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Carro soterrado por escombros 5 dias depois da passagem da depressão Kristin. A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados.Marinha Grande, 01 de fevereiro de 2026. CARLOS BARROSO/LUSA
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▲Carro soterrado por escombros 5 dias depois da passagem da depressão Kristin, na Marinha Grande

CARLOS BARROSO/LUSA

▲Carro soterrado por escombros 5 dias depois da passagem da depressão Kristin, na Marinha Grande

CARLOS BARROSO/LUSA

“É com o povo que podemos contar.” Amigos organizaram um jantar e acabaram a encher carrinhas de ajuda para a Maceira e a Marinha Grande

Num grupo de WhatsApp criado para organizar um jantar acabou a discutir-se o que era preciso levar para as zonas afetadas pela Kristin. Voluntários vêm de todas as partes do País.

A viagem já dura há quase duas horas quando Joana Meira e Marta Araújo começam a ver o rasto de destruição deixado há uma semana pela depressão Kristin. Poucas são as árvores que permanecem de pé, entre os pinheiros caídos e os quase derrubados. “É como se tivesse passado aqui um gigante e pisado tudo como se fossem ervas daninhas”, ilustra Joana, a quem cabe orientar o caminho da grande carrinha branca de Loures até à Marinha Grande, debaixo de chuva.

Nos três lugares da frente, abundam os casacos e as mochilas e, no tablier, pousa uma pequena caixa de queijadinhas. O que importa vai no compartimento para a carga, frisa a co-piloto. “Trouxemos água, enlatados, pão de forma (tudo coisas que não precisam de frigorífico, porque na Maceira ainda não há luz), coisas para bebé — papas, leites em pó, fraldas — e muitas toalhitas. Porque as toalhitas são ótimas quando uma pessoa não tem água e precisa de tomar banho, pelo menos para dar alguma dignidade”.

Além do Observador, na carrinha seguem apenas as duas. Logo atrás vai o amigo Tomás, ao volante de um jipe, a cumprir uma iniciativa que envolve bem mais pessoas e que começou numa tradição açoriana: o Dia das Amigas. No arquipélago, as últimas quatro quintas-feiras antes do Carnaval são dedicadas à amizade e, no grupo de amigos de Tomás, Joana e Marta, a tradição comemora-se num jantar anual que ocorreu na altura da tempestade Kristin. No grupo de WhatsApp usado para organizar o evento, duas irmãs começaram a pedir ajuda para a terra onde cresceram, a Maceira. A partir daí, os apelos foram-se multiplicando entre redes sociais e amigos.

Ao volante, Marta faz contas de cabeça. “Em 16 horas, juntámos à volta de dois mil euros”. O dinheiro tem como destino a compra dos bens essenciais para ajudar uma zona que tem sido mais esquecida. Cristiana Alves ou Xana, como lhe chamam os amigos, é uma das irmãs do grupo e confessa ao Observador que falta apoio nestas aldeias mais esquecidas e longe dos centros urbanos.

Tanto na Marinha Grande como na Maceira, os voluntários têm um papel determinante na ajuda às populações: tanto os locais que, com as casas menos destruídas, decidem ajudar os vizinhos, como quem vem de fora e faz longas viagens para chegar à zona devastada.

“Temos tido voluntários de Viana do Castelo, Bragança, Porto, Lisboa. De todo o lado, de todos os pontos do país”, elogia Almerinda Ferreira, uma das funcionárias da Câmara da Marinha Grande que coordena os voluntários no Estaleiro Municipal, onde se formam filas de pessoas com telhas na mão à procura de exemplares semelhantes.

Depois de descarregar lonas e rações para cães e gatos no estaleiro, Joana e Marta seguem a indicação da amiga Xana para deixar sacos carregados de bens alimentares no Salão Paroquial da Maceira. Lá, cerca de dez voluntários agradecem o apoio de quem vem de longe para deixar, sobretudo, comida, largando, às vezes, o trabalho ou o conforto de casa. “Eu estou de baixa, por doença oncológica. Estou em tratamento ativo, mas estes dias como me tenho sentido com alguma energia, vim sem pensar nas regras, sinceramente. Parece que quando é preciso ajudar, uma pessoa ganha um bocadinho de fôlego”, admite Joana.

“Não havia cá ninguém”. A “onda de voluntariado” que está a reerguer Vieira de Leiria depois “de cinco dias completamente isolados”

Do jantar anual às centenas de euros angariados. Joana e Marta conduzem carrinha no meio da devastação para ajudar vila de amiga

A partida foi ao final da manhã, dos Bombeiros de Moscavide e Portela, em Loures, onde ficaram guardados os bens que conseguiram angariar entre o grupo. “Temos uma amiga que é açoriana e todos os anos marca o jantar do dia das amigas, que é uma celebração que se faz nesta altura nos Açores”. “Gostávamos” de ir ao arquipélago, mas “o convívio costuma ser” em solo continental, resume Joana, sentada ao lado da condutora, que vai interrompendo a conversa para apontar para a destruição. “Olha para isto, por amor de Deus”.

Joana retoma a conversa. “O jantar [de amigas] foi na semana passada”. Por isso, o “grupo até estava bastante ativo” quando a região Centro foi devastada pelo temporal. “A Xana fez um apelo, mobilizou-se, com a Suse [a outra irmã maceirense], e publicou uma história, no Instagram. E insistiu: partilhem entre vocês”. Entre redes sociais, grupos de WhatsApp e conversas entre amigos e vizinhos, o pedido de ajuda foi-se espalhando.

Para as amigas, o facto de o dinheiro ter sido enviado para pessoas de confiança, em vez de desconhecidos, ajudou a impulsionar a onda de solidariedade. “Dá alguma segurança às pessoas saberem que é um donativo confiável. As pessoas enviavam MBWay com a quantia que quisessem, não interessava se era 1€ ou 20 cêntimos”.

A mensagem chegou a cada vez mais pessoas “como se fossem as raízes das árvores”. “Eu e a Marta recebemos 865 euros”, outra amiga 220, outras duas cerca de 400, atira Joana. Com o dinheiro que as duas recolheram, foram às compras, gastaram tudo em bens essenciais e deixaram tudo nos bombeiros, com quem tinham combinado tudo, e até conseguiram deixar já a carrinha, carregada, de terça para quarta-feira.

Pelas 11h, saíram com o destino traçado. “A viagem foi mais tranquila do que estávamos à espera”, desabafam, depois de terem descarregado bens e materiais no estaleiro, o primeiro ponto da viagem.

Xana, que nos últimos dias tem passado pela vila de onde é natural, recomendou algum cuidado com alguns lençóis de água na A8. A dupla de amigas, atenta ao preço da portagem, não reparou em nenhum durante a viagem. Foi Xana quem sinalizou os bens mais necessários e que, no Instagram, já agradeceu o apoio das pessoas que, depois de terem conseguido encher “uma carrinha com telhas”, permitiram comprar “comida para gato”, bens para bebés e comida. “Vamos levar uma carrinha diariamente até quarta-feira e até vamos tentar falar com os bombeiros para prolongar a recolha”.

Marta e Joana descarregaram ainda muitos artigos destinados à Associação Protectora Animais Marinha Grande. “Ração, artigos de limpeza, areia para gatos. Também alguns materiais de construção para refazer pequenas reparações” nos canis e gatis da associação muito afetada pelo vento, ao passo que no Estaleiro Municipal ficaram “lonas e materiais de construção”.

Depois de serem recebidas pelas pessoas da associação, que agradecem a ajuda, voltam a entrar na carrinha e seguem, com Tomás no seu encalço, em direção ao Salão Paroquial da Maceira. No pequeno trajeto vê-se de tudo. Troncos maduros “partidos ao meio” como se alguém tivesse partido um galho, pessoas a subir aos telhados, cartazes publicitários espalhados e ferros dobrados.

“A paisagem está devastadora, eu já tinha vindo com isto em bom. Trabalho na área da comunicação, numa empresa de vendas estruturais de artigos para fábricas, portanto esta área não me é estranha, para mim é impressionante ver isto”, sublinha Joana. Já a condutora, que trabalha como freelancer na área do audiovisual, abana a cabeça: “Parece um cenário de guerra”. Pelo caminho, passam por edifícios e cafés às escuras. “Não me surpreende” que a ajuda não chegue a todo o lado, “conhecendo a realidade do nosso país em catástrofes”, afirma Joana. “Com os relatos da Xana e de pessoas conhecidas com familiares aqui, conseguimos perceber que a ajuda não chegou de imediato, as aldeias continuam isoladas, e há pessoas que não conseguem ir às cidades buscar materiais.”

A viagem termina com a chegada da carrinha e do jipe ao novo local onde, agora, a junta de freguesia recolhe os bens doados. “Ontem [terça-feira] a Suse veio aqui com a carrinha, também cheia. Mas agora vamos para um sítio novo”, conta Marta.

Apoio vem de todo o país para a Maceira. “Houve a necessidade de encontrar um espaço maior”, mas não se teme desperdício

“Inicialmente, este supermercado social — acho que se pode chamar assim — estava nas instalações da junta de freguesia, mas felizmente a doação de bens tem vindo a crescer e a procura também. Houve a necessidade de encontrar um espaço maior e então viemos ontem [terça-feira] à noite para o salão paroquial”, conta, na Maceira, Daniela Jacinto. Ao pescoço, leva um cartão onde escreveu “voluntária”.

Dentro do salão amplo, dividem-se cerca de dez voluntários que ajudam como possível e com tarefas delineadas, seja a organizar os bens recebidos por categoria, seja a receber as pessoas. José, com apenas 13 anos, é o mais novo dos ajudantes. “As pessoas vêm cá, nós apontamos o nome, o contacto e a localidade; a pessoa pede o que precisa e nós damos, para a pessoa ficar feliz e com uma cara satisfeita”, resume. “Tentamos que as pessoas não levem demasiadas coisas, para que outras pessoas que precisam também tenham, porque temos de ser uns para os outros”.

Dentro do salão há mesas cobertas de pacotes de leite, massa, artigos de higiene, bens para bebés e todo o tipo de alimentos. Margarida Salgueiro aponta o único requisito para quem quer dirigir-se ali e receber ajuda: “só entregamos às pessoas da freguesia”. A jovem que deixou a Marinha Grande para estudar em Lisboa tentou regressar a casa “o mais rapidamente possível”.

“Fiquei sensibilizada por saber que havia sítios em que podia ajudar, então decidi vir. Eu não estava cá durante a tempestade, estava a estudar. Soube pelas notícias, no dia a seguir. Sabia que não havia rede, então tentei vir o mais rapidamente possível para cá, apesar de não haver transporte. Não consegui autocarro na quarta-feira, vim na quinta-feira sozinha para perguntar à minha família como estavam. Graças a Deus estava tudo bem”.

A casa de Daniela ficou sem “algumas telhas”, mas a própria assume que não foi nada “comparado com o que temos visto e com o que nos temos apercebido nos últimos dias”. Instalado fora do salão, um gerador fornece a luz que é tão precisa. Há mais de uma semana que os habitantes da freguesia não têm eletricidade.

Enquanto vão chegando mais pessoas às traseiras da igreja para entregar sacos cheios de ajuda, os voluntários admitem que ainda não pensam no risco de sobrar comida e estragar-se. “As pessoas já têm noção do que são os bens que não se estragam, tudo o que seja leite, água, conservas. Não recebemos manteiga, mas temos marmelada — tudo produtos que não precisam de frio para se conservar”, atira Daniela.

O apoio vem de todos os sítios, em carrinhas grandes ou carros pequenos, do Norte ao Sul do País, ou de bem perto, como o casal que descarrega um saco com sopas compradas em Leiria. Margarida, na companhia do marido António, soube através de uma professora da escola onde trabalha que eram necessárias sopas. “Então fui comprar e trouxe, como moro em Leiria tinha vários [mercados] abertos. A periferia ficou um bocado esquecida…”, lamenta, depois de descrever a destruição da escola básica e secundária Henrique Sommer.

“Eu disse porque não [fazer sopa] na escola? Temos gerador, podíamos fazer lá. (…) A escola está toda destruída, estão lá os militares e pessoas a colocar os telhados. Caíram muitas árvores, não há condições”. Tal como no caso de Margarida, e tirando as pessoas com acesso às redes sociais, é através do “passa a palavra” que os vizinhos sabem que ali há apoio para quem precisa. “Os vizinhos vão chamando, vão alertando, porque a comunicação aqui dentro ainda é muito escassa”, explica Daniela.

As pessoas que querem doar bens sabem através das redes sociais o que é necessário, acrescenta a voluntária Margarida. “Tanto no Instagram, como no Facebook, as próprias pessoas divulgam entre elas. Ali na junta têm feito esse trabalho de pedir, nós próprios estamos a ver o que nos faz falta e pedimos os bens essenciais que nós achamos que fazem falta às pessoas”.

“Acredito que seja mais necessário levar as coisas para os centros grandes, mas não tenho sentido essa necessidade de pedir mais, porque temos recebido muita gente, com muitas coisas. Tentamos ser razoáveis — e deixar coisas para quem precisa mais. Provavelmente os centros têm mais ajuda, mas também precisam mais, porque há mais gente. Nós recebemos as coisas para as pessoas da nossa freguesia e também devemos não exagerar, não guardar imensa coisa [desnecessária]”, reflete Margarida.

O serrote elétrico levado pelas amigas Joana e Marta enquadra-se no material desnecessário que a freguesia optou por recusar, direcionando esse material para quem pode, de facto, dar-lhe uso. Ao contrário dessa ferramenta, conseguem deixar uma cama que Tomás trouxe no jipe e que pode vir a ser útil para as pessoas que estão agora a reconstruir a casa na Maceira.

De sorriso na cara, despede-se José: “O importante é ser próximo e tentar ajudar o outro. Às vezes há pessoas que vêm com muitos problemas em cima, mas o importante é ajudá-los, para estarem bem, saber o que precisam”.

Apesar de estarem sem telhado, há quem se dedique a ajudar. “Chegou-nos uma senhora que tinha a cara toda desfeita”

À procura de nova casa para o serrote elétrico, as amigas fazem-se à estrada e voltam ao estaleiro, onde acabam por deixar a ferramenta que pode ser proveitosa para partir troncos de algumas árvores.

No espaço municipal que centraliza as doações de materiais para construção, Almerinda Ferreira prevê que o mobiliário, como a cama que o grupo levou dos bombeiros em Loures, será uma necessidade num futuro próximo. “Agora as pessoas já começam a pedir mobiliário e colchões, mas é uma segunda fase. Para já, precisam de reparar o telhado para depois se preocuparem com o interior. Neste momento, o importante é deixar as pessoas cobertas”, afirma.

De lágrimas nos olhos, a funcionária municipal relata que também a sua casa ficou sem telhas. Mas veio ajudar os outros. No grande estaleiro, concentram-se dezenas de voluntários, facilmente identificáveis pela indumentária semelhante à de Almerinda. “Maioritariamente não são de Leiria, porque os de Leiria têm as suas casas também destruídas”.

À primeira vista, quem vê as telhas espalhadas pelo terreno enlameado e cheio de poças pode não perceber, mas está tudo devidamente organizado. As pessoas que procuram apoio dirigem-se a uma fila onde recebem uma senha. Mas antes de terem esse pequeno pedaço de papel na mão, transportam uma telha e procuram as semelhantes.

De roupa apropriada para a forte chuva que se sente, Daniel ajuda Edgar a procurar uma telha. Vão ao primeiro monte, comparam as telhas, sem sucesso. A ação repete-se num segundo monte, e o desfecho também. É como se fosse um puzzle e a paciência é quase recompensada. À terceira é de vez mas, apesar da semelhança, as dez telhas que carrega, com ajuda do voluntário, não são iguais à que tem na mão. “Se não der, vem cá trocar”, diz-lhe Daniel.

“A casa sofreu danos ligeiros, a chaminé partiu-se e entrou pelo telhado dentro. Essa parte da chaminé já consegui tapar com umas telhas que tinha lá para substituir. Esta não consegui, que são telhas diferentes, então vim aqui à procura”, explica o marinhense. “É o que me vale”. Enquanto chover, a água continua a entrar na sua casa.

Mas, naturalmente, nem todas as pessoas têm o mesmo estado de espírito de Edgar, como conta Ricardo, que partiu da Lourinhã com outro amigo só para ajudar. “A nível anímico é complicado, não é fácil, ver as pessoas com danos físicos”. “Chegou-nos uma senhora que tinha a cara toda desfeita, com o braço todo magoado, porque caíram-lhe telhas em cima durante a noite. Tinha a casa toda destruída, com o muro no chão. Ainda não passou lá ninguém, só hoje é que soube que havia sítios a distribuir ajuda. Nunca é fácil lidar com pessoas que perderam tudo”.

Bernardo é mais um dos habitantes da Marinha Grande que sofreu com a destruição. Apesar de estar a trabalhar em Lisboa, apercebeu-se dos estragos várias horas depois do temporal, quando começaram a chegar imagens das televisões. Preocupado com a mãe, fez-se à estrada e encontrou-a já de noite. Durante alguns dias fez viagens diárias entre a casa da mãe e Lisboa, para não faltar ao trabalho — numa das vezes levou a mãe a tomar banho, já que não tinha água em casa. Na sexta-feira, regressou definitivamente à Marinha Grande com apenas “duas mudas de roupa”.

Tal como ele, os irmãos Rafael e João chegam ao estaleiro para disponibilizar os seus serviços. “A minha casa [em Leiria] foi afetada, mas já conseguimos remendar a situação. Agora, a ideia é, perante todo o caos, tentar ajudar ao máximo. Já tive de manhã a ajudar no estádio [Municipal de Leiria], agora aqui e amanhã vou para aldeias.” A João, que vive numa aldeia a dez quilómetros do centro da Marinha Grande onde “não há comunicações” nem luz, as notícias só chegam pela rádio.

“Se não fosse isso, não havia forma de saber, mas acredito que há pessoas que nem rádio devem ter e estão abandonadas, não é possível chegar a todo o lado e torna-se frustrante. Sem comunicação não conseguimos chegar a essas pessoas que precisam da ajuda”.

Para bens alimentares, as pessoas devem ir para o pavilhão municipal; e para materiais de construção devem dirigir-se ao estaleiro, onde ainda são precisos materiais: “telhas, cimento, fatos para as pessoas que andam na rua a trabalhar, que andam todos molhados, escovões de estrada, pás de obras e lonas”, enumera Almerinda Ferreira. Recorda comovida que no último fim de semana, os voluntários chegaram a ser mais de mil.

Rafael diz que só a união das pessoas permite resolver os problemas ainda sentidos, uma semana depois da depressão Kristin. “O povo quando está unido faz a diferença. As pessoas tendem a ajudar, porque se formos contar com os políticos… nem quero falar disso, porque não é por aí de certeza. Falo por mim, vou continuar a ajudar enquanto for preciso. A situação não vai melhorar até finais de fevereiro, é uma situação crítica para muitas pessoas. Eu tenho a certeza que se fosse em Lisboa a situação teria sido tratada com mais prontidão. Aqui é à base do povo. É com isso que podemos contar”.

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