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[Esta é a 4.ª parte de cinco de uma história dos nomes das marcas de relógios que segue, aproximadamente, a ordem cronológica da sua fundação (real ou mítica). As partes anteriores podem ser lidas aqui:]

Zenith

Fundada em 1865, em Le Locle, no Jura, por George Favre-Jacot (1843-1917), um relojoeiro de 22 anos. A fábrica da George Favre-Jacot et Cie. foi pioneira na Suíça na adopção da organização e métodos industriais de fabricação, modelados na americana Waltham Watch Company, no que seria seguida, pouco depois pela Omega.

Em 1911, o fundador delegou a direcção da empresa no sobrinho, James Favre, que a rebaptizou como Zenith, nome que era o de um modelo de relógio de bolso que obtivera particular sucesso e que remetia para o mundo da astronomia, o que era apropriado para uma marca reputada pela precisão dos seus cronógrafos.

Em meados da década de 1970, a Zenith sucumbiu à tentação de abraçar o quartzo e suspender a produção de relógios mecânicos, mas esta “traição” não bastou para evitar o colapso e a firma acabou por ser comprada pela Dixi em 1978. Após alguns anos no limbo, em que produziu “movimentos” para outras marcas, a Zenith começou a reerguer-se meados dos anos 90; em 1999, foi incorporada no grupo LVMH, que determinou que a Zenith renegasse a heresia do quartzo e tornasse ao fabrico de relógios mecânicos de luxo.

IWC

A IWC foge ao padrão das marca históricas suíças em vários aspectos: foi fundada fora do “arco do Jura”, em Schaffhausen, no norte da Suíça e na margem norte do Reno, perto da fronteira alemã; em vez de ter crescido progressivamente a partir de uma pequena oficina de relojoaria, nasceu como projecto industrial ambicioso; e o seu fundador foi, não um suíço, mas um americano.

Florentine Ariosto Jones (1841-1916), que tinha experiência na indústria relojoeira como director da E. Howard & Co., fundada em Boston em 1858, decidiu combinar a tecnologia e a organização industrial americanas com o saber, a perícia e os ordenados baixos dos artífices suíços. Não encontrando receptividade aos seus projectos no “arco do Jura”, F.A. Jones acabou por instalar-se em Schaffhausen, onde já existia uma fábrica da H. Moser & Cie.

A IWC (Internacional Watch Company) nasceu em 1868, mas F.A. Jones, decepcionado com os resultados, apenas ficou ao leme da firma até 1875; o seu sucessor não teve mais êxito e em 1879 a empresa foi vendida a Johann Rauschenbach-Vogel, um empresário de Schaffhausen, que também pouco logrou, pois morreu um ano depois – foi o filho, Johannes Rauschenbach-Schenk quem conseguiu dinamizar a empresa, entretanto rebaptizada como Uhrenfabrik von J. Rauschenbach.

IWC Pallweber de 1886, um dos primeiros relógios digitais a serem comercializados

A direcção manter-se-ia entre os descendentes de Johann Rauschenbach-Vogel, mas o nome da empresa iria mudar várias vezes nos anos seguintes, até que, em 1978, regressou ao IWC original. Em 1991 a IWC foi comprada pelo grupo relojoeiro LHM, que, em 2000, foi incorporado no grupo Richemont. A IWC detém actualmente 2.7% da quota de mercado da relojoaria de luxo e ocupa o 9.º lugar do ranking.

Entre os modelos dignos de nota da IWC estão o primeiro relógio digital da história, cuja produção foi iniciada em 1884, a partir de uma patente registada no ano anterior pelo austríaco Josef Pallweber, e a série Portugieser, iniciada em 1939, em resposta a uma encomenda de um representante português da marca, que pretendia um relógio de pulso de grande dimensão e com a precisão de um cronógrafo, e que tem tido incontáveis declinações até aos nossos dias.

Versão original de 1939 do IWC Portugieser

Piaget

No século XIX, a vida activa começava muito cedo e Georges-Edouard Piaget (1855-1931) tinha apenas 19 anos quando, em 1874, montou a sua própria oficina de relojoaria em La Côte-aux-Fées, no Jura (um lugar que começou por chamar-se La Coste des Fayes, com o prosaico significado de “colina das faias”, em francês medieval, ou de “colina das ovelhas”, no dialecto da região de Neuchâtel, e que só depois se converteu em “colina das fadas”).

Nos primeiros tempos, a Piaget só fabricava “movimentos” para outras marcas , depois passou a fazer relógios completos, mas sem usar a sua própria marca, que, insolitamente, só foi registada em 1943, pelos netos do fundador, Gérald e Valentin Piaget. A estes sucedeu Yves Piaget, que, em 1988, vendeu a empresa ao grupo Richemont, embora mantendo o cargo de presidente.

A Piaget tem-se destacado, desde 1957, pelos seus relógios de pulso ultra-finos, cujo expoente é o Altiplano 900P, de 2014, que, com 3.65 mm de espessura, é o relógio mecânico de corda mais fino de sempre. Trata-se, sem dúvida, de “uma proeza técnica”, como proclama a Piaget, mas que se esgota em si mesma.

[Piaget Altiplano 900P:]

Bulova

Josef Bulova (1852-1935) nasceu na Boémia e ajustou o nome próprio para Joseph quando, com 20 anos, se instalou em Nova Iorque, onde trabalhou como joalheiro na prestigiada casa Tiffany’s. Com 23 anos abriu a sua própria oficina de relojoaria, cujo sucesso justificou que em 1911 inaugurasse em Biel (Bienne), na Suíça, uma unidade dedicada ao fabrico de relógios em massa, mas sem sacrificar a quantidade à qualidade, graças a uma série de ferramentas e maquinaria de alta precisão concebidas pelo próprio Bulova.

Fábrica da Bulova, 1937

A Bulova impôs-se no mercado americano não só devido à qualidade dos seus produtos como a um recurso maciço e inovador à publicidade. A marca promoveu o primeiro anúncio na rádio à escala nacional em 1926; instituiu um prémio de 1000 dólares (mais um relógio) para o primeiro piloto a cruzar o Atlântico (foi ganho em 1927 por Charles Lindbergh, que logo foi recrutado para anúncios à marca); e foi responsável pelo primeiro anúncio televisivo da história, um spot surgido no intervalo de um jogo de baseball entre os Brooklyn Dodgers e os Philadelphia Phillies, a 1 de Julho de 1941.

Anúncio à Bulova na revista Cosmopolitan, 1922, figurando a “deusa do tempo”

Em 1960, a Bulova lançou um relógio revolucionário, o Accutron, em que a roda de balanço (que desempenha o papel do pêndulo nos relógios de pulso) dava lugar a um diapasão, acionado por solenóide alimentado por um oscilador electrónico. A fim de realçar o carácter inovador do Accutron, a Bulova comercializou-o com as “entranhas” à vista, numa versão designada por Spaceview. Apesar de a corrida ao espaço e a tecnologia estarem na moda nos EUA, o Accutron acabou por não se impor no mercado, pois o diapasão emitia um ligeiro zumbido que acabava por tornar-se irritante.

Bulova Accutron Spaceview de 1967

Mas a Bulova não desisitiu de afirmar a sua vocação futurista e disputou com a Omega o privilégio de ser o primeiro relógio usado na Lua – a Omega acabou por ser seleccionada, mas os relógios Bulova estiveram presentes no módulo lunar e acabaram por ser usados sobre a lua na missão Apollo 15.

Em 1979, a Bulova foi comprada pela Loews Corporation, que a vendeu à japonesa Citizen em 2007. Em 2011, a Bulova comprou a Wittnauer (fundada em 1885 em Nova Iorque por Albert Wittnauer, um imigrante suíço), e hoje usa esta marca para comercializar alguns dos seus relógios. Durante boa parte da sua existência, a Bulova produziu relógios em todas as gamas de preços, mas nas últimas décadas tem estado focada no sector de luxo.

Audemars Piguet

Foi fundada, formalmente, em 1881, em Le Brassus, no Vallé de Joux, no Jura, embora os jovens relojoeiros Jules-Louis Audemars (1851-1918) e Edward-Auguste Piguet (1853-1919) já partilhassem a oficina desde 1875. Na sociedade, Audemars ficou com a parte técnica e de funcionamento da fábrica, Piguet com as vendas e a gestão financeira.

Primeiro sob o controlo dos descendentes de ambos os fundadores, depois apenas sob a direcção dos Audemars, a marca manteve um perfil modesto até ao início da década de 1970, com uma produção que rondava apenas os 5000 exemplares por ano. Em 1972 apresentou o modelo Royal Oak, que costuma ser considerado pioneiro por combinar a funcionalidade, robustez e design dos relógios desportivos com o luxo, e que foi um estrondos sucesso. O modelo esteve para chamar-se Safari, numa alusão a uma vertente de viagem e aventura, mas a escolha final acabou por pender para algo bem diverso: o aristocrático Royal Oak. Como a Suíça nunca teve realeza, a Audemars-Piguet foi buscar inspiração à história de Inglaterra: o “carvalho real” foi uma árvore em que Carlos II se ocultou após a derrota do seu exército pelo de Oliver Cromwell, na Batalha de Worcester, em 1651, durante a Guerra Civil Inglesa.

Carlos II e William Careless (um oficial leal ao rei), escondidos no Royal Oak, por Isaac Fuller, c.1660

A designação “Royal Oak” tem, desde então, sido imortalizada em vasos de guerra da Marinha Real (oito, entre 1664 e 1914) e em pubs (é o 3.º nome de pub mais comum na Grã-Bretanha, o que deslustra terrivelmente a aura de exclusividade). Seja como for, o relógio tornou-se num sucesso e tem conhecido incontáveis variantes e “edições limitadas”, contribuindo fortemente para que a produção anual da Audemars-Piguet seja hoje de 40.000 relógios por ano.

A Audemars Piguet detém uma quota no mercado da relojoaria de luxo de 4.2%, o que a coloca no 6.º lugar do ranking. Continua nas mãos dos descendentes dos fundadores e é dirigida por Jasmine Audemars.

Audemars-Piguet Royal Oak A-Series: um dos 2000 exemplares do primeiro modelo de Royal Oak surgido em 1972

Breitling

Foi fundada em 1884, em Saint-Imier, no Jura, por um filho da terra, o jovem relojoeiro Léon Breitling (1860-1914). Quando Breitling se estabeleceu por conta própria, Saint-Imier era já a sede da (futura) Longines e da Heuer, bem como de outras marcas que não lograram aceder à I Divisão da relojoaria, como Ferdinand Bourquin, Jeanneret Frères, Reymond-Rod & Aeschlimann e Droz & Cie. Todas estas marcas produziam cronógrafos, mas Léon Breitling não temia a concorrência e tinha ideias próprias sobre a forma de fabricar cronógrafos mais precisos e fiáveis. Em 1915, um ano após a morte do fundador, a marca lançou o primeiro cronógrafo de pulso e os Breitling tornaram-se no relógio favorito de muitos aviadores, mas nem por isso a firma escapou à crise resultante da concorrência do “quartzo japonês”, pelo que, em 1979, a família Breitling vendeu 80% do capital da firma ao empresário Ernest Schneider. Este deslocou a operação para Grenchen (também no Jura) e em 2017 o filho e herdeiro de Ernest Schneider vendeu a sua participação à CVC Capital Partners, que, um ano depois comprou os restantes 20% à família Breitling, tornando-se na única proprietária da marca.

A Breitling detém uma quota de 2.2% no mercado da relojoaria de luxo, o que a coloca no 11.º lugar do ranking, ex-aequo com a Richard Mille.

Anúncio à Breitling

Bulgari

A Bulgari começou pelo negócio da joalharia e só em 1975 lançou uma série limitada de relógios (100 exemplares), designada por Roma e restrita a clientes da casa, e só em 1977 lançou o primeiro relógio de comercialização alargada, redundantemente baptizado como Bulgari Bulgari. A joalharia continua hoje a ser a principal actividade da empresa (que também possui hotéis e vende perfumes) e a relojoaria está, desde 1980, confiada à sucursal Bulgari Haute Horlogerie SA, com sede em Neuchâtel, na Suíça.

A origem da Bulgari remonta ao ourives grego Sotiris Boulgaris (1857-1932), natural da aldeia de Kalarites (Paramythia, segundo outras fontes), que, em 1881, emigrou para Itália e em 1884, após ter italianizado o apelido para Bulgari, abriu uma oficina/loja em Roma. A firma andou nas mãos da família Bulgari até que em 2011 foi vendida ao grupo francês LVMH, o que alguns italianos viram como crime de lesa-pátria.

Bulgari Serpenti, inspirada nas pulseiras Serpenti lançadas originalmente pela Bulgari na década de 1940

Em 1985-86, os responsáveis pela loja da Bulgari em Nova Iorque foram acusados e condenados por proporcionarem aos compradores dos seus produtos meios fraudulentos para fugirem aos impostos – entre os clientes envolvidos no esquema estava um magnata do sector imobiliário chamado Donald Trump. Em 2015, a Bulgari viu-se novamente implicada num caso de evasão fiscal: os irmãos Nicola e Paolo Bulgari foram acusados pelo fisco italiano de, entre 2006 e 2010, terem usado uma empresa sediada na Irlanda para fugir aos impostos; começaram por negar, mas acabaram por negociar o pagamento de 66 milhões de euros para encerrar o processo.

Em 2021, a Bulgari ficou em 20.º lugar no ranking da indústria relojeira de luxo, por volume de negócios.

Certina

Fundada em 1888 em Grenchen (Granges, para os francófonos), no sopé do maciço do Jura, pelos irmãos Adolf e Alfred Kurth. A Kurth Frères SA começou por ser uma oficina com apenas três empregados, que fornecia “movimentos” para outras marcas; em 1972 – antes do impacto da concorrência dos relógios de quartzo – tinha 900 empregados e produziu 600.000 relógios por ano.

A marca Certina só surgiu em 1906, quando a marca lançou o modelo Grana (de Granacus, o nome romano de Grenchen), mas a empresa comercializou relógios também sob outras marcas até que em 1938 foi decidido extinguir estas e adoptar apenas o nome Certina. Em 1959 a Certina apresentou a linha DS (de “Dupla Segurança”), exibindo uma resistência a choques e à água inédita na época; estas características acabaram por se alargar a boa parte da gama Certina, justificando a inclusão no logótipo de uma casca de tartaruga.

Carl F. Bucherer

Em 1888, Carl Friedrich Bucherer, fundou em Lucerne, na Suíça, uma loja de relógios, que, a partir de 1919, se estrearia no fabrico dos seus próprios modelos, com uma linha de relógios de pulso para senhora em estilo Art Deco. Foi sob a direcção dos filhos do fundador, Ernst e Carl Eduard, que o nome Bucherer se tornou grande no sector relojoeiro, sobretudo a partir de 1924, quando Ernst estabeleceu um acordo com Hans Wilsdorf, que dirigia uma marca então ainda pouco conhecida, a Rolex, para comercializar os relógios desta (parceria que se manteve até aos nossos dias).

Carl F. Bucherer continua a estar nas mãos dos descendentes do fundador é um dos principais retalhistas do sector da relojoaria de luxo e a produção própria de relógios, que esteve adormecida durante muito tempo, foi reavivada em 2001.

Os primeiros relógios Bucherer surgiram em 1919 e visavam o público feminino

Rolex

Embora seja vista como o símbolo máximo da relojoaria suíça de luxo, nasceu em Londres, em 1905, com o nome Wilsdorf & Davis e, ao contrário da esmagadora maioria das marcas abordadas até agora, nenhum dos seus fundadores era relojoeiro. Hans Wilsdorf (1881-1960) nascera na Alemanha, numa família próspera, e, sendo dotado para línguas, achou que seria enriquecedor para o seu curriculum trabalhar na secção de exportações de firmas internacionais: começou pelas pérolas e em 1900 foi trabalhar para o fabricante de relógios Cuno Korten, em La Chaux-de-Fonds. Em 1903 estabeleceu-se em Londres, onde usou a experiência e a rede de contactos que adquirira na Suíça para abrir uma firma de relojoaria, em sociedade com o cunhado, Alfred Davis; numa primeira fase, a Rolex limitava-se a montar relógios a partir de “movimentos” fabricados por Hermann Aegler em Bienne (Biel), na Suíça.

O nome Rolex só surgiu em 1908 e não tem significado algum: foi apenas um nome fácil de pronunciar e incisivo que ocorreu a Wilsdorf após ter considerado centenas de combinações aleatórias de cinco letras. Em 1919, teve lugar a relocalização da sede da empresa para Genebra, onde se manteve até hoje.

Hans Wilsdorf

A Rolex começou a destacar-se da concorrência quando, em 1927, apresentou o primeiro relógio à prova de água, o Oyster (“ostra”). O feito técnico foi complementado pelo talento de Wilsdorf como publicitário, ao colocar nas montras dos representantes da marca um aquário com peixes e um Rolex Oyster e ao patrocinar Mercedes Gleitze, que, em 1927, atravessou o Canal da Mancha a nado (foi a primeira britânica a fazê-lo) usando um Rolex Oyster (pendurado ao pescoço, não no pulso). Quando, em 1953, a expedição de Edmund Hillary logrou atingir o cume do Everest, quer a Rolex quer a Smiths tentaram capitalizar o evento, a segunda reclamando que Hillary usava um Smiths De Luxe, a primeira baseando-se no facto de outros alpinistas na equipa usarem Rolex Oyster. A publicidade em torno da conquista do Everest deu ensejo a que, nesse mesmo ano, a Rolex comemorasse o feito com o lançamento do modelo Explorer.

Hoje, quer a Rolex quer outras marcas de luxo com gama “desportiva”, continuam a fazer grande alarde das capacidades submersíveis dos seus relógios, anunciando resistência até profundidades de 50 e 100 metros, quando a esmagadora maioria dos Oysters e similares não será submetida a uma prova mais exigente do que a imersão num jacuzzi ou numa piscina rasa. É um truque publicitário análogo ao que associa os SUVs a trilhos lamacentos e relevos acidentados: confere às elites que adquirem estes produtos e que levam vidas confortáveis, acolchoadas e previsíveis, uma ilusória aura de aventura e risco.

Anúncio ao Rolex Oyster, no Daily Mail, 1927

A Rolex foi crescendo até se tornar no líder mundial incontestado da relojoaria de luxo, produzindo anualmente 80.000 relógios e detendo, em 2021, uma quota de mercado (em valor) de 28.8%, a que correspondeu um volume de negócios de mais de 8000 milhões de euros (mais do que a soma dos 2.º, 3.º, 4.º e 5.º classificados do ranking).

A empresa é, desde 1945, propriedade da Fundação Hans Wilsdorf, que, por estar registada como associação sem fins lucrativos, disfruta de isenções fiscais e não é obrigada, pela lei suíça, a divulgar os donativos que faz e a filantropia que desenvolve. Em Dezembro de 2008, Patrick Heininger, que ocupava o cargo de CEO desde 1992, demitiu-se abruptamente, o que fez correr o rumor (desmentido pela Rolex) de que teria colocado 900 milhões de dólares da empresa no esquema de Ponzi montado por Bernard Madoff, que tinha sido detido pelo FBI poucos dias antes.

O facto de ser a marca de relógios de luxo mais conhecida do mundo faz com que as contrafacções de Rolexes excedam em número as contrafacções de todas as outras marcas de relógios combinadas – estima-se que sejam produzidos anualmente 30 milhões de relógios verdadeiros e 1.6 milhões de relógios contrafeitos e uma vez que pelo menos metade destes são Rolexes, conclui-se que o número de Rolexes falsos produzidos anualmente é igual ou superior ao de Rolexes verdadeiros.

Tudor

Hans Wilsdorf criou a Tudor em 1926, em Genebra, como sub-marca “acessível” da Rolex, com o intuito de oferecer relógios com boa relação qualidade-preço a quem não dispunha de meios para adquirir um Rolex. Em 1946, Wilsdorf criou a empresa Montres Tudor SA para se ocupar exclusivamente da concepção, fabrico e comercialização da marca Tudor.

O nome da marca vem da dinastia real inglesa que reinou entre 1485 e 1603 e tem raiz no proto-céltico “touta” = “povo, tribo” + “rixs” = “rei”, através do galês “tud” + “rhi”. O primeiro a ostentar este nome foi o nobre galês Owen Tudor (c.1400-1461), que converteu num apelido fixo o patronímico da tradição galesa, que seguia o modelo nome próprio + ap + nome próprio do pai (o pai de Owen chamava-se Maredudd ap Tudur e era filho de Tudur ap Gorowny; se Owen tivesse seguido este modelo ter-se-ia chamado Owen ap Maredudd).

Harri Tudor (1457-1509), neto de Owen, foi o primeiro Tudor a ascender ao trono de Inglaterra, em 1485, como Henrique VII. Os reis Tudor não costumavam ser referidos como Tudor em documentos oficiais, provavelmente porque tal realçaria a sua proveniência de uma obscura família galesa que ascendera à nobreza apenas em meados do século XIII, ao passo que eles preferiam dar a entender que se inseriam na continuidade dos Anjou e dos Plantageneta. Seja como for, com a passagem do tempo, as origens modestas dos Tudor ficaram olvidadas e Wilsdorf achou o nome apropriado para transmitir uma ideia de luxo e fiabilidade.

Henrique VII por autor anónimo, 1505

A posição da Tudor como “Rolex de segunda categoria” nem sempre foi fácil de gerir e no início deste século a Tudor deixou mesmo de ser comercializada nos EUA devido a uma quebra apreciável nas vendas, só tendo regressado, com perfil renovado, em 2013. Hoje, a Tudor tende a ter um design mais desportivo e ousado do que a Rolex, os seus modelos de topo de gama custam em média metade do preço dos Rolex mais “corriqueiros” e a produção ronda os 250.000 relógios por ano.

Em 2021, a Tudor ficou em 16.º lugar no ranking da indústria relojeira de luxo, por volume de negócios.

Ebel

Foi fundada em 1911, em La Chaux-de-Fonds, no Jura, por Eugène Blum e pela sua esposa Alice (que tinha Lévy como apelido de solteira), e o nome resultou das iniciais de “Eugène Blum Et Lévy”. O filho, Charles-Eugène, deu à empresa amplitude mundial e o neto, Pierre-Alain Blum conseguiu salvá-la do declínio resultante da concorrência do quartzo na década de 1970, através do lançamento de modelos inovadores. Porém, investimentos ruinosos deixaram a Ebel em maus lençóis, levando a que, em 1994, fosse comprada pela Investor; cinco anos depois, foi vendida ao grupo LVMH, que, passados outros cinco anos, a vendeu ao grupo Movado.

Anúncio à Ebel, 1952