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"É incomparável, joga numa outra liga": seis números de Messi que confirmam a profecia de Cruyff /premium

Cruyff disse um dia que Messi podia sentar-se na sua mesa, ao lado de Di Stéfano, Pelé e Maradona – a mesa dos melhores. Mas também disse que o '10' ia ser aquele com mais Bolas de Ouro. E vão seis.

Lionel Messi tinha acabado de conquistar a quarta Bola de Ouro quando Johan Cruyff, um dos nomes de maior relevo de sempre na forma de jogar e pensar futebol, deu uma entrevista ao jornal argentino Olé. “Vai ser o jogador com mais Bolas de Ouro da história. Provavelmente, vai ganhar cinco, seis, sete Bolas de Ouro. Ele é incomparável, joga numa outra liga”, destacou o holandês, dizendo ainda que o número 10 merecia sentar-se na mesa dos melhores ao seu lado, de Alfredo Di Stéfano, de Diego Maradona e de Pelé como os melhores de sempre. Cristiano Ronaldo, que então tinha apenas um troféu, chegou aos cinco. Mas a profecia de Cruyff cumpriu-se.

Na antecâmara do prémio The Best da FIFA, ainda havia dúvidas em torno do vencedor por culpa de uma espécie de “efeito Modric”: dez anos depois, alguém conseguiu furar a dinastia Ronaldo-Messi nas vitórias, algo que dava esperança ao central Virgil Van Dijk que, além de ter sido eleito o melhor jogador de uma Premier League que o Liverpool terminou com 97 pontos no segundo lugar, foi campeão europeu de clubes e chegou à final da Liga das Nações (que perdeu contra Portugal). No entanto, o esquerdino levou a melhor aí e também na Bola de Ouro, tornando-se o jogador com mais troféus conquistados à frente do português Cristiano Ronaldo. E há seis números que descrevem bem aquilo que começa a não ter palavras para ser descrito sobre o argentino.

O caso raro (quase único) de ter jogado apenas num clube como sénior

Depois de ter começado nos argentinos do Newell’s Old Boys, Lionel Messi esteve perto de deixar o futebol quando lhe foi detetado um problema hormonal que prejudicava o normal crescimento e desenvolvimento ósseo. A única forma de debelar a questão passava por ano e meio de injeções em pernas alternadas com um custo de 900 dólares mensais – um custo que o clube não quis cobrir e que só apoiou em parte quando soube que o esquerdino tinha sido oferecido pelo pai ao River Plate. Assim, e aproveitando a família que vivia em Lérida, a família mudou-se para a Catalunha. Em 30 segundos, Carles Rexach não teve dúvidas de que estava ali um fora de série e daí à história do primeiro “contrato” assinado num guardanapo de restaurante, foi um ápice. Até hoje: o número 10 está no restrito lote de jogadores que ganharam a Bola de Ouro jogando apenas numa equipa como seniores, algo que só tinha acontecido com Lev Yashin (Dínamo de Moscovo, 1963) e Florián Albert (Ferencvaros, 1967).

Lionel Messi é o primeiro jogador depois de Lev Yashin e Florián Albert a ganhar a Bola de Ouro jogando só num clube como sénior

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Os 73 golos numa só temporada (que só Jimmy Jones evita que seja recorde)

Os 67 golos marcados por Gerd Müller em 1972/73, no período mais hegemónico do Bayern não só na Alemanha mas também na Europa, constituíam uma espécie de referência máxima entre goleadores até 2011/12, altura em que o argentino pulverizou todas as marcas ao apontar um total de 73 golos: 50 no Campeonato (em apenas 37 jogos disputados, com mais 16 assistências), três na Taça do Rei, 14 na Liga dos Campeões (em 11 encontros, mais cinco passes decisivos), três na Supertaça de Espanha, um na Supertaça Europeia e mais dois no Mundial de Clubes. Melhor só mesmo Jimmy Jones, um avançado norte-irlandês nascido em Keady e com três jogos pela seleção do seu país que na longínqua época de 1956/57 marcou 74 golos pelo Glenavon FC.

Messi terminou o Campeonato de Espanha com 50 golos e 16 assistências em 37 jogos realizados em 2011/12

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As 34 vítimas na Champions, onde o Benfica é um de apenas cinco resistentes

34 de 39. Dos 39 adversários que já defrontou na Liga dos Campeões, Lionel Messi marcou a 34, registo que alcançou na última jornada europeia quando apontou o segundo golo do Barcelona frente ao Borussia Dortmund e acrescentou o clube alemão à já longa lista de vítimas – superando o recorde paritário de Raúl e Cristiano Ronaldo, ambos com 33 adversários nessa mesma lista. Quer isto dizer que o jogador argentino só não marcou a cinco adversários que encontrou na Champions: Udinese, Rubin Kazan, Inter Milão, Atl. Madrid e… Benfica. Messi cruzou-se com a equipa portuguesa em 2012/13, ainda durante a fase de grupos, e não conseguiu bater Artur nem na Luz nem em Camp Nou (os catalães permitiram um nulo em casa mas venceram em Lisboa com golos de Alexis Sánchez e Fàbregas). Este número pode alterar-se ainda antes do final da atual fase de grupos da Liga dos Campeões, já que o Barcelona ainda vai jogar a Milão na última jornada antes dos oitavos de final.

O golo marcado ao Borussia Dortmund na semana passada acrescentou o clube alemão a uma lista de 34 adversários aos quais Messi apontou golos na Liga dos Campeões

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O primeiro a marcar na Liga dos Campeões durante 15 anos consecutivos

Messi só precisou de estar em campo três minutos contra o Slavia Praga, na terceira jornada da atual fase de grupos da Liga dos Campeões, para reclamar mais um recorde e escrever (novamente) o próprio nome na história do futebol europeu e internacional. Com o golo que marcou aos checos e que abriu caminho a uma vitória do Barcelona por 1-2 em Praga, o argentino tornou-se o primeiro jogador da história a marcar pelo menos um golo em 15 edições consecutivas da Liga dos Campeões. Desde a temporada 2005/06, quando se estreou a marcar na Champions com um golo frente ao Panathinaikos, que Messi apontou pelo menos um golo nas campanhas do Barcelona na Champions. Cristiano Ronaldo pode igualar este registo já na próxima temporada – estreou-se a marcar na Liga dos Campeões no ano seguinte, em 2006/07, ao serviço do Manchester United – mas já não conseguirá ser o primeiro a alcançar o feito histórico.

Messi estreou-se a marcar na Liga dos Campeões há 15 anos, em 2005/06, e desde aí marcou pelo menos uma vez em todas as edições da competição europeia

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O recorde com cinco anos que o torna rei e senhor da Liga espanhola

Este é um recorde que completou recentemente cinco anos mas que é ainda uma das grandes bandeiras de Lionel Messi. A 22 de novembro de 2014, com um hat-trick marcado ao Sevilha, o jogador do Barcelona tornou-se o melhor marcador da história da liga espanhola: chegou aos 253 golos, ultrapassando os 251 que Telmo Zarra marcou nas décadas de 40 e 50 ao serviço do Athl. Bilbao e que eram, desde então, um número interpretado como praticamente inatingível. De lá para cá, Messi já ultrapassou a barreira dos 400 e leva nesta altura 428 golos ao longo de 269 jogos (já a contar com o deste domingo, ao Atl. Madrid), registando mesmo uma média de golos por jogo superior desde 2014. Cristiano Ronaldo, que esteve no Real Madrid de 2009 a 2018, deixou Espanha com 311 golos marcados, superando também Telmo Zarra e tornando-se o segundo melhor marcador da liga espanhola.

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi são os dois melhores marcadores da história da liga espanhola

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343 jogos em Camp Nou e uma média superior a um golo

O jogo já era comemorativo no início e ainda mais se tornou no final: na noite em que Lionel Messi realizou o encontro número 700 com a camisola do Barcelona, na receção dos catalães ao B. Dortmund, o argentino passou a ser o jogador que marcou a mais adversários na principal prova europeia, num total de 34. As estatísticas do capitão blaugrana contam o resto, com 614 golos e 250 assistências em 701 jogos disputados pela única equipa que representou como sénior, tendo ainda a incrível média de mais de um golo por jogo em Camp Nou, onde fez 343 partidas (305 como titular) e marcou 357 golos entre 30 hat-tricks e 280 vitórias.

Messi tornou-se dono e senhor do Camp Nou desde a estreia, levando mais golos do que jogos no recinto

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