Não tem sido algo totalmente comum, também não tem sido algo absolutamente raro. Este sábado, pela 32.ª vez, o Campeonato vai ficar decidido na última jornada da temporada: aconteceu em 2023, já tinha acontecido em 2016 e 2019, mas também esteve quase 15 anos sem acontecer, entre 1986 e 2000.
Com Sporting e Benfica a entrarem para a derradeira jornada totalmente empatados e com a possibilidade de serem campeões nacionais, ainda que os leões tenham vantagem no confronto direto, é tempo de recordar as outras 31 ocasiões em que o Campeonato só ficou resolvido no último jogo – algo que, até 1995 e à entrada em vigor dos três pontos atribuídos por cada vitória, era até bastante habitual.
O Benfica é a equipa que mais festejou na última jornada, com 12 troféus carimbados no último dia da época, seguido de perto pelo FC Porto, com dez, e só depois pelo Sporting, com oito. Pelo meio, soma-se também o Campeonato do Belenenses, em 1946, também ele alcançado na derradeira ronda. Certo é que, em 31 anos, só mesmo por uma vez a classificação mudou de líder e trouxe uma reviravolta no último jogo: em 1955, quando um empate do Belenenses contra o Sporting ofereceu o troféu ao Benfica num encontro marcado pelas acusações que eram feitas a Alejandro Scopelli, antigo técnico da equipa do Restelo, e pelas lágrimas de João Martins, que não aguentou a emoção quando fez o empate a quatro minutos do fim.
▲ Último Campeonato conquistado na derradeira jornada foi o de 2022/23, com o Benfica de Roger Schmidt a sagrar-se campeão nacional
FILIPE AMORIM/OBSERVADOR
FC Porto, 1934/35
De forma expectável, até porque a vitória só passou a valer três pontos a meio dos anos 90, os primeiros Campeonatos eram frequentemente decididos na última jornada. Incluindo o primeiro. Em 1934/35, a primeira temporada em que Portugal assistiu a uma competição por jornadas à semelhança das que aconteciam em Inglaterra desde o século XIX, o FC Porto foi campeão nacional no último dia, mesmo tendo empatado com o Sporting, depois de ter liderado a classificação à frente dos leões desde a primeira volta.
Benfica, 1936/37
Depois de ser campeão nacional pela primeira vez e de forma mais folgada em 1936, o Benfica teve de se esforçar mais para conquistar a competição no ano seguinte. Os encarnados assumiram a liderança do Campeonato logo na segunda jornada, graças a um empate entre Sporting e Belenenses, mas a verdade é que nunca conseguiram descolar o suficiente para fazer xeque-mate. Os festejos só apareceram mesmo no último dia, com o Benfica a terminar a temporada com mais um ponto do que os azuis e mais dois do que os leões, sendo que o FC Porto foi apenas quarto.
Benfica, 1937/38
Mais uma época, mais um Campeonato decidido no último dia – sendo que, em 1937/38, Benfica, Sporting e FC Porto estrearam-se enquanto verdadeiros rivais e disputaram o troféu até à derradeira jornada. Os encarnados começaram na frente, os dragões aproveitaram um empate no dérbi lisboeta para saltar para a liderança, mas um hat-trick de Peyroteo no clássico contra o FC Porto voltou a colocar o Benfica no primeiro lugar. No fim, apesar de Sporting e FC Porto terem pressionado até à última jornada, os encarnados sagraram-se mesmo tricampeões nacionais.
FC Porto, 1938/39
Em termos oficiais, este foi o primeiro Campeonato Nacional da Primeira Divisão, já que só em 1938/39 é que a Federação Portuguesa de Futebol começou a organizar a competição. Nos meses em que a Europa passava pelo início oficial da Segunda Guerra Mundial, o FC Porto destronou os três anos de hegemonia do Benfica e conquistou o troféu na última jornada, com mais um ponto do que o Sporting e mais dois do que os encarnados.
▲ A equipa do Belenenses que foi campeã nacional em 1946, superando Benfica, FC Porto e Sporting
FC Porto, 1939/40
O FC Porto sagrou-se bicampeão nacional pela primeira vez, novamente na última jornada, mas a verdade é que até poderia não ter participado na competição. Na altura, o apuramento para o Campeonato Nacional acontecia através do campeonatos regionais – Lisboa, Porto, Coimbra, Setúbal, etc.. Em 1939, os dragões ficaram apenas no terceiro lugar do campeonato regional do Porto, atrás de Académico do Porto e Leixões, o que em teoria os deixava afastados das oito equipas apuradas para o Campeonato.
Também neste ano, porém, a Federação Portuguesa de Futebol decidiu alargar o Campeonato Nacional a dez equipas, promovendo a entrada do FC Porto: que acabou por ser bicampeão, com mais dois pontos do que o Sporting, sendo que o Benfica foi apenas quarto e a mais de dez pontos dos dois rivais.
Benfica, 1942/43
Depois de o Sporting conquistar o primeiro Campeonato em 1942 e de o Benfica ter regressado às vitórias na temporada seguinte, os encarnados não deixaram fugir o bicampeonato em 1943 – mas tiveram de esperar até à última jornada, já que só bateram o Sporting por um único ponto. O destaque negativo da época foi mesmo o FC Porto, que não foi além do sétimo lugar e sofreu derrotas pesadas em Lisboa contra Benfica (12-2), Sporting (5-2) e também Belenenses (4-0).
Belenenses, 1945/46
Uma temporada que ficou para a história do futebol português: pela primeira vez e pela única até 2001, um clube que não Benfica, FC Porto ou Sporting foi campeão nacional. O Belenenses chegou à liderança nas primeiras jornadas, deixou fugir o primeiro lugar para o Benfica na sequência de uma derrota contra o Olhanense, mas bateu os encarnados nas Salésias no confronto direto e carimbou o triunfo no último dia, com uma vitória em Elvas. Seria preciso esperar mais de 50 anos, até ao Boavista de Jaime Pacheco em 2001, para assistir a um feito semelhante.
Sporting, 1947/48
No final dos anos 40, com o país mergulhado no Estado Novo liderado por António de Oliveira Salazar, o “pirolito” era uma conhecida bebida gaseificada que tinha como tampa não a vulgar carica, mas sim um berlinde – ou pirolito. Ora, com esse contexto muito específico, o Campeonato Nacional de 1947/48 ficou conhecido como “o Campeonato do pirolito”, já que ficou decidido por um único golo.
Sporting e Benfica terminaram a temporada com os mesmos pontos, 41, mas os leões comandados pelos Cinco Violinos beneficiaram da vantagem marginal de um único golo – graças a uma goleada no dérbi, com póquer de Peyroteo – e sagraram-se campeões nacionais pela quarta vez na história.
▲ Cinco Violinos foram muito responsáveis pela conquista de vários Campeonatos por parte do Sporting
Sporting, 1951/52
Depois de uma temporada que foi um autêntico passeio do Sporting, em 1950/51, a época seguinte revelou-se muito mais complicada para a equipa de Randolph Galloway. A quatro jornadas do fim, a luta era ainda a quatro: Sporting, Benfica, FC Porto e Belenenses, sendo que só os encarnados mantiveram a esperança de chegar ao primeiro lugar até à última jornada. A escorregadela leonina nunca chegou, porém, e o Sporting carimbou mais um Campeonato ao derrotar o Barreirense na Margem Sul.
Benfica, 1954/55
O único Campeonato que mudou de líder na última jornada. No derradeiro dia da temporada, o Belenenses de Matateu estava no primeiro lugar da classificação e só precisava de vencer o Sporting nas Salésias para carimbar o segundo título da própria história. A quatro minutos do fim, porém, Martins aproveitou um contra-ataque para deixar o jogo empatado enquanto o Benfica venceu o Atlético: os encarnados foram campeões nacionais nos últimos instantes, o Belenenses ficou no segundo lugar e o Sporting foi terceiro, à frente de FC Porto e Sp. Braga.
FC Porto, 1955/56
O ano em que terminou o jejum do FC Porto. 16 anos depois de terem sido campeões nacionais pela última vez, os dragões conseguiram voltar a festejar e aproveitaram a vantagem no confronto direto para conquistar o Campeonato apesar de terem terminado a temporada com os mesmos pontos que o Benfica. A desilusão do ano foi o Sporting, já longe do brilho dos Cinco Violinos, que não foi além do quarto lugar.
Benfica, 1956/57
O Sporting mantinha-se em declínio e Benfica e FC Porto aproveitavam para dominar o futebol português. A luta entre os dois rivais foi intensa e teve tropeções dos dois lados: o FC Porto tinha mais um ponto do que o Benfica quando perdeu com o Belenenses, deixando os encarnados como líderes isolados, mas ainda voltou a acreditar quando a equipa de Otto Glória empatou com o Torreense na penúltima jornada. Ainda assim, o Benfica não vacilou no derradeiro jogo e derrotou a Académica na Luz, sagrando-se campeão com mais um ponto do que o FC Porto.
▲ Otto Glória, o treinador que venceu quatro Campeonatos com o Benfica e outro com o Sporting
Lobo Pimentel/Arquivo DN/Global Notícias
Sporting, 1957/58
Mais uma temporada que terminou com duas equipas empatadas com os mesmos pontos e a decidirem o troféu no confronto direto. O Sporting assumiu a liderança na sexta jornada, o FC Porto chegou a passar pelo primeiro lugar em duas ocasiões distintas e leões e dragões ficaram mesmo empatados no topo da classificação na 22.ª jornada. Mais ninguém perdeu pontos até ao fim e foi o Sporting a sorrir, já que tinha vencido o FC Porto por 3-0 em Alvalade e perdido apenas por 2-1 nas Antas.
FC Porto, 1958/59
O Campeonato mais renhido até então. Benfica e FC Porto entraram para a última jornada com os mesmos pontos e depois de terem empatado em ambos os Clássicos, tanto na Luz como nas Antas, e apenas separados pela diferença de golos que sorria aos dragões. No derradeiro dia da temporada, o FC Porto venceu Torreense por 3-0 e os jogadores sentaram-se no relvado, a ouvir rádio, para perceber o que o Benfica fazia à mesma hora contra a CUF. Os encarnados acabaram por ganhar por 7-1, numa goleada que não chegou para evitar que os dragões voltassem a ser campeões nacionais.
Para a história, o Campeonato de 1958/59 ficou também conhecido como “o Campeonato de Calabote” – em referência a Inocêncio Calabote, árbitro do jogo entre o Benfica e a CUF, que foi acusado pelo FC Porto de ter atrasado deliberadamente a partida, para além de ter assinalado três penáltis contra a equipa do Barreiro e ter também expulsado três jogadores do conjunto visitante.
Sporting, 1961/62
O Benfica tinha sido campeão nacional e europeu na temporada anterior e partia como crónico favorito à conquista do tri, algo que não alcançava desde os anos 30 e que era uma grande ambição dos encarnados. Uma sequência de quatro jogos sem ganhar, porém, deitou tudo a perder: o Benfica não foi além do terceiro lugar e o Sporting superiorizou-se ao FC Porto, com dois pontos de vantagem confirmados na última jornada, sendo que os encarnados foram novamente campeões europeus ao derrotar o Real Madrid na final de Amesterdão.
Sporting, 1965/66
A temporada 1965/66 marcou o regresso do Sporting ao topo do futebol português quatro anos depois, e numa altura em que o Benfica procurava o tetracampeonato. A tendência dizia que, a cada quatro anos, os leões sagravam-se campeões. E assim foi. No ano em que a Seleção Nacional rubricou uma participação de excelência no Mundial de Inglaterra, o Sporting resgatou o título depois de uma vitória na Luz (4-2) com um póquer de Lourenço. Os rivais lisboetas entraram na última jornada separados por um ponto e, apesar de o Varzim ainda ter causado dificuldades aos verde e brancos, os golos de Figueiredo e Fernando Peres garantiram o Campeonato.
▲ Cândido de Oliveira, um dos nomes fundadores do futebol português que também foi campeão nacional como treinador do Sporting
Benfica, 1967/68
Depois de reconquistar o título no ano seguinte, o Benfica partia para a época de 1967/68 como o principal favorito, estatuto que acabou por confirmar na última jornada, apesar de ter vivido um ano conturbado, marcado por três treinadores: Fernando Riera, Fernando Cabrita e Otto Glória. Para além disso, os encarnados sofreram cinco empates e três derrotas, mas conseguiram terminar com quatro pontos de vantagem sobre o Sporting. Eusébio foi o melhor marcador, com 42 golos, e conquistou a sua primeira Bota de Ouro. Duas semanas depois do término do Campeonato, as águias deslocaram-se a Wembley para defrontar o Manchester United na final da Taça dos Campeões Europeus, que viriam a perder no prolongamento por 4-1.
Benfica, 1968/69
A década de 60 continuou a ser dourada para o Benfica que, em 1969, levantou pela oitava vez o Campeonato Nacional, somando o seu tricampeonato na história da prova. Ao contrário da edição anterior, FC Porto, V. Guimarães e V. Setúbal deram luta até ao fim, mas a equipa de Otto Glória levou a melhor, terminando com mais uma vitória que os portistas. Com esta conquista, o brasileiro tornou-se no treinador encarnado com mais títulos de campeão (quatro), registo que perdura até aos dias de hoje. Para fechar com chave de ouro a década, o Benfica bateu a Académica no Jamor e conquistou a sua quinta dobradinha (2-1).
Sporting, 1973/74
No ano que marcou o fim da ditadura em Portugal, o Sporting tornou-se no primeiro clube campeão em democracia, menos de um mês depois do 25 de abril, impedindo o Benfica de alcançar o tão procurado tetracampeonato. A época da equipa de Mário Lino foi praticamente brilhante, com os leões a terminarem o Campeonato com dois pontos de vantagem para os encarnados e a conquistarem a dobradinha frente ao rival lisboeta (2-1 a.p.). Na Taça das Taças, o Sporting ainda ameaçou chegar à final, mas acabou eliminado, nas meias-finais, pelo Magdeburgo, que viria a vencer a competição (2-3).
FC Porto, 1977/78
Num dos Campeonato mais renhidos de sempre, FC Porto e Benfica chegaram à última jornada empatados em pontos (49) e nem o confronto direto tinha servido para desempatar (0-0 na Luz e 1-1 nas Antas). Ainda assim, os dragões entravam em campo com uma vantagem de 14 tentos na diferença de golos, pelo que só precisavam de o Sp. Braga para chegarem ao título, o que acabou por acontecer, com os dragões a golearem os bracarenses (4-0). Em Famalicão, o Benfica também venceu o Riopele (4-1), mas acabou por perder um Campeonato em que até terminou invicto. José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa foram o obreiros da reconquista 19 anos depois.
▲ Jorge Nuno Pinto da Costa já era presidente do FC Porto quando os dragões encerraram um jejum de 19 anos, em 1978
LUSA
FC Porto, 1978/79
39 anos depois, o FC Porto conseguiu voltar a conquistar um bicampeonato. O Benfica até foi líder durante grande parte da temporada, muito porque os dragões empataram em cinco jornadas consecutivas, mas os encarnados acabaram por vacilar com um empate precisamente contra o FC Porto, no confronto direto, nova igualdade perante o Varzim e uma derrota contra o Marítimo. Na última jornada, depois de só terem cedido um ponto nas dez jornadas finais, os dragões carimbaram mesmo o bicampeonato e o Benfica, pela primeira vez desde os anos 50, passou dois anos seguidos sem ser campeão nacional.
Sporting, 1979/80
Uma época volvida, registou-se praticamente a mesma coisa – mas com o Sporting metido ao barulho. O Campeonato voltou a ser discutido até à última jornada, com Sporting e FC Porto empatados a 50 pontos, embora aqui o confronto direto se revelasse importante para o conjunto lisboeta (1-0 em Alvalade, 1-1 nas Antas). Os leões viviam o maior jejum da sua história (cinco anos), mas reencontraram o caminho dos títulos numa temporada marcada pela intensa rivalidade entre Pinto da Costa e João Rocha. Na derradeira ronda, o Sporting cumpriu e goleou em casa o U. Leiria (3-0), ao passo que os portistas caíram em casa do Sp. Espinho (2-0).
FC Porto, 1985/86
Depois de ter triunfado no ano antes, o FC Porto chegava à temporada de 1985/86 à procura do nono título de campeão nacional. Os dragões chegaram à última jornada em igualdade pontual com o Benfica (47 pontos), mas com vantagem no confronto direto (2-0 nas Antas e 0-0 na Luz). Com a decisão a passarem pela cidade do Porto, os azuis e branco bateram o Sp. Covilhã por 4-2, com golos de António André, Fernando Gomes (bis) e Elói, ao passo que as águias escorregaram no Bessa (1-0). Desta forma, o FC Porto conquistou o seu primeiro bicampeonato desde a década de 70.
Sporting, 1999/00
Na última temporada do século XX, o Sporting chegou à penúltima jornada em posição de se sagrar campeão frente ao rival Benfica, mas um golo de Sabry, a dois minutos do fim, adiou a festa em Alvalade, já que o FC Porto tinha batido o E. Amadora (casa, 2-1) e estava a um ponto dos leões. Na semana seguinte, os adeptos leoninos invadiram Vidal Pinheiro e ajudaram o clube a colocar fim a um período de seca de 18 anos. Os golos da equipa de Giuseppe Materazzi foram apontados por André Cruz (bis), Ayew e Duscher.
▲ Beto Acosta, em 2000, a celebrar o Campeonato conquistado pelo Sporting contra o Salgueiros
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Benfica, 2004/05
Há 20 anos registou-se mais um dérbi que era decisivo para as duas equipas, embora nenhuma se pudesse sagrar campeã frente ao rival. O Benfica recebia o Sporting na penúltima jornada, numa altura em que as duas equipas se encontravam empatadas e o FC Porto tinha menos três pontos. A vitória garantia praticamente o título para cada uma das equipas, mas no final foram os encarnados a sorrir, com o célebre golo de Luisão em que Ricardo continua a afirmar que foi marcado com o braço (1-0). Com três pontos de vantagem para os dragões e os leões fora da luta pelo título, a equipa de Giovanni Trapattoni empatou no Bessa e garantiu o título (1-1).
FC Porto, 2006/07
Em 2006/07 voltou a registar-se mais um Campeonato decidido a três até ao fim. O FC Porto partia na pole position, com mais um ponto que o Sporting e dois que o Benfica. Num Dragão esgotado, dada a importância do desafio, os dragões tiveram dificuldades na primeira parte ante um Desp. Aves a lutar para não descer e estiveram 19 minutos virtualmente arredados do primeiro lugar. Ainda assim, o jogo acabou em goleada (4-1), com golos de Adriano, Lisandro López (bis) e Jorge Ribeiro, e Jesualdo Ferreira levantou o seu primeiro título de campeão, completando mais um bicampeonato portista.
Benfica, 2009/10
Cinco anos depois de ter levantado o troféu pela última vez, o Benfica chegou ao Dragão, na penúltima jornada, a precisar de um ponto para festejar no reduto do rival. Contudo, o jogo não correu de feição à equipa de Jorge Jesus (3-1) e as contas ficaram adiadas para a última jornada, na qual o Benfica recebia o Rio Ave e o Sp. Braga viaja até à casa do Nacional. Um ponto bastava para sentenciar o Campeonato e assim foi, com Óscar Cardozo a bisar e a garantir uma tarde de festa na Luz (2-1). Esse triunfo permitiu a Jorge Jesus tornar-se no quarto treinador português campeão pelo Benfica, depois de Vítor Gonçalves, Mário Wilson e Toni. De um modo geral, o Campeonato foi dominado pelos encarnados, que marcaram três ou mais golos em 14 das 30 jornadas e venceram oito jogos por pelo menos quatro golos de diferença.
FC Porto, 2012/13
Incontornavelmente, a Primeira Liga 2012/13 ficou marcada pelo minuto 92 do clássico do Dragão da penúltima jornada. O Benfica entrava em campo na frente e em condições de se sagrar campeão em caso de triunfo, sendo que o empate também podia ser vantajoso para a equipa de Jorge Jesus, que até começou na frente, fruto de um golo de Lima. Contudo, um autogolo de Maxi Pereira empatou o jogo logo a seguir e, no período de descontos, um passe de Liedson e um remate cruzado de Kelvin levaram o Dragão à loucura e Jesus a ajoelhar-se perante um Vítor Pereira eufórico. O Campeonato acabou ali, já que o FC Porto confirmou o tricampeonato em Paços de Ferreira, e a época encarnada contou com mais duas derrotas: na final da Liga Europa e da Taça de Portugal.
▲ O golo marcado por Kelvin ao segundo minuto de descontos de um clássico carimbou um dos últimos títulos conquistados na última jornada
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Benfica, 2015/16
Sem Jorge Jesus, que saiu para o rival Sporting, Rui Vitória foi o escolhido para liderar o voo da águia em direção ao tricampeonato. A primeira fase da temporada não correu bem e os encarnados chegaram a ter sete pontos de desvantagem para o Sporting, mas na segunda metade da época, somaram 20 vitórias em 21 partidas e completaram uma reviravolta nunca antes vista. Pelo meio, o golo de Mitroglou, em Alvalade, devolveu o Benfica à liderança, com o 35.º Campeonato a ficar sentenciado na receção ao Nacional, da última jornada (4-1).
Benfica, 2018/19
Três anos e um tetra depois, o Benfica partia para a época da reconquista. À imagem do que aconteceu anteriormente, os encarnados voltaram a começar mal a temporada, tiveram um atraso de sete pontos e até mudaram de treinador pelo meio, depois de Luís Filipe Vieira ter despedido Rui Vitória e optado por Bruno Lage, técnico da equipa B, para o substituir. Com o técnico chegaram Ivan Zlobin, Ferro, Florentino Luís e Jota, e a aposta em João Félix revelou-se decisiva. Os encarnados superaram o calendário complicado com vitórias em casa de V. Guimarães, FC Porto, Sporting e Sp. Braga, ultrapassaram os dragões na liderança e fecharam o 37 frente ao Santa Clara (4-1), numa edição em que apontaram 103 golos.
Benfica, 2022/23
Quatro anos depois a receita foi a mesma. Rui Costa apostou num novo treinador na pré-época e o objetivo passava por reconquistar o título que tinha fugido para Sporting e FC Porto. Com um futebol de encher o olho e que até causou surpresa fora de portas, o Benfica parecia um campeão indiscutível, mas quebrou na segunda metade da temporada, depois de Enzo Fernández ter saído e antes de João Neves ter aparecido. Foi através do jovem médio que surgiu o golo do empate em Alvalade, nos descontos, na penúltima jornada (2-2). Na derradeira partida, o Santa Clara voltou a surgir no caminho da águia e o resultado voltou a terminar em goleada (3-0).