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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Clara Maria: uma Schubert no Ribatejo, entre a música e os cavalos /premium

Nasceu e cresceu em Viena, entre a tradição da música, num clã que descende do célebre compositor Franz Schubert. Um dia apaixonou-se pelo cavalo lusitano e mudou-se para o Ribatejo.

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A sinfonia nunca está completa, por mais que se imagine o traço rigoroso de uma linha reta ou o desenho de um círculo perfeito. “Parece fácil, não é? A dificuldade é essa mesmo. Olhamos para aquele repouso e parece fácil, mas é o mais difícil”. João Oliveira Duarte, o treinador, responde pelos leigos que assistem a meia hora de prática. “Importam-se que aproveite para treinar?”, pediram-nos uns minutos antes, com a firmeza de quem não desperdiça um minuto de lição e num português tão correto quanto o passo.

Na Quinta da Fonte Boa, no Vale de Santarém, os reis e senhores do picadeiro são o Importante, o cavalo com seis anos, montado há ano e meio, e a cavaleira para quem a proporção é tão soberana no universo musical como no contexto equestre. “Se tudo não estiver harmonioso para o olho, e no caso da música para o ouvido, não tem graça. É a tal beleza que nos encanta”, confessa Clara Maria Schubert, esta manhã excecionalmente acompanhada pelo instrumento que segue consigo praticamente desde o berço. “Não posso dizer aqui que trouxe o violino, senão pedem-me logo para tocar!”

Não há uma nota solta nesta história. Nem o apelido deixa dúvidas sobre essa ligação a Franz Schubert (1797-1828), compositor austríaco do final do classicismo e primeiros anos do romantismo, rosto mais célebre de uma família que há várias gerações se dedica à música. Clara Maria Hildegard Dorothea Schubert nasceu em Viena há 30 anos, filha de Gerald Schubert, violinista na Orquestra Filarmónica de Viena, que deu novo impulso a uma tradição abrandada pelas duas gerações anteriores.

“Na Áustria, eu era aquela de quem o pai andava sempre atrás com uma harpa no carro!”, recorda a filha, que durante a infância e adolescência se esmerou na música, e que durante o ensino básico e o secundário faltava às aulas para poder montar — a condição era não perder de vista os instrumentos, para tocar à noite. Até ao dia em que o apelo dos cavalos colocou o fascínio pelas cordas em segundo plano. Em 2009, rendida ao espetáculo Apassionata, despediu-se da família e veio sozinha para Portugal para se dedicar a esta arte. É no Ribatejo que hoje estima o cavalo lusitano como um precioso Guarnieri, e se dedica de forma intensiva à Dressage, a modalidade olímpica que tem conquistado adeptos. E que aprendeu a conhecer um país para lá das memórias da imperatriz que em 1860 visitou pela primeira vez a pérola do Atlântico, para escapar aos rigores do inverno no centro da Europa e recuperar de uma doença pulmonar. “Para mim, Portugal era a Madeira, por causa da Sissi. Não conhecia mais nada”.

Uma manhã na Quinta da Fonte Boa

Foi há cerca de três anos anos, num turismo equestre perto de Alenquer, que João Oliveira Duarte conheceu a jovem austríaca, fiel ao “espírito dos europeus do norte” e que três vezes por semana, “sem falha”, passa pela Quinta da Fonte Boa, antigo depósito de garanhões do Estado, onde chegaram a permanecer 100 cavalos, na sua maioria lusitanos mas também puros sangue árabes ou ingleses.

“A Clara é uma trabalhadora, e muito disciplinada. Veio sozinha à procura dos cavalos lusitanos, do nosso sol e resolveu ficar. A verdade é que esta miúda tem uma paixão incrível, que é o principal. Quem vem da música em geral tem mais sensibilidade. Muitas vezes, um bom cavaleiro pode ser aquele que antecipa alguma coisa que o cavalo possa fazer, que o sente”.
João Oliveira Duarte, treinador

O conjunto de edifícios que remontam a 1939 começou a esvaziar-se em 2007, quando a atividade se transferiu para Alter e aqui se extinguiu a Coudelaria Nacional. No espaço que outrora albergou a Estação Zootécnica de Santarém funcionam ainda alguns serviços da área da investigação agrária mas o relinchar é bem mais discreto, entre cavalos a penso, o seu desbaste e ensino, e as aulas de equitação. “Entretanto é semi particular, um senhor ficou a explorar isto. Trabalhamos aqui”, descreve João, que dá aulas no norte do país, e ainda em França ou Itália.

Se motivar e fornecer a técnica são determinantes nas funções do treinador, a dedicação do aluno completa a equação — não por acaso, a cavaleira sugerira o adiamento da data inicial deste encontro, pela proximidade de provas importantes no calendário. “A Clara é uma trabalhadora, e muito disciplinada. Veio sozinha à procura dos cavalos lusitanos, do nosso sol e resolveu ficar. A verdade é que esta miúda tem uma paixão incrível, que é o principal”, admira o equitador, confiando que as raízes artísticas compõem a partitura. “Quem vem da música em geral tem mais sensibilidade. Muitas vezes, um bom cavaleiro pode ser aquele que antecipa alguma coisa que o cavalo possa fazer, que o sente”.

“Qualquer um pode ser um bom cavaleiro, se trabalhar. É a teoria dos 10 mil. Se fizer um círculo 10 mil vezes, há-de sair bem”, confia o treinador, enquanto Clara repete processos no picadeiro

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Não pense que a canção esmorece se excluir este bónus. Para o treinador, como em tudo na vida, a fatia correspondente ao trabalho (90%) esmaga por completo a da técnica (10%) e a aprendizagem está ao alcance dos dedicados, independentemente da idade. “Qualquer pessoa pode ser um bom cavaleiro, se for trabalhador. Se tiver vontade. Digo muitas vezes que é a teoria dos 10 mil. Se fizer um círculo 10 mil vezes, ele há-de sair bem.”

Com os Schubert, uma história de família

A sintonia entre cavalos e música consegue ir além de noções de harmonia, ritmos ou visões poéticas. Nem é preciso grande esforço, ou a muleta de figuras de estilo. Basta pensar como o próprio arco do violino é feito com rabada de cavalo (de machos apenas), aponta Clara, enquanto segura o instrumento para a foto e admite que este é talvez o aspeto que mais interessa ao pai, quando os equídeos vêm à baila — enfim, entenda-se que a expectativa sobre a relação da filha com o violino era elevada.

Quanto à distância temporal do virtuoso que deixou 600 composições, esse primo afastado, confirma-se na árvore genealógica que connosco partilha, um vínculo que nunca condicionou preferências na audição. “Se em casa ouvimos mais Schubert do que outros compositores? Claramente não. Mesmo os CD’s a solo que o meu pai gravou até agora, nunca foram com música de F. Schubert”. Para enquadrar e resumir a teia de laços, “basicamente, o avô de Schubert tinha um irmão. Nós somos a sua descendência”.

Grafismo de Ana Martingo, a partir da árvore genealógica gentilmente cedida por Clara Maria Schubert

Franz Schubert morreu aos 31 anos, sem deixar filhos. O avô do bisavô de Clara, Benjamin, ainda terá com ele privado, chegando a frequentar concertos do músico, elemento destacado de um clã que sempre foi conhecido pelo número generoso de filhos e irmãos, mas também muito castigado pela morte precoce de muitos desses rebentos. Uma tradição no entanto mantém-se bem viva em pleno século XXI, herdada do final do século XVIII, e especialmente incutida pelos avós paternos da cavaleira. “Sempre fizemos muitos concertos em casa, casas de amigos, mesmo em igrejas. Uma espécie de “Schubertiade” como F. Schubert fazia com os amigos aristocratas e artistas nas suas casa e palácios”. Para não falar dos clássicos postais de Natal em que surgia ao lado do irmão, para enviar para a família.

Clara ao colo do pai, em Viena. Ao fundo, uma gravura com a imagem de Franz Schubert © DR

Gerard Schubert, o pai de Clara Maria, é o primeiro músico profissional em três gerações da família (ao longo da vida, o avô e o bisavô de Clara conjugaram os estudos no Conservatório com outras atividades). “Vi sempre o meu pai com o violino e gostei. Na harpa, que se deve começar mais tarde, tenho uma história engraçada. Fui assistir a uma ópera com 11 anos e o meu pai sentou-me ao pé de uma delas, para ninguém ver, num ensaio à tarde. Estive assim umas quatro horas. No final decidi que queria aprender a tocar. Violino, já só toco muito de vez em quando.”

A  mãe de Clara, não tendo um vínculo direto à música, também descende de músicos de sopro. Já o irmão da cavaleira, mais novo, de igual forma abandonou a música por um desejo antigo e urgente. “É socorrista. O seu grande sonho de criança era ter uma luz azul no carro para andar com prioridade!”

Dos verões em Salzburgo ao Ribatejo, com passagem pela Austrália

Clara Maria Schubert veio para Portugal há cerca de uma década, através do Programa Erasmus e concluiu o curso de mestrado em interpretação de conferências (EMCI) na Faculdade de Letras em Lisboa, contra as naturais dúvidas do mestre Luís Valença. “Não sei quando ela estuda ou vai às aulas, porque está cá quase sempre a montar.”, repetia. Começou a trabalhar desde então como intérprete e tradutora, atividade e fonte de rendimento que mantém, desempenhando funções em casamentos, notários e com frequência na área da medicina.

O estilo imaginativo, lírico e melódico, inscrito no ADN da descendente, não esquece um dos pormenores mais relevantes para quem ensina, como a saúde física e mental do cavalo, e que não raras vezes a levam a declinar alguns pedidos de donos e clientes, socorrendo-se da almofada financeira permitida pelo trabalho com freelancer para equilibrar orçamentos. “Às vezes querem que um cavalo com quatro anos aprenda a fazer por exemplo Ladeares, passagens de mão, ou andar de freio-bridão. Na minha opinião é cedo demais. Por isso recuso ensinar exercícios aos cavalos que ainda não acho apropriados pelo estado e fase na qual estão. Prefiro perder um cliente do que trabalhar contra a saúde do cavalo e contra os meus princípios”.

O Importante é agora um dos protagonistas nesta nova temporada, com o qual tem disputado provas médias. Depois de uma vitória este mês, segue-se nova competição em março

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Foi com Luís Valença que começou a ter aulas em Portugal, movimentando-se entre a zona de Vila Franca de Xira, onde hoje vive, Chamusca e Golegã. Dos primeiros tempos não esquece Neptuno, o russo muito branco, primeiro lusitano que montou. Seguiu-se a escala no Morgado Lusitano. Após este período ingressou na Academia de Dressage de Arruda para ter aulas com Raquel Falcão, onde montou mais de um ano e por esta altura estreou-se na competição. Desde então entrou em provas com os lusitanos Sábio, Detalhe e Temporal Interagro, entre outros. A partir do outono de 2012 começou a ensinar e treinar cavalos para Dressage em várias quintas privadas na zona de Vila Franca, Arruda dos Vinhos e Alenquer. Para trás, ficavam as primeiras lições em Anif, perto de Salzburg, durante a temporada de verão no campo, com apenas cinco anos. “Do jardim viam-se os cavalos. A minha vizinha era mais velha e começou a montar. Eu também quis fazer o mesmo”. Aos 11 anos, aproveitando os cavalos de uma tia, tornou a relação mais séria. “Ela arranjou uma égua, que teve um potro, que entretanto ficou para mim. Os meus pais achavam bem andar entretida mas a escola e o violino eram sempre muito importantes”, recorda Clara.

“A música deu-me a sensação do ritmo para os cavalos, também a paciência, a continuidade e a consistência. Fazer uma linha a direito é dos exercícios mais difíceis. Aqui somos uma pessoa e um cavalo, não uma grande orquestra”.
Clara Maria Schubert

Aos 14 anos começou a ter aulas com a australiana Marjorie Armstrong, que fez vários estágios na Áustria e fora aluna do Mestre Nuno Oliveira, iniciando assim a jovem Schubert no mundo do cavalo lusitano e na Dressage clássica. Tinha 18, 19 anos, quando passou dois meses numa coudelaria perto de Perth, Austrália, de onde Armstrong é originária e onde Oliveira haveria de morrer.

“Quando terminei o 12º ano queria estar só nos cavalos, mas os meus pais não me deixaram. Queria ir para Portugal e comecei a estudar português e inglês. Mais cedo ou mais tarde faria um semestre de Erasmus. Acabei por ficar um ano. Depois voltei cinco meses à Áustria, terminei rapidamente o curso de Comunicação Intracultural, e regressei para fazer mestrado em Lisboa”, resume Clara, que acabou por perceber que a redução dos treinos em nada contribuía para o aumento das notas, pelo contrário. Pelos 22 anos, o domínio da língua portuguesa juntava-se ao alemão, inglês, francês e até húngaro, mais uma competência inspirada pela imperatriz Sissi. “Aqueles cinco meses na Áustria deram-me para perceber que as saudades de cá são maiores do que as saudades de lá quando estou em Portugal, que me acolheu muito bem. Fui criando a minha vida e fazendo amigos nos cavalos”.

A mudança começou por ser vista pelos pais como uma decisão temporária. Um, dois anos, não mais, esperavam, até que Clara regressasse a Viena. “O meu pai, pensou que eu iria voltar e era o que respondia sempre às pessoas. Nas últimas vezes, já diz que eu vou ficar por cá.”

Um ilustre e luxuoso “sofá” lusitano

Garantem que o que lhe falta em espírito atlético é compensado com a cabeça, a docilidade, a capacidade de aprendizagem. Falamos do lusitano, o par perfeito para uma dança, a avaliar por quem o conhece como ninguém. “Quando estamos em cima dele parece ballet, algo que também fiz em criança” — e na lista de predicados não esqueçamos o conforto que bate aos pontos a rijeza de um warmblood, acrescentam. “É extraordinário. Tem aquilo que falta aos outros, o ser latino. O cavalo lusitano parece um sofá quando se monta. Daí a procura enorme pela Europa. Um alemão ou holandês tem que ser trabalhado todos os dias, este é um cavalo de recreio que permite a um amador fazer provas. 99% das pessoas são amadoras, por isso é fantástico”, sublinha João Oliveira Duarte.

Não é que a paixão se preste ao câmbio em euros mas convém lembrar que o recreio não sairá propriamente barato. Até neste particular, cavalos e violinos andam de mãos dadas. Tanto podem custar tostões como ascender a valores estratosféricos para um comum e modesto mortal. “150 mil euros não é raro para um lusitano. Um Guarnieri pode valer milhões. Penso que os violinos ainda vencem os cavalos em termos de valor, mas há quem pague 200 mil euros por um bom lusitano, que se define pela linhagem e pelo seu exterior, pelo tamanho, e ainda pela qualidade do seu ensino e provas ganhas”, descreve Clara, que o ano passado foi campeã regional da zona centro em provas preliminares. Este ano, a progressão natural encaminhá-la-ia para provas complementares mas resolveram “subir dois furos”, saltando para as provas médias.

Schubert escreveu 600 canções, 10 sinfonias, incluindo a célebre "Sinfonia Inacabada", e ainda óperas, música litúrgica e de câmara. Clara iniciou-se no violino ainda criança

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Há cerca de uma semana, venceu a sua primeira competição nesta etapa, no Centro Equestre Internacional de Alfeizerão. Em março, espera-a novo desafio, agora na Golegã. “Há 15 anos, tínhamos umas seis pessoas no total nas provas de Dressage. Hoje chegamos a ter provas com 80 pessoas, e muitas provas, quase todos os fins de semana”, enquadra João.

Clara Maria Schubert compete ativamente desde 2012 em concursos regionais e nacionais de Dressage em todo o país. O Importante é agora um dos protagonistas nesta nova temporada, com o particular de em solo nacional a cavaleira não ter cavalo próprio. — “Só parcerias, patrocinados ou de clientes” — o que se pode tornar um pouco ingrato quando essa parceria mágica cavaleiro-cavalo é desfeita pelo caminho. “Com o Importante estou nas provas médias. Se o cavalo for vendido ou tiver um problema de saúde, temos que arranjar outro cavalo e começar tudo de novo. Montar em casa e na pista é completamente diferente. Já me aconteceu venderem quatro cavalos e perder o nível”, suspira Clara, cujos graus académicos (selas, licenças) para poder competir a nível nacional e internacional foram feitos ainda na Áustria.

Amazonas, flamenco e tango argentino. Um cocktail para o futuro

Há uma terceira alusão à imperatriz austríaca nesta história, desta vez uma referência para as próximas etapas no trajeto da cavaleira. Clara Maria Schubert faz parte dos membros da Associação das Amazonas de Portugal desde a fundação em julho de 2017, um mês depois de ter concluído com sucesso o primeiro estágio de montar à amazona. “Gosto muito de montar à amazona, mais uma vez por causa da imperatriz Sissi. Se calhar a educação de um cavalo só está completa quando pode ser montado desta forma. É a cereja no topo do bolo. O cavalo tem mesmo que estar muito submisso, tem que ser mais velho, avançado”.

Clara num momento em competição (à esquerda) e a montar à amazona, uma das suas prioridades para os próximos tempos

Sendo esta uma área a explorar nos próximos tempos, outros desejos surgem de forma natural, como ver crescer o número de cavalos por si ensinado — “Gosto de seguir as suas vidas” — e, claro, a meta mais alta para um atleta: os Jogos Equestres, os Jogos Olímpicos, onde em 1992 o germânico Klaus Balkenhol haveria de conquistar uma medalha de ouro aos 53 anos.

Com menos tempo dedicado ao violino ou à harpa, que permanece em solo austríaco, Clara enveredou ainda pelo flamenco e pelo tango argentino. “A música deu-me a sensação do ritmo para os cavalos, também a paciência, a continuidade e a consistência. Fazer uma linha a direito é dos exercícios mais difíceis. Aqui somos uma pessoa e um cavalo, não uma grande orquestra”. O som do rádio no picadeiro é um detalhe a considerar, até porque a playlist influi na reação do animal. “Quando se liga música os cavalos adaptam-se a ela” — e, sim, já ouviram Schubert, o príncipe austríaco da canção “mas acho que não fez grande diferença em relação a outros compositores”.

A banda sonora mais pesada fica fora do plano quando está a montar, para que o foco no cavalo não seja desviado para esse background que pode ser motivo de perturbação. E se olhando para os ramos da árvore de família o vínculo é relativamente afastado com o compositor de “A Truta”, a emoção é galopante nas situações mais inesperadas. “Há uma coisa que já me aconteceu duas ou três vezes. Ouvir uma música, não saber de quem é, ou até seguir uma pauta e sentir uma ligação muito forte, até me comover, e só depois perceber que era de Franz Schubert. As vias que segue até me parecem lógicas, quase como se eu antecipasse o desfecho. Acho que há mesmo qualquer coisa no sangue”.

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