A Roménia, cilindrada por sucessivos sádicos, é hoje um poço de estimulantes imprevistos. E a região da Transilvânia é sumptuosa. Com as montanhas dos Cárpatos em fundo, vagueando de terra em terra, a planície apresenta uma agricultura cuidada e próspera, os locais a visitar são constantes assombros, a limpeza rural e urbana é irrepreensível e, em geral, as urbes apresentam a harmonia arquitetónica típica da Europa Central.
Roménia e Portugal, apesar de os idiomas terem a mesma raiz latina, são realidades culturais não comparáveis, unidos os dois países apenas pela a pertença à mesma União Europeia (sem que eles tenham adotado o euro) e por casamentos entre as respetivas realezas. Tal abismo no perfil das duas culturas torna a Roménia e, em particular, a região da Transilvânia, num destino fascinante e ainda com pouco turismo. Supõe-se que por ineficácia na promoção do país.
A história desta região europeia é muito conturbada, e a consciência nacional romena é tardia. Começou a tomar forma entre os séculos XVIII e XIX, cultural e politicamente, procurando afirmar-se entre os grandes impérios eslavos (Rússia), germânicos (Áustria-Hungria) e otomanos. A Roménia moderna surgiu apenas em 1859, mas a nação romena unificada como hoje a conhecemos, data de 1920. Para acrescentar à confusão, a Casa Real da Roménia foi fundada em 1866, tornou-se um reino em 1881, e foi abolida em 1947.
É um país bem mais pobre que o nosso, com um PIB per capita em 2024 de €17.000, sendo o português €27.800. No entanto, em 2024 o crescimento económico foi de 1,9 % em Portugal e de 3,6 % na Roménia, quase o dobro.
Até 1947 mudou de configuração fronteiriça muitas vezes. Ao longo da história o país foi cilindrado por todo o tipo de guerras, exílios, mortes violentas, e um sofrimento colectivo quase ininterrupto até ao final do sádico comunismo em 1989.
Este belíssimo, e hoje pacífico e amável país, exige ser conhecido. Mas, cuidado, Há dois preconceitos a esbater, que infetam a imagem e a perceção da Roménia: um, os roma/ciganos; o outro, o Drácula.
Não é justo. E é falso: a realidade é muito diferente.
▲ A Transfăgărășan, a estrada que atravessa a região sul dos montes Cárpatos da Roménia e que liga a Transilvânia à Wallachia
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Comecemos pelo Drácula. Trata-se de um produto ficcionado por um livro com esse título, escrito no fim do século XIX, inspirado na história, literatura e folclore romenos, que acabou por criar uma imagem poderosa, mas fictícia, da região da Transilvânia e da Roménia.
Em 1897, o escritor irlandês Abraham Stoker publicou o romance Dracula, apesar de nunca ter visitado a Roménia. Usou elementos históricos e geográficos verdadeiros (como os Cárpatos ou o belíssimo Castelo de Bran) e inventou o personagem Conde Drácula, um vampiro transilvano, aristocrata e imortal.
O nome “Drácula” vem de Drăculea (filho do Diabo), usado por Vlad III, o Empalador, que viveu no século XV. Foi príncipe da Valáquia, uma região no sul da Roménia. Governou com repugnantes requintes de malvadez, punindo os criminosos com extrema crueldade, especialmente por empalamento (daí o epíteto). Foi Vlad o inspirador de Abraham Stoker.
Empalamento é uma forma de execução utilizada desde a Antiguidade, bem pior que a vampiresca. A vítima é atravessada por uma estaca de madeira afiada, introduzida pelo ânus, pela vagina ou pelo abdómen, atravessando lentamente o corpo até sair pelo peito, pescoço ou boca. A estaca não era excessivamente afiada, para não perfurar órgãos vitais de imediato, prolongando assim o sofrimento da vítima durante horas ou até dias. A estaca ficava depois cravada no chão na vertical, para que a vítima morresse exposta, como forma de dissuasão ou terror público.
A Roménia tem um folclore algo sinistro, muito virado para figuras fantasmagóricas, para o sobrenatural (não religioso, claro), para os mortos-vivos, espíritos vampíricos, lobisomens e bruxas. Estes mitos locais foram posteriormente associados retroativamente ao Drácula do ficcionista irlandês Stoker. Mas a figura do vampiro, tal como está descrita no romance e em numerosos filmes, é uma criação ocidental, não constituindo uma tradição romena.
O Castelo de Bran, na Transilvânia, é conhecido como “Castelo de Drácula”, apesar de Vlad Țepeș, o Empalador, nunca ter vivido ali. Abraham Stoker nunca menciona Bran, mas a descrição que faz encaixa, acabando por se tornar ícone do mito turístico de Drácula, atraindo ali cerca de 900.000 visitantes anuais. É de imponência atemorizadora, está muito bem mantido, sendo propriedade da família real romena. É um destino obrigatório para quem visitar o país.
O outro preconceito refere-se à população roma/cigana na Roménia, com cerca de 2 milhões de pessoas (10% dos habitantes do país), sendo os números oficiais muito inferiores. À volta de 60% vive em condições de auto-segregação residencial, em aldeias remotas ou bairros de lata dos subúrbios urbanos. Vivem em zonas de pobreza estrutural, baixo nível de escolaridade, difícil acesso a cuidados de saúde, falta de água potável, sendo raro o emprego formal, com abrangente exclusão social e discriminação institucional. A auto-segregação cigana conduz naturalmente à discriminação generalizada por grande parte da sociedade, um fenómeno observado não só na Roménia, que conta com cerca de 25% da etnia. À volta de 75%, dispersa pela Europa, sofre do mesmo.
Apesar das absurdas advertências locais, os roma/ciganos não devem ser considerados uma preocupação em termos gerais de segurança. A pequena criminalidade, comum nas grandes cidades romenas ou em zonas muito turísticas, não é específica dos ciganos, nem justifica que se trate um grupo étnico como uma ameaça. Mas nas aldeias e bairros de lata suburbanos deve-se evitar entrar sem ser convidado, seja para evitar complicações, seja por uma questão de respeito.
Agora, quanto ao sumo da coisa romena
Fiquei surpreendido por, numa amável visita guiada por Nicolae Medforth-Mills (nome completo Nicholas Michael de Roumanie Medforth-Mills) ao incontornável Castelo de Bran, este membro da Família Real romena (que só começou a aprender romeno aos 25 anos, em 2010, quando regressou à Roménia) não ter referido ser descendente direto do Rei Dom Miguel de Portugal. E tão pouco falou do Rei Carol da Roménia, bisavô de Nikolae, que viveu e morreu no exílio no Estoril, onde a sua casa é hoje um condomínio privado — “Condomínio do Rei Carol”, na Rua do Alentejo. Mas o silêncio de Nikolae aí foi compreensível, porque a vida do bisavô foi muito agitada pelo jogo compulsivo e ruinoso, pelas amantes, nomeadamente pela última, a atriz Magda Lupescu, que era vista como uma influência nefasta, tida como intermediária em negócios corruptos e obscuros de Carol. Morreu em 1953, tendo sido inicialmente sepultado no jazigo dos Braganças em S. Vicente de Fora, e trasladado para a Roménia, após o fim do regime comunista.
Na Roménia não há hoje guerras fratricidas entre pretendentes ao trono como a que houve em Portugal entre D. Miguel e D. Pedro IV, até ao exílio do primeiro na Áustria, em 1830. Mas a situação sucessória da liderança daquela Casa Real é bem complexa, e Nikolae é o centro da questão.
▲ Cluj, uma das mais importantes cidades da Transilvânia, tem história como vibrante centro cultural e político
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O seu avô, Rei Miguel I da Roménia, concedeu-lhe o título de “Príncipe da Roménia” com o tratamento de “Sua Alteza Real”. No entanto, a 1 de agosto de 2015, o mesmo Rei assinou um documento que retirou esse título a Nikolae e o excluiu da linha de sucessão.
Apesar da revogação do seu título de Príncipe, Nikolae continua a ser uma figura pública na Roménia. Está envolvido em várias atividades de solidariedade social e de promoção dos valores culturais do seu país. E mantém uma presença ativa na vida pública. Embora já não detenha um título real oficial, continua a ser comummente referido pelo público e pelos media como “Príncipe Nikolae”, em reconhecimento da sua linhagem e do estatuto que anteriormente detinha.
Ao entrar-se nesta história, vem à superfície toda uma intrigalhada digna da revista Hola. Como é óbvio, isto é pouco ou nada relevante para o cenário romeno atual, já que a monarquia foi abolida pelos comunistas em 1947.
Nesse panorama político, que nunca foi assunto nesta visita, foi curioso verificar a total ausência de cartazes de propaganda das controversas eleições presidenciais romenas, anuladas em novembro de 2024, e repetidas a 18 de maio de 2025, muito badaladas internacionalmente.
Pernoitei duas noites na bela propriedade de Zabola (que recomendo), situada nas montanhas dos Cárpatos, com 500 hectares de prados, florestas, lagos e um castelo do século XVI, com edifícios anexos, onde os proprietários recebem hóspedes.
Aí foi proporcionada uma incursão pelas florestas, a meu ver assaz ousada. Sim, porque deixámos o 4X4 algures numa escalada da montanha, para, por um caminho muito enlameado e traiçoeiro, seguir 300 metros a pé, em silêncio total, e liderado por um ranger até uma cabine de onde, em segurança, pudemos observar numerosos ursos colossais que por ali andavam atraídos por comida conveniente e estrategicamente espalhada uma hora antes desta incursão, em torno do posto de observação. No regresso, o ranger apontava, sem mostrar qualquer receio, uns ursos que atravessavam o caminho uns metros à frente, sem nos ligarem. Para um neófito nestas coisas, que recorda apenas ursos amestrados nos circos, foi uma passeata florestal pouco tranquila. Até porque lera notícias recentes de descidas aos povoados destes poderosos monstros, provocando vítimas mortais.
O ziguezaguear pela Transilvânia foi bem pensado, permitindo perceber a história perturbadora daqueles povos, com Igrejas fortificadas (verdadeira fortalezas), castelos, populações ora húngaras, ora alemãs/saxónicas, ora romenas, ora ciganas.
A propósito de aldeias saxónicas, a população de idioma alemão (os chamados saxões da Transilvânia) da aldeia de Saschiz, passou, como todas as aldeias alemãs, por um declínio dramático entre 1900 e o final do regime comunista em 1989. Este declínio foi causado por uma combinação de guerras, perseguições políticas, discriminação económica e, mais tarde, emigração em massa para a Alemanha.
Saschiz tem uma (do século XIII, e classificada pela UNESCO) das 150 igrejas fortificadas da Transilvania. As Igrejas foram fortemente muradas para proteger as comunidades locais de língua alemã contra as invasões tártaras (século XIII), e dos mil e bárbaros ataques e saqueios de otomanos e de incontáveis e sucessivos bandos armados de todo o tipo, nos séculos seguintes ao século XIV. Os saxões germânicos eram obrigados a proteger-se por conta própria, construindo essas espessas muralhas em torno das Igrejas, com torres, esconderijos e até celeiros fortificados, onde a população da aldeia podia ficar encerrada durante meses. Daí tantas Igrejas fortificadas na Transilvania.
Saschiz era uma aldeia saxónica próspera, com uma maioria de população de origem germânica e protestante luterana. A língua alemã (dialeto saxão) era dominante na vida quotidiana, na igreja e na escola, no exercício da agricultura, do artesanato e das pequenas indústrias.
Na visita à Igreja fortificada Saschiz (classificada pela UNESCO), guiou-me um saxão/alemão, que fala Hochdeutsch (alemão cássico) em casa, particularmente ilustrado, pai de três filhos e agricultor local. Foi a pessoa mais esclarecida com que tropecei nesta viagem. Contou-me a história dos painéis colocados de cada lado do altar, que mostram os nomes dos mortos da aldeia nas duas Guerras Mundiais, com o número da porta da casa que habitavam antes de partir, testemunhos comoventes dos grandes conflitos do século XX.
▲ O Ateneu Romeno, edifício inaugurado em 1888
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Na Primeira Guerra Mundial (1914–1918), a Transilvânia não era romena, e fazia ainda parte do Império Austro-Húngaro, com forte domínio húngaro. Os saxões da aldeia de Saschiz, súbditos austro-húngaros, foram mobilizados para o exército imperial para a frente oriental e balcânica em unidades do seu país de então.
Após a guerra, com a integração da Transilvânia na Roménia em 1920 (Tratado de Trianon, assinado em Versailles), a memória desses mortos ficou preservada dentro da comunidade germânica como um símbolo de identidade e luto coletivo.
Na Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a situação foi ainda mais complexa. Os saxões da Transilvânia passaram a viver sob o regime romeno de Antonescu, aliado da Alemanha nazi. Muitos saxões foram alistados na Wehrmacht e nas Waffen-SS, havendo deportações, em massa, com milhares de vítimas mortais entre os que se recusaram a colaborar.
Estes memoriais são mais do que uma lista de nomes — são documentos históricos vivos da presença germânica na Transilvânia, hoje quase desaparecida, e das tragédias milenares que acossaram os territórios que agora constituem a Roménia. Representam também a dupla identidade e o destino trágico da minoria saxónica: leais ao seu país de ocasião, mas politicamente divididos e muitas vezes apanhados entre potências em guerra.
Como tudo o que passaram fosse pouco, em 1945-46, milhares de alemães da Roménia (incluindo os de Saschiz) foram deportados à força para campos de concentração na URSS. Os que ficaram, enfrentaram confisco de propriedades, nacionalização de terras e empresas, restrição da liberdade religiosa e cultural. Muitos mudaram-se para cidades ou emigraram clandestinamente para escapar à repressão.
O líder comunista Nikolae Ceaușescu promoveu uma política de “homogeneização nacional”, com pressão contra as minorias étnicas, sobretudo alemãs. Resultado: êxodo massivo nas décadas de 1970 e 1980. Em Saschiz, a comunidade alemã quase desapareceu. Hoje, restam 5 famílias. A igreja fortificada é mantida por ex-membros da comunidade, agora residentes na Alemanha, com apoio internacional.
Os portugueses aprenderam mal, ou não lhes foi ensinada devidamente, a verdadeira e trágica história da Europa Central, designadamente quanto às decisões políticas enlouquecidas das principais potências, que levaram num crescendo à Primeira Guerra Mundial de 1914-18 (decisões absurdas semelhantes às muitas que hoje testemunhamos !!!), e tudo o que lhe sucedeu no século XX, ou seja, cerca de 100 milhões de mortos. A Roménia é um exemplo gritante de catástrofes que no século XX, só pararam há poucos anos, em 1989, com a eliminação do ditador comunista Ceaucescu.
Em Bucareste, fui a um concerto da Filarmónica “George Enescu” para ouvir Mozart e Schubert, num edifício inaugurado em 1888 e conhecido como Ateneu Romeno. Grande parte do público tinha mais de 50 anos. Como o comunismo sangrento só terminou em 1989 com o fuzilamento de Ceaucescu, não foi difícil concluir que grande parte daquela gente que me rodeava integrara ativamente esse regime enlouquecido, ou como informadores da sinistra Securitate, ou integrando os quadros de um mundo exclusivamente estatal e sem economia privada. Fizeram-no, ou por convicção, ou pelo terror à tortura, ao rapto, ao desaparecimento e à morte no caso de não cumpritrem à risca a bíblia marxista-leninista. Foi o destino de milhares que não satisfazeram as minuciosas exigências da Securitate, designadamente na denúncia.
O regime de terror de Nicolae Ceaușescu na Roménia iniciou a sua fase mais cruel a partir do final da década de 1970. O início da década de 80 marcou o período mais duro de repressão, racionamento severo de alimentos, medicamentos, eletricidade, carvão para o aquecimento, etc.. Em 1980, o regime atinge o auge da censura, do controlo policial, da vigilância, da denúncia em massa à Securitate de cada vizinho, colega de trabalho ou conhecido, e da miséria económica generalizada, culminando na revolta popular de dezembro de 1989, que levou à execução sumária por fuzilamento de Ceaușescu e da sua mulher, Elena, no dia 25 de dezembro desse ano.
A residência de Nicolae Ceaușescu, em Bucareste, é uma mansão situada numa vasta zona então reservada à elite comunista. Tem mais de 80 divisões em 3 000 m² de área construída com materiais de excelência, num luxo ocidental mesclado com a ostentação socialista. Além de um magnífico e ameno jardim de inverno e de uma grande piscina interior aquecida (com um mecanismo para fazer ondas), e outras amenidades (spa, bunker, sala de música, etc), tem uma sala de cinema, onde assisti à projeção de um curto filme sobre a Roménia de Ceaucescu que não lhe faz qualquer crítica, nem refere como o homem acabou. Apesar da extrema escassez dos anos 80, esse carniceiro vivia num ambiente de vergonhoso e chocante excesso, indiferente ao sofrimento da população.
▲ Hoje, a Roménia, numa pluri-etnia em convívio pacífico, é um país ressuscitado. Na foto: a capital, Bucareste
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Este casarão, impecavelmente conservado, aberto ao público e com poucos visitantes, é um monumento à obscenidade e um símbolo da megalomania do regime comunista.
A periferia de Portugal, e o nosso jardim à beira-mar plantado, nunca nos permitiu perceber cabalmente a colossal dimensão do martírio humano do último século, vivido na Europa Central e em países como a Roménia.
Foi apenas e nada mais que um livro que motivou esta viagem à Roménia, A Trilogia da Transilvânia, do húngaro Miklós Bánffy, uma obra prima. A fascinante narrativa decorre em Budapeste, na Transilvânia na cidade de Cluj, e nas florestas dos Cárpatos, tudo parte da então Hungria. Passa-se nos anos anteriores a 1914, e no fim do Império Austro-Húngaro, em 1918. Cluj era então um vibrante centro cultural e político, e Banffy tinha aí um palácio sumptuoso, além do Castelo de Bonțida, a cerca 25 quilómetros, propriedade ancestral da sua família húngara. Entre a cidade de Cluj e o castelo, decorriam bailes resplandecentes, caçadas, e os rituais da vida de clube da alta sociedade e de jogo de elevada parada, um mundo em desmoronamento total, só contido em 1989 com o fuzilamento do algoz Ceaucescu.
Hoje, a Roménia, numa pluri-etnia em convívio pacífico, é um país ressuscitado.