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“Triste realidade da vida moderna”. Do stress diário à falta de tempo livre, das horas perdidas no trânsito à dependência da tecnologia, a expressão podia encaixar em muitas coisas. Theresa May, primeira-ministra britânica, usou-a para falar de solidão. E usou-a em janeiro deste ano, no dia em que apresentou Tracey Crouch como ministra da solidão. Sim, leu bem: uma pessoa destacada no Governo especificamente para combater algo muitas vezes encarado como um estado de alma natural, mas que, sabe-se hoje, levado ao extremo, pode causar danos severos à saúde — e não apenas mental. No limite, a solidão pode até acelerar a morte.

Crouch foi entretanto substituída por Mims Davies (demitiu-se em desacordo com o Governo, a 1 de novembro, por causa de uma lei de combate ao vício do jogo), mas com aquela nomeação — da primeira ministra da solidão em todo o mundo –, May deu continuidade ao trabalho da deputada trabalhista Jo Cox, assassinada em 2016 por um militante de extrema direita enquanto fazia campanha contra o Brexit. Jo Cox dedicou grande parte da sua vida ao estudo da solidão e chegou mesmo a criar uma comissão para o tema, que, não só estudou o fenómeno, como avançou com sugestões para o debelar — entre elas a necessidade de designar um ministro para o tema, que fosse capaz de gizar uma estratégia global de ataque ao que é já tratado como uma epidemia dos tempos modernos.

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