO da Century 21 aponta uma “grande divisão” no país entre quem já é proprietário de uma casa — “mais de 70% dos agregados familiares, e, desses, a esmagadora maioria tem a casa paga ou já com prestações marginais” — e quem não o é.
“Esta parte da população que é proprietária tem uma grande vantagem, porque o mercado está a mover-se pelo património, pela troca de casa”, sustenta, salientando que é por isso que são as casas usadas “que mais valorizaram”.
Segundo Ricardo Sousa, “são estas famílias que estão a comprar casas de 600, 700, 800.000 euros”, apoiando-se no património e na poupança que detêm para “fazer um upgrade” para uma casa maior ou ajudar os filhos na compra de habitação.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Para que este upgrade seja possível, estas famílias tentam também maximizar o valor de venda da sua casa atual, dificultando muito a entrada no mercado por parte de quem não tem património ou poupança.
“Apesar de haver a procura, os pedidos de contacto e as visitas, não se consegue concretizar” a transação, porque o comprador “até tem crédito aprovado”, mas não de valor suficiente para adquirir o imóvel pretendido, resume.
Ricardo Sousa concretiza que, “para o rendimento médio dos portugueses, uma casa devia custar até 330.000 euros”, mas “há muito pouca oferta” deste nível no mercado, também em resultado de um problema de desadequação entre os imóveis existentes (em termos de área e tipologia) e a atual realidade dos agregados.
Na mesma linha, o CEO da imobiliária Zome aponta para um segundo semestre de 2026 “consistente, embora mais seletivo do que nos últimos anos”, com o mercado residencial “gradualmente a diversificar-se para além dos grandes centros urbanos, acompanhando novas dinâmicas demográficas, melhores condições de mobilidade e diferentes prioridades das famílias”.
“A procura continua presente, mas as decisões são atualmente mais ponderadas e dependem cada vez mais da disponibilidade de oferta e da evolução do enquadramento económico”, refere Carlos Santos, sustentando que “o maior desafio continuará a ser aumentar a oferta e criar condições para que mais habitação chegue efetivamente ao mercado”.
“Enquanto isso não acontecer, o setor continuará a operar sob pressão”, enfatiza, citado num comunicado.