1230,9kWh poupados 1230,9 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

GettyImages-2202455989
i

Penske Media via Getty Images

Penske Media via Getty Images

Distante de Hollywood, a Melhor Atriz independente: até onde quer ir Mikey Madison?

O futuro não o via no cinema, mas acabou por ganhar o Óscar de Melhor Atriz. Tarantino "descobriu-a", Sean Baker consagrou-a em "Anora". Mikey Madison (re)nasce como uma estrela atípica.

Das várias virtudes apontadas a Quentin Tarantino enquanto cineasta, uma das mais estimadas é o seu olho para o casting. O realizador tanto é capaz de resgatar atores do esquecimento como de apresentar novas figuras ao grande público e, quanto a este segundo âmbito, Era uma Vez em… Hollywood tem sido particularmente relembrado pela fornada de jovens que empurrou para voos maiores. Victoria Pedretti, Maya Hawke, Sydney Sweeney, Dakota Fanning e Margaret Qualley são alguns dos nomes, tal como o de Austin Butler. Até esta noite, este último fora, dentro deste lote, quem atingira um maior patamar de reconhecimento pela nomeação ao Óscar de Melhor Ator em 2023 por encarnar Elvis. No entanto, outra alumni dessa turma de talento suplantou-o esta noite no Dolby Theatre: Mikey Madison, coroada como Melhor Atriz por Anora.

No filme de Tarantino, Madison foi Susan Atkins, uma das discípulas de Charles Manson que perpetraram uma sequência de assassinatos no verão de 1969 em Los Angeles, destacando-se pela sordidez maníaca com que deu corpo à serial killer. Esse foi um dos papéis que despertaram a atenção de Sean Baker quando estava à procura de alguém para ser Anora “Ani” Mikheeva, a stripper e trabalhadora do sexo protagonista do seu novo filme. O outro foi Gritos, de 2022, o reboot da famosa saga em que singrou como a psicopata Amber Freeman. “Havia qualquer coisa de singular nela. Acho que ela tinha algo de diferente daquilo que costumamos ver em Hollywood”, afirmou Baker quanto à sua futura estrela.

[o trailer de “Anora”:]

Essa “diferença” ficou patente no discurso de vitória de Madison — uma das surpresas da 97.ª cerimónia dos Óscares, já que apesar Anora estar bem posicionado para uma série de estatuetas, a principal favorita a Melhor Atriz era Demi Moore pela prestação em A Substância. Quando o filme venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2024, o seu nome começou desde cedo a ser equacionado para os prémios da Academia, mas a perda do Globo de Ouro no início do ano ameaçou descarrilar esse comboio — como aconteceu com Nicole Kidman e Baby Girl — tendo apenas voltado a ganhar ritmo com as vitórias nos BAFTA e nos Spirit, que premeiam o cinema independente.

“Cresci em Los Angeles, mas Hollywood sempre me pareceu muito distante, por isso, estar aqui, nesta sala, hoje, é realmente incrível”, admitiu, já de galardão na mão. A carreira para a qual Madison pensava estar fadada era de cavaleira em provas de hipismo — tanto que durante vários anos foi sujeita a ensino doméstico em vez de ir à escola para ter mais tempo para treinar —, antes de dedicar-se à ocupação de atriz. “Fiquei intrigada com a intimidade e a ligação que advém da representação. Para mim, parecia muito corajoso, profundo e emocional, e não sei se isso era algo que eu estava a sentir enquanto cavaleira”, afirmou numa entrevista à revista Vogue.

▲ Mark Eydelshteyn e Mikey Madison em "Anora"

Depois de figurar em algumas curtas metragens, a sua primeira oportunidade surgiu em Better Things, uma celebrada série de comédia dramática da FX onde esteve durante seis temporadas — de 2016 a 2022 — como a adolescente Max Fox. No pequeno ecrã, participou ainda como convidada em Imposters e, em 2024, já com outra projeção, integrou o elenco da minissérie Lady in the Lake, da Apple TV+.

Já no grande ecrã, à parte dos dois papéis acima descritos que a projetaram e captaram a atenção de Sean Baker, no currículo de Madison constam o papel principal em Liza, Liza, Skies Are Grey, filme independente de Terry Sanders, lançado em 2017 com pouca repercussão e más críticas, mas onde a sua prestação foi destacada com um dos pontos positivos. À parte disso, teve pequenos papéis em Monster e Nostalgia. Tudo isto demonstra que Baker — tal como Tarantino —, viram a centelha de talento no pouco trabalho que já vinha desenvolvendo.

Um papel feito para Mikey, que nada tem a ver com ele

No caso de Sean Baker, o cineasta está habituado a trabalhar com atores menos conhecidos ou mesmo a operar à margem da indústria, como demonstrou em filmes como The Florida Project e Tangerine. Ainda assim, até para ele, a aposta total em Madison teve um certo grau de risco, tendo em conta que concebeu a personagem de Ani especificamente com ela em mente.

“Fiquei chocada com o facto de o Sean querer conhecer-me, mas não quis questioná-lo. Disse imediatamente que sim. Senti-me a atriz mais sortuda do mundo por ele querer trabalhar comigo”, admitiu à revista Elle. “Gostava que a Mikey estivesse aqui, subiu ao palco para gozar comigo e foi embora. (…) Ela é a Anora, este filme não existia sem ela”, anuiu, por sua vez, Baker, ao receber o prémio máximo do Sindicato dos Realizadores da América.

A admissão de ambas as partes é tão mais curiosa tendo em conta que Madison reiterou ao longo das várias entrevistas que deu ao longo do ciclo de promoção que a sua personalidade é diametralmente oposta à de Ani — ainda que, refira-se, isso seja pouco surpreendente quando é suposto ter em conta que o trabalho do ator é interpretar outras pessoas que não o próprio.

▲ Mikey Madison em "Era uma Vez em... Hollywood" e "Gritos"

Em Anora, Ani é uma dançarina nova-iorquina com sotaque cerrado do Brooklyn, capaz de fazer do corpo arma de sedução mas igualmente esperançosa com que a sua vida deixe de girar à volta de varões. É por isso que aceita o percurso de Cinderela que parece surgir-lhe aos pés quando o filho de um oligarca russo contrata-a para ser sua namorada durante uma semana.

“Não sei como é que entrei na onda de interpretar personagens assim, mas entrei. É divertido”, refletiu Madison num perfil feito pela Esquire, referindo-se não só a Anora, mas também aos papéis em Era uma Vez em… Hollywood e Gritos. “Sou uma boa rapariga, na verdade, e sempre fui uma boa rapariga. Nunca quebrei as regras nem fiz coisas más, e é muito interessante interpretar personagens que o façam, porque sinto que pude viver isso com esta rede de segurança”, continua.

Sendo Ani tão diferente de si, a atriz teve de preparar-se durante um ano, aprendendo a falar russo, tendo aulas de dança no varão que o pai montou em casa e travando contacto com trabalhadoras do sexo em Los Angeles.“Queria tentar entender aquela comunidade da forma mais específica, para que pudesse dar vida à Ani o mais realisticamente que conseguia. Não queria que fosse sensacionalista ou dramatizado de forma negativa. Queria apenas que fosse aquilo que fosse”, comentou.

Ao receber o Óscar, Madison voltou a colocar a tónica — já o tinha feito ao vencer o BAFTA — na comunidade das trabalhadoras sexuais, tantas vezes vilificada ou sujeita a preconceito. “Só quero reconhecer e honrar a comunidade dos trabalhadores do sexo. Sim, vou continuar a apoiar e a ser uma aliada. Todas as pessoas incríveis, as mulheres que tive o privilégio de conhecer dessa comunidade foram um dos pontos altos desta experiência incrível”, declarou.

Cinéfila inveterada — durante a sua presença no Criterion Closet, destacou obras de culto como Five Easy Pieces e The Piano Teacher — e figura pública sem qualquer presença nas redes sociais, Madison não é a escolha óbvia para a cara do cinema em 2025. Se calhar é por isso que é tão necessária. Não se sabe, para já, que outros projetos tem na calha para o futuro, mas se há coisa que tem em comum com Ani é a inflexibilidade com que quer ser ouvida.

“O tipo de atriz que sou agora, devido às experiências que tive, é que tenho confiança na minha voz e sei que o que tenho para dizer é importante. Mesmo que alguém não queira ouvir, vou continuar a partilhar e a dizer-lhes. Porque, como atriz, não sou uma fantoche. É muito importante que a minha voz seja ouvida, porque se trata de uma colaboração”, garantiu à Esquire.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.