A luz do dia já está baixa, quase a tocar o mar, e o cão Caju olha para a paisagem como se estivesse a admirar o pôr-do-sol. O brilho dourado parece aquecer quando toca a pele, contrastando com a temperatura mais baixa, sinal de que o inverno bate à porta. “Olha que maravilha. O Caju parece um modelo”, comenta Bárbara Guimarães, enquanto observa a tranquilidade do amigo de quatro patas. “Vai para todo o lado comigo”, garante-nos a apresentadora, que caminha pela casa à beira da praia de Troia sempre seguida pelo cão. Caju foi adotado há pouco mais de três anos. “Foi ele que me escolheu”, diz, ao contar o episódio em que foi a um canil com um amigo, e acabou por “voltar para trás” para buscar o animal, vítima de maus tratos no passado.
▲ "Não acho que os 50 sejam os novos 40. Acho que os 50 são os 50. Os 60 são os 60. É o tempo a passar, e é cuidar.", defende
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Bárbara e Caju partilham uma conexão que nasce a partir de duas histórias de recomeços. “O tempo traz uma cura”, assume a apresentadora em conversa com o Observador, numa pausa das gravações do seu novo programa na SIC Caras, “Elite Design”. No formato, que se estreou a 9 de novembro no canal do cabo, a apresentadora visita uma casa diferente por semana e conhece projetos de design de interior de luxo. Filha do escultor João Antero, cresceu no meio das artes plásticas e já teve contacto com muitos artistas portugueses. Assume-se apaixonada por design e arquitetura, e desvenda que é a responsável pela decoração da própria casa, sendo fã do estilo dos anos 1920 e buscando muita inspiração na Art Deco.
O novo projeto junta-se a formatos como o de entrevistas à cozinha “Irresistível” ou o de debates “Temos de falar”, com Ana Galvão e Ana Garcia Martins, ambos exibidos na SIC Mulher. Programas com mais espaço para pausas, conversas e até desabafos, num ritmo diferente dos que comandou no início da carreira. Aos 24 anos, Bárbara Guimarães apresentou o popular concurso “Chuva de Estrelas”, que anos antes havia lançado Catarina Furtado ao estrelato. Dois anos depois subiu ao palco dos Globos de Ouro pela primeira vez como anfitriã — e fá-lo-ia mais 12 vezes, sendo até hoje a apresentadora que mais vezes esteve à frente da gala da SIC. Ao longo de quase duas décadas seguiu no registo de concursos, apresentando formatos como “Peso Pesado” ou “Factor X”.
A transição para os programas mais voltados para o lifestyle deu-se entre 2015 e 2017, o mesmo período em que a apresentadora enfrentou o ex-marido na justiça num caso de violência doméstica. Bárbara foi casada com Manuel Maria Carrilho entre 2001 e 2013, com quem teve dois filhos. A separação oficializou-se ao mesmo tempo em que se iniciou um processo longo que só chegou ao fim depois de 10 anos. Neste período, ainda enfrentou um cancro da mama, que a afastou dos ecrãs por cerca de um ano e motivou a SIC a entregar-lhe “24 Horas de Vida”, o programa que marcou o seu regresso à televisão, em 2020. Desde então tem, aos poucos, assumido a narrativa da própria vida, que foi tanto explorada nas páginas da imprensa. “Acho que não temos que estar a falar sobre isso”, desabafa a apresentadora, que depois da tormenta, mudou o foco. Procura “a felicidade em pequenas coisas” e só quer “estar em paz e bem”.
Como recebe o convite para fazer este programa? Já disse que é um tema que a interessa bastante.
Eu já tinha feito um programa de decoração para a SIC Mulher que se chamava “E agora o que é que eu faço?” Que era com três decoradores, arquitetos de interiores. Quando surge este, que é o “Elite Design”, o que me cativou foi realmente, todas as semanas, podermos entrar num universo diferente. Porque todas as casas têm as suas características: há casas mais clássicas, há uma penthouse, há uma casa como esta que estamos aqui em Troia, mesmo em frente a abraçar o Atlântico, uma casa de férias. Portanto, esta diversidade a mim interessa-me muito. E também gosto da forma como este programa é feito, porque no fundo é muito orgânico, é um programa onde não há guião definido, não há nada disso. Há o chegar a casa e fazer em live on tape a visitar à casa. Espontaneamente ir vendo determinados detalhes que fazem toda a diferença, e que tanto o espetador pode ficar curioso como eu com as soluções que ali estão apresentadas.
Encontraram resistência por parte dos proprietários em abrir as portas de casa?
É preciso que as pessoas aceitem esta intromissão, mas o curioso é que há muitas pessoas que permitem esta entrada exatamente porque acham que potencia o próprio bem que têm. E não temos tido tanta resistência como eu pensava que poderíamos ter, e cada vez aparecem mais casas. E o nosso intuito é também não nos cingirmos só à zona de Lisboa, e uma hora ou duas horas próximo, nós queremos mesmo correr o país. Portugal tem imensas casas incríveis e talento que eu gosto de ver reconhecido. Porque um decorador, um arquiteto de interiores, um designer de interiores tem esta vertente de ter que chegar ao encontro do interesse do cliente, de quem vai habitar a casa, e ao mesmo tempo ainda transformar a casa num sonho para esse mesmo cliente. Portanto, eu acho que cada casa acaba por ser muito especial, porque há essa vivência. Os dois têm de estar muito lado a lado e numa entreajuda grande, e ao mesmo tempo sempre curiosa por ser criativa.
A Bárbara diz que decorou a própria casa.
Sim. Adoro decorar, sempre gostei. Decorei sempre as minhas casas todas e mudei várias vezes. E gosto muito de também olhar para uma casa e ver na minha perspetiva como é que eu faria isto ou aquilo.
E qual é o seu estilo?
Eu misturo muito, porque sou filha de artista. Tenho o meu pai que é escultor, portanto vivi sempre num meio onde os quadros, os livros, as estantes sempre foram muito presentes. E por isso, além de ter esse tipo de peças na minha vida desde que nasci, ao mesmo tempo também gosto de misturar com uma determinada época que eu adoro, que eu sou assim fascinada por Art Deco. Gosto mesmo muito de encontrar-me com ela na minha casa. Eu acho que as casas são sobretudo pequenos ninhos, onde nós nos sentimos bem ao chegar. Gosto de chegar à casa, sentir o cheiro da casa e sentir que estou ali num sítio de grande paz.
▲ A casa com projeto da designer de interiores Isabel Pires de Lima
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Há alguma parte da sua casa que é mesmo o seu refúgio?
Fiz uma coisa que nem foi com o intuito de ser o meu refúgio, foi com o intuito de me ligar ainda mais à casa e às pessoas: aos meus filhos, claro, e aos amigos. Ou seja, quis fazer uma integração, por exemplo, da cozinha com a sala, porque achava que em todas as casas onde eu vivi acabávamos sempre todos na cozinha. Portanto, foi assim, ouro sobre azul, ter feito esta reunião em apenas um grande espaço, ter ali estas duas coisas. E isso traz muita alegria à casa e vivência. Eu gosto disso e gostei de ter feito essa mudança e ter criado e desenhado os móveis, e desenhado as coisas todas, a bancada, com o mármore que eu gosto e com os pormenores e detalhes que eu gosto também que estejam presentes.
Tem obras de artistas que admira em casa?
Tenho muitos artistas que admiro. Desde mesmo pequenina convivi com muitos deles. Inicialmente muito do Norte, como o Júlio Resende, o Zé Rodrigues, o João Antero, que é o meu pai, o Zulmiro de Carvalho, o Zé de Guimarães, sei lá, muitos, tantos. Depois fui conhecendo ao longo da minha vida outros, porque fiz muitos programas onde entrevistava artistas, entre os quais o Cruzeiro Seixas, o Júlio Pomar, o Julião Sarmento. Portanto, todos muito diferentes e todos eles absolutamente excepcionais. E eu gosto muito de arte, gosto muito de museus, gosto muito de também viajar através da arte. Mesmo indo para fora, muitas vezes até pode ser esse o motivo. Eu fui, por exemplo, com os meus filhos para fazer o percurso todo de Salvador Dali. Portanto, daqui a Barcelona, Barcelona a Figueres, ir ao museu surrealista dele, acabar em Cadaqués, na casa do museu dele. Foi há dois anos. Adorei, adorei. Para repetir outra vez, gostei muito.
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Nos últimos anos tem feito muitos programas para os canais do cabo, com uma perspetiva de lifestyle. Sentes-se confortável nestes formatos em comparação com o início da sua carreira, em que esteve à frente de concursos de talentos e prime-time?
Acho que foi uma época muito importante, muito bem vivida, muito intensa, onde me senti inteira em todos esses projetos. E agora, ao cabo, também trouxe outra realidade, em que estamos em podcast, em que podemos sempre ir escutar o “Irresistível”, ir escutar o “Temos de Falar”, ir ao “Elite Design”. Ou seja, sinto-me confortável a fazer porque gosto daquilo que faço e gosto de ter conversas que acabam por ser as conversas que não são de carreira, são conversas sobre a vida, sobre como é que tu estás, o que é que estás a fazer, o que é que te dá prazer, onde é que vais.
A televisão tem essa magia e as pessoas às vezes acham que quem está na televisão é alguém intocável. Como é que é quando a Bárbara sai à rua?
Somos todos tão próximos. É um mito.
Faz uma vida normal?
Normalíssima, mesmo normalíssima. A única dificuldade que tenho é só quando chegam ao pé de mim e perguntam assim: ‘olá, Bárbara’. E eu a pensar assim: ‘de onde é que eu conheço?’. E depois percebo que não conheço de lado nenhum. Que simplesmente está ali a falar e que quis falar. Mas só percebo no fim. E como trabalhamos com tantas pessoas diferentes e em tantos projetos, muito naturalmente o leque é muito grande de pessoas que conhecemos ao longo da vida. Mas é perfeitamente normal. De resto vê-se mesmo, agora houve o Tribeca (festival de cinema). Estivemos com grandes estrelas internacionais de Hollywood. E pessoas normais, carinhosas.
Tem a preocupação de estar sempre arranjada quando sai à rua?
Não, sou muito descontraída. A única coisa que no dia-a-dia é difícil de me ver é de saltos altos. Não gosto muito e tenho medo. Eu tenho as pernas muito altas, então sou um pouco desajeitada. E os saltos é uma coisa que nunca soube andar bem. Nem sei como é que fiz aqueles 12 anos de Globo de Ouro a dançar em cima de saltos. E de Chuvas de Estrelas, etc. Mas o salto alto, para mim, no meu dia-a-dia, é algo que não acontece.
Como lida com o passar do tempo e da idade?
Como temos que lidar todos, porque é uma inevitabilidade. E tentando manter-me mentalmente ativa. Pronto, o tempo passa, é verdade. Não acho que os 50 sejam os novos 40. Acho que os 50 são os 50. Os 60 são os 60. É o tempo a passar, e é cuidar. Cuidar desse templo que está presente todos os dias. E a vida vai-se encarregando de apreciarmos e tentarmos um caminho onde esteja presente mais aquilo que gostamos, mais aquilo que nos faz mais completos, mais inteiros. Procurando a felicidade, a alegria nas pequenas coisas.
O que é que faz a Bárbara completa?
Um bom dia de sol, como hoje aqui. Olhar para aquele Atlântico inteiro à nossa frente. Poder vir gravar com o meu cão, com o Caju. E estar em paz e estar bem. E gostar das conversas que se têm, neste caso, com a Isabel Pires Lima. Que eu gosto muito, é uma grande designer. E que tem soluções muito práticas, muito argutas, e um cuidado muito grande na curadoria da escolha das obras de arte que aqui estão. Tudo isso dá um prazer imenso. O prazer para ver, o prazer para falar. Isto são prazeres que me tornam, a mim, mais feliz, mais alegre, mais completa.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Os anos de tormenta e o recomeço
Em 2024 Bárbara Guimarães lançou um livro de memórias, ao qual deu o título Tempestade Perfeita, Como Sobrevivi à Tormenta. Nas páginas, recorda em especial o período de 10 anos em que lutou na justiça no processo de violência doméstica, ao mesmo tempo em que enfrentou o tratamento para o cancro da mama que lhe foi diagnosticado em 2018. Cerca de um ano depois do diagnóstico, a apresentadora regressou ao palco dos Globos de Ouro como homenageada, num dos momentos mais marcantes da história da gala da SIC. Já em março de 2022 o antigo ministro da Cultura foi condenado, depois de três absolvições, pelo crime de violência doméstica e sentenciado a uma pena de prisão suspensa de três anos e nove meses, bem como a pagar 40 mil euros à ex-mulher e seis mil à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).
Na autobiografia, Bárbara assume o medo de que o processo e a luta contra o cancro tivessem implicações na sua vida profissional. “Muitas vezes me perguntam se estes 10 anos prejudicaram a minha carreira. Não posso fugir à resposta, nem esconder a realidade: prejudicaram loucamente. Mas não desisti. Não baixei os braços. E assim que recuperei dos tratamentos do cancro, só queria voltar a trabalhar”, escreve. Ao longo dos anos, afastou-se dos formatos de prime-time, ficando muitas vezes como substituta para períodos de férias de outras colegas na SIC, enquanto as manchetes dos jornais e revistas traziam detalhes do julgamento. “Mergulha”, foi o conselho que Rodrigo Guedes de Carvalho deu à amiga, na altura em que o tema dominava as notícias. Neste período, Bárbara assumiu a postura de quem estava dentro de “um balão de ar”, e escolheu o silêncio público.
A evolução da carreira nos últimos oito anos, mais centrada em formatos de lifestyle nos canais à cabo, parece acompanhar o desejo de ser mais vocal sobre os temas que tanto a assombraram no passado. Fala com a tranquilidade de quem virou a página, como quando escolhe não se alongar sobre o desgaste causado pela demora da justiça e as muitas vezes que precisou contar a sua história em tribunal; mas também com a confiança de saber que é uma voz e uma esperança para outras mulheres. “Convivo bem com as minhas cicatrizes”, destaca, sobre como as prioridades da sua vida mudaram depois de enfrentar anos de provações.
Como o diagnóstico do cancro afetou a sua autoestima e a forma como olha para a vida?
Se calhar fez-me despreocupar-me, por exemplo, com a beleza. É um período que é duro e que se tem que travar e que é uma maratona de fundo. Não é um sprint, é mesmo uma maratona que demora o seu tempo. E é um tempo que eu considero ainda bastante comprido. Mas ao mesmo tempo, quando a pessoa vê que conseguiu dar a volta, que conseguiu superar… Claro que as coisas nunca são iguais ao que eram. Porque há algumas valências que se vão perdendo. Seja pelos tratamentos, tanto os químicos, como também a idade. Sei lá, eu às vezes até brinco: ‘Já não sei se isto é da idade ou se é do que for’ (risos). Mas a verdade é ver as coisas com muito mais distância, mais em paz. Eu, por exemplo, convivo bem com as minhas cicatrizes. Se calhar antigamente achava que agora estou a ficar assim, agora isto ou aquilo, ou tenho isto… Não, isso faz parte. E quando conseguimos gostar de nós como estamos, não é mau. Não é nada mau.
É um tema que ouve muito das mulheres que também passaram por essa mesma situação?
Sim, mas há coisas que se falava muito pouco, até há bem pouco tempo. E eu acho que hoje em dia nós estamos a falar muito mais, como por exemplo também na menopausa. Há temas que já são recorrentes, que não são tabus. Não há um tabu. E depois também há um cuidar-nos melhor nesse campo. É preciso ajuda? Vamos lá, vamos procurá-la. Sem barreiras e com liberdade para viver a vida.
E sente também que a Bárbara, com a sua experiência e o seu trabalho, pode contribuir para uma maior abertura para esses temas?
Claro, este tema da menopausa para mim é fácil de falar, porque como tive o cancro aos 45, acontece que há uma chamada menopausa forçada com os tratamentos. E ao acontecer isso, foi tudo de repente, foi tudo num ano que ficou resolvido. E depois o cancro, como é hormonal, não pode ter qualquer tipo de suplementos, de tratamentos, de reposição de hormonas e isso tudo. Mas vive-se muito bem com essas coisas. Há mais coisas para fazer e para cuidarmos de nós.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Recebeu o diagnóstico do cancro numa altura em que enfrentava o processo de violência doméstica contra o seu ex-marido. Terminado o o processo já fez várias críticas sobre a morosidade da justiça.
No meu caso foi muito morosa, mas eu acho que é sempre muito morosa. Demora muito tempo tudo a acontecer, tudo a processar e a terminar. São anos em tribunal. Isso sim, claro que sim. Agora, denunciar e isso tudo sou a primeira. E em várias frentes: estamos a falar da violência no namoro, violência contra idosos e todo tipo de violência, não é?
O que gostava de ter dito à Bárbara naquela altura?
Ah, eu gostava era que tivesse terminado… Rápido. Rapidíssimo. O mais rápido possível e não demorar quatro anos.
Sente que as mentalidades mudaram em relação a esse tema depois de mais de dez anos?
Eu acho que aumentaram muito os casos de violência doméstica. Os casos têm vindo a aumentar muito gravemente. O que é preocupante, e tudo o que nós pudermos fazer devemos estar atentos para ajudar também.
Diz atentos às pessoas que estão ao nosso redor?
Sim, tudo isso. Depois de vários processos tenho várias pessoas a quem continuo a falar através do Instagram, que me falam, que me contam e dou sempre o meu incentivo. Digo que tudo depois vai melhorar. O tempo, digamos, é curandeiro. O tempo é uma coisa que traz uma cura. Mas relativamente à justiça, foi sempre essa a minha crítica. Sempre disse que é realmente ainda muito morosa.
Também chegou a escrever que considera que o processo prejudicou a sua carreira. Chegou a pensar que poderia ter que abandonar a televisão?
Já não me lembro se escrevi sobre isso ou sobre o cancro. Acabou por prejudicar em alguns temas. Mas acho que não temos de estar a falar sobre isso.
Nos últimos anos tem estado mais vocal em assuntos relacionados as mulheres no geral, como o cancro, a menopausa, ou a violência doméstica. Sente que é hoje uma voz também para estes temas?
Sim, nunca me recusei a fazê-lo. Claro que houve alturas, quando estava muito envolvida, em que a pessoa fica como se estivesse dentro de um balão a tentar resolver os problemas. A partir do momento que eles ficam resolvidos, já podemos respirar e já podemos falar e podemos conversar sobre os temas. Portanto, isso falo livremente, abertamente e em sede própria, como se diz.