Os brinquedos são fundamentais para as crianças: não só dão alegria, como os ajudam no desenvolvimento cognitivo, motor e social. Todavia, a partir de uma certa idade, os presentes financeiros também são úteis. São uma porta de entrada para o sistema monetário que será crucial na sua vida adulta.

Neste Natal, pondere oferecer prendas financeiras a par dos mimos mais tradicionais. Há muitos anos que alguns progenitores e familiares, preocupados com o futuro dos seus descendentes, dão ouro, normalmente na forma de moedas. O objetivo é nobre: precaver o futuro das crianças. No entanto, o ouro físico é dos piores investimentos que se podem fazer, porque os intermediários neste mercado cobram elevadas margens na compra e na venda do metal.

O Observador compilou uma lista de seis prendas financeiras para este Natal que funcionam em complemento com as dádivas tradicionais. Confirme que fazem sentido para os seus descendentes.

Dê um mealheiro para as compras do futuro

O seu filho quer uma PlayStation 4, mas não tem os 400 euros necessários para a compra? A sua filha deseja um iPhone 5, mas também não tem disponíveis 400 euros? Ofereça-lhe um mealheiro, um presente que os ensina a poupar. Numa sociedade cada vez mais consumista, é uma oferta que apela à paciência.

Se encher um mealheiro cilíndrico com 15 centímetros de altura e dez centímetros de diâmetro apenas com moedas de 50 cêntimos, um e dois euros, o seu rebento terá perto de 700 euros, mais do que suficiente para os presentes desejados. Ensine-o a guardar parte da semanada ou da mesada. Um bom incentivo ao início da poupança é pré-carregar o mealheiro oferecido com alguns euros e, eventualmente, aumentar a semanada ou a mesada para o encher.

Ofereça uma entrada no mundo do dinheiro incorpóreo

Quando entram na adolescência, muitos dos desejos dos mais novos representam gastos reduzidos, que não justificam um embrulho debaixo da árvore de Natal. No entanto, todos juntos, estes pedidos podem somar montantes mais elevados do que as semanas ou as mesadas periódicas. Nestes casos, um cartão bancário pré-carregado é uma boa ideia.

Antes de abrir uma conta à ordem ao seu descendente, ensine-lhe os meandros do sistema bancário apenas com um cartão pré-pago. Estes cartões permitem efetuar compras em lojas com terminais de pagamento, como se fossem cartões de débito tradicionais. Não permitem, no entanto, levantamentos nos caixas Multibanco, por exemplo.

Dois dos melhores cartões pré-pagos são emitidos pelo Unibanco: o Unigift e o Cartão do Gil. Estes cartões também ensinam os seus rebentos a serem solidários: o custo do cartão é o valor do montante pré-pago acrescido de dois euros, doados à Unicef, no primeiro caso, ou à Fundação do Gil, no segundo. Os montantes estendem-se de 15 euros a 150 euros.

Ao contrário de muitos cartões pré-pagos da banca nacional, o Unigift e o Cartão do Gil não são recarregáveis. No entanto, também não têm custos de emissões nem anuidades, presentes em muitos dos cartões propostos pelos bancos. O cartão pré-pago LOL Júnior, da Caixa Geral de Depósitos, custa 5,77 euros por ano, por exemplo.

Abra uma conta para começar a poupar os tostões

Quando o mealheiro já não for suficiente para guardar a poupança do seu filho ou quando o seu descendente decidir abri-lo, vá com ele abrir uma conta bancária. Os menores podem ser titulares de contas à ordem, mas são os pais ou os tutores que devem efetuar a criação e a movimentação. Se for a propósito deste Natal, ofereça-lhe o montante mínimo de abertura: 100 euros são suficientes em alguns.

Não escolha o banco do seu rebento apenas pelo presente que lhe dão (como o mealheiro oferecido pelo Novo Banco) ou porque os pais já são clientes do mesmo banco. Pense no futuro da sua criança e eleja um banco que tenha poucas comissões nas contas para crianças e nas contas para adultos e bons instrumentos de poupança e de investimento.

O ActivoBank é um bom exemplo. A conta à ordem ActivoKid não tem custos e pode ter associado um cartão pré-pago Kid, sem custos e recarregável. Na hora de aplicar o dinheiro, o ActivoBank tem taxas de juro anuais brutas de 1,85%, acima da média da concorrência, e uma das listas mais extensas de fundos de investimento em comercialização em Portugal.

Ajude-o a investir

 

Algumas decisões sobre o dinheiro do seu filho ou da sua filha são unilaterais. Por exemplo, algumas prendas financeiras podem ser canalizadas para quando atingir a maioridade (universidade, carro, casa). No entanto, outras aplicações podem ser decididas democraticamente. Fale com a sua prole sobre os objetivos que têm para o dinheiro amealhado na conta bancária.

Se ele quer ir a um dos muitos festivais de verão, explique-lhe que deve fazer um depósito a prazo durante seis meses com o valor que se transforme no que estima gastar na altura. Se ele estima precisar de mil euros durante todo o período veraneante, basta aplicar cerca de 990 euros num depósito a prazo que renda 1% no semestre para chegar ao início do verão com mil euros.

É a altura ideal para ensinar que, quando mais longe estiver o objetivo financeiro, mais risco pode correr com o seu dinheiro para ter uma expectativa superior de retorno. É, nesta altura, que um banco com uma vasta oferta de soluções de investimento é importante.

Oriente para as maiores taxas de juro

Após a abertura da conta bancária, pode ir com o seu descendente criar uma conta de aforro junto de uma das muitas estações dos Correios com ligação à Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública. É através desta conta de aforro que é possível subscrever Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro Poupança Mais, alternativas geralmente mais rentáveis do que as propostas dos bancos.

Quem aplicar mil euros, o mínimo, em Certificados do Tesouro num dia próximo do Natal, garante um rendimento de 173,74 euros, distribuídos para a conta à ordem ao longo de cinco anos da duração da aplicação. É o equivalente a uma taxa anual líquida de 3,4%. Esta aplicação não é mobilizável durante o primeiro ano.

As subscrições de Certificados de Aforro neste mês de dezembro, que têm um mínimo de 100 euros, obtêm uma taxa anual líquida de 2,2% para os próximos três meses, período em que não é possível resgatar o dinheiro. Depois do primeiro trimestre, a taxa é revista de três em três meses. Ao contrário dos Certificados do Tesouro Poupança Mais, que paga os juros anualmente, o rendimento dos Certificados de Aforro é adicionado ao capital trimestralmente.

Doe investimentos e não pague impostos

Muitos investidores não têm uma data para encaixar mais-valias. Alguns estimam deixar os seus investimentos aos seus filhos em herança. Em vez de fazer isto, porque não oferece os seus títulos aos seus descendentes neste Natal, através de uma doação? Se tiver mais-valias potenciais, é fiscalmente mais interessante do que vendê-los para presentear com dinheiro. Aproveite a doação para também passar os seus conhecimentos sobre os mercados financeiros, explicando-lhe as razões que conduziram a aquisição desses títulos.

Ao abrigo da legislação em vigor, a doação de títulos não representa qualquer custo para o doador. Quando o beneficiário da doação de valores mobiliários for um descendente (incluindo netos), não é alvo de qualquer tributação. Os ascendentes (pais e avós) também estão isentos. Outras pessoas, incluindo irmãos, sobrinhos e amigos, têm de pagar Imposto do Selo de 10% sobre o valor da doação.

Na prática, além de ser necessário falar com os intermediários financeiros para acertar a transferência, é preciso comunicar a doação ao fisco. No caso do filho ou da filha menor, os pais têm de entregar ao fisco o Modelo 1 em nome do descendente, anexando uma certidão passada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários que indique a cotação dos valores mobiliários à data da doação. Essas cotações serão a referência para o cálculo de mais-valias, quando o beneficiário da doação decidir a venda. A certidão custa três euros por categoria de valor mobiliário.

Pode doar ações, obrigações e fundos de investimento estrangeiros, quando há mais-valias potenciais. Quando há menos-valias potenciais, não vale a pena: é mais prático vender ou resgatar as aplicações e oferecer dinheiro com o objetivo de o reinvestir. Nos fundos de investimento nacionais, também não compensa doar, porque não há tributação no reembolso.