1237,4kWh poupados 1237,4 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Humoristas estão em digressão com este espetáculo desdde o fim de março. Em agosto, levam-no até ao Brasil
i

▲Humoristas estão em digressão com este espetáculo desdde o fim de março. Em agosto, levam-no até ao Brasil

FOTOILUSTRAÇÃO RODRIGO MENDES/OBSERVADOR

▲Humoristas estão em digressão com este espetáculo desdde o fim de março. Em agosto, levam-no até ao Brasil

FOTOILUSTRAÇÃO RODRIGO MENDES/OBSERVADOR

Gilmário Vemba, Hugo Sousa e Murilo Couto. Quem são os humoristas lusófonos impedidos de entrar em Maputo?

Trio de humoristas barrado à chegada a Moçambique, onde ia apresentar "Tons de Comédia". Maputo diz que iam sem visto. Mondlane vê razões políticas. Quem são os comediantes? Que espetáculo é este?

    Índice

    Índice

“Um brasileiro, um português e um angolano juntam-se em vários palcos”. Assim se anuncia o espetáculo Tons de Comédia, dos humoristas Hugo Sousa, Gilmário Vemba e Murilo Couto, que este domingo se viram impedidos de entrar em Maputo, cidade onde iam apresentar o show, tendo ficado retidos no aeroporto da capital de Moçambique.

Os três fizeram um vídeo a relatar o ocorrido e a comunicarem que teriam que cancelar o espetáculo agendado para às 17h locais no Centro Cultural China Moçambique. Depois de passarem a noite no aeroporto, os humoristas regressaram a Lisboa esta segunda-feira de manhã.

O grupo diz não saber por que motivo foi impedido de entrar em Moçambique. Há quem faça leituras políticas sobre a proibição, como Venâncio Mondlane — por Vemba se ter reunido com o político em Lisboa e por ter declarado que o candidato que reclama a vitória nas eleições presidenciais moçambicanas do ano passado era o presidente de Moçambique. Esta segunda-feira, no aeroporto, à chegada a Maputo, Mondlane argumentou que a proibição de entrada, teve “motivações políticas”, por o angolano ser seu “apoiante”.

No entanto, o Serviço Nacional de Migração (SNM) moçambicano diz que os humoristas “não obedeceram aos critérios” para a entrada no país.

“Nem para visto de negócios, nem para visto de atividade cultural, nem para visto de turismo, tinham requisitos. Então, como é que iam entrar no país (…). Tudo é na base da lei. Não há nada que nós estejamos a inventar. A roda já foi inventada. Podem consultar a lei”, disse Zainedine Danane, diretor-geral do SNM à agência Lusa.

O responsável disse ainda que o promotor do evento em causa deveria “ter solicitado” uma credencial para o espetáculo às autoridades competentes moçambicanas, que posteriormente seria utilizada para o pedido de emissão de visto cultural para entrada no país.

“Então, não tendo solicitado esta credencial, é como se esta atividade não existisse. E como é que vais proferir um espetáculo se quem devia, se calhar, autorizar, não tem conhecimento? Estou-me a referir a questões legais”, sublinhou o diretor-geral do Senami, citando as alterações à lei de migração para a emissão de vistos para atividades culturais feitas em 2022. No entanto, Gilmário Vemba já atuou em Maputo no passado sem precisar de outro visto que não o usado agora.

Mas quem são estes humoristas, que espetáculo é este e onde é possível vê-lo?

▲ Imagem de divulgação do espetáculo "Tons de Comédia". Da esquerda para a direita: Hugo Sousa, Gilmário Vemba e Murilo Couto

DR

Quem são os humoristas?

Gilmário Vemba é um humorista angolano radicado em Portugal. Ex-membro do coletivo Os Tuneza, rapidamente conquistou o público português, com um humor que mistura cultura angolana, política e temas do dia-a-dia. É hoje um rosto conhecido dos portugueses também à conta da sua participação, desde 2022, como concorrente fixo da edição portuguesa do programa Taskmaster (RTP). Em 2023 tornou-se o novo apresentador do programa 5 Para a Meia-Noite, também na estação pública. Esteve na apresentação da marca de roupa do ex-candidato presidencial moçambicano Venâncio Mondlane este mês em Lisboa e em Janeiro já tinha publicado nas suas redes sociais uma mensagem a dizer que o político é o presidente do país.

Natural do Porto, Hugo Sousa é um humorista português que alcançou visibilidade sobretudo pela participação no programa Levanta-te e Ri, da SIC. Foi protagonista e autor de duas mini-séries na SIC Radical, A vida do Sousa e O Sousa no Porto. Na última década, tem feito espetáculos a solo (Praticamente Estável, Lado Positivo) a um ritmo quase anual, sendo o último o solo X (2024), com o qual andou em tour pelo país.

Já Murilo Couto, humorista brasileiro, começou a carreira como ator — entrou na série Malhação (2009), por exemplo, que foi exibida em Portugal —, mas rapidamente fez a transição para o universo do stand-up. Nos últimos anos, tem-se apresentado em solo nacional com espetáculos a solo como Um Stand-up Qualquer ou Ideias Soltas. Em 2023 lançou o especial Leso, atualmente disponível no catálogo da Amazon Prime.

Como se conheceram?

Hugo Sousa e Gilmário Vemba são velhos conhecidos, pois já trabalharam juntos “há mais de 10 anos”, disse o primeiro à revista online Magg, a propósito da estreia do espetáculo, em março. Já quanto a Murilo Couto, o humorista português admite que foi uma descoberta recente de quando estivera em São Paulo, no Brasil. Os três humoristas partilham o mesmo produtor, Pedro Gonçalves, o que terá facilitado a criação do espetáculo a três.

Que espetáculo é este?

Chama-se Tons de Comédia e é produzido pela produtora I’ts Showtime. Tem a duração de 75 minutos e parte de um princípio: a universalidade da comédia. “Três comediantes, três países, três estilos de humor. Hugo Sousa, Gilmário Vemba e Murilo Couto sobem ao palco para mostrar que, apesar das diferenças culturais, a comédia é universal”, lê-se na sinopse da peça.

“De Portugal, Angola e Brasil, chegam histórias inesperadas, momentos hilariantes e perspetivas que vão fazer o público rir sem parar”, continua o texto, que explica que Tons de Comédia, “mais do que um espetáculo de stand-up”, “é uma celebração das nuances e cores da vida através do humor.”

O objetivo, como explicaram os comediantes em entrevista ao programa Humor à Primeira Vista, do jornal Expresso, é  ser um ponto de partida para criar um circuito de comédia entre países lusófonos. Quanto à estrutura de Tons de Comédia, em declarações à Magg, em março, Hugo Sousa revelava que cada um dos humoristas atua “separadamente”, mas que também há “alguns momentos” em que todos partilham o palco.

A Iniciativa Liberal, que pediu esclarecimentos à embaixadora de Moçambique sobre a recusa de entrada dos humoristas, salientou “a ligação e interesse cultural lusófono desta iniciativa”. O partido pede também que sejam “prestadas garantias que casos como este não se repetirão, assegurando que Moçambique se mantém um país aberto ao intercâmbio cultural e artístico no espaço da lusofonia”.

O espetáculo mostrou-se em Portugal?

Sim. O espetáculo está em circulação desde finais de março e já passou por Portugal em diversas ocasiões. Em abril esteve nas cidades de Santarém (dia 1), Porto (2), Braga (8), Águeda (9), Coimbra (10) e em Lisboa (dia 11). Este mês, o trio levou o show às ilhas: a 11 de julho a Ponta Delgada, nos Açores, e a 12 de julho ao Funchal, na Madeira.

E lá fora?

A digressão mundial do espetáculo arrancou a 29 de março, em Paris, França. Depois, seguiu-se Dublin, na Irlanda (30 de março), e logo a seguir Londres, no Reino Unido, a 6 de abril. Dias depois, a 13 de abril, o trio atuou em Zurique, na Suíça. Mais recentemente, a 10 de julho, o show também esteve na Cidade da Praia, Cabo Verde, em São Tomé e Príncipe e em Luanda.

Quais são as próximas datas?

A sessão em Maputo, Moçambique, este domingo, seria o último espetáculo do trio durante o mês de julho. Agora, os humoristas preparam-se para uma digressão pelo Brasil, onde vão estar a mostrar o espetáculo de 1 a 10 de agosto, nas cidades de Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Barueri, Guarulhos, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife.

[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.