Vai estar a funcionar em Portugal a partir desta terça-feira, dia 15 de setembro, e tem um trunfo que o coloca à parte dos seus concorrentes (ou pelo menos é nisso que os responsáveis da plataforma acreditam): o catálogo, que graças às marcas que o sustentam quase não precisa de publicidade. Trata-se do Disney+, o serviço de streaming que junta tudo o que é Disney (naturalmente), Pixar e Star Wars, boa parte de tudo o que tem o carimbo Marvel (ficam de fora séries criadas para a Netflix, como por exemplo “Jessica Jones”) e uma razoável seleção de produtos National Geographic (além de algumas produções que integram o universo 21st Century Fox, adquirida pela casa mãe de todas estas marcas no ano passado).

O serviço é lançado em Portugal com mais de 600 filmes e 100 séries em catálogo, de acordo com informações oficiais. A assinatura vai custar 6,99€ mensais ou 69,99€ por ano (há uma promoção a decorrer até esta segunda-feira, 14 de setembro, em que o pacote anual fica por 59,99€). O Disney+ funciona tal e qual os seus concorrentes: é necessário criar uma conta na plataforma acessível em computadores, smartphones, tablets, smart TVs ou dispositivos como a Apple TV ou a Chromecast. Depois, é pesquisar o catálogo, dividido por categorias, idades, marcas, géneros ou vários outros critérios, dependendo do gosto do utilizador (para já, não há associação a nenhum operador de telecomunicações, ou seja, não vai ter a aplicação Disney+ na box da sua televisão).

No Disney+ (que por estes dias já conta mais de 60 milhões de assinantes em todo o mundo, atrás da Netflix, com quase 200, e do Prime Video da Amazon, a caminho dos 80) encontra catálogo reaproveitado (tudo o que tem o nome “Frozen”, por exemplo, ou todos os filmes da saga X-Men), mas também vai descobrir séries originais e novas, produzidas de propósito para este serviço. Neste caso, e como acontece com “The Mandalorian”, o mais recente spin off da saga “Star Wars”, os novos episódios serão sempre apresentados de forma semanal, ao contrário do que faz, por exemplo, a Netflix, que quase sempre oferece temporadas inteiras de uma vez.

Para que fique com uma ideia mais esclarecida sobre que tipo de oferta tem o Disney+, deixamos-lhe 20 sugestões, 19 delas disponíveis já lançamento e uma mais para o final do ano:

A Dama e o Vagabundo

No catálogo do Disney+ estão disponíveis os filmes originais de animação e também os remakes em live action que têm sido desenvolvidos nos últimos anos. “A Dama e o Vagabundo” foi o primeiro filme dessa nova linha da Disney que não teve estreia em cinema e foi direto para o Disney+, em novembro de 2019 quando o serviço foi lançado em alguns países. Quase um ano depois, há finalmente oportunidade de ver o musical canino mais famoso do mundo na sua versão século XXI.

A História da Imagineering

Se nunca ouviu falar da Imagineering, fique a saber que é o nome que é dado ao departamento da Disney que estuda e desenvolve as possibilidades de passar para o mundo real as personagens e cenários do universo da Disney. Por outras palavras, são as mentes por detrás da Disneyland e das sucessivas versões de parques temáticos espalhadas por todo o mundo ou nos cruzeiros da Disney. Ao longo de seis episódios, há histórias de origens, revelações e fracasso sobre um dos braços mais importantes da Disney. “A História da Imagineering” faz parte também de uma série de conteúdos do Disney+ a sua história, figuras e personagens desta fábrica de conteúdos. Para partilhar conhecimento e criar mais afeto pela marca.

Black Panther

A morte de Chadwick Boseman, o ator que interpretou Black Panther no universo cinematográfico da Marvel, apanhou todos de surpresa há uns dias. O Disney+ permitirá acesso a todos os filmes desse mesmo universo (incluindo, claro, todos os filmes de “Os Vingadores”) e “Black Panther” é precisamente um deles, o filme que se estreou em 2018 e que rapidamente se afirmou como um dos melhores títulos deste cartaz (conseguindo mesmo ser nomeado para o Óscar de Melhor Filme em 2019). Já agora, com este catálogo disponível, fica muito mais fácil ver tudo pela ordem sequencial. Uma boa desculpa para revisitar alguns dos melhores blockbusters da última década e meia.

Cosmos: Odisseia no Espaço

Em 2013, Seth MacFarlane decidiu sair do universo da animação e da comédia e avançar com uma nova versão de “Cosmos”, baseada no livro e na série de referência de Carl Sagan. Uma espécie de upgrade com toda a grandiosidade dos efeitos especiais e uma série de imagens espectaculares. A versão de 2014 é apresentada por Neil deGrasse Tyson e é, tal como a original, uma viagem pelo universo, as nossas origens, mas também pelo lugar do planeta Terra no grande desconhecido.

Inside Out (Divertida-Mente)

Dentro do Disney+ estão também todas as longas e curta-metragens da Pixar, produtora que a Disney comprou em 2006. Pode dizer-se que é difícil escolher um filme da Pixar entre tantas obras de qualidade, mas “Inside Out”, de 2015, tornou isso mais fácil. Obra maior sobre sentimentos e, sobretudo, sobre o “deixar viver” e o “deixar ir”, ou seja, o crescer. Intensamente bem comunicada para miúdos e graúdos.

Força Ralph

Na década passada iniciou-se um processo de relacionamento diferente com os videojogos e o seu passado. A nostalgia pelos clássicos começou a entrar de uma forma mais direta na cultura popular, em parte graças a uma geração que cresceu com esta forma de entretenimento e que começou a ocupar lugares de decisão e de poder. “Força Ralph” (2012) mostrou como se pode criar uma viagem emocional e divertida tendo por base a estrutura, o imaginário e a nostalgia dos videojogos e continua a ser um marco de como falar desta realidade em cinema.

Free Solo

Vencedor do Óscar para Melhor Documentário em 2019, “Free Solo” conta a história de Alex Honnold e da sua vida enquanto praticante de — precisamente — free solo (subir montanhas sem qualquer auxílio, só com o corpo, sem cordas, etc.), mais concretamente a subida do monte El Capitan, no Parque Natural de Yosemite, em 2017. Documentário maravilhoso não só sobre o feito, mas também sobre o como chegar lá: menos virado para o sacrifício pessoal e mais para a mentalidade obsessiva de Hannold.

Frozen – O Reino do Gelo

Entre muitos e muitos clássicos da Disney, de “Dumbo” a “O Rei Leão”, estará também “Frozen” e alguns spinoffs e outros conteúdos deste universo. O filme de 2013 tornou-se numa das maiores referências da Disney deste século e será sem dúvida um daqueles filmes que mais rodagem terá no serviço de streaming. E, não esquecer, que o segundo capítulo deverá chegar nos próximos meses ao Disney+.

Hannah Montana

Foi aqui que tudo começou para Miley Cyrus. E já foi há mais de dez anos. O Disney+ traz algumas das séries clássicas juvenis/adolescentes da Disney das últimas décadas e “Hannah Montana” não poderia faltar. Estarão disponíveis as quatro temporadas da série bem como dois filmes criados à volta de uma adolescente com vida dupla, entre a escola e os amigos e os deveres de uma estrela pop.

High School Musical: The Musical: The Series

O filme, estreado em 2006, lançou as carreiras de Zac Efron e Vanessa Hudgens e deu início a um franchise que não parou de crescer até hoje. A série de dez episódios é um exclusivo Disney+ e funciona como um mockumentary ao universo dos filmes de “High School Musical”. A lógica é a mesma: adolescentes, cantoria e altas produções.

The Mandalorian

Se há uma coisa que “The Mandalorian” conquista é o território da ficção-aventura que estava a faltar aos filmes de “Star Wars” desde a trilogia original. A primeira série live-action do universo criado por George Lucas, desenvolvida por Jon Favreau, é uma miscelânea de diversos géneros que dá uma nova vida a esta Guerra das Estrelas. E recorda que, afinal, isto é tudo entretenimento. A primeira temporada foi uma das bandeiras do Disney+ e há uma segunda prevista para estrear ainda este ano.

Marvel’s Agent Carter

Do catálogo da Marvel, talvez o que se sinta mais falta no Disney+ é de boas séries. Essas, para o bem e para o mal, estão na Netflix. Mas de todas produzidas fora da Netflix, “Marvel’s Agent Carter” é a melhor, cruzando bem a história entre os filmes do “Capitão América” que ocorrem no passado com os do presente. Conta a história de Peggy Carter, agente secreta americana, contemporânea do soldado Steve Rogers, cuja “falsa-morte” durante a Segunda Guerra Mundial acaba por gerar o herói Capitão América.

MARVEL Projeto Herói

Misto de série documental com reality show, “MARVEL Projecto Herói” conta a história de jovens que por diversas razões se destacam, seja pela superação de dificuldades ou pelo que representam na sua comunidade. Mas não fica por aí: a ambição da série é que deixem de ser heróis só de carne e osso e que passem também para o imaginário da Marvel, trabalhados por equipas de argumentistas da casa.

Mulan

A pandemia parou a estreia de “Mulan”, mais uma adaptação em live-action de um clássico da Disney (desta vez do filme homónimo, de 1998), e isso obrigou a Disney a repensar na forma de levar a nova Mulan até ao público. A aventura da guerreira que se mascara de homem para se alistar na Armada Imperial, baseada num conto popular chinês, ainda chegará a algumas salas (não há ainda confirmação para Portugal), mas já está disponível em alguns países no Disney+ desde 4 de setembro. Em Portugal, o filme será estreado neste serviço a 4 de dezembro.

O Mundo Segundo Jeff Goldblum

Jeff Goldblum já foi “A Mosca” e uma figura de proa do cinema blockbuster dos 1990, entrando em filmes como “Parque Jurásico” e “Dia da Independência”. Figura irreverente e divertida de Hollywood que agora, quase aos sessenta anos, decide fazer uma série documental sobre coisas tão importantes como ténis, videojogos e gelados. Cada episódio é dedicado a algo que Goldblum gosta e que quer explorar mais, partindo à descoberta de cada um dos temas sem fazer quase pesquisa nenhuma.

One Strange Rock

Os dez episódios de “One Strange Rock” estrearam-se em 2018 no National Geographic com grande aparato. O nome de Darren Aronofsky vinha associado e Will Smith narrava muitos dos mistérios que existem no planeta Terra. É o resultado de um enorme investimento visual, com histórias fantásticas sobre as origens da Terra e o funcionamento do planeta – incluindo explicações sobre como algumas realidades estão a deixar de funcionar. E funciona como complemento ideal a “Cosmos”.

Os Simpsons

Com a aquisição da 21st Century Fox em meados de 2019, a Disney juntava ao seu já valioso catálogo uma série de peso pesados. Um deles é, sem dúvida, a série criada por Matt Groening nos finais da década de 1980. Uma das famílias norte-americanas mais famosas da televisão (se não “a mais”) e a mais influente do universo da animação. Trinta temporadas irão estar disponíveis no Disney+ no dia do lançamento do serviço.

Sozinho em Casa

Uma das coisas que a Disney apregoa com o seu Disney+ é de que este é um serviço “para toda a família”. E haverá filme/franchise mais acertado para toda a família do que “Sozinho em Casa”? Os cinco filmes estarão disponíveis no catálogo mas, aqui entre nós, só vale mesmo a pena ver os dois primeiros. Depois pode ver outros clássicos familiares como “Três Homens e um Bebé”, “Quem Tramou Roger Rabbit” ou “À Noite no Museu”.

Star Wars Rebels

“The Mandalorian” pode ser a primeira série de live-action do universo “Star Wars”, mas antes disso houve muitas e boas de animação, como “Clone Wars” e, claro, esta “Rebels”. A história acontece alguns anos antes do primeiro filme da trilogia original e apesar de ser mais virada para o público infantil, oferece bom entretenimento até para aqueles que só gostam “assim-assim” do universo de “Star Wars”.

TRON

O futuro já foi entregue de diversas formas pelas Disney, mas poucas terão deixado um impacto tão forte como “TRON” conseguiu fazer em 1982, capturando muito bem o surgimento dos videojogos de uma forma mais entranhada na cultura popular e, simultaneamente, montando de uma forma muito acessível um futuro distópico, cheio de referências visuais que ainda hoje, quase quatro décadas depois, permanecem icónicas. Um clássico da ficção científica.