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Mikhail Tereshchenko/TASS

Mikhail Tereshchenko/TASS

Casamentos com metade da lotação, medição de temperatura e sem self-service. Setor já propôs medidas ao Governo /premium

O setor aguarda uma data para retomar as festividades, mesmo com várias restrições. No pior dos cenários, a quebra poderá rondar os 80%, numa faturação de 900 milhões anuais. Seria o "colapso total".

Um conjunto de profissionais, em representação do setor dos casamentos, inserido no dos eventos sociais, sugeriram ao Governo um conjunto de medidas para a retoma desta indústria. António de Brito, presidente da Exponoivos, Carla Salsinha, proprietária de uma loja de vestidos de noiva e Mário Pinheiro, responsável pela plataforma Espaços para Eventos, reuniram-se, na passada segunda-feira, com o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor.

O Manual de Boas Práticas para a Retoma de Atividade na Indústria de Eventos Sociais está agora à consideração do Governo que, no plano de desconfinamento trifásico não especifica regras ou uma data para a reabertura deste setor de atividade. Fala-se em limitar o número de convidados, embora nenhuma percentagem tenha sido incluída no documento. “Ficou em aberto. Casamentos entre as 100 e as 150 pessoas podem muito bem ser a salvação do setor”, admite António de Brito, em declarações ao Observador.

Com outros espaços e atividades já com reabertura anunciada, o representante não deixa de constatar a urgência em definir metas para os eventos sociais — “a concentração de pessoas será sempre mais fácil de controlar num casamento do que numa sala de espetáculos ou num centro comercial”, adiciona.

Estima-se que só o setor dos casamentos tenha um volume de negócios superior a 900 milhões de euros

Jose Sena Goulao/LUSA

Quanto ao caso específico dos casamentos, eventos há semanas suspensos e sem previsão de retoma, os profissionais falam em milhares de empresas em risco e de um setor que abarca cerca de 45 subsetores e representa 0,5% do PIB nacional, com um volume de negócios anual superior a 900 milhões de euros. Um número que provavelmente cresce para o dobro, quando tidos em conta outros serviços, como eventos para empresas, festas de Natal e de aniversário, celebrações de bodas e batizados.

Com as cerimónias religiosas já com regresso marcado para o último fim de semana de maio e com a retoma da atividade por parte das conservatórias, depois de o Governo assim o ter deliberado num plano de reabertura faseada de desconfinamento, os representantes afirmam que o setor dos casamentos viu “uma luz ao fundo do túnel”, ao fim de “três meses de paralisação”, bem como uma “disponibilidade, preocupação e interesse do Governo em encontrar soluções”. A segurança dos intervenientes é agora a prioridade.

Contactado pelo Observador, o Ministério da Economia, ao qual pertence a Secretaria de Estado em questão, reitera que todos os pormenores relativos ao plano gradual de levantamento da suspensão de atividades económicas “são divulgados em consonância com as decisões tomadas pelo Conselho de Ministros”. “Quanto ao caso específico, os respetivos detalhes serão do domínio público em momento oportuno”.

Medição de temperatura e fim de self-service estão em cima da mesa

O responsável pela Exponoivos, o maior evento da área em Portugal, prefere não divulgar na íntegra o documento entregue ao Governo na passada segunda-feira. Contudo, medidas como o reforço da higienização dos espaços e a diminuição da lotação, já adotadas por outros setores de atividade, vêm no topo das sugestões. António de Brito refere, a título de exemplo, as habituais mesas redondas, normalmente com capacidade para dez ou 12 pessoas — manter pelo menos um lugar vazio entre cada convidado será quase inevitável.

O uso de máscara será obrigatório para todo o pessoal a trabalhar no evento. Quanto aos convidados, o documento deixa em aberto e à mercê da DGS. No manual é proposta a medição de temperatura dos convidados, bem como a monitorização sanitária dos mesmos nos 30 dias após o evento, através de uma lista de contactos previamente fornecida.

Entre as medidas sugeridas à Secretaria de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor está um aviso prévio escrito sobre todas as medidas excecionais adotadas. Este deverá acompanhar o convite do casamento.

No documento entregue ao secretário de Estado, os representantes do setor não detalharam qualquer medida relativa ao uso de máscara por parte de noivos e convidados

MIGUEL MEDINA/AFP via Getty Images

Os distanciamento será ainda promovido ao longo de toda a celebração. No acesso aos habituais buffets, convidados poderão deixar de se servir para passarem a ser servidos por empregados, tal como acontece durante o serviço à mesa. O mesmo acontecerá à entrada, onde são habituais os cocktails e refrescos. Também aí, será adotado o sistema de serviço volante. Os espaços serão aconselhados a aproveitar ao máximo as áreas exteriores, sobretudo para os fins de animação.

A ventilação destes espaços também foi contemplada no referido manual de boas práticas. Além de esta ser obrigatória, sempre que possível sem recurso a ar condicionado. Contudo, recomenda-se que estes aparelhos sejam verificados e higienizados antes de cada evento.

Em suma, são estas algumas das medidas propostas ao Governo com vista à retoma do setor dos eventos sociais:

Assegurar que todas as pessoas que trabalham e frequentam o espaço estão sensibilizadas para o cumprimento das regras de etiqueta respiratória, da lavagem correta das mãos, assim como outras medidas de higienização, designadamente, através da afixação das recomendações da DGS. Os planos de contingência deverão ser divulgados por todos os colaboradores;

Criação de zonas de isolamento;

Implementação de medidas de prevenção à entrada dos eventos sociais, a todos os convidados, através da medição da temperatura corporal, respeitando as diretrizes da Comissão de Proteção de Dados;

Todos os serviços de cocktail deverão ser realizados em formato de serviço volante para consumo imediato e por pessoas da equipa de trabalho com o uso de luvas e máscara e de acordo com as normas de higiene já existentes;

Os serviços de mesa serão mantidos, recorrendo às normas de proteção individual e pessoal, bem como às regras gerais de distanciamento social sempre que possível;

É recomendada a utilização dos jardins como espaço de convívio;

Assegurar uma ventilação adequada em todos os espaços, garantindo o arejamento natural dos locais de trabalho, sempre que possível;

Em espaços fechados, as portas ou janelas devem estar abertas para manter o ambiente limpo, seco e bem ventilado, ou caso tal não seja possível, deve assegurar-se o funcionamento eficaz do sistema de ventilação, assim como a sua limpeza e manutenção;

Definir com a empresa responsável pelo serviço de animação as regras de entretenimento, sugerindo animação de grupo mas que cada componente do grupo atue individualmente;

Lista com nomes e contactos dos presentes no evento (manter o registo por aproximadamente 30 dias para monitorização sanitário);

Orientações aos convidados através de mensagem ou Serviço de Confirmação de Presença, sobre os cuidados e das recomendações de saúde.

“Sem uma previsão, o setor arrisca-se a entrar em colapso total”

À semelhança de outras áreas da atividade, o impacto económico da pandemia não tem sido meigo. À proposta de retoma do setor, respeitando regras de higiene e segurança, junta-se um inquérito levado a cabo pela Exponoivos que concluiu que 87% das empresas registaram uma redução da faturação. O estudo revela ainda que 65% aderiram ao regime de lay-off, enquanto 35% procederam a uma redução salarial. Das empresas inquiridas, 94% lidaram com cancelamentos ou adiamentos. Dessas, 65% já adiaram mais de uma dezena de casamentos.

“Está parado a 100%”, declara António de Brito, recordando as restrições às aglomerações de pessoas em vigor atualmente, que limitam os grupos a um máximo de dez pessoas. “Se considerarmos o período entre março e junho, porque garantidamente que a retoma não será antes, falamos de cerca de 9.000 casamentos, o que corresponde a 30% da faturação anual”, explica.

Noivas de máscara, bodas adiadas e profissionais a fazer contas à vida. Nem os casamentos escapam à pandemia

“Se considerarmos que que a maior parte dos casamentos acontecem em julho, agosto e setembro, significa que 80% da faturação do ano desaparece. Por isso é que, sem uma previsão, o setor arrisca-se a entrar em colapso total. Até porque, mesmo que os casamentos estejam a ser adiados, ninguém sabe como vamos estar em 2021 nem se as empresas chegam até lá”, explica ainda António de Brito, na qualidade de representante das empresas desta área.

Às questões económicas, junta-se a angústia dos próprios noivos. “Eles também precisam de uma previsão. São questões muito emocionais, afetam as pessoas tanto ou mais do que o isolamento”, assinala. Através do seu porta-voz, o setor diz não estar a “pedir milagres”. Fala em catástrofe e no encerramento de dezenas de milhares de empresas, caso não haja um plano para retomar a atividade até meados de julho, mas também mantém-se otimista quanto à recetividade e agilidade do Governo, após a reunião da última segunda-feira.

Casar trocado por números

A BestEvents, empresa responsável pela organização de feiras nacionais e internacionais neste mercado, também deposita no Governo a esperança em ver o setor recuperar. “É fundamental que nos revelem o protocolo sanitário e nos transmitam em que condições o setor pode voltar a trabalhar, da mesma forma que comunicaram as orientações para as outras celebrações e para a área da hotelaria e restauração”, anunciou Jorge Ferreira, responsável pela empresa.

Um estudo feito em colaboração com a revista I Love Brides a 257 empresas , entre 30 de abril e 6 de maio, conclui que o número médio de convidados por casamento é de 147. Já o preço médio do banquete por pessoa é de 96 euros. A mesma sondagem conclui ainda que organizar um casamento custa em média 35.391 euros. Sura Mota, diretora da mesma publicação, refere que a indústria dos casamentos movimenta mais de 4 mil milhões de euros por ano, aproximando-se de uma fatia de 2% do PIB.

Dos vários serviços contratados para a ocasião, a lua-de-mel surge no estudo como aquele em que os noivos portugueses gastam mais dinheiro — uma média de 3.119 euros. Logo a seguir vêm o aluguer do espaço — 3.077 euros –, o vestido e os acessórios da noiva — 1.968 euros –, e a decoração — 1.770 euros. Gastos com vídeo, fotografia e wedding planning também ficam, em média, acima dos mil euros.

Artigo atualizado dia 14 de maio, às 16h30, para incluir dados do estudo realizado pela BestEvents e pela I Love Brides.

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