O ex-presidente do Chega Madeira e deputado no parlamento regional, Miguel Castro, desvinculou-se do partido e vai passar a independente, alegando que a nova direção regional, liderada por Hugo Nunes, lhe retirou a confiança política.
“Eu não sou nem prato velho, nem jarrão para ficar numa prateleira”, disse esta terça-feira à agência Lusa, sustentando que a nova comissão política do Chega Madeira, formada em junho na sequência de eleições internas, lhe retirou a confiança política, afastando-o da liderança do grupo parlamentar.
“Depois, foram-se criando uma série de barreiras dentro do grupo, o diálogo foi muito mais curto, foram-me retiradas as comissões e, obviamente, o meu papel ali era só mesmo, no fundo, financiar o grupo parlamentar através da subvenção”, disse.
O Chega contava com três deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, num total de 47 que compõem o hemiciclo, eleitos nas eleições regionais antecipadas de 2025, sendo que o partido tem representação parlamentar na região desde 2023, ano em que elegeu quatro representantes.
Miguel Castro, que liderou a estrutura regional do Chega entre 2022 e junho de 2026, salientou que, antes de tomar a decisão de se desvincular do partido e passar a deputado independente, esperou por uma reunião com o presidente André Ventura, que não aconteceu.
André Ventura esteve na Madeira no passado fim de semana e, segundo Miguel Castro, enviou-lhe uma mensagem por WhatsApp a dizer que contava com a sua presença nas iniciativas da rentrée política regional do partido.
“Perguntei-lhe em que condição. Ele já não respondeu”, disse, para logo acrescentar: “A partir daí, obviamente, se André Ventura não me contactou, eu, que tinha uma decisão para tomar até ao início dos trabalhos dessa sessão legislativa, tive que tomá-la, em consciência.”
“Foi um verão todo a pensar, mas a verdade é que já não havia condições”, reforçou.
Miguel Castro afirmou que, na qualidade de deputado independente, será “consciente com a Madeira e com os madeirenses” e apoiará as propostas que “defendam sempre o interesse do povo madeirense”, independentemente do partido que as apresente, desde que sejam sustentáveis.
O arranque esta terça-feira dos trabalhos da II sessão legislativa da XV legislatura, após as férias de verão, fica marcado pelo anúncio da passagem do deputado Miguel Castro a independente.