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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Bruno Mascarenhas: "Não devíamos sequer admitir imigrantes do Bangladesh e do Paquistão"

Bruno Mascarenhas, candidato do Chega à Câmara de Lisboa, considera que imigrantes vindos do Paquistão, Bangladesh ou Afeganistão não devem ser admitidos. Nos legais, quer avaliar forma como chegaram.

Bruno Mascarenhas, candidato do Chega à Câmara Municipal de Lisboa, defende que a autarquia tem de construir um Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes, à semelhança do que existe no Porto, para reter os imigrantes que “não estão legais” e “são identificados pela polícia”. Mais do que isso, o deputado municipal do Chega considera que o “maior problema” está na “questão civilizacional” dos imigrantes, distinguindo “angolanos, moçambicanos,  guineenses e são tomenses” de pessoas vindas do Paquistão, Bangladesh e Afeganistão. “Não devíamos sequer admitir.”

Em entrevista ao Observador, Bruno Mascarenhas assegura que, para o Chega, é indiferente que vença Carlos Moedas ou Alexandra Leitão e diz mesmo que o partido não ficará de consciência pesada se a autarquia regressar às mãos socialistas. Ao mesmo tempo, garante que “Carlos Moedas já copiou” várias ideias que o partido levou à Assembleia Municipal.

Relativamente à segurança, o Chega pretende aumentar 300 efetivos da Polícia Municipal, acusando Moedas de não ter sido “capaz” de aumentar efetivos em quatro anos e de ter havido uma diminuição, e assegura que Lisboa está a “tornar-se uma cidade insegura”, reconhecendo que não acredita nos dados. “Não acredito porque a maior parte das pessoas não faz queixa”, justifica.

"O grande problema do engenheiro Moedas é haver um desfasamento sobre aquilo que é a sua máquina de propaganda e a eficácia das suas medidas."

Para o Chega, é “exatamente igual” que vença Moedas ou Leitão

É deputado municipal e candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Caso não venha a ser eleito presidente da Câmara, aceitaria um desafio de Carlos Moedas para ser vereador com pelouro.
Obviamente que não e a resposta é muito direta. Viemos para ganhar e, se não ganharmos, seremos oposição. Seremos uma oposição construtiva, para dar soluções à cidade. Mas espero que a vontade dos lisboetas seja dar-nos a vitória. Temos uma equipa que está preparada para governar a cidade. Eu estou preparado, tenho 16 anos de experiência como autarca na cidade de Lisboa. De todos, talvez seja aquele que tem mais noção daquilo que é a realidade da cidade porque estive como autarca num executivo de junta antes da reforma administrativa. Depois, acompanhei e passei a transição da reforma administrativa. Estive numa oposição também a nível de freguesia. Ou seja, conheço a realidade.

Com quem é que faria mais sentido encontrar uma solução se não conseguir a maioria absoluta?
Temos que desmistificar. As pessoas muitas vezes não têm a noção de como é que funciona. São, no caso de Lisboa, 17 vereadores, o presidente mais 16, e em que as maiorias não são necessárias para este efeito. Proposta a proposta, caso a caso, podemos encontrar consensos. Por exemplo, enquanto deputado municipal, não tive qualquer problema em votar propostas do PCP, do Livre, do Bloco, do PEV, até dos independentes, sempre que entendemos que era bom para a cidade. É isso que nos distingue. Ao contrário, por exemplo, do PCP, que votou sempre contra nós, qualquer que fosse a proposta. Independentemente de termos quatro, cinco, seis, sete vereadores, que é aquilo que o engenheiro Moedas tem, é possível governar. Ele teve 94% de aprovação por parte do PS. Não é obrigatório ter maiorias e dentro do quadro de vereadores e das forças políticas podem ser encontrados consensos.

Caso vença sem maioria absoluta, vai apostar num governo executivo minoritário?
Claro.

Tem sondagens que lhe dão por volta dos 14% dos votos, um valor muito próximo ao resultado que o Chega teve nas eleições anteriores. Não é um candidato mediático, como o Chega apostou há quatro anos. Caso não consiga esse resultado, considera uma derrota pessoal?
Quem é verdadeiramente mediático no partido é o nosso presidente e líder, André Ventura. Acho que este resultado vai acabar por traduzir a tendência do partido a nível nacional. Claro que Lisboa tem particularidades próprias e temos que ver exatamente o que é que aconteceu nas legislativas. Não digo que esta situação de colocarmos as presidenciais no meio das autárquicas não possa confundir um pouco o eleitorado. Há muitas leituras que se podem fazer e saberei assumir se o resultado não for aquilo que espero, porque tenho a consciência daquilo que valho, terei que tomar as minhas conclusões. João Ferreira, que está há 12 anos na autarquia e que não traduz uma ideia, que ninguém sabe o que ele fez nos últimos 12 anos. Alexandra Leitão, que claramente está impreparada, não é conhecedora da cidade. Fala de mediatismo, mas a própria candidata do PS tem muitas dificuldades em conhecer a realidade local. E o próprio presidente da Câmara não conhece a cidade, nem a entende. E o grande problema do engenheiro Moedas é haver um desfasamento entre aquilo que é a sua máquina de propaganda e a eficácia das suas medidas, que tem sido muito pouca.

Independentemente do resultado, vai assumir o lugar de vereador na Câmara, mesmo que seja sem pelouro?
Obviamente. Este é um projeto a médio/longo prazo. Viemos com uma equipa que está preparada para governar e, se ganharmos com maioria absoluta, tenho nove vereadores altamente qualificados para assumirem todos os pelouros. Agora, estarei disponível sempre para ser um vereador sem pelouro, se for essa a vontade dos lisboetas. Vou assumir a minha responsabilidade.

Tem feito uma campanha muito baseada na colagem do PSD ao PS. No dia 12 de Outubro, é indiferente se ganha Carlos Moedas ou Alexandra Leitão?
No nosso entender, é.

É exatamente igual?
É exatamente igual. Não temos de ter medo das palavras: o compadrio e os esquemas de corrupção, como por exemplo no caso Tutti-Frutti, que é uma combinação entre os aparelhos partidários do PS e do PSD, que continua, e posso dizer que continua porque há vários candidatos a juntas de freguesia em que claramente o PSD apresentou candidatos mais fracos do que os incumbentes do PS, e vice-versa. Portanto, para mim é exatamente igual. A distribuição de cargos pelas empresas municipais entre os dois partidos continuam. As assessorias continuam e o tipo de políticas continua.

Então se Carlos Moedas não vencer estas eleições, à boleia dos votos que o Chega lhe pode roubar, o partido não se vai sentir responsável pelo regresso de uma governação socialista à Câmara Municipal de Lisboa?
Acho que vamos buscar a todo o espetro de eleitores. Espero sinceramente que os eleitores da CDU entendam que já não vale a pena estar a apostar num modelo que está completamente estafado e que quem defende a classe trabalhadora somos nós. Mas também defendemos os pequenos e médios empresários que o engenheiro Moedas não soube defender e somos contra a agenda woke que, quer PSD, quer PS e até a CDU defendem. Há muita gente que não se revê nisso e que vai votar no Chega As pessoas que votam no Chega são pessoas que não só estão descontentes com o sistema, mas sobretudo pessoas que entendem que a cidade tem de dar uma volta.

Tem sugerido que a Câmara Municipal de Lisboa estava avisada para a tragédia que aconteceu com o Elevador da Glória. Tem provas disso?
Quanto ao Elevador da Glória não houve um aviso específico, mas os trabalhadores da Carris e a anterior Comissão de Trabalhadores, no início do mandato, marcaram uma reunião com o vereador com o pelouro dos transportes e quiseram explicar o que é que se passava dentro da Carris relativamente à influência nefasta que o PS tinha ali. A setorial do PS é um conjunto de militantes, que são cerca de 400 em 2600 pessoas, um fator de pressão muito grande, que consegue controlar aquilo que são as promoções e outros benefícios que acontecem dentro da empresa. Isto é absolutamente inaceitável. A anterior Comissão de Trabalhadores quis avisar a nova gestão camarária daquilo que se passava e quando foi nomeada uma nova administração essas pessoas também foram informadas daquilo que se passava a esse nível, inclusivamente as situações de empresas que prestavam serviços na manutenção dos autocarros, quer estas dos elevadores e dos elétricos. Nada foi feito. Imediatamente depois do acidente, fui das primeiras pessoas a falar da questão do cabo. Dentro da Carris sabia-se disso.

Mas isso foi no pós-acidente. Não havia como prever.
Não, caso contrário eu teria avisado. Ainda no outro dia fui acusado de levantar o alarme social quanto à Ponte 25 de Abril.

Sobre esse caso, disse no dia 16 de setembro que a Ponte 25 de Abril está “num estado preocupante em termos de sustentação”. Com que base é que fez estas declarações?
É evidente que no âmbito de uma Assembleia Municipal podem dizer-se determinadas coisas, e era essa a minha ideia, encontrarmos uma outra alternativa de circulação à ponte. A ponte está saturada e temos que ter uma outra alternativa.

Admite que exagerou nesta declaração?
É evidente que, na dialética política, há algum exagero. Mas não há exagero quando temos, como uma manutenção preventiva, [um valor] na ordem dos 2 milhões de euros por ano entre a parte ferroviária, e a parte rodoviária e um caderno de encargos para obras de até 2030 de 100 milhões de euros.

Uma coisa é falar da necessidade de uma intervenção, outra coisa é falar de um “estado preocupante em termos de sustentação”, parece que está prestes a acontecer algo.
A seguir, tive a oportunidade de sossegar os próprios deputados municipais e posteriormente já falei disso na imprensa, mostrando dados concretos dessa informação que é interna e foi produzida por um dos engenheiros das infraestruturas, que acompanhava a ponte e que nos diz que são 100 milhões de euros. Na altura não referi isso, referi no dia seguinte, precisamente porque tinha a consciência que eles iam levantar-se todos em uníssono.

Mas foi alarmante.
Mas depois apresentei factos concretos. Isto não é atirado do nada. são documentos que já apresentei a vários órgãos de comunicação social.

Regressemos à Carris. Propõe uma reestruturação. A manutenção da Carris deve continuar a ser assegurada por empresas privadas?
Não é um tema, sempre fui por natureza e convicção ideológica a favor do outsourcing, não tenho qualquer problema em externalizar trabalhos. Não podemos é ter gente dentro da empresa que cria empresas de fachada para ganhar contratos.

O problema não está no facto de a manutenção ser feita por empresas privadas?
Não. O que é que aconteceu? Fizemos um caderno de encargos muito favorável, mas com um preço baixo porque não são pedidas às empresas que apresentem certificação dos seus trabalhadores. Como é possível a Câmara de Lisboa, que é a máxima autoridade dos transportes, não verificar que este tipo de coisas acontece? A Carris estava completamente ao Deus dará a esse nível e, quando fazemos um caderno de encargos em que não se confirma, não se verifica a capacitação dos técnicos que vão fazer a manutenção, mas em que o preço é baixo e as empresas sólidas não conseguem ir a jogo — só as de vão de escada — isso é batota. Prejudica muitíssimo a realidade do mercado e a segurança, neste caso, das pessoas. Foi o que levou a esta desgraça. Espero mesmo que a investigação judicial vá até às últimas consequências.

Acusou o próprio Carlos Moedas de ter feito um aproveitamento político desta situação. Não acabou o Chega por fazer esse aproveitamento?
Não. Carlos Moedas fez aproveitamento político. A intervenção que o engenheiro Carlos Moedas fez na Assembleia Municipal quando lhe apresentei a moção de censura, aquela forma compungida, teatral, como fez aquela apresentação, é tudo menos aquilo que se quer na política. Queremos é transparência, verdade. Carlos Moedas desresponsabilizou-se, desresponsabilizou o Conselho Administração da Carris e o seu vereador. Eu sei e eles sabem que eu sei que estavam informados. Da minha parte, não houve qualquer aproveitamento.

"Há certos setores da sociedade que têm rendimentos e não os declaram, mas ficam como prioritários para a atribuição de casa. Isso é perfeitamente injusto. Nós vamos colocar primeiro aqueles que não têm hipótese nenhuma."

“Habitação pública é complementar, mas não pode ser o core“

Promete 4.500 novas casas de habitação acessível, dá o exemplo de um T2 até 700 euros por mês. Onde é que vai buscar estas 4.500 casas?
No início do mandato, lançámos logo duas situações que eram urgentes na cidade de Lisboa, com áreas com grande potencial de construção: Vale de Santo António e o Vale de Chelas. A Câmara, bem no sentido em que entendeu que isso seria prioritário, tratou de todo um processo de licenciamento, com uma crítica: ter demorado tanto tempo e só praticamente no final do mandato conseguiu terrenos municipais disponíveis onde podemos licenciar cerca de 4.500 fogos. A bola de saída também teve a nossa mão, da mesma forma que também lancei outro tema a partir do momento em que temos claro que o Hospital de Todos os Santos, em Marvila, vai ser feito, vão ser desativados os hospitais centrais de Lisboa, neste caso o Hospital dos Capuchos, mas sobretudo São José.

Mas estas 4.500 casas são requalificação?
Estamos a falar de construção nova, coisa que nem PS nem PSD têm. Não precisamos de dinheiro público, há investidores que têm interesse em investir na cidade de Lisboa desde que nós, enquanto câmara, façamos algo tão simples como permitir que o licenciamento seja mais célere.

Mas o que é que a Câmara dá em contrapartida a estes privados?
A Câmara dá o direito de superfície destes terrenos a 90 anos, que permitirá aos investidores construir em cima desses terrenos. E é o nosso valor para construção é 1.600 euros o metro quadrado. Se construirmos em escala, se não tivermos 20 perfis de portas, 20 perfis de janelas e se construímos em qualidade, não são bairros sociais, não são caixotes como fizeram pela cidade de Lisboa.

A habitação pública é a principal solução para resolver o problema?
A habitação pública é complementar, mas não pode ser o core. Não pode ser só habitação pública, que é como estes partidos se sustentam. O PS, PSD, o PCP sustenta-se na habitação pública, no investimento público. Não, nós entendemos exatamente ao contrário, que devemos reduzir o número de habitação pública na cidade, que devemos ter uma cidade de proprietários e não uma cidade de pessoas que estão dependentes das benesses.

Os inquilinos de casas municipais que não pagam renda devem ser expulsos?
Devem ser desalojados.

Logo ou depois de um plano feito pela Câmara que não é cumprido?
Não se entenda disto qualquer falta de sensibilidade. Este critério do rendimento muitas vezes é cego porque não considera os verdadeiros rendimentos. Porque se eu não declarar, fico com prioridade. E sabemos que há certos setores da sociedade que têm rendimentos que não os declaram, mas ficam como prioritários para a atribuição de casa. Isso é perfeitamente injusto. Nós vamos colocar primeiro aqueles que não têm hipótese nenhuma, porque estão à partida condicionados, que são as pessoas que têm deficiência, depois temos que pôr as famílias monoparentais, porque é o espetro que  mais precisa de ajuda.

Mas como é que faz a fiscalização? Se as pessoas não declaram rendimentos como é que faz se esse equilíbrio na atribuição?
As Juntas de Freguesia têm forma de o saber, a Segurança Social tem forma de o saber, temos que cruzar dados e sermos finos na análise. Não queria pôr em causa a comunidade cigana, mas os técnicos são muitas vezes coagidos por parte da comunidade. As pessoas não podem estar expostas a isso. Se a comunidade cumprir, se a comunidade pagar, se a comunidade for justa, também terá direito à sua casa, mas desde que cumpra as regras exatamente como toda a outra população.

A Câmara Municipal deve demolir todas as construções ilegais?
Também temos que ver caso a caso. Temos ainda várias áreas urbanas de génese ilegal onde há uma morosidade muito grande de décadas, muitas vezes, em que a Câmara tem que olhar para o problema e ser célere a resolver. Todas as outras casas que claramente não tenham condições e que fujam a estas regras devem ser demolidas, naturalmente.

Os nómadas digitais que estão a viver em Lisboa trazem mais prejuízos do que benefícios?
Ainda não vi que trouxessem verdadeiros benefícios. Também concorrem, porque têm outra capacidade financeira, para o o aumento das rendas na cidade. Temos que perceber o que traz em termos de inovação e tecnologia. Preocupa-me que os nossos jovens, com os nossos salários, não consigam adquirir casa. Se me conseguirem provar que os nómadas digitais trazem benefícios, sou o primeiro a defendê-los, porque sou pelo mercado livre. Caso contrário, se estamos a distorcer o nosso mercado que é muito precário, então não.

"Está a haver autenticamente uma expulsão de portugueses, porque não há ninguém que tenha 20 vizinhos em cima e 20 em baixo e queira viver [assim] e as pessoas acabam por sair por pressão. Temos que acabar com isto. A questão da deportação é algo que defendo já há muito tempo."

“Lisboa está a tornar-se uma cidade insegura e não acredito nos dados oficiais”

A criminalidade geral e violenta desceu no ano passado na cidade de Lisboa. Ainda assim, Carlos Moedas tem dito que é preciso combater a sensação de insegurança. Também considera que Lisboa é uma cidade insegura?
Lisboa está a tornar-se uma cidade insegura e não acredito nesses dados. Não acredito porque a maior parte das pessoas não faz queixa.

Como é que sabe que não fazem queixa?
Temos inúmeros exemplos disso. A Polícia de Segurança Pública criou uma unidade específica para os Pickpocket na cidade de Lisboa e o valor apurado, desde 2018, de roubos declarados foram de 8 milhões de euros. Mas diria que 80% das pessoas que são roubadas não apresentam queixa porque é um processo burocrático, uma queixa contra terceiros, as pessoas estão poucos dias na cidade, não têm paciência para estar uma manhã, uma tarde, numa esquadra da polícia a dizer que foram roubadas. Não é só sensação, vemos em certas zonas da cidade, por exemplo o Cais do Sodré à noite, a zona de São Paulo, o Bairro Alto… O assédio que é feito às pessoas, até por gangues para venderem droga. Isso não é sensação, é absolutamente real e afasta muitas pessoas da cidade.

O Chega propõe que haja mais de 300 efetivos da Polícia Municipal em dois anos. Como é que este dispositivo será aumentado?
Neste momento temos menos polícias do que tínhamos há quatro anos e [Carlos Moedas] não foi capaz, quer perante o governo do PS, quer perante o Governo do PSD, de conseguir atrair mais efetivos. Evidentemente que isto é uma questão geral de recrutamento, um problema estrutural de recrutamento, mas se conseguirmos alterar esta a lei que existe relativamente à Polícia Municipal de Lisboa e do Porto, mas sobretudo e dando mais poderes à Polícia Municipal.

Também concorda com Carlos Moedas quando diz que a Polícia Municipal deve ter outras funções?
Carlos Moedas é que concorda comigo porque fui o primeiro a falar disso e ele veio a reboque. Carlos Moedas já copiou várias ideias minhas na Assembleia Municipal e várias ideias do Chega.

Muito se tem falado na questão da videovigilância. Na sua opinião, as câmaras que estão nas ruas não chegam. Quer mais. Quantas é que devem ser instaladas e onde?
Fizemos uma recomendação na Assembleia Municipal e que identificámos os principais locais de insegurança na cidade,  sobretudo aqueles onde há maior proliferação do tráfico de droga. E também as zonas turísticas. Essas são as zonas onde queremos apostar. A videovigilância é dissuasora, não quero nenhum Big Brother, mas há certos sítios em que temos que proteger não só os nossos, os nossos comerciantes, mas também quem nos visita.

Fala em “tolerância zero com a imigração em Lisboa”. Em que é que isto se traduz? Que poder é que a Câmara tem para, por exemplo, expulsar imigrantes ilegais?
A Câmara não tem poder para expulsar, mas temos uma estreita relação com o grupo parlamentar do Chega na Assembleia da República e temos que trabalhar em conjunto para resolver este problema que é inaceitável. Temos que mudar a lei da atribuição dos atestados de residência. É absolutamente escandaloso aquilo que se passa, as máfias que se estão a instalar e que fazem lavagem de dinheiro na cidade, também temos que os perseguir. Por exemplo, na zona de Alfama, há um senhor paquistanês, que claramente está a fazer lavagem de dinheiro, que já comprou 20 lojas. Isto não pode ser. Temos que ser muito assertivos. Não é criar um estado policial, mas temos que dizer que quem vem para aqui, vem abusar e vem prejudicar, quer residentes, quer comerciantes, não podemos aceitar.

Independentemente de ser legal ou ilegal?
Também na sobrelotação quer das lojas, quer das habitações, em que está a haver autenticamente uma expulsão de portugueses, porque não há ninguém que tenha 20 vizinhos em cima e 20 em baixo e queira viver [assim] e as pessoas acabam por sair por pressão. Temos que acabar com isto. A questão da deportação é algo que defendo já há muito tempo.

Mas dos imigrantes que estão ilegais? Não há problema com os que estão legais?
Dos ilegais. Daqueles que estão legais há a questão da legalidade e como é que se chegou a essa legalidade. Todos aqueles que fizeram fraude deviam também ser investigados.

Fraude na entrada?
Fraude na obtenção da sua legalização.

Há vários dirigentes do Chega que têm começado a falar em remigração. Vai apresentar algum programa com este intuito?
A Câmara de Lisboa deve investir numas instalações [Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes] para as pessoas que não estão ilegais e que são identificadas pela polícia. E há comunidades como marroquinos, argelinos, que estão até ligados ao tráfico de droga e que são violento, esses têm que ir para centros para deportação. Encontrar esses locais para os colocar para depois serem deportados.

Numa visão mais alargada, Portugal devia começar a pensar na imigração de imigrantes não só ilegais?
Temos um problema maior, que é a questão civilizacional e o tipo de tipo de pessoas que temos. Enquanto tivemos uma imigração que vinha dos nossos países irmãos, que falam a nossa língua, que conhecem a nossa cultura, que se integram, esses que são os angolanos, os moçambicanos, os guineenses, os são tomenses… queremos naturalmente que essas pessoas, que são os nossos. Agora, aqueles que vêm de países que têm uma forte influência islâmica e que nunca se irão integrar, que vêm do Paquistão, do Bangladesh, do Afeganistão, que têm ideias completamente diferentes das nossas, que não respeitam a nossa cultura, que não respeitam as nossas mulheres, acho, sinceramente, que não devíamos sequer admitir.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Maior parte das pessoas em Lisboa continua a usar o carro. Não pretendo inverter a realidade”

No debate no Observador, falou em “ciclovazias” e citou um estudo da ACP que indica riscos nestas pistas na cidade de Lisboa. Tem como meta acabar com todas as ciclovias “mal desenhadas e que dificultam a fluidez do trânsito”. Que ciclovias são estas e que ciclovias é que é que ficam para quem anda de bicicleta em Lisboa?
Não me choca nada que quem venha do Lumiar e que passe pelo Campo Grande e faça a Avenida da República e chega ao Saldanha, que todo este eixo central que se mantenha. Essas ciclovias não têm qualquer problema. Que junto ao rio, portanto a frente ribeirinha, tenha ciclovias, porque isso é um espaço de lazer para os lisboetas e acho muitíssimo.

Há quem use as bicicletas para ir trabalhar, por exemplo, e não num espaço de lazer.
Isto é uma questão de fluidez do tráfego. Percebo isso, mas tenho que ser mais objetivo. A maior parte das pessoas na cidade de Lisboa continua a utilizar o carro e não tem alternativa porque os transportes públicos não são aqueles que nós queremos.

E não pretendem inverter essa realidade?
Não, não pretendo inverter a realidade enquanto não tivermos uma rede de transportes que seja adequada. Quando há 20 anos que o plano de rede da Carris não é alterado, quando temos o Metro que não cumpre com o contrato de concessão com o Estado e neste caso também com os lisboetas em termos de aumento da sua rede, quando as escadas e os elevadores estão sucessivamente avariados… temos que encontrar outras outras formas e neste momento o carro ainda é, de longe, o principal meio de transporte para as famílias da cidade de Lisboa e para quem trabalha na cidade de Lisboa.

Até onde é que o metro deve ir?
Não sou a favor que o metro integre ou que a Câmara de Lisboa absorva o metro. Acho que o metro deve ouvir verdadeiramente a cidade de Lisboa e estar em consonância com os interesses da cidade e daquilo que a cidade precisa. Obviamente tem que ir para a zona ocidental e tem que ir para a zona oriental. Por exemplo, uma das uma das propostas que tenho é criar, no Parque Papa Francisco, uma cidade desportiva e voltarmos a ter um parque temático, portanto uma feira popular…

E o metro deve chegar lá.
O metro deve chegar lá. Já está a estação do Oriente, mas deve ir para este, que é fundamental. O mesmo se passa também para Belém, para a Ajuda. Precisamos realmente de fazer chegar o metro aos pontos da cidade.

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