1228,6kWh poupados 1228,6 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Bruno Lage conseguiu ganhar a Taça da Liga, levou a equipa aos oitavos da Champions mas acabou a época a perder Campeonato e Taça de Portugal em duas semanas
i

Bruno Lage conseguiu ganhar a Taça da Liga, levou a equipa aos oitavos da Champions mas acabou a época a perder Campeonato e Taça de Portugal em duas semanas

Getty Images

Bruno Lage conseguiu ganhar a Taça da Liga, levou a equipa aos oitavos da Champions mas acabou a época a perder Campeonato e Taça de Portugal em duas semanas

Getty Images

A metamorfose de Lage, de mais um para "um de nós" até à derrocada final que coloca em risco continuidade na Luz

Entrou a ganhar, foi criticado em algumas noites na Champions, esteve em xeque após o áudio na garagem da Luz. Aí, Bruno Lage fez de uma possível fraqueza a sua maior força – mas caiu em duas semanas.

A forma como Rui Costa reagiu ao golo de Ofori a seis minutos do final do encontro dizia tudo. Visivelmente irritado, não só com a desvantagem frente ao Moreirense mas também com aquilo que a equipa voltava a não apresentar jogando fora depois da derrota a abrir o Campeonato com o Famalicão, cumprimento o homólogo na tribuna, olhou para outros dirigentes do Benfica e saiu de rompante do local seguido por um elemento da segurança dos encarnados. Marcos Leonardo, que seria vendido dias depois aos sauditas do Al Hilal, fez o empate no sétimo minuto de descontos de grande penalidade mas eram mais dois pontos perdidos, alguns lenços brancos e muitos assobios a pautar a contestação a Roger Schmidt. O caminho do técnico germânico chegara a um beco sem saída e cada momento que passasse “empurrava” o presidente nesse sentido.

Rui Costa era obrigado a lidar com o mesmo problema em duas perspetivas diferentes. Por um lado, e como alguém que conhece bem o futebol dentro das quatro linhas, percebia que a equipa tinha de render muito mais – e que a mensagem de redenção não passava, qualquer que fosse a terapia esboçada pelo treinador. Por outro, e a um ano das eleições, as manifestações contra Schmidt começavam a entrar na esfera do dirigismo em momentos como as Assembleias Gerais. O líder dos encarnados segurou o alemão por entender que é na estabilidade técnica que se encontram melhores futuros. O líder dos encarnados não podia segurar o alemão porque tinha entendido que, na prática, era isso que lhe condicionava o presente. Nessa noite, e no regresso do Minho a Lisboa, não quis tomar qualquer atitude. Umas horas depois, na antecâmara de reuniões que teria na Luz para preparar duas reuniões magnas (relacionadas com Relatórios e Contas), a decisão estava tomada. Schmidt não gostou, a rescisão demorou a ser assinada, mas a página estava virada.

Quando Rui Costa explicou aquilo que tinha sido anunciado uma hora antes através de um comunicado para a CMVM, Sporting e FC Porto chegavam a Alvalade para definir no clássico quem iria liderar o Campeonato. A prioridade seria completar as operações previstas no mercado de verão, com a cedência de João Mário ao Besiktas, a venda de Marcos Leonardo ao Al Hilal ou a contratação de Kerem Aktürkoglu ao Galatasaray (que foi “ajudada” pela chegada por empréstimo de Victor Osimhen). Outras possíveis mudanças não chegaram a bom porto mas isso era o mais relevante tendo em conta a janela temporal que enfrentava. Ainda assim, e em paralelo, a questão do treinador estava a ser tratada. Sendo um português, o leque possível “encurtava”.

Ainda antes da confirmação oficial da saída de Roger Schmidt, alguns possíveis nomes começavam a circular na habitual “dança” normal neste tipo de situações. Leonardo Jardim, por exemplo, foi falado e riscado num ápice tendo em conta a indisponibilidade para agarrar qualquer projeto nessa fase (além da parte salarial). Renato Paiva surgiu como hipótese mas nunca terá sido contactado apesar da boa relação com várias pessoas do universo benfiquista. Marco Silva, através do seu representante, terá sido um dos nomes a motivar alguns contactos exploratórios que nunca passaram disso mesmo. Abel Ferreira, pelo vínculo com o Palmeiras, seria sempre uma opção muito complicada. Havia uma carta, “a” carta, guardada para uma sucessão rápida, conhecedora do contexto que o clube enfrentava e do próprio plantel e ciente do que teria de ser feito.

No início de 2019, quando Rui Vitória deixou o comando do Benfica após uma derrota no Algarve, Rui Costa, então administrador da SAD, não teve dúvidas em dizer ao então presidente Luís Filipe Vieira que Bruno Lage seria a melhor solução. Agora, no final de agosto de 2024, numa decisão que quis puxar apenas para si, ponderou todos os cenários, recebeu vários contactos de agentes internacionais que mostravam a abertura de técnicos estrangeiros em assumir o comando das águias mas esteve sempre inclinado para o mesmo.

Bruno Lage foi aposta de Rui Costa nos primeiros dias de setembro, após a dispensa de Roger Schmidt na sequência de um empate em Moreira de Cónegos

LUSA

O regresso à casa de partida 1.544 dias depois e a goleada no clássico que tudo serenou

Como o próprio Rui Costa viria a confidenciar na conferência de imprensa de apresentação do novo técnico, parecia que nunca tinha saído. Bruno Lage passou pela Premier ao serviço do Wolverhampton, rumou ao Brasil para render Luís Castro no Botafogo com a perspetiva (e promessa) de regressar ao primeiro escalão inglês mas recebeu o convite do Benfica quase como destino – a ponto de, quando foi dispensado na primeira passagem pelo comando do conjunto da Luz, ter referido em termos internos que era uma questão de tempo até voltar para fazer o que ficara por ser feito. “Foi uma escolha fácil, foi uma escolha rápida. Tem o perfil necessário e já ganhou numa época mais difícil que esta. Sabemos que no impasse entre saída e entrada de treinador cada adepto terá a sua opinião mas, a partir de agora, terá o apoio de todos”, apontou o líder dos encarnados antes de passar a palavra a Lage, que deixou promessas antes de emocionar-se… com os filhos.

“Quero um futebol que os adeptos gostam de ver e que os adeptos viram durante vários anos: um futebol atrativo, positivo e bem alavancado. O meu primeiro jogo foi muito isso. A paixão que se viveu, a envolvência que se viveu e aquilo que os adeptos deram aos jogadores. Estávamos a perder o jogo e foi essa união entre adeptos e jogadores que se deu a reconquista. Queremos um futebol ofensivo e voltar a conquistar os nossos adeptos. É um orgulho enorme trazer este sentimento de ser Benfica, é quase como um sistema nervoso que nos percorre por todo o corpo e sentimos por todo o corpo. A conversa com o presidente foi muito clara e objetiva: temos de olhar para o trabalho que temos pela frente nos próximos nove meses. Está mais do que evidente aqueles que são os nossos objetivos. Não olho para trás. Hoje, o Bruno Lage é diferente, já com cabelos brancos, que me ajudam a ver as coisas à distância de forma diferente”, apontou.

“Agora meteram-me a falar dos meus filhos, que já são dois, vou sempre ao tapete. É a coisa mais importante da minha vida, são os meus filhos. Saí de casa, dei-lhes a informação. O pequenino ainda não sabe o que é o Benfica. Viu-me a vestir a camisa e a gravata e ele como anda no colégio, também se começou a vestir porque pensava que eu vinha para uma festa. Pedi-lhes para terem um grande orgulho no pai, ele já é um grande benfiquista, assim como também é a mãe e como é o pai. Nunca levei o meu filho ao museu do Benfica porque nunca quis interferir com aquilo que era a vida diária do Benfica mas queremos voltar a reconquistar títulos para este clube”, acrescentou. A versão Lage 2.0 partia do mesmo ponto do Lage 1.0.

Os pontos de contacto não ficaram por aí porque, quando voltou a comandar os encarnados na Luz 1.544 dias depois, o adversário era o mesmo e o mau início de jogo também foi semelhante com Vinícius Lopes a marcar no primeiro minuto. O técnico não vacilou: aplaudiu os jogadores, pediu aplausos ao público, saiu aplaudido por todos. Bem mais ativo na zona técnica do que era normal ver na primeira passagem pela Luz, Bruno Lage arrancava com uma goleada frente ao Santa Clara a conseguiu depois começar a Liga dos Campeões com uma difícil vitória fora com o Estrela Vermelha antes de nova goleada com o Boavista, outra com o Gil Vicente e ainda mais um na receção ao poderoso Atl. Madrid. O Benfica voava como naquela versão de 2018/19 que um dia foi comparada aos Super Wings e o impacto não era maior porque o Sporting não vacilava.

epa11858138 Benfica head coach Bruno Lage looks on the team's training session at the Benfica Campus near Lisbon, Portugal, 28 January 2025. Benfica will face Juventus in their UEFA Champions League match on 29 January.  EPA/MIGUEL A. LOPES

Bruno Lage regressou ao Benfica no final de agosto e conseguiu estabilizar os resultados dos encarnados na Liga

MIGUEL A. LOPES/EPA

O momento fora de campo e em termos institucionais continuava a não ser fácil (o Relatório e Contas foi chumbado depois de um Orçamento passado com 47,6%, João Noronha Lopes era cada vez mais apoiado nas intervenções que fazia e mais tarde ainda houve a AG dos estatutos que terminou com a demissão do líder da Mesa, Fernando Seara) mas o regresso do futebol a uma espécie de “normalidade” ajudava a que tudo o resto fosse analisado de uma outra forma. “Quero confessar uma coisa: há quatro meses, estava na bancada a ver um jogo de Champions, fui ver um jogo do [João] Félix, e quando tocou o hino partilhei com os meus miúdos que um dia voltaria a ganhar um jogo na Champions. A euforia está cá dentro. Já disse aos jogadores que podem ter uma hora de euforia, depois começamos a recuperar e temos treino”, apontou o técnico.

Os tempos corriam a favor de Bruno Lage mas uma derrota caseira com o Feyenoord por 3-1, onde o Benfica não perdia há um ano e sofrera apenas dois golos nas últimas seis vitórias, a par da forma como as águias não conseguiram sequer enquadrar um remate no desaire em Munique frente ao Bayern, motivaram algumas críticas ao rumo dos encarnados. A resposta não demorou: na mesma jornada que assinalou a saída de Ruben Amorim para o Manchester United após somar a 11.ª vitória consecutiva no Campeonato pelo Sporting, as águias golearam o FC Porto na Luz. “Foi uma exibição à Benfica, este é o nosso trabalho”, destacou então o técnico. Tudo voltava a serenar, com o Benfica a aproveitar a “ressaca” da entrada falhada de João Pereira no comando para chegar ao dérbi em Alvalade, na estreia de Rui Borges, com mais um ponto.

Mais do que a derrota pela margem mínima, aquilo que sobrou desse encontro foi a análise diferente entre Bruno Lage e Otamendi, depois reforçada com o que Di María escreveu nas redes sociais em sintonia com o capitão e compatriota. Onde o técnico viu uma ligeira superioridade contrária na primeira parte, o central entendeu outra coisa. “Oferecemos a primeira parte”, referiu na zona de entrevistas rápidas da SportTV. “Não há tempo para lamentações. Estamos conscientes de que podíamos ter feito muito melhor nos primeiros 45 minutos e que na segunda parte mostrámos o que realmente somos”, reforçou num texto escrito na página oficial do Instagram. Toda a estrutura negou qualquer tipo de choque, o jogo seguinte trouxe novo desaire no Campeonato com o Sp. Braga e só a conquista da Taça da Liga poderia colocar tudo “recentrado”. Foi isso que aconteceu, no desempate por grandes penalidades com o Sporting na final.

“Prometi a mim mesmo que tinha de reescrever o final da história”, apontou Bruno Lage após essa conquista, tendo demorado mais do que é normal a chegar à conferência de imprensa por ter ficado a fazer um Facetime com os filhos depois da vitória e respetivo troféu no dia em que cumpriu o 100.º encontro no comando dos encarnados. O momento crítico, esse, estava a chegar e um janeiro que começou com o triunfo na Taça da Liga terminou com a terceira derrota em quatro jogos do Campeonato, deixando o Benfica a seis pontos do líder Sporting (que entretanto também empatara em Guimarães) e com uma crise para lidar depois de ter sido colocado nas redes sociais um áudio com um excerto de uma conversa na garagem da Luz após o desaire em Rio Maior com o Casa Pia entre o treinador e alguns adeptos pertencentes à claque.

“Vocês têm de perceber, levam os nossos melhores jogadores. Vai tudo para a Arábia Saudita, car****! Ontem sabem com quem falei? Com dois jogadores aqui da formação, estão desejosos para voltar a esta m****! Sou eu que vou fazer esta m****, car****! Agora não é de um dia para o outro, oh Diogo [um dos presentes], não é de um dia para o outro, não se muda assim! Não se pode meter estes gajos que valem 20 milhões lá no pacote e depois são vendidos por cinco. Depois vamos comprar jogadores onde, car****?

Por muito difícil que seja, sei que é, vocês já viram a minha equipa a jogar! Vocês já viram a equipa de iniciados, de juvenis, de juniores, da equipa B, da equipa A… Quando a gente tem jogadores e a trocar a bola, a gente dá três toques e perde o car**** da bola como andamos a fazer… Vocês acham que essa m**** não dói, estar ali a analisar jogos? Fazer um jogo como fizemos com o Barcelona e depois dar dois penáltis e uma carambola? Ou nos últimos cinco jogos sofrer golos de bola parada porqque ninguém salta? Como é que eu mudo esta m****, meu? Vou dizer assim, ‘Olha sócio, faz aí o pino’. Consegues fazer o pino? Há gajos que não conseguem. Embora, segue. Tem de andar. Eu vou fazer isto! Para quem diz que esta m**** não é o Benfica… Isto não é tratar mal o clube mas… Pode durar o tempo que durar, o alvo mais fácil é sempre o treinador, mas depois vem outro, outro, outro e não vai conseguir resolver o problema. Eu é que vou mas vai demorar car****, vai demorar um bocadinho. Se eu for assim como estou para o car**** da televisão, o que é que eles dizem depois, Diogo? Que já perdeu a calma, que perdeu isto e aquilo, expõe os jogadores…”

A reação a 144 segundos de áudio (do presidente ao treinador) que marcou a época

A conjugação entre maus resultados, exibições aquém das expetativas com vários erros individuais, coletivos e nas mexidas na equipa e o áudio colocaram Bruno Lage em xeque no universo benfiquista. De forma célere, a estrutura encarnada reuniu e entendeu marcar uma conferência de imprensa para o técnico explicar aquilo que entendia como algo tirado do contexto, com apenas 144 segundos entre meia hora de conversa que teria sido ouvida por todos os responsáveis incluindo jogadores e que não tinha qualquer informação ou ideia que não tivesse sido falada no balneário ou com a SAD, nomeadamente com o líder Rui Costa.

“A responsabilidade do resultado de ontem e do insucesso é minha. Mas a exigência para com os jogadores é máxima. Uma equipa que chega em primeiro lugar não pode sofrer os golos que tem vindo a sofrer de bola parada. Nunca disse que os jogadores não lutam, não correm ou não saltam. Na situação de bola parada, não saltámos. Temos de continuar a trabalhar. Jogadores de 20 milhões? Vem no contexto em que os adeptos, pela emoção, disseram para tirarmos estes jogadores do plantel e metemos miúdos. As coisas do mercado não funcionam assim. Não se pode tirar um jogador de 20 milhões do plantel e depois ficar com um valor de mercado de cinco milhões. Há um sentimento de união muito porque temos consciência do trabalho que temos para fazer. A instabilidade vem dos resultados, ainda não conseguimos ter consistência”, disse.

“Estou muito seguro daquilo que estava a dizer. Foi uma conversa de 35 minutos e vocês só tiveram acesso a um minuto e meio de áudio com coisas fora de contexto. Aquilo que quis passar, e sinto que passei, é que a união é muito importante. Aquilo que quis passar é que nós sabemos o que estamos a fazer e temos muito a ganhar. Este áudio não mina a confiança do balneário no treinador. Os jogadores também fazem uma análise crítica. A forma como temos sofridos golos não é de uma equipa que está em primeiro e que quer ganhar provas. Tudo aquilo que foi dito aos adeptos foi analisado com os atletas”, acrescentou o técnico.

Benfica`s headcoach Bruno Lage reacts during their Portuguese First League soccer match with Sporting held at Luz Stadium, Lisbon, Portugal, 10th May 2025. TIAGO PETINGA/LUSA

Bruno Lage conseguiu mudar o sentido da temporada depois do triunfo em Turim com a Juventus, chegando "vivo" a todas as decisões

TIAGO PETINGA/LUSA

Rui Costa preferiu não ter qualquer intervenção pública sobre o assunto, deixando todas as declarações para depois do decisivo encontro em Turim frente à Juventus para a Champions. A ideia de abdicar mais uma vez do treinador na mesma temporada não foi colocada em causa mas o presidente dos encarnados sabia que Lage ficara mais fragilizado a partir do momento em que aquele áudio se tornou público. Nenhum jogador gosta de ser exposto publicamente, ninguém gosta de sentir que existem tratamentos diferenciados no mesmo grupo, todos tinham consciência de que ninguém ficara bem depois das últimas exibições. O “barco” de Lage era de todos e foi assim que o Benfica arrancou uma das exibições mais completas da temporada, com uma vitória frente à Vecchia Signora que permitiu o apuramento para o playoff da Liga dos Campeões.

A partir daí, aquilo que se foi vendo como imagem de marca foi um Bruno Lage mais virado para os adeptos. Quando terminou o encontro em Turim, o técnico fez questão de ir à zona onde estavam concentrados os encarnados de punho cerrado como se fosse um “deles”. Alguns poderiam continuar a criticar o momento da equipa e o teor daquele áudio, para o treinador só interessavam aqueles que iam ao estádio apoiar a equipa. “Aproximei-me dos adeptos e disse para acreditarem no nosso trabalho. Há uma união fantástica na equipa, hoje foi um grande exemplo disso. Nós entendemos a paixão dos adeptos, eles estão sempre presentes. Os jogadores e os adeptos sabem que têm um treinador que sabe o que quer e o que é preciso para continuar a crescer. Os jogadores sabem que têm um líder que vai defendê-los para sempre porque são um grupo que trabalha muito”, apontou depois dessa vitória em solo transalpino na Liga dos Campeões.

“Não vou estar aqui a esconder. Foi uma semana difícil, quando o Benfica perde é uma semana difícil. Passou-se esta história do áudio, que o Bruno Lage já explicou. O parque do Estádio da Luz está aberto e estavam ali adeptos. Acabou por ser uma conversa que depois foi gravada, tal como já houve muitas no passado. Não será uma situação nova, conversas tranquilas com adeptos. O facto de ter sido naquele tom de voz não significa que tenha sido algo violento. Saíram todos com otimismo. Correu essa conversa, apareceu um áudio, se não tivesse aparecido nem se sabia o conteúdo. Foi feita onde uma derrota, onde há adeptos desiludidos, um treinador mais chateado, e que causou todo este embaraço. Mas, como foi prometido, não teria implicações naquilo que é o relacionamento entre treinador e equipa. A prova foi cabal. Acham que se houvesse esse atrito a equipa teria dado a resposta que deu? Se houvesse essa polémica? Se isto foi uma coisa que beneficiou o Benfica ou o ambiente? Já disse que não. Mas temos de saber ultrapassar e responder em campo. E foi isso que aconteceu hoje”, resumiu Rui Costa. O assunto estava de vez encerrado na Luz.

As duas semanas que deitaram por terra a “tropa” que perdeu as duas batalhas

Era esse o gatilho para o resto da época. Depois de eliminar o Mónaco, o Benfica caiu nos oitavos da Liga dos Campeões frente ao Barcelona mas em termos internos consentiu apenas um empate (polémico) frente ao Arouca na Luz, quando estava já com dois pontos de avanço em relação ao Sporting. Antes e depois, foi aproveitando os deslizes verde e brancos, garantiu a qualificação para a final da Taça de Portugal, encontrou um modelo de jogo que permitia “fintar” ausências por lesão de peças-chave como Di María ou Aursnes (e aconteceu em simultâneo, juntando-se aos problemas de maior gravidade de Bah e Manu Silva), colocou-se num patamar onde estava na luta por todos os títulos internos. A forma como Rui Costa lidou com o áudio e todo o ruído criado foi a melhor, o próprio Bruno Lage também “mudou” depois desse episódio.

Por um lado, houve duas palavras que passaram a surgir em quase todas as intervenções públicas do técnico antes e depois dos jogos: tropa e família. Por outro, acima do momento do seu regresso, viu-se uma versão de Lage mais empática com os adeptos e a procurar uma crescente comunhão entre o que se fazia dentro de campo e o que se pensava fora dele. Nem tudo foram facilidades neste regresso à Luz com um plantel que não foi construído por si mas que viu o reforço em janeiro compensado com a melhoria das exibições e sobretudo dos resultados. No entanto, Bruno Lage, que chegou como “mais um”, soube perceber os momentos da época à luz do que se passava dentro e fora do Benfica para fazer a metamorfose para a versão “um de nós”.

GettyImages-2216349564

Depois de ter perdido o Campeonato na última jornada, Bruno Lage perdeu também a Taça de Portugal... no último minuto do tempo regulamentar

AFP via Getty Images

No entanto, e numa fase decisiva, tudo ruiu. O empate diante do Arouca abortou a possibilidade de chegar ao decisivo dérbi na Luz com dois pontos de vantagem, nova igualdade diante do Sporting colocou o Benfica a depender de terceiros para poder ser campeão e a última jornada terminou com o rival a festejar o título enquanto os encarnados não iam além de um empate em Braga. Como o próprio admitia, a Taça de Portugal não iria salvar a época mas seria “muito importante”. Também aí, no culminar de duas semanas “negras” na temporada de 2024/25, nem o facto de ter sido melhor “durante 99 minutos e 30 segundos” chegou para alcançar a vitória. No final, sobraram críticas à arbitragem e a admissão de que o futuro passará por uma conversa com o presidente, Rui Costa. O líder assegurou que ficava mas o cenário ainda pode mudar.

Como se percebeu também no final do encontro, sobretudo quando o técnico se aproximou de uma bancada que estava quase despida de adeptos para agradecer e ainda ouviu muitos contestatários a insultar equipa técnica e jogadores, o caminho de Bruno Lage ficou bem mais estreito sendo mais um ou “um de nós”. O Benfica ganhou apenas um Campeonato nos últimos seis anos, ficou bem atrás dos rivais diretos olhando para as derradeiras quatro épocas mas o treinador corre o risco de sair quase como um culpado que é tudo menos único mas que se vê entrar numa espiral benfiquista que pede cada vez mais mudanças.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.