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Gouveia e Melo conta com um antigo assessor de José Sócrates a ditar o ritmo narrativo da campanha e um homem que deu pesadelos a Luís Montenegro e a Paulo Rangel no PSD. Seguro foi recuperar um dos organizadores da campanha com que António Costa o derrotou nas primárias de 2014. Mendes tem a ajuda da estrutura que fez as voltas vencedoras do atual primeiro-ministro. Cotrim, por sua vez, apostou no mesmo diretor de campanha que organizou as europeias e Ventura é praticamente ele e mais dez — para grande esforço da equipa de segurança que o acompanha.
O Observador examinou à lupa as máquinas de campanha dos cinco principais candidatos e explica quem são, de onde vêm, o que fazem e como se organizam os homens e mulheres que alimentam as respetivas locomotivas na corrida presidencial mais imprevísivel e exigente dos últimos 40 anos.
Gouveia e Melo. Uma máquina sem partidos com alguns dos mais experientes (e mais implacáveis) dos partidos
Henrique Gouveia e Melo não tem, como o próprio admite, o apoio de estruturas partidárias locais a apoiar a campanha. Mas, em alternativa, é acompanhado por uma máquina altamente profissional composta por alguns dos homens mais experientes em campanhas eleitorais de PS e PSD.
Desde logo, o próprio almirante, que teve funções de responsável de comunicação na Marinha, não deixa de ter uma palavra a dizer sobre dois fatores importantes para ele: organização e planeamento. Luís Bernardo, que ainda não apareceu em ações da campanha oficial (esteve em algumas importantes da pré-campanha), vai controlando tudo à distância, mantendo o contacto por telefone e por WhatsApp com alguns dos seus homens no terreno.
A equipa que acompanha o almirante é altamente experiente, profissional e obcecada com os detalhes. Desde logo, a mensagem é o mais importante. Depois, a imagem e a perceção pública da força da campanha. Os jantares-comício são confirmados mais em cima da hora para que se tente garantir a mobilização antes de arrastar os jornalistas para um flop que seja fatal. O trauma de Castelo Branco, quando uma sessão pública do almirante ficou às moscas e correu as redes sociais, foi uma lição. Isso não voltou a acontecer.
Nos jantares (aconteceu na Póvoa de Varzim e em Fafe) chegam a faltar lugares. O truque da equipa é marcar o jantar em restaurantes, com salas médias, e sempre com números entre as 100 a 200 pessoas (são difíceis contagens rigorosas devido às dezenas de elementos do staff). Entre a equipa que tudo controla na sombra estão figuras que foram fundamentais em campanhas vitoriosas de Costa ou Passos Coelho. Quem são eles, afinal?
INÊS CORREIA COM DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Nuno Saraiva era, até há muito pouco tempo, o assessor mais próximo do líder do grupo parlamentar do PS e, durante esse período, era por ele que passava a comunicação de todos os deputados do partido. Nuno Saraiva foi jornalista, é conhecedor dos meandros da política e até exerceu as funções editor de política em quatro órgãos de comunicação (TSF, Expresso, Sábado e Diário de Notícias). Do jornalismo saiu para o Sporting, sendo o diretor de comunicação durante tempos de elevada tensão e guerra comunicacional no futebol português. É dos membros da campanha mais conhecidos da comitiva a seguir ao candidato: “Olha o gajo do Sporting”, é comum ouvir-se nas arruadas.
Quando saiu do grupo parlamentar do PS passou a trabalhar na agência de Luís Bernardo e é nessa qualidade profissional que está na campanha, exercendo, ao lado de João Camolas, as funções de assessor de imprensa. Mesmo que seja também, politicamente, próximo do PS, sendo inclusive membro da assembleia de freguesia da junta de Benfica, eleito nas listas do PS.
Na campanha de Gouveia e Melo, Saraiva não só pensa a comunicação em conjunto com a restante equipa o almirante, como nunca o perde de vista no terreno. Chega, literalmente, a apontar-lhe o caminho com o indicativo. E, apesar de procurar manter-se discreto, entra em cena quando chega a hora de o candidatos falar com a Comunicação Social. O que chega a acontecer quatro ou cinco vezes por dia.
Em Vila Verde, Alijó, no fim de uma feira começou a dar indicações para o posicionamento dos candidatos perante as câmaras: “Mais para este lado”. A ideia era que o candidato não ficasse em contra-luz em nenhum dos plano. Quando as perguntas exigem alerta também são evidentes alguns sinais — sejam olhares ou pequenos toques — para que Gouveia e Melo tenha (mais) atenção ao que responde. E quando é hora de terminar as declarações, são Nuno Saraiva ou David Damião a decretar o fim da ronda de perguntas. “Muito obrigado”, costumam dizer de forma imperativa para pôr fim. No Porto de Leixões, numa ronda no terraço, logo que acabaram as declarações, Saraiva e Damião acercaram-se de Gouveia e Melo para lhe soprar dicas ao ouvido.
Como é habitual em campanhas eleitorais, há sempre momentos de maior confusão. Acontece que Gouveia e Melo ainda não tem o treino para disfarçar o incómodo e acaba por reagir. Numa arruada em Mirandela, tinha um outro membro da campanha a dizer que era para a esquerda e Nuno Saraiva a sinalizar que tinha de ir para a direita. Mesmo à frente das câmaras, Gouveia e Melo disse alto e bom som: “Calma! Vocês decidam-se. É para a esquerda ou para a direita?”. O almirante confia em Saraiva e acaba (quase) sempre por segui-lo.
Numa arruada em Viana do Castelo, está sexta-feira, a equipa detetou ao longe uma pequena comitiva com bandeiras do Chega. Rapidamente, Nuno Saraiva avançou para o candidato para conferenciar e combinou como agir: “Estão ali apoiantes do Ventura”. O almirante disse ao assessor “faz parte, é a democracia” e combinaram normalizar o cruzamento de comitivas. Três minutos depois, ao passar por esse grupo com bandeiras de Ventura, o almirante mostrou-se muito simpático e até brincou: “Quem é o vosso candidato?”. Após acenos simpáticos, seguiu caminho. O número estava feito.
INÊS CORREIA COM DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
David Damião, outro homem na sombra, é mais discreto do que Nuno Saraiva, mas também está muito presente. É outro dos cérebros da comunicação da campanha com ligações ao PS. Está atento ao que se passa nas outras campanhas, às sondagens e acima de tudo é importante no desenho da mensagem política. Quer a quer dita pelo público quer a que acontece, muitas vezes ao dia, em resposta aos jornalistas.
Ainda em 2024, David Damião foi um dos estrategas da volta nacional de Pedro Nuno Santos, em que ficou a um ponto de bater Montenegro. Antes dessa campanha, era assessor de Augusto Santos Silva no Parlamento e também dos primeiros-ministros António Costa, José Sócrates e de António Guterres. É, por tudo isto, um dos mais experientes assessores políticos do país.
INÊS CORREIA COM DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Ao contrário dos camaradas de equipa, que estiveram nos últimos anos envolvidos em várias campanhas partidárias, João Camolas não tem essas ligações. Igualmente discreto, foi o primeiro na pré-campanha a aparecer, quando Luís Bernardo ainda negava estar a apoiar a campanha. É por trabalhar para a WL Partners que está na campanha, mas percebe-se que o almirante confia nele. Não é absolutamente desprovido de experiência a lidar com políticos — noutra vida foi assessor de imprensa, por exemplo, de José Sá Fernandes na Câmara de Lisboa.
Embora todos lidem diariamente com os jornalistas, João Camolas vai tratando de questões práticas, como o envio da agenda de campanha. Fica sempre uns passos mais atrás na bolha, mas também está sempre presente. Oficialmente, a campanha tem dois assessores de imprensa: Camolas e Saraiva. É para eles que vão os pedidos de entrevistas ou outros trabalhos jornalísticos com os candidatos.
Não obstante a autonomia que estes homens têm no terreno, há sempre a ideia clara que no topo da decisão, além do almirante está, a centenas quilómetros de distância, Luís Bernardo. Também ele foi assessor de dois primeiros-ministros (José Sócrates e António Guterres). Nesse percurso no PS, partido do qual foi militante, fez parte do secretariado da JS quando o líder era António José Seguro. A assertividade da mensagem do almirante — principalmente a partir do debate com Marques Mendes, altura em que passou a atacar numa base quase diária e com força o candidato apoiado pelo PSD — é atribuída pelos adversários ao estilo comunicacional agressivo de Bernardo.
INÊS CORREIA COM DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Mas nem só de figuras do PS vive a máquina bem oleada de Gouveia e Melo. Outra figura fundamental foi até durante muitos anos secretário-geral adjunto do PSD de Rui Rio. Antes disso, João Montenegro era uma espécie de COO do PSD de Pedro Passos Coelho, sendo várias vezes o homem no terreno que geria todas as deslocações do então líder social-democrata. Quando Passos foi eleito primeiro-ministro levou João Montenegro para adjunto do seu gabinete, onde continuava a dominar toda a preparação das deslocações do primeiro-ministro ao terreno, incluindo em eventos partidários.
Internamente, chegou a ser diretor de campanha de Pedro Santana Lopes nas diretas contra Rio. Nas seguintes, já estava ao lado do antigo presidente da Câmara do Porto. E foi uma figura central no terreno e na mobilização nas duas diretas seguintes, em particular nas últimas em que Rio bateu Paulo Rangel. João Montenegro, então a par de Salvador Malheiro, era o homem do aparelho no terreno. Conhece quase todos os autarcas, dirigentes locais e militantes históricos nos vários concelhos do país. Tem números de telefone de todos eles, numa lista telefónica útil em qualquer campanha, mais ainda quando não há o apoio declarado de nenhum partido.
João Montenegro — que também foi o homem do terreno de Rio nas legislativas de 2019 e 2022 — utiliza assim todo o know how de anos a fazer avançadas (visitas de preparação de ações de campanha) e centenas de eventos partidários (conhece como ninguém salas e espaços de várias terras) a favor da campanha do almirante. É normal vê-lo também a indicar o caminho, mas, mais do que isso, a garantir que tudo está pronto quando o candidato chega a uma ação, seja uma arruada, seja um jantar com apoiantes. Mais do que um homem do terreno, na campanha do almirante é o homem-que-prepara-o-terreno. Tem executado as funções ao milímetro, sem falhas a registar.
INÊS CORREIA COM DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Em várias eventos, vão aparecendo outras figuras com ligação ao partido, mas que não fazem parte da máquina. Aconteceu em Mirandela, onde o antigo secretário-geral do PSD e verdadeiro braço direito de Rio, José Silvano, e o antigo vice-presidente da Assembleia da República e líder parlamentar, Adão Silva, apareceram nas ações de campanha — no mercado, na feira e numa ida não programada à corporação bombeiros — para dar força a Henrique Gouveia e Melo. Foram-se mantendo, ainda assim, fora das câmaras e do centro das atenções. Rui Rio, que foi o líder que puxou por ambos no PSD, também tem marcado presença em jantares próximos da cidade do Porto (na Póvoa de Varzim e em Fafe) e também foi à Faculdade de Medicina no Porto, onde se deixou ficar a mais de 50 metros no momento das declarações.
Seguro. Partido precisa-se, mas fora dos holofotes
António José Seguro já leva uns meses de estrada, a tentar recuperar os dez anos de pousio político, e parte da equipa já está com ele há algum tempo. Outros chegaram agora, para o período oficial e já com o PS no barco. O grupo que acompanha o candidato no dia a dia é curto, mas no terreno o partido tem sido decisivo para a composição do quadro.
Encher salões, salas e salinhas, qualquer sessão ou comício não é um problema para um partido com a dimensão e experiência do PS. “O partido é profissional nisso”, comenta com o Observador fonte socialista quando confrontada com a capacidade performativa que se deteta na estrada e a criação da ideia de uma campanha em crescendo.
As sondagens podem ter animado o candidato, mas não têm tido grande reflexo na rua pouco curiosa com a caravana. Certo que, na primeira semana, tem passado sobretudo pelos distritos menos populosos, mas a receção tem sido de alguma indiferença e ao candidato tem valido muito o apoio da máquina socialista. Foi especialmente visível neste sábado, na passagem por Braga, onde se juntou o líder e inúmeras figuras do partido, com relevo nacional mas sobretudo local (autarcas e dirigentes socialistas).
A equipa do dia a dia e a sua dinâmica no terreno foram definidas depois do verão e a ação passa por três frentes: uma equipa mais próxima, de apoio direto ao candidato; os diretores distritais que são todos elementos do partidos (a maior parte das vezes autarcas, ex-autarcas e presidentes de federação); os mandatários nacionais (essencialmente independentes escolhidos a dedo por Seguro).
INÊS CORREIA COM VASCO COELHO/OBSERVADOR
No apoio mais próximo ao candidato está o diretor de campanha, Paulo Lopes Silva que é atualmente deputado do PS, pelo círculo de Braga, mas já pertenceu à equipa de Seguro quando este foi líder do partido, sendo um dos elementos da organização. Também foi vereador na Câmara de Guimarães e líder da bancada do PS na Assembleia do mesmo município.
Na caravana é o elemento central da organização e gestão da agenda diária do candidato. Não há nada que não passe por ele: desde a organização da agenda, os pontos de passagem, às horas e acertos com dirigentes locais do PS. Muitas vezes vai à frente da caravana para garantir que a ação seguinte está preparada, mas também segue várias vezes no carro com António José Seguro.
INÊS CORREIA COM VASCO COELHO/OBSERVADOR
Está em constante articulação com o diretor de comunicação, Luís Sobral. O consultor e ex-diretor-geral da Federação Portuguesa de Futebol (onde trabalhou nos últimos dez anos), também já foi jornalista e não tinha relação com António José Seguro, com quem está a trabalhar desde setembro. Na caravana é responsável pela coordenação de toda a comunicação e um apoio constante do candidato durante as arruadas e antes dos contactos com a comunicação social.
Ainda esta sexta-feira, de manhã depois de uma visita à Câmara do Gavião, antes de sair para a rua, onde já sabia que o candidato ia estar mais à mercê dos microfones, Sobral fez-lhe um mini briefing matinal para o preparar. Seguro tem estado disponível para as perguntas e é ele que controla diretamente esses momentos: quando não lhe interessa responder mais atira um “muito obrigado” e segue, sem ser preciso que exista intervenção do diretor de comunicação para dar a sessão de perguntas por encerrada. Já é diferente quando o candidato se perde em alguma conversa de rua, aí ouve-se Sobral avisá-lo: “Temos de ir, temos de ir”.
INÊS CORREIA COM VASCO COELHO/OBSERVADOR
A agenda segue, como é habitual, em contra-relógio e esse acerto de passo vai sendo sempre pressionado pelo diretor de campanha, Paulo Lopes Silva. Nessa tarefa, no terreno, também tem estado o responsável pela caravana, João Pina. O socialista faz parte da organização do PS e foi destacado pela direção, em novembro passado, para acompanhar a campanha de António José Seguro.
Já fez outras campanhas e, curiosamente, uma em que não podia ter estado mais afastado de Seguro. João Pina foi um dos organizadores da campanha de António Costa nas primárias do PS, em 2014, onde este concorreu e ganhou contra António José Seguro. Essa disputa acabou mal para Seguro que agora regressa com este organizador de Costa no terreno.
Pina é também conhecido dentro do PS como um dos socialistas que trata os dados nas noites eleitorais e mais cedo consegue interpretar o que vai recebendo. Foi ele que, em 2022, primeiro avisou Costa sobre a maioria absoluta garantida. Por outro lado também foi o primeiro, em 2025, a dizer a Pedro Nuno Santos que poderia ficar abaixo do Chega.
INÊS CORREIA COM VASCO COELHO/OBSERVADOR
Na estrada orienta a caravana, em articulação com o diretor de campanha, e garante as questões de logística, orienta o grupo de meia dúzia de universitários (e de várias juventudes partidárias — da JS à JP) que animam a caravana nas ruas, com gritos de ordem que vão do clássico “Seguro presidente” às adaptações criativas de cânticos do futebol e passam ainda pela recriação do autocolante “Seguro é fixe”.
E há também a ligação com as estruturas distritais do partidos que estão muito presentes nesta candidatura que se proclama “suprapartidária”. Todos os diretores de campanha distritais de Seguro nos vários distritos são do partido e esse envolvimento é a garantia de eventos compostos pelo país. Mas os mandatários nacionais são sobretudo independentes e Seguro dá prioridade no palco a essas figuras.
INÊS CORREIA COM VASCO COELHO/OBSERVADOR
Na primeira semana, na maioria dos comícios houve apenas duas intervenções em palco, a do mandatário pelo distrito e a do candidato. Foi assim em Santarém e Portalegre, por exemplo. Em Portimão, ainda falou o presidente da Câmara antes do mandatário Efigénio Ribeiro, mas de forma muito breve. O mandatário saltou da cadeira ao lado esquerdo de Seguro, no Museu de Portimão, para falar no palco.
Luís Graça, presidente do PS Algarve também esteve presente, a sinalizar o envolvimento do partido na região, mas ficou sentado no seu lugar na primeira fila, com Seguro a manter o partido fora do holofote principal. Em Santarém, a lógica foi a mesma e quem discursou foi a engenheira agro-alimentar, Maria Vicente, que Seguro escolheu para mandatária distrital. Hugo Costa, líder do PS-Santarém e diretor de campanha no distrito, subiu ao palco, mas só para receber com o grupo todo a ovação final.
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E em Portalegre, o único elemento que discursou no jantar-comício no NerPor, para além de Seguro, foi João Manuel Nabeiro, chairman do Grupo Nabeiro – Delta, filho de Rui Nabeiro. A família tem forte ligação àquele território e a sua empresa é um dos seus principais motores económicos e sociais, decisivo na criação de emprego e consequente fixação das pessoas numa zona do interior especialmente desertificada. O envolvimento de um importante elemento família na candidatura dá, por tudo isto, um importante empurrão a Seguro numa sala que salta num aplauso contínuo sempre que ouve o apelido Nabeiro.
Nessa noite, na mesa principal do jantar-comício estava o mandatário e também a sempre presente nesta caravana, Rita Saias. A mandatária da juventude de Seguro (juntamente com Renato Daniel) praticamente não perde uma ação de campanha. Foi presidente do Conselho Nacional da Juventude, como Seguro há muitos anos, e exerce funções como consultora da Casa Civil do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com responsabilidade nos temas da Juventude, Diálogo Intergeracional e Envelhecimento Ativo.
Esta é a dinâmica-base da caravana de Seguro, que é ocasionalmente visitada por apoiantes diversos vindos do topo do partido, como Duarte Cordeiro, numa sessão em Lisboa sobre Ambiente, Ana Catarina Mendes, que apareceu em Grândola para firmar, agora presencialmente, o apoio ao adversário de sempre do costismo (ala de que fez parte), Sérgio Sousa Pinto ou Francisco Assis, que se juntaram num almoço em Santo Emilião, em Braga, bem como José Luís Carneiro.
Já apareceram também alguns deputados, todos os presidentes de federação dos distrito por onde passa, como Luís Dias (Évora), João Portugal (Coimbra) ou Luís Testa (Portalegre), diversos autarcas, caso de Carlos Zorrinho (Évora) ou Ana Abrunhosa (Coimbra) e ainda um dos conselheiros e amigo antigo de António José Seguro, Álvaro Beleza, que faz parte da Comissão Política Nacional do PS. Já esteve em Lisboa e depois também em Évora, sempre muito próximo de Seguro.
A dada altura, na Praça do Giraldo, depois do candidato ter gritado contra a “indignidade” da situação na saúde, Beleza levou uma garrafa de água a Seguro que se riu com a preocupação do seu “amigo médico”. E para outro tipo de riscos ainda conta com um equipa de segurança. A candidatura recusa falar sobre o assunto mas são visíveis, no dia a dia, sempre num carro de apoio e nas ações de campanha, alguns elementos rotativos do corpos de segurança pessoal da PSP — que foi posta à disposição de algumas candidaturas.
Luís Marques Mendes. Máquina do PSD e Governo dizem presente
Quem já acompanhou campanhas eleitorais do PSD não terá dificuldades em reconhecer muitos dos rostos que compõem a caravana de Luís Marques Mendes, uma vez que boa parte da estrutura que acompanha o candidato é partilhada com a AD. Como uma fonte do Executivo dizia ao Observador, mais vale “assumir” por inteiro o apoio a Mendes, colhendo os louros ou a derrota que surgirem no final da corrida, do que tentar disfarçá-lo; assim, não há nenhuma tentativa de manter o candidato separado da máquina cor de laranja.
Isto significa que há responsáveis comuns pela articulação das ações no terreno, pelas fotografias (quem o acompanha em permanência é o fotógrafo do partido, João Pedro Domingos), a sonoplastia ou pela segurança. Isto além de a cada passo Mendes contar com a companhia dos autarcas, líderes locais do PSD e deputados no terreno (especialmente depois de o partido ter lançado esse apelo aos sociais democratas, preocupado com os números desencorajadores das sondagens).
A figura mais omnipresente é a de Paulo Cavaleiro, secretário-geral adjunto do PSD, o homem que operacionaliza toda a logística não só da campanha de Mendes, mas também das campanhas do partido (além de ser deputado). É ele o chefe no terreno que articula os contactos com a máquina do PSD, assegurando que os autarcas sociais democratas estão a postos para receber Mendes e dando indicações sobre a rota a percorrer em cada visita e ação de campanha (primeiro aborda os lojistas na rua, para perceber se a receção será boa). Por vezes irrita-se ao telefone, se o autarca da terra em causa estiver atrasado para se encontrar com Mendes. E chega até a vestir o casaco ao candidato, quando a pressa a isso obriga.
Nesta fotografia surge ao lado de Sofia Rodrigues, que é assessora de imprensa na campanha, tendo assessorado Pedro Duarte quando este era ministro dos Assuntos Parlamentares, depois de ter deixado a carreira de jornalista no Público – é agora a responsável pelas relações com os jornalistas, por lhes transmitir informação e responder a convites da imprensa.
INÊS CORREIA COM JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Hugo Soares representa o topo do PSD, sendo tão influente que muitas vezes é referido como uma espécie de ministro suplementar do Governo de Luís Montenegro. Sendo líder parlamentar, foi o responsável pela reunião, no final desta semana, em que se deu o toque a rebate dos deputados, chamando-os ao terreno para mostrar o apoio do PSD (ou de parte dele) ao candidato. Enquanto secretário-geral, é o chefe do aparelho do PSD, com ligações a toda a máquina social democrata e o poder de convocar a militância para encher salas e jantares (que ora acontecem em grandes quintas de casamentos ora em mais modestas coletividades e associações).
Soares já apareceu na campanha em vários momentos: a fotografia mostra o momento em que acompanhava mais discretamente, na retaguarda, uma visita ao mercado de Torres Vedras, mas num encontro em Évora subiu mesmo ao palco e jurou que o PSD não está a “fazer frete” ao apoiar o candidato. Nesta imagem encontra-se ao lado de Alexandre Poço, seu vice na bancada social democrata, vice do partido e papa léguas nas últimas campanhas (sobre ele diz-se, no PSD, que estará já a pensar no futuro pós-Montenegro). No meio dos dois, surge Teixeira, o técnico de som que trabalha no PSD há décadas e a quem Hugo Soares entregou o cartão de militante do partido no último jantar de Natal.
Duarte Marques foi escolhido como diretor de campanha e simboliza também as ligações da candidatura à máquina social democrata, que conhece bem há muito, ou não tivesse sido líder da JSD. O antigo deputado do PSD marca presença em boa parte das ações de campanha e vai articulando com o candidato a mensagem a passar em cada momento, antes de este falar aos jornalistas. Nas redes sociais ajuda a reforçar essa mensagem, saindo em defesa de Mendes (e ao ataque contra os adversários) com frequência. Marques é também sócio de uma empresa de publicidade, tendo experiência também por essa via na área da comunicação.
INÊS CORREIA COM JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Luís Marques Mendes tem contado constantemente com figuras do PSD, mas também do CDS, na campanha. À esquerda nesta imagem aparece Diogo Feio, antigo dirigente do partido, que foi dos primeiros nomes dos democratas-cristãos a assumir o seu apoio público a Mendes (enquanto o partido, dividido e a suspirar por Paulo Portas, não se decidia).
Ao seu lado está o cirurgião e sobrinho de Mário Soares Eduardo Barroso, que foi escolhido para mandatário de Lisboa e veio desde logo esclarecer que nunca votou à direita na vida – é assim um dos nomes que servem para Mendes demonstrar a abrangência da sua candidatura, não se limitando às fronteiras da AD. Na fotografia aparecem também Alexandre Poço, Duarte Marques e, ao seu lado, Nuno Sampaio, que foi secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros no Governo anterior e trabalhou como consultor e assessor de dois Presidentes: Marcelo Rebelo de Sousa e Cavaco Silva.
Na clássica Tasquinha do Firmino, na Guarda, Mendes aparece acompanhado por Álvaro Amaro, ex-eurodeputado do PSD, agora condenado por prevaricação (tem uma pena de prisão suspensa condicionada ao pagamento de 25 mil euros). Mas a influência de Amaro, antigo autarca da Guarda, parece manter-se, tendo sido uma das figuras que guiaram Mendes num passeio pelo centro da cidade, tal como fazia quando governava a cidade.
Mendes tem tido, de resto, sempre a companhia dos autarcas sociais democratas dos concelhos que visita, tentando demonstrar a força da máquina autárquica. E também de autarcas independentes – Maria das Dores Meira, ex-comunista reeleita com o apoio do PSD, apareceu em Setúbal para elogiar a “experiência” que partilham, tendo ambos longas vidas políticas.
INÊS CORREIA COM JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, foi um dos protagonistas do Governo que apareceram a dar a cara por Marques Mendes. Ao contrário de Matias, Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, veio dar o seu apoio sem discursar, mas a presença do Executivo vai-se fazendo ao aparecer (literalmente) na fotografia da campanha – não que seja preciso dar muito mais provas depois de o próprio Luís Montenegro ter discursado no comício de arranque. Esta sexta-feira Miguel Pinto Luz aparecia num comício na Lousã para dar mais um pouco de gás a Mendes, lembrando os seus tempos nos governos de Cavaco Silva; no sábado, Paulo Rangel levou-lhe o apoio do Governo a um almoço numa quinta de casamentos, em Vila Verde.
Depois de ter sido cabeça de lista às eleições europeias e de se ter tornado protagonista na campanha autárquica da AD, percorrendo o país para ir discursando nos comícios de dezenas de candidatos, Sebastião Bugalho voltou a assumir um lugar de destaque nesta campanha. Desta vez apareceu ao lado de Mendes como elemento da sua comissão política, e no arranque da campanha ocupou-se de distribuir ataques pelos adversários de Mendes, de Cotrim a Gouveia e Melo. Noutros jantares e encontros ocupa-se de entreter e cumprimentar cada mesa de militantes, qual anfitrião, e no final é certo que passará pelo menos uns minutos a aceitar pedidos para tirar selfies.
INÊS CORREIA COM JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Cotrim. Uma máquina importada da Iniciativa Liberal
A máquina de campanha de João Cotrim Figueiredo é praticamente toda importada da Iniciativa Liberal. A começar no autocarro em que se deslocam por todo o país, revestido agora com o nome do candidato em vez do nome do partido; a continuar na forma de organização da campanha; e a acabar nas pessoas que já estão habituadas e afinadas para trabalhar em conjunto.
O diretor de campanha é Bernardo Blanco, já designado em tempos por Cotrim Figueiredo como futuro presidente da Iniciativa Liberal. Deixou por vontade própria o Parlamento para se dedicar a uma vida profissional fora da política, ganhar currículo nas empresas e voltar mais tarde. Mas fez agora um intervalo para se concentrar nesta missão de levar o candidato à segunda volta. É o conselheiro de maior confiança de Cotrim, que já disse que não abdicaria dele nesta aventura. E agradeceu-lhe publicamente o empenho nos seus discursos em Gaia, na quinta-feira, e em Lisboa, este sábado.
▲ Bernardo Blanco, ex-deputado e apontado como futuro presidente da IL, é o diretor de campanha
INÊS CORREIA COM MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR
Quem vê de fora as ações de campanha pode por momentos ficar com a impressão de quem orienta verdadeiramente os passos do candidato no terreno é o diretor de operações, Frederico Valente Nunes, assessor do secretário-geral da Iniciativa Liberal e responsável pela ligação do partido com os seus parceiros internacionais — o que dará jeito a qualquer candidato à Presidência. Durante quase cinco anos teve experiência profissional na Procter & Gamble na área da logística, o que dá ainda mais jeito ao candidato.
É ele que marca os encontros e visitas da campanha, é ele que gere onde ficam, é ele que diz por que rua vão, e mais importante é ele quem controla os tempos de cada ação de campanha, para evitar atrasos. Cotrim já chegou a chamar-lhe: “Oh, toque de caixa, é por onde?” E jurou que lhe obedeceria neste sempre desafiante cumprimento dos tempos. Tem o grande apoio de Catarina Neto, que assegura os briefings ao candidato antes de cada ação de campanha e trabalho administrativo.
Octávio Lousada Oliveira é o assessor de comunicação de Cotrim. Antigo jornalista do DN, das revistas Sábado e Visão, do Expresso e diretor do Novo, autor de uma biografia sobre o presidente do FC Porto, André Villas Boas, foi também assessor de imprensa da Iniciativa Liberal, tendo experiência em várias campanhas eleitorais.
▲ Octávio Lousada Oliveira é o assessor de imprensa: ajuda sempre Cotrim a preparar as declarações aos jornalistas no fim de cada visita
INÊS CORREIA COM MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR
É o ponto de ligação com os jornalistas. E tem um papel decisivo na definição da mensagem de cada intervenção do candidato. Quando Cotrim sai de uma visita, fica largamente a conferenciar com o assessor sobre desenvolvimentos da atualidade e ataques de outras campanhas, para tentarem em conjunto antecipar e preparar as respostas ao que os jornalistas forem perguntar.
Liliana Reis, ex-deputada da AD que foi cabeça de lista por Castelo Branco às legislativas de 2024, tem sido tratada como um trunfo pela candidatura, onde colabora como conselheira política. Apoiante desde a primeira hora, é por ela que passam muitos dos contactos com simpatizantes do PSD. Discursou antes do candidato no comício de Gaia; é destacada para ir defender Cotrim em debates nas televisões e rádios; e acompanhou-o ao longo de toda esta primeira semana nos lares, nas visitas a instituições e na rua: é Liliana Reis que está a dançar merengue ao lado de Cotrim Figueiredo nos vídeos virais captados na Universidade Sénior Senhora da Hora. E, claro, desloca-se com o resto da equipa no autocarro azul escuro conduzido em todas as campanhas desde a IL por Paulo Machado.
▲ Liliana Reis, conselheira política que foi deputada da AD, e Frederico Valente Antunes, o diretor de operações, estão em todas as ações de campanha
INÊS CORREIA COM MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR
As redes sociais do candidato foram fundamentais para o tornar campeão do eleitorado jovem. É o próprio diretor de campanha que idealiza e supervisiona a comunicação nessas plataformas, mas a produção de conteúdos é executada por uma equipa que inclui José Pedro Ferreira, videógrafo que também dá apoio logístico, Luís Nunes, que assegura os audiovisuais e Junior De Vecchi, fotógrafo que também já registava as campanhas da IL e o trabalho dos deputados liberais no Parlamento.
No autocarro em permanência com o candidato há ainda dois jovens voluntários, Catarina Matos e Duarte Miranda, que acompanham todas as saídas e garantem que nunca faltam brindes para distribuir aos eleitores, nem bandeiras atrás do candidato.
▲ Catarina Neto é responsável pelo briefing ao candidato antes de cada ação de campanha
INÊS CORREIA COM MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR
Ventura. Outras eleições, tudo na mesma
Mudam as eleições, mudam as bandeiras, mas mantém-se tudo o resto. A campanha gira, naturalmente, em torno de André Ventura, que segue acompanhado pelas pessoas de sempre, entre deputados e dirigentes do Chega. Com o nível de segurança do costume, tem por perto a equipa de comunicação que gere a campanha no terreno, vai sendo acompanhado pelas estruturas locais e, rua após rua, comício após comício, é preciso pouco mais. Ventura faz por si e, desta vez — ainda que muitas vezes fale na segunda pessoa do plural como se de umas legislativas se tratasse —, esta é mesmo uma eleição unipessoal. Mas não é preciso grande adaptação, quando Ventura está na rua, ninguém ao lado consegue dar nas vistas.
Antes de cada ação de campanha, o ritual do costume e as pessoas do costume: há uma equipa avançada de seguranças que prepara o local. Hélio Filipe, responsável pela segurança de Ventura, é o primeiro a chegar para avaliar o local. Está há muitos anos com o presidente do Chega, acompanha-o para todo o lado e encabeça uma equipa que já está habituada à confusão à volta do candidato. Falam por intercomunicadores mesmo quando estão a poucos metros.
Nessa equipa de segurança destaque também para Marco Fortes, conhecido a nível nacional por ter sido atleta olímpico português e especialista no lançamento do peso — tornou-se famoso pela frase “de manhã só se está bem é na caminha”. Alto e forte, tem a missão de seguir na primeira linha ao lado de Ventura e de manter a ordem, filtrando quem entra ou não na bolha. Na equipa de seguranças e motoristas está também Luc Mombito, motorista e grande amigo de André Ventura, que o conduz por todo o país durante a campanha, mas não aparece nas arruadas. Deixa o candidato no início e está no final para que siga viagem.
Nessa primeira equipa avançada está sempre o assessor de comunicação do Chega, Filipe Duarte, que está a dirigir a campanha de André Ventura. É o canivete suíço da campanha: ajuda a gerir tudo, faz a ponte entre o candidato, a segurança, as estruturas locais e a comunicação social. Escolhe o sítio para as declarações, tem o cuidado de ver se está demasiado sol ou frio para Ventura, e, no fim, dá ordem para que terminem.
Quando a comitiva arranca, não poucas vezes faz de segurança para controlar a bolha de jornalistas que abafa Ventura. Antes de se juntar ao Chega, depois das eleições legislativas de 2024, fez comunicação e gestão de eventos, mais virado para a área desportiva, tendo até trabalhado com o Benfica. Nas últimas autárquicas passou do backoffice para protagonista quando foi candidato à Câmara Municipal de Aljustrel.
INÊS CORREIA COM DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR
Quando o reconhecimento do terreno está feito, abrem-se alas para que chegue o núcleo mais próximo de Ventura na campanha: a carrinha com a comitiva que segue Ventura para praticamente todo o lado. Lá dentro segue Diogo Avó, responsável pelos vídeos mais imediatos usados nas redes sociais, que anda sempre de telemóvel em riste apontado ao candidato e pessoas que se cruzam com ele; Luís Miguel Sousa, o fotógrafo que há muito acompanha o partido em campanhas e no dia a dia, e um motorista.
Os restantes lugares são para o núcleo duro político de Ventura. Habitualmente há uma rendição dos elementos a meio da campanha, mas, como Parlamento continua a funcionar trabalhos e tendo em conta que os mais próximos de Ventura têm todos assento no plenário, os deputados vão surgindo quando é possível.
Entre aqueles que têm lugar na carrinha e os que se juntam por meios próprios, em todas as ações há deputados e membros da direção, umas vezes mais conhecidos, outras nem tanto. Na primeira semana já passaram pela campanha nomes como Rita Matias, Pedro Santos Frazão, Marta Silva, Cristina Rodrigues, Rui Paulo Sousa, Pedro Pinto, Patrícia Almeida, Patrícia Carvalho, Ricardo Dias Pinto, Jorge Galveias, José Barreira Soares, Pedro Correia, Luís Paulo Fernandes, Felicidade Vital ou Nuno Gabriel. Mas a lista cresce a cada dia.
INÊS CORREIA COM DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR
Quando Rita Matias está por perto, o coro afina-se com mais facilidade. Tanto ela como Patrícia Carvalho estão habituadas a esta dinâmica há muito tempo, de campanhas em que faziam parte da equipa de comunicação, antes de se tornarem figuras com mais relevância no partido e de terem assumido o lugar de deputadas.
Ao longo dos últimos anos, são dois dos membros da direção que mais vezes têm assento na carrinha, como acontece com Cristina Rodrigues, braço-direito de Ventura principalmente em questões jurídicas, ou Marta Silva, que é vice-presidente do partido. O mesmo acontece com Pedro Santos Frazão. Rui Paulo Sousa ou Pedro Pinto, que costumam estar muitas vezes ao lado de Ventura. Rui Paulo Sousa, além de deputado e membro da direção, é novamente o diretor financeiro da campanha e um dos braços direitos do presidente do Chega.
Uma das novas figuras que surgiu na campanha e acompanhou Ventura durante alguns dias, na carrinha de apoio, foi o mandatário nacional escolhido pelo candidato apoiado pelo Chega: o tenente-coronel Pedro Tinoco de Faria. Chegou a haver um movimento que queria que fosse ele próprio candidato a Presidente da República, ainda vive na internet uma página com a intenção, mas Tinoco aceitou o convite de Ventura e justificou-o dizendo que, “em 51 anos, após o 25 de Abril, há pela primeira vez uma rutura com o regime, com o sistema, em que o sistema é posto em causa, e só uma pessoa teve realmente essa coragem de pôr o regime em causa e foi André Ventura”.
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Ao longo da viagem, a máquina da campanha vai-se fazendo também com as estruturas locais. Em cada paragem há líderes de distritais e concelhias a preparar o terreno. Costumam estar próximos de Ventura e da primeira linha de deputados. Alguns são, eles próprios, parlamentares. Apesar de Ventura muitas vezes sair do caminho traçado e obrigar a uma ginástica de toda a equipa (principalmente da segurança), são eles quem informam sobre as ruas a percorrer, o trajeto a completar e vão dando indicações. Também eles têm de estar coordenados com a equipa de segurança. Na primeira fase da campanha, Pedro Correia, vice-presidente da distrital de Santarém, Nuno Gabriel, presidente da distrital de Setúbal, ou Luís Paulo Fernandes, presidente da distrital de Leiria, são alguns dos nomes que fizeram esse trabalho.
O inner circle toma sempre as primeiras linhas à volta de Ventura, caminham lado a lado com o candidato a Belém, surgem atrás do líder do Chega nas declarações e nunca o deixam sem caras familiares ao seu redor. Num partido recente e em que o fundador é o principal rosto, não há espaço para comícios ou arruadas em que participem grandes figuras históricas, com grandes discursos para marcar os dias ou a agenda. Ventura vai sendo amparado por quem o acompanha, mas apenas como apoio moral. Só têm palavra nos poucos comícios os mandatários locais e com o tempo contado.
De resto, Ventura é one man show. A sua chegada gera momentos de excitação, multiplica-se em selfies e beijinhos, dá cabo da cabeça dos seguranças e estruturas locais sempre que sai da bolha para cumprimentar alguém mais longe (“O gajo foge, não o posso rabejar”, brincava um militante que tentava manter a bolha na ordem) e faz a festa com pouco, tantos nas arruadas grandes como nas pequenas. Ainda que haja algum trabalho de campo de algumas estruturas locais a indicar locais de paragem, não chega e Ventura acaba por ir muitas vezes por instinto.