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ANTÓNIO COTRIM/LUSA

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Auto-elogios, ataques aos adversários e olhos nas legislativas. As frases da noite eleitoral, nas entrelinhas /premium

Em discursos curtos, líderes partidários e cabeças de lista cantaram vitória ou assumiram derrotas. Quase todos deixaram farpas aos adversários. Alguns apontaram culpas a outros — até a jornalistas.

Os vencedores destacaram o sucesso das suas estratégias, os derrotados apontaram a explicações dentro e fora dos seus partidos — alguns com recursos a teorias da conspiração. Nos discursos da noite eleitoral também se falou muito de abstenção, de política nacional e das eleições que só são em outubro, mas que parecia que eram já hoje — as legislativas.

[Difamações, frustrações e outras lamentações. A noite eleitoral num minuto]

Rui Rio, PSD

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Claro que tenho condições para levar o PSD a um bom resultado. Que fique aqui claro: ando há 61 anos nesta vida e há muitos anos na vida pública. Eu não abandono. Eu assumo as minhas responsabilidades. Só se eu estivesse completamente farto é que aproveitava esta desculpa para me ir embora e fugir às minhas responsabilidades. Uma eleição europeia não tem a ver com as legislativas.”

Foi uma das perguntas mais insistentes dos jornalistas e Rui Rio respondeu sempre no mesmo tom: não, os resultados nestas eleições europeias, aquém daquilo que ele próprio tinha definido como objetivos, não o fazem sair da liderança do PSD. Depois de assumir que era um mau resultado — e que não valia "estar com floreados" ou a "tapar o sol com a peneira" — explicou que a mensagem do PS passou melhor que a do PSD. De quem é a responsabilidade? "A responsabilidade é do PSD como um todo. O Dr. Paulo Rangel tem um bocadinho mais de responsabilidade e eu também, porque sou líder do partido", admitiu. Uma análise mais detalhada sobre os porquês, garante Rio, virá a seguir — mas dentro de portas. O líder social democrata recusa fazer "um striptease em público, a dizer o que está melhor e o que está pior". Seja como for, Rio tem uma certeza: os resultados deste domingo não significam nada em relação às eleições legislativas de daqui a quatro meses. Sublinha que só o PSD pode ser alternativa ao PS — e que essa "etapa" para isso começa já esta segunda-feira, com um objetivo definido: "Ganhar as eleições".

“Se já foi difícil andar um ano com turbulência interna e chegar a estas eleições assim, como não será chegar a outubro se entretanto vierem fazer a mesma coisa?

No striptease que o PSD vai fazer para perceber onde falhou, Rui Rio não espera encontrar a marca de Luís Montenegro. O líder social democrata recusou responsabilizar o seu ex-adversário interno pelos resultados, porque isso seria “sacudir a água do capote e atirar as responsabilidades para os outros”. Ainda assim, deixou claro que espera menos turbulência dentro do partido, pelo menos até às legislativas — sublinhando que essa tensão dificultou o caminho para estas eleições.Do discurso de Rio sobra, porém, a insistência num ponto que esteve na base, precisamente, dos maiores ataques internos de que foi alvo no último ano: a disponibilidade para chegar a acordos com o PS. Na declaração, o antigo presidente da Câmara do Porto voltou a dizer que "os partidos têm, acima de tudo, de ser capazes de dialogar por Portugal" e de "fazer aquelas reformas que são decisivas para o futuro". Depois, já na resposta aos jornalistas, explicou que os consensos que quer com outros partidos não são para já, mas para depois das legislativas — procurou-os em 2018, mas, em ano eleitoral, não o poderia fazer.

Paulo Rangel, PSD

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Isso é algo que só um astrólogo poderá dizer. (…) o que eu digo é: sinceramente eu acho que aí não há grandes conclusões a tirar. Nós tínhamos um objetivo que não foi cumprido e isso é motivador para nós porque permite-nos tocar a rebate, se quiser uma expressão mais popular.”

O aparente otimismo social-democrata quanto às legislativas estende-se ao cabeça de lista. Paulo Rangel discursou ainda antes de Rui Rio — ao contrário dos outros partidos, os dois não partilharam o palco ao mesmo tempo, levando mesmo a que Rangel dissesse que não se sentia sozinho: "Estou em crer que ele passará por aqui hoje". As declarações de ambos tiveram, de resto, muitas semelhanças. Também Paulo Rangel recusou traçar cenários (astrológicos) sobre o que estes resultados permitem antecipar para as eleições nacionais. Pelo contrário, Rangel vê até uma coisa boa: a derrota deste domingo pode mobilizar as tropas — o tal "tocar a rebate". Assumindo a derrota como "responsabilidade do coletivo", mas também sua, sublinhou a fase difícil para o partido em que a campanha arrancou, não apenas dentro como fora, admitindo que nenhum dos dois objetivos — ganhar as eleições ou, caso não fosse possível, aumentar o número de deputados — foi cumprido. Pior: "A diferença é uma diferença grande. Disso não há dúvida".

“Houve uma espécie de OPA nacional, de nacionalização da campanha tomada pelo primeiro-ministro e isso dificultou a passagem da mensagem europeia. (…) É evidente que só houve uma figura do PS na campanha e até na pré-campanha.”

Porque é que a mensagem do PSD não passou? Paulo Rangel tem uma tese: António Costa lançou uma OPA à campanha e "nacionalizou as eleições", assumindo-se como a única figura do PS, o que afastou o debate das questões europeias. Será, provavelmente, também a isso que Rangel queria referir-se quando, logo à cabeça do seu discurso, deu os parabéns ao PS pela vitória — "com todo o fairplay" — "independentemente de considerações que se possa fazer sobre essa vitória".

António Costa, PS

MIGUEL A. LOPES/LUSA

“Este resultado significa um voto de confiança no PS e assumimos este voto de confiança com humildade e profundo sentido de responsabilidade. É evidente destes resultados a derrota muito clara que o PSD e o CDS sofreram. E é também muito claro que os partidos da solução governativa que junta o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP tiveram uma vitória na noite de hoje.”

Com o ataque direto a CDS e PSD — também Pedro Marques já tinha dito que os resultados representavam uma derrota da direita —, António Costa quis estender a vitória do PS aos seus parceiros na solução governativa (mesmo apesar de a CDU ter perdido um eurodeputado). Mas além dessa tentativa de colagem entre os três partidos, o secretário-geral socialista também deixou claro que não tem planos para procurar entendimentos de bloco central. Só em "condições extraordinárias de unidade nacional" trabalharia com o PSD, mas "uma grande coligação do PS e PSD enfraqueceria a democracia". Costa defende essa ideia com o interesse do país: "No nosso sistema partidário há dois partidos que podem criar alternativas do Governo, não seria saudável para a nossa democracia" fazer acordos com eles.

“Interpretamos este resultado não como um cheque em branco, mas como exigência de responsabilidade. As contas certas são o objetivo que vai ficar até ao fim.”

Uma no cravo, outra na ferradura. Costa não vê razão para mudar a agulha nos acordos à esquerda — "a atual solução assegurou boa estabilidade política e bons resultados económicos e sociais" —, parece defender a velha máxima de que em equipa que ganha não se mexe — "não há nenhuma razão para alterar o que produziu bons resultados” —, mas lá pelo meio do discurso até elogioso sobre os partidos à esquerda, vem o recado: "Contas certas" — uma resposta direta ao PCP e ao Bloco de Esquerda, por causa das posições que têm assumido em questões como a das carreiras dos professores.

Pedro Marques, PS

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

“A vitória do PS nestas eleições é um verdadeiro farol de esperança. Ganhámos de forma clara, crescemos em votos e em percentagem. E ficámos a mais de 10% do nosso adversário principal. Isso ganha particular significado porque estamos a governar o nosso país.”

Foi um Pedro Marques em êxtase aquele que se apresentou ao militantes para o discurso de vitória. No único palco da noite eleitoral com dois palanques — um para o cabeça de lista, outro para o líder do partido — o novo eurodeputado socialista começou por lamentar a abstenção — com a qual se mostrou muito preocupado —, encontrando uma explicação para os cerca de 70% que decidiram não ir votar: "As pessoas não perceberam totalmente a importância do Parlamento Europeu", disse, culpando as campanhas "carregadas de soundbytes e de ataques pessoais". Minutos depois estava, porém, a assumir que a campanha em Portugal teve mais de política interna do que temas europeus, ao assumir os resultados, positivos para o PS, como "uma enorme vitória da governação dos últimos três anos e meio" — sendo certo que António Costa já tinha feito destas europeias uma espécie de primárias para as legislativas de outubro. Marques destaca, aliás, os 10% de distância para o PSD, apesar de o PS ser o partido no governo (normalmente castigado neste tipo de eleições).

Assunção Cristas, CDS-PP

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

“Sabíamos nestas eleições que a abstenção seria o nosso maior obstáculo — e assim foi. A polarização de votos à direita foi outro fator relevante e a ter em conta. (…) Compreendemos bem o sinal que os eleitores nos quiseram dar, contarão com mais empenho, mais trabalho na construção de uma política positiva e na construção de uma alternativa aos socialistas e às esquerdas.”

Assunção Cristas e Nuno Melo entraram na sala onde fariam um discurso de derrota com um sorriso que, percebia-se, não era fácil de manter. Cristas falou primeiro e, assumindo que o partido não atingiu o objetivo que tinha, não conseguindo eleger um segundo eurodeputado, apontou o dedo à abstenção que, já sabia, seria "o maior obstáculo". E, tal como o PSD, também viu razões para o fracasso no aparecimento de outros partidos à direita, que acabaram por dispersar o eleitorado.Ainda assim, a líder do CDS parece assumir alguma culpa própria do partido. Diz que percebeu "bem" a mensagem dos eleitores, prometendo mais empenho na tentativa de ser uma alternativa às esquerdas.

Nuno Melo, CDS-PP

José Coelho/LUSA

“Preliminarmente, percebemos que o PCP perde candidatos, o CDS mantém, mas não conseguimos atingir os nossos objetivos. Eu, pessoalmente, não transformo derrotas em vitórias e assumo os resultados como eles são.”

São duas alfinetadas ao PCP no mesmo parágrafo. Nuno Melo diz que a primeira coisa que percebe dos resultados é que "o PCP perde candidatos", mas olhar para o vizinho antes de olhar para dentro não é mau perder, garante. Até porque ele, pessoalmente, não transforma "derrotas em vitórias" — numa indireta às primeiras reações da CDU, que falou apenas em resultado "negativo" e, como veremos, apontou o dedo a uma campanha de difamação alegadamente montada para fragilizar a coligação. Melo, que renova a sua presença no Parlamento Europeu, mas sem a companhia de Pedro Mota Soares, o número 2 da lista, ainda citou Hemingway — para dizer que, nas trincheiras, interessa mais quem se tem ao lado do que a guerra propriamente dia —, para garantir que teve todo o apoio do partidos, das estruturas e dos militantes e que, por isso, se não chegou ao objetivo, o "único responsável" é ele. Mais tarde, já fora do palanque dos discursos, diria aos jornalistas que não fazia de conta que tinha conseguido uma vitória, mas não podia querer que fizesse o contrário: “Também não vou interiorizar a derrota que outros queriam que assumíssemos, porque isso também não é verdade”

Catarina Martins, BE

JOÃO RELVAS/LUSA

“Em dias de europeias, fazer sondagens de legislativas é precipitado. Reconheço que o resultado é simpático, mas não é momento para isso.”

O discurso de Catarina Martins revisitou muitas vezes as linhas do programa do Bloco de Esquerda, ora por definição da própria identidade, ora por oposição aos adversários. Visivelmente agradada com os resultados, a líder do BE viu nos resultados "um sinal claro da derrota da direita", mas também de afirmação da "coerência" do partido. "A direita não deu resposta e foi penalizada. Cabe agora à esquerda dar respostas. "Menos assertiva, só quando questionada sobre a sondagem da RTP que antecipa possíveis resultados nas legislativas de outubro. Catarina Martins admitiu que os 9% atribuídos ao Bloco, com o terceiro lugar,  são um valor "simpático", mas, em dia de europeias, falar de legislativas é "precipitado" — razão mais que suficiente para fechar o assunto e, assim, evitar também ter de falar de geringonça, de alianças futuras e o ponto de situação no entendimento com o PS.

Marisa Matias, BE

JOÃO RELVAS/LUSA

“O Bloco afirma-se nestas eleições como a terceira força política em Portugal e reforça assim a sua presença no Parlamento Europeu. E a todos e todas que confiaram o seu voto no BE eu quero deixar aqui o compromisso muito claro: nós vamos usar cada um desses votos para respondermos à emergência climática, para lutarmos pelo emprego com direitos, para defendermos as pensões, para defendermos os serviços públicos.”

A "emergência climática" não entrou apenas nos discursos dos partidos ecologistas nesta campanha. Marisa Matias — a eurodeputada que, a partir de agora, terá a companhia de José Gusmão, um dos homens da sua maior confiança, em Bruxelas, como eurodeputado — puxa o tema para o topo de lista das prioridades do Bloco de Esquerda, à frente do emprego com direito, das pensões e dos serviços públicos. Não seria, aliás, a única a fazê-lo esta noite: também o PS guardou espaço para o clima nos discursos. E apesar de terem sido também vários a assumir a responsabilidade pela abstenção, sobretudo no que diz respeito ao trabalho para a resolver, Marisa Matias recusou fazer parte desse grupo. "Uma coisa eu tenho a certeza: não foi o Bloco de Esquerda que contribuiu para abstenção. O BE fez uma campanha a falar daquilo que deve ser uma campanha eleitoral que é dos problemas que existem, do que falta resolver e qual é o nosso papel seja em que plano for para ajudar a resolver os problemas das pessoas."

Jerónimo de Sousa, CDU

TIAGO PETINGA/LUSA

“Ninguém tem dúvidas que durante meses, meses, onde campeou a mentira, a difamação, a desvalorização e o apoucamento da CDU e da sua campanha, [isso] teve consequências, tendo em conta que eram desferidas por importantes órgãos de comunicação social e pelos seus comentadores”

O mote já tinha sido deixado por João Ferreira, o eurodeputado que, mais uma vez, encabeçou a lista da CDU às europeias: a coligação foi alvo de uma "campanha de difamação" para fragilizar a sua campanha e reduzir o resultados eleitoral. Jerónimo de Sousa disse-o também — e mais que uma vez —, falando em mentiras vindas de "importantes órgão de comunicação social e pelos seus comentadores". O tom não é muito diferente dos comunicados que o PCP foi emitindo, nos últimos meses, a propósito da divulgação de suspeitas relacionadas com contratos entre a Câmara de Loures e o genro de Jerónimo de Sousa, ou da reportagem do Observador, que revelou que várias autarquias comunistas adjudicaram dois milhões de euros a empresas de militantes — em alguns casos, se ouvir outras empresas. Além disso, o PCP também tem sido questionado sobre as suas posições sobre a Venezuela, por exemplo — mantendo o seu apoio a Nicolás Maduro e tratando as ações de Juan Guaidó como um golpe —, ou sobre a Coreia do Norte e os relatos de violações graves dos direitos humanos, a começar pela liberdade.

“Se as eleições agora realizadas se revestiam de inegável significado, as eleições legislativas serão o momento decisivo para determinar o rumo da vida política nacional e a vida do povo português nos próximos anos.”

Jerónimo assume o resultado "negativo", mas vira quase de imediato a agulha para as legislativas. Diz que o resultado deste domingo — do qual "a defesa dos interesses do povo e do país" sai fragilizada — "só reforça a necessidade de reforçar a CDU", que tem um papel decisivo "em todos os objetivos alcançados na luta dos trabalhadores". Ainda que, admita, é preciso "afirmar-se como uma força portadora de uma alternativa" — sem se perceber se é essa a machadada final na relação com o PS como solução governativa. E isto tendo em conta que o próprio Jerónimo de Sousa admite que Costa e os socialistas podem ter capitalizado os benefícios que a CDU trouxe ao país.

João Ferreira, CDU

TIAGO PETINGA/LUSA

Cada resultado deve ser considerado e apreciado em função do quadro concreto em que é construído. É para nós claro que o quadro em que este resultado foi construído é muito diferente do quadro em que o resultado de 2014 foi construído. Desde logo, estávamos perante um quadro de intervenção da UE e do FMI que durante vários anos deixou muito evidentes o que foram consequências de políticas no plano nacional. Foi diferente este quadro também porque, desde muito cedo e durante vários meses, a CDU teve de enfrentar dificuldades que passaram por uma óbvia menorização da sua intervenção, uma desvalorização dessa intervenção e mesmo, não é altura de o esquecermos agora, teve de enfrentar campanhas difamatórias que alimentaram preconceitos a partir de aspetos da situação internacional e não só e que obviamente colocaram acrescidas dificuldades à intervenção da CDU.

Também João Ferreira fala em "preconceitos" alimentados por "campanhas difamatórias que — "não é altura de esquecermos agora" — procuraram menorizar a CDU, culpando-os pelas "acrescidas dificuldades" sentidas pela coligação PCP-PEV. Essa é parte do contexto para o qual o eurodeputado diz que é preciso olhar para perceber os resultados deste domingo — nos quais a CDU perdeu um eurodeputado. A outra parte tem a ver com a história: em 2014, o resultado foi melhor porque o país vinha ainda da intervenção da Troika, tendo as medidas de austeridade muito presentes e, por isso, valorizando a alternativa que PCP-PEV representavam. Da declaração de João Ferreira só não se percebe porque é que esses mesmos portugueses, agora, não viram na CDU a concretização da alternativa que a entrada para a geringonça permitiu pôr em prática.

André Silva, PAN

Andre Kosters/LUSA

O PAN não é uma moda. Há cada vez mais pessoas a pensar como nós, há cada vez mais pessoas a sentir que temos de ter respostas difíceis, respostas corajosas para problemas difíceis, respostas e desafios do século 21 que, do nosso ponto de vista, os partidos do sistema não têm estado a altura, não têm apresentado respostas para esses problemas. Estão na origem dos problemas e não têm sido capazes de apresentar soluções.

O PS ganhou as eleições europeias em Portugal, mas a festa maior foi na sede do PAN, que elegeu, pela primeira vez, um eurodeputado — e viu projeções a admitirem a possibilidade de eleger um segundo. Além disso, a onda verde portuguesa juntou-se a uma maré que entrou pelo Parlamento Europeu adentro — com 70 eurodeputados —, conseguindo resultados históricos em vários países. Talvez por isso, André Silva quis deixar claro que o crescimento dos verdes em toda a Europa — e também em Portugal — não é só um epifenómeno ou "uma moda". Pelo contrário, o líder do PAN diz que os resultados deste domingo são "a consolidação de um percurso que este projeto político" tem feito: "Uma nova visão sobre a forma como nos relacionamos com o outro, como nos relacionamos com as outras pessoas, como nos relacionamos com as outras formas de vida, com os ecossistemas, com o planeta e que tem muito que ver com a nossa sobrevivência daqui para a frente". Isso por antítese a todos os outros partidos, que "estão na origem dos problemas", mas não conseguem resolvê-los. Provavelmente, porque estão mais preocupados com as questões económicas. André Silva critica aquilo a que chamada "religião do PIB", sublinhando que a crise mais grave dos dias de hoje é a crise climática.

Santana Lopes, Aliança

MÁRIO CRUZ/LUSA

“Se este fosse um partido com a idade dos partidos que têm representação parlamentar, seria uma derrota. Fizemos o nosso congresso fundador há quatro ou cinco meses. Com certeza que não é uma vitória. Não é também um empate.”

Nem uma derrota, nem uma vitória, nem um empate. É difícil perceber exatamente como é que Pedro Santana Lopes olha para os resultados deste domingo. O Aliança ficou aquém do objetivo de eleger um eurodeputado, deixando Paulo Sande fora de Bruxelas. Na reação, Santana sublinhou a juventude do partido, mas garantiu que o futuro do Aliança não está em causa — mesmo que não valorize o facto de ter sido o primeiro entre os partidos que não têm representação parlamentar em Portugal. Ainda assim, diz, "Portugal ganharia muito se tivesse escolhido" entre a grande equipa que se apresentava a eleições, a começar pelo cabeça de lista.

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