A pouco menos de 48 horas de as urnas fecharem na Califórnia, o Supremo Tribunal colocou um ponto final na luta do Governo federal norte-americano para bloquear a contagem de 20 mil votos por correspondência para as eleições intercalares no estado mais populoso dos Estados Unidos. Depois de um juiz federal ter rejeitado o pedido na passada quarta-feira, a administração Trump recorreu esta segunda-feira da decisão para o Supremo Tribunal, que em poucas horas confirmou a decisão da instância mais baixa.

Na base do pedido está o argumento de que as pessoas que enviaram esses 20 mil boletins podem não ser cidadãos norte-americanos, não tendo, portanto, o direito a votar. A administração federal exige que os votos só sejam contados depois de ser confirmada a sua cidadania — um processo que tem insistido que é relevante neste ciclo eleitoral.

Os responsáveis eleitorais da Califórnia já tinham rejeitado o argumento da administração federal, apontando erros nas listas desenhadas pelo Governo, mas também problemas logísticos. Isto porque o voto por correspondência neste estado, o maior bastião democrata, começou no início de outubro. Desde aí, já foram enviados 23 milhões de boletins de voto por correspondência, a maior parte dos quais já foram processados. Identificar os boletins visados pela administração Trump seria impossível, escreve a Associated Press.

Esta não foi a única derrota imposta pelos tribunais ao Executivo federal esta segunda-feira. Um outro juiz federal de Washington ordenou que a administração devia parar com os pedidos para controlar os votos por correspondência. “O braço executivo provavelmente viola a cláusula eleitoral da Constituição, que atribui a autoridade sobre uma eleição apenas aos Estados e ao Congresso”, pode ler-se na decisão do juiz James Boasberg, citada pela agência noticiosa.

O mesmo argumento, num tom bem mais crítico, foi deixado pelo procurador-geral da Califórnia. “[O recurso] tresanda a desespero e é mais uma tentativa de minar as nossas eleições e atropelar o Estado de Direito”, acusou Rob Bonta.

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