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Apenas sete minutos foram necessários para que nove joias da coleção da última Imperatriz de França fossem roubadas do Museu do Louvre, em Paris, no passado domingo, 19 de outubro. Mas durante a fuga, os ladrões deixaram cair uma peça: a coroa da Imperatriz, com 2.480 diamantes, dos quais 1.136 rosas, e 56 esmeraldas. A peça foi uma encomenda de Napoleão III para a Exposição Universal de Paris de 1855, com os Diamantes da Coroa remontados para a ocasião. A construção geral foi confiada ao joalheiro J.-P. Maheu, enquanto Alexandre-Gabriel Lemonnier montou as pedras preciosas. As águias foram modeladas pelos irmãos Auguste e Joseph Fannière, escultores ourives. Uma peça que traduz a força que teve Eugénia de Montijo no Segundo Império francês, desde o papel importante na criação da alta-costura até acontecimentos decisivos da política internacional.
▲ A Coroa da Imperatriz que caiu durante a fuga dos ladrões do Louvre
Joias que contam histórias
Outra das peças roubadas — e que ainda não foi recuperada — é o Broche Relicário, com dois grandes diamantes que foram usados por Luís XIV. A joia tem, no total, 94 diamantes, e foi criada pelo ourives Paul-Alfred Bapts, especialmente para a Imperatriz Eugénia. Assim como o Grande Laço, com 2.438 diamantes normais e 196 da variedade cor-de-rosa que fazia parte de um cinto com mais de 4 mil pedras pertencentes à Coroa, e que foi exibido na Exposição Universal de 1855. Terá sido usado por Eugénia em duas ocasiões: numa receção à Rainha Vitória no Palácio de Versalhes em 1855 e na celebração do batismo do filho, em 1856. Depois, a Imperatriz preferiu manter o laço como um alfinete para prender aos corpetes.
▲ O Grande Laço e o Broche Relicário, duas das joias roubadas que foram feitas especialmente para a Imperatriz Eugénia
Département des Objets d'art du Moyen Age, de la Renaissance et des temps modernes
A reutilização de pedras para a criação de novas joias era uma prática comum na época. “Criavam ao gosto daquilo que eram os desejos dos monarcas, que tinham o direito a usá-las e adaptá-las ao seu gosto pessoal e ao gosto da moda da época. As joias têm uma vida muito própria, apenas nos museus acabam por cristalizar, ficando como testemunhos de uma determinada época. Caso contrário, é normal que dentro das famílias, ou dentro das organizações, neste caso era uma família imperial, que as tinham e as transformavam ao gosto de quem as usava”, explica ao Observador o gemólogo Rui Galopim de Carvalho, que destaca que as peças da coleção roubadas têm “valor histórico, patrimonial e cultural, e isso é inestimável”.
Entre coroas, alfinetes, colares e brincos em ouro, pérolas, diamantes ou esmeraldas, as peças da coleção são também criações de joalharias de prestígio na época, como Fontenay, Mellerio ou Maison Chaumet, com partes e pedras que pertenceram a outras Rainhas e Reis e contam uma história que culmina na personalidade de Eugénia de Montijo. Uma espanhola que chegou ao mais alto poder em França, foi regente do império por três vezes, teve papel ativo na construção do Canal de Suez e, inspirada por Maria Antonieta, associou o seu nome à arte e à moda, sendo uma das principais impulsionadoras da alta-costura francesa. Há quem diga que terá sido “a primeira influencer“, servindo de exemplo de imagem e estilo de vida, ao mesmo tempo em que enfrentou o escrutínio público.
Da nobreza espanhola ao império francês
María Eugenia Ignacia Agustina era filha de Cipriano de Palafox y Portocarrero, 13.º Duque de Peñaranda e Conde de Teba e Montijo, e de Maria Manuela Kirkpatrick de Closeburn y de Grevignée, aristocrata de origem escocesa. Diz a lenda que nasceu prematura, num parto provocado por um sismo que atingiu Granada em 1826 — entretanto o terramoto aconteceu quase um mês depois do seu nascimento e a história era contada para justificar o seu espírito “aventureiro”, conta a jornalista e autora de Pasión imperial: La vida secreta de la emperatriz Eugenia de Montijo, la española que sedujo a Napoleón III y conquistó Francia, Pilar Ayre, no seu canal no Youtube.
Cipriano herdou o título do irmão, o Conde de Montijo, que morreu sem deixar herdeiros, e a família passou a fazer parte da nobreza espanhola. Ao lado da irmã, Maria Francisca, também conhecida por Paca, Eugénia estudou na escola Sacré-Coeur, em Paris. Sob a tutela do amigo da mãe, o escritor Prosper Mérimée, as duas foram apresentadas à alta sociedade da capital francesa. Em 1839, após a morte do Conde de Montijo, as irmãs regressaram a Madrid e fizeram a sua grande entrada na sociedade espanhola num baile de máscaras no palácio na Plaza del Ángel. A partir daí, se não demorou para Paca casar-se com Jacobo Fitz-James Stuart y Ventimiglia, o duque de Alba, a irmã teria um futuro ainda mais distinto, e chegaria a Imperatriz de França.
“Tinha os cabelos vermelhos como os antepassados da sua mãe e parecia um rapaz. Sabia esgrima, o pai ensinou-a a lutar, falava vários idiomas, era divertida, culta e adorava ler”, descreve Pilar Ayre. A beleza de Eugénia, diz-se, terá sido o que atraiu a atenção do então Presidente da Segunda República francesa, Luís Napoleão Bonaparte, num baile em Paris em abril de 1849. O Imperador francês terá sido tão arrebatado pela jovem que terá perguntado “qual o caminho para o seu coração”, ao que Eugénia terá dito: “Aquele que passa pelo altar”.
▲ Retrato de Eugénia de Montijo de 1853, ano em que se casou com Napoleão III
Filho de Luís I da Holanda, o irmão de Napoleão Bonaparte, com Hortênsia Beauharnais, filha do primeiro casamento da Imperatriz Josefina; era primo de Augusto, o primeiro marido de Maria II e príncipe consorte de Portugal por dois meses em 1835, e de Amelia de Leuchtenberg, a segunda mulher de Pedro IV e Imperatriz do Brasil. Herdou os direitos dinásticos dos Bonaparte após a morte do irmão mais velho e de Napoleão II, em 1832. Em 1848 foi eleito Presidente da Segunda República — mas a 2 de dezembro de 1851 deu um golpe de Estado, dissolveu o parlamento e autoproclamou-se Príncipe Presidente. Com a aprovação do Senado um ano depois, recebeu o título de Imperador dos franceses — e como tal, precisava de uma Imperatriz e um herdeiro.
Eugénia era 18 anos mais nova, tinha 26, enquanto Napoleão III já tinha 44. Mas a diferença de idade não foi um problema. Três anos depois do baile em que se conheceram, casaram-se na Catedral de Notre Dame, numa cerimónia religiosa a 30 de janeiro de 1853, oito dias depois do anúncio do noivado. O casal chegou à igreja na mesma carruagem usada por Napoleão e Josefina na cerimónia de coroação, em 1804.
As férias em Biarritz e o envolvimento na construção do Canal do Suez
Eugénia representava a força do regresso da monarquia. Os vestidos extravagantes, as joias sumptuosas, a pompa e o aparato da realeza e as várias e luxuosas propriedadades. Em 1854, por exemplo, o Imperador comprou terrenos em Biarritz, onde mandou construir uma casa de verão que ficou conhecida como a Villa Eugénie, onde é hoje o Hôtel du Palais. As férias da Imperatriz no Palácio fizeram da cidade francesa um destino de luxo para as elites e realezas europeias. Eugénia também restaurou o Castelo de Malmaison, comprado em 1861, e o Petit Trianon, com o objetivo de abrir as suas portas em 1867 durante a Exposição Universal de Paris.
▲ A Imperatriz Eugénia com o filho, Napoleão Eugénio Luís João José Bonaparte
Desde o início Eugénia terá mantido a sua personalidade forte: só terá aceite o presente de casamento da Câmara Municipal de Paris se o valor de 600 mil francos fosse usado para fundar uma instituição de caridade. Após duas gestações frustradas, foi mãe de Napoleão Luís a 16 de março de 1856 — e sentiu que a sua missão de providenciar um herdeiro para o trono estava cumprida. Dedicou-se então ao papel de Imperatriz, com o apoio do marido, que a deixou como regente em três ocasiões: durante a campanha italiana em 1859, quando viajou para a Argélia em 1865 e no fim do Segundo Império, em 1870. Um dos momentos mais importantes como Imperatriz foi em novembro de 1869, quando viajou ao Egito para presidir a cerimónia de inauguração do Canal do Suez. Eugénia era prima de Ferdinand de Lesseps, o diplomada francês responsável pela construção, e participou das negociações em nome do marido, sendo considerada o “anjo guardião do canal”.
Também apoiou e coordenou trabalhos sociais, fundando asilos, orfanatos e hospitais, e esteve envolvida na proteção de estudos científicos, como o trabalho do químico Louis Pasteur, que inventou o processo de pasteurização. Pasteur foi um dos convidados das “séries” de 1865, organizadas no Castelo de Compiègne, uma das casas de férias da corte imperial, em que cerca de cem convidados ficavam acomodados no castelo durante uma semana para partilharem particularidades sobre as suas áreas de atuação. Mas além do trabalho social, Eugénia marcou a história ao usar a moda como força política. Nas aparições públicas usava peças com um estilo próprio, exibia as joias mais exclusivas, e fez aquilo que é hoje conhecido como fashion diplomacy.
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O encontro com o “pai da alta costura”
Tule preto com penas, veludo preto, cetim vermelho, mantilhas de renda espanholas, decotes com ombros à mostra, saias volumosas de crinolina com anquinhas. Tudo o que Eugénia usava “imediatamente tornava-se moda entre todas as mulheres elegantes da corte”, diz à Vogue Espanha Mercedes Rodríguez Collado , técnica do Museu do Romantismo de Madrid. Influências de moda que chegaram ao outro lado do Atlântico, como por exemplo o chapéu Eugénia, popularizado em 1930 no filme Romance, com Greta Garbo, inspirado no estilo de cocar de feltro com penas ligeiramente inclinado habitualmente usado pela Imperatriz.
O guarda-roupa de Eugénia era tão cuidado que os palácios que habitava precisavam de ter “um elevador que ligava a sala onde os vestidos eram guardados ao seu quarto de vestir. Desta forma, evitava qualquer contratempo durante o transporte”, diz Rodríguez Collado. Tinha também pelo menos 12 empregadas para a ajudarem a vestir os vários looks que precisava trocar ao longo do dia, a depender da ocasião ou da atividade que a Imperatriz iria desempenhar. A gestão das suas peças ficava ao cargo de Pepa Narro, mais conhecida por Pepa Pollet, que catalogava cada um dos seus vestidos e administrava as suas vendas para os EUA — já que a Imperatriz não usava roupas repetidas. Muitas vezes as peças eram leiloadas e o valor revertido a uma instituição de caridade.
Mas a atenção à moda não era só capricho. “O imperador pretendia desenvolver a indústria de luxo francesa como um fator significativo na reafirmação do poder da dinastia Bonaparte. Nesse sentido, instou a sua mulher e as damas da corte a usar vestidos feitos de sedas e tecidos fabricados por fabricantes locais“, explica Collado, citando como exemplo sedas de Lyon ou rendas de Chantilly e Valenciennes. E terá sido também por este motivo que Eugénia passou a encomendar criações daquele que é considerado o “pai da alta costura”.
▲ Eugénia popularizou as saias com anquinhas, em que o volume da crinolina limitava-se à parte de trás do vestido
The Metropolitan Museum of Art
Em 1860 Eugénia viu pela primeira vez uma peça desenhada por Charles Frederick Worth, um vestido em tule branco bordado com fios de prata. Foi num baile nas Tulherias, no corpo de uma influente socialite austríaca, mulher do embaixador de Áustria, Pauline de Metternich. Uma aproximação que não terá sido assim tão inocente — pelo contrário. De acordo com Didier Grumbach, empresário da moda que já trabalhou com Yves Saint Laurent e Givenchy, e autor de Histoires de la Mode, Charles Frederick Worth percebeu em Eugénia uma oportunidade de transformar a moda do Império e fazer o próprio nome no meio. “Em todos os países da Europa o Rei ou a Rainha criavam a moda. Maria Antonieta tinha uma costureira para dar-lhe indicações. A decisão era da Rainha”, escreve Grumbach sobre a época, destacando que não havia criatividade na moda francesa, até que Worth apareceu. O designer e costureiro inglês chegou em Paris em 1845 e trabalhou como vendedor na Gagelin, quando começou a criar peças para a própria mulher. Abriu na sequência um pequeno atelier, chamado House of Worth, onde apresentava as suas criações com destaque para as novas formas e silhuetas, e em modelos reais — o que seria os primórdios dos desfiles de moda.
Com o Segundo Império em 1852, Worth percebeu que precisava chegar à Imperatriz. Então, conta Grumbach, terá incumbido a mulher, Marie Vernet, de visitar Pauline de Metternich, a mulher do embaixador da Áustria. Levou consigo um caderno com vários esboços de Worth e amostras de tecido. Apesar de ter sido recebida com algum ceticismo, Metternich acabou por encomendar dois vestidos por 300 francos, um para o dia e outro para noite. A peça de gala encantou a Imperatriz, que chamou Worth ao Louvre no dia seguinte. Mas ao invés de chegar preparado para atender aos desejos de Eugénia, Worth levou um vestido pronto, todo em brocado. “A imperatriz viu o vestido e odiou, porque pensou que pareciam cortinas. E sentiu-se absolutamente insultada porque o vestido não havia sido negociado, estava pronto. Ele propôs uma criação em que ela não interfiria”, escreve Didier Grumbach. “Ela manda-o de volta, manda o vestido de volta. Mas, por sorte, o Imperador chega. E Worth, que não era tímido, explica: ‘O brocado é de Lyon — uma cidade republicana — então acho que é boa política se a Imperatriz usasse-o algumas vezes'”.
Entre os elementos de design de Worth destacam-se as formas revolucionárias, com silhuetas próprias e crinolina apenas na parte de trás, com a popularização das anquinhas, assim como o uso das cores, como o tom violeta. Eugénia passou a vestir quase que exclusivamente criações do designer inglês, tornando-o numa espécie de “costureiro não oficial” da corte. Contudo, Worth fez questão que a alta sociedade soubesse que estava a costurar para a Imperatriz. Antes do encontro com a mulher de Napoleão III, um vestido do designer custava entre 300 e 400 francos — na altura que Eugénia já vestia peças de Worth, as suas criações não vendiam por menos de 2 mil francos. Contudo, assim como o primeiro encontro, a relação entre designer e cliente não era sempre de simbiose. “Quando a Imperatriz preferiu esperar antes de usar as suas últimas criações, ele não hesitou em expressar a sua insatisfação. A sua lendária persuasão muitas vezes prevaleceu sobre a relutância de Sua Majestade ”, lê-se numa das crónicas de The House of Worth: The Birth of Haute Couture.
Foi a partir do estilo inovador e do trabalho minucioso de Charles Frederick Worth que foi criada a Chambre Syndicale de la Haute Couture, em 1868, com regras que vão desde a forma de construção, passando pela qualidade do trabalho feito à mão, até a exigência das peças à medida. Atualmente em França o termo alta costura é protegido pela Federação de Alta Costura e Moda, que determina quais casas podem usar a nomenclatura.
Primeira cliente Louis Vuitton e o perfume Guerlain
Um ano depois do casamento de Eugénia e Napoleão, Louis Vuitton abriu a sua primeira loja em Paris, perto da Place Vendôme. Com malas estilo baú de topo plano em pele, as criações do artesão eram o que a Imperatriz precisava para transportar as suas crinolinas. Louis Vuitton foi apontado como o fabricante de malas oficial da corte, a qual serviu durante vários anos. Fergus Mason relata, na sua biografia de Louis Vuitton, que Eugénia ainda apresentou o designer para outros clientes importantes — realezas e lideranças políticas internacionais. Foi o caso do Governador do Egito, Ismail Pasha.
Vuitton foi chamado para empacotar a bagagem da Imperatriz para a viagem de inauguração do Canal do Suez. Eugénia passaria dois meses no Egito e viajaria à bordo do iate imperial, o L’Aigle, junto com Pasha. O autor da biografia de Louis Vuitton relata que, para estabelecer relações mais próximas entre o Egito e a França, o Governador egípcio encomendou um conjunto completo de malas do designer, a fim de causar uma boa impressão na Imperatriz. Pasha terá sido o primeiro cliente Louis Vuitton depois da família imperial.
▲ Eugénia foi pioneira na alta costura, a primeira cliente de Louis Vuitton e inspiração para a primeira água de colónia Guerlain
Eugénia também foi inspiração para a criação da primeira água de colónia Guerlain, que é vendida até hoje. Criada em 1853 por Pierre-François-Pascal Guerlain, a Eau de Cologne Impériale foi composta para a Imperatriz e motivou a atribuição do título de Perfumista de Sua Majestade ao seu criador. O rótulo ostenta o símbolo do Império com o brasão escolhido por Napoleão: a águia, a coroa imperial e o cetro, e o frasco, feito por medida pelo vidreiro Pochet du Courval, com uma constelação de 69 abelhas, símbolo do Império e emblema da família Guerlain de “Colognes”. Antes de autorizar a venda, Eugénia usou a fragrância exclusivamente. Atualmente o frasco do perfume pode ser personalizado a pedido, dourado à mão e pintado com iniciais.
Na lua-de-mel no Palácio de Saint-Cloud, Eugénia terá insistido em ocupar o que haviam sido os aposentos da última Rainha do Antigo Regime. A inspiração em Maria Antonieta ficou evidente com o passar dos anos. Interessava-se por arte, decorou o Palácio no estilo de Luís XV e Luís XVI, colecionava retratos da Rainha, restaurou o Petit Trianon e foi muito comparada à “Rainha da Moda”. Décadas depois, já no exílio, escreveu ao seu amigo e biógrafo Lucien Daudet: “Fui acusada de ser frívola e de amar demais as roupas, mas isso é absurdo; equivale a não perceber o papel que uma soberana deve desempenhar, que é como o de uma atriz. As roupas fazem parte desse papel!”
Com o declínio do império, Eugénia recebeu a alcunha de “mulher espanhola”, assim como Maria Antonieta havia sido “a austríaca”. Em 1870, Com Napoleão III prisioneiro após a derrota francesa em Sedan, durante a Guerra Franco-Prussiana, e a proclamação da Terceira República Francesa, a Imperatriz e seu filho fugiram para a Inglaterra e se estabeleceram em Camden House, em Chislehurst. Juntaram-se ao Imperador deposto em 1871, após a sua libertação. Depois da morte do filho em 1879 afastou-se da política e dividiu os seus últimos anos entre a Inglaterra e a Espanha, onde encontrou refúgio junto dos sobrinhos, o duque e a duquesa de Alba. Morreu aos 94 anos, a 11 de julho de 1920, numa das visitas ao Palácio de Líria.