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Há um problema de memórias na indústria da tecnologia. Os entusiastas da montagem e personalização de PC já deram pela subida de preços das memórias RAM, um chip essencial que está presente em muitos produtos tecnológicos. “Desde quando é que a memória RAM ficou tão cara”? Esta tornou-se, desde há uns meses, uma pergunta comum no Reddit. Agora, a escassez deste tipo de semicondutor poderá ter impacto em muitos mais consumidores.
Seis anos depois da corrida aos semicondutores durante a pandemia, o mundo tecnológico volta a debater-se com a escassez de chips. Só que agora a história — e também a origem do problema — é outra. Em 2020, os constrangimentos eram explicados pelas alterações à cadeia de abastecimento causadas pelos confinamentos globais que, aliadas a uma procura intensa de computadores e equipamentos necessários para o teletrabalho, adensaram a crise.
Agora, está instalada uma corrida a um tipo específico de chip: o das memórias. A escassez centra-se nos componentes conhecidos como RAM (memória de acesso aleatório), DRAM (memória dinâmica de acesso aleatório), entre outros. Estão presentes em inúmeros produtos, com destaque para os computadores, smartphones ou tablets. É um chip crucial que, num exemplo prático, permite que o telefone, computador ou a consola cumpra uma tarefa de forma expedita, sem bloquear. Nos últimos anos, à medida que a tecnologia foi evoluindo, os equipamentos passaram a ter memórias cada vez mais avançadas.
Só que o intenso apetite pela inteligência artificial (IA) arrisca-se a travar este cenário de evolução. Francisco Jerónimo, da consultora IDC, explica ao Observador que as fabricantes de memória RAM “começaram a direcionar grande parte da produção para a memória dedicada à IA nos centros de dados”, um tipo de produto cuja “procura tem crescido exponencialmente”. MS Hwang, diretor de investigação da Counterpoint Research, completa que cresceu a “necessidade de módulos avançados, reduzindo a produção de processos de ponta” noutro tipo de memórias, gerando escassez no mercado.
E, se um produto se torna escasso, o preço sobe. As memórias tornaram-se gradualmente mais caras em 2025, principalmente no último trimestre do ano. Dados da consultora Counterpoint Research relatam um disparo de preços das memórias “entre 40 e 50%” nos três últimos meses do ano, em comparação com o período homólogo, “mais do que os 30%” que eram esperados em projeções anteriores. Para o primeiro trimestre de 2026 mantém-se a projeção de aumentos na ordem dos “40-50%” e de cerca de 20% no segundo trimestre, refere a consultora ao Observador. Num cenário mais extremo, a Counterpoint admite que “não seria surpreendente” se os preços das memórias escalassem até aos mil dólares (cerca de 859 euros) este ano.
O lastro desta situação deverá refletir-se, consequentemente, no bolso dos clientes finais ao longo deste ano, notam os analistas. “A perspetiva é que a grande maioria dos eletrónicos de consumo venha a aumentar de preço em 2026”, avisa Francisco Jerónimo, da IDC Europa.
Os efeitos traduzem-se já em casos concretos para os consumidores. A norte-americana Paradox Customs, dedicada à configuração de PC, uma opção muito usada pelos amantes de jogos, revelou que devido “à escassez de RAM e ao disparo dos preços da RAM” dava aos clientes a opção de terem um computador sem memória — desde que já tivessem um destes chips disponível ou “se conseguissem obtê-los noutro lado”. Dias depois acabou a esclarecer que continuava a vender PC com RAM, sendo a venda de computadores sem memória “opcional, não o padrão”.
WE STILL SELL PCs WITH RAM!!
The no-RAM option is optional — not the default. https://t.co/PE7YuYgXtE
— Paradox Customs (@Brparadox) December 28, 2025
Com a produção de memórias em mutação e os preços mais altos, há fabricantes de tecnologia a intensificar os esforços para contratar o fornecimento a longo prazo de chips para garanti-los nos próximos produtos.
A corrida aos chips tem efeitos colaterais. O Korea Economic Daily revelou que os preços dos hotéis de perfil corporativo na província coreana de Gyeonggi, perto das fábricas da Samsung e da SK Hynix, estão a passar por um “boom de semicondutores” desde dezembro. Muitos dos hóspedes serão executivos de empresas de tecnologia, como a Amazon, Google, Apple e Dell, que fazem estadas mais longas nessas unidades hoteleiras para tentar negociar contratos e assegurar a disponibilidade de memórias para os seus produtos.
Qual é a importância das memórias para a indústria tecnológica?
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As memórias são um chip essencial para a indústria tecnológica. Além de smartphones, tablets, computadores e televisores conectados, estão também presentes “em automóveis, consolas, em todo o tipo de aparelhos”, explica Francisco Jerónimo, da IDC Europa.
Há diversos tipos de memórias, consoante o género de produto em que são usadas. Para muitos consumidores, a sigla RAM (memória de acesso aleatório) é um dos fatores de análise de quando compram um smartphone. A sigla DRAM (memória dinâmica de acesso aleatório), que também tem estado em destaque, representa na prática um tipo especial de memória.
Margens maiores nos chips de IA levaram fabricantes a afastar-se das memórias ‘tradicionais’
É expectável que o mercado global de memórias DRAM chegue este ano aos 311 mil milhões de dólares este ano (266,6 mil milhões de euros), de acordo com projeções da Macquarie Equity Research, citadas pela Reuters. É o dobro em relação ao valor do ano passado e seis vezes mais do que em 2023. Estes chips são usados em servidores, computadores e smartphones para armazenar temporariamente dados e garantir que os programas e aplicações funcionam de uma forma fluída.
Cerca de 93% do mercado global de DRAM, um tipo de memória, está nas mãos de três empresas — as sul-coreanas Samsung e SK Hynix e a norte-americana Micron, segundo dados da Counterpoint. O trio tem sido particularmente beneficiado pela procura. A consultora TrendForce revela que os preços dos contratos para os chips DRAM subiram 313% no quarto trimestre de 2025 face a 2024.
266,6
mil milhões de euros — projeção do valor de mercado de memórias DRAM em 2026
Macquarie Equity Research
Num relatório divulgado esta semana, a consultora sediada em Taipei, Taiwan, admite que os preços dos contratos DRAM possam crescer entre 55 e 60% este trimestre, subida amparada “pela realocação de processos” de produção para “os produtos ligados a servidores e memórias HBM [memória de alta largura de banda] para apoiar a crescente procura de servidores para IA”. “Esta mudança limitou significativamente a produção para outros mercados, causando um aumento” nos contratos das memórias ditas convencionais e amplamente usadas na eletrónica de consumo. A consultora refere ainda que quem produz as memórias “limitou, em simultâneo, o fornecimento aos fabricantes de PC e módulos, forçando as OEM [fabricantes de equipamento original, as marcas] a contratualizar memórias a preços mais altos”.
Francisco Jerónimo, vice-presidente para a área de dispositivos da IDC Europa, contextualiza ao Observador que esta viragem para a memória dedicada à IA é explicada pelas “margens muito mais altas” que as fabricantes neste tipo de chips conseguem. “Como não há capacidade infinita e são precisos anos para estabelecer novos processos de fabrico, o que as empresas estão a perceber é que há uma margem e uma oportunidade de negócio muito superior ao direcionar parte da produção para a memória de data centers.”
Realça que os projetos das empresas de grande escala na área da IA, como a Google, Microsoft, Meta, Amazon, “estão a absorver a grande maioria da memória que existe”, principalmente a que é instalada em data centers. Assim, os fabricantes de telefones, PC, tablets “começam a não ter acesso às memórias e, como a oferta é limitada, o preço tem vindo a disparar de forma significativa”. Nota, por exemplo, que os fabricantes de tecnologia “estão a ter problemas muito grandes nestas semanas para garantir memórias a preços razoáveis para os produtos que vão lançar em 2026”.
Jerónimo refere que, neste cenário de escassez, poderão ser os fabricantes mais pequenos os mais penalizados. “Algumas das empresas [de produção de memórias] já anunciaram que têm a capacidade produtiva para este ano completamente esgotada e não conseguem aumentar mais a produção. E, como é óbvio, vão dar prioridade aos seus principais clientes, que serão a Samsung e a Apple.”
“Um fabricante mais pequeno [de smartphones ou PC], além de ver os preços aumentarem astronomicamente, não deverá sequer ter acesso a memória.” Relata, sem identificar, que teve contacto com “um fabricante de um determinado produto” que disse não saber “se a empresa vai sobreviver a isto”.
O analista da IDC fala num “problema grave” e que “não se perspetiva que só vá durar um ou dois meses”. Mas, ainda que não consiga antecipar o tempo que vai demorar, perspetiva que, durante 2026, “possa aliviar”. Isto porque “quando há uma grande procura por um determinado componente, haverá sempre alguém que aumenta a sua capacidade de produção”, admite, ainda que não acredite que esse aumento possa mover a agulha de forma expressiva: “Não vão ter a mesma capacidade de produção que têm as três gigantes da indústria.”
▲ A Micron é uma das três principais produtoras de memórias, a par da Samsung e da SK Hynix
CFOTO/Future Publishing via Gett
Turbulência das memórias deverá encolher vendas de smartphones e computadores
Ainda antes de o ano terminar, algumas consultoras atualizaram as projeções de vendas para 2026 tendo em conta a crise das memórias. Tanto a Counterpoint Research como a IDC esperam uma quebra global nas vendas de smartphones e de PC devido ao disparo dos preços das memórias e à disponibilidade limitada destes chips.
A Counterpoint projeta agora que o mercado global de telefones encolha 2,1% este ano, com marcas como a Honor, Oppo e Vivo a registar as maiores diferenças face à anterior projeção. Um cenário bem diferente face à estimativa inicial de uma subida ténue de 0,45% do mercado.
Francisco Jerónimo, da IDC, explica que os chips de memória representam “à volta de 10 a 20%” dos custos de componentes num telefone”. O peso depende do segmento do produto. “Para um telefone de gama baixa, o custo da memória representa cerca de 15 a 20% dos custos de componentes, enquanto num telefone de gama alta representa cerca de 10 a 15%” Como há escassez, “não há forma de aqueles fabricantes que se focam muito na gama baixa, tipicamente as marcas chinesas de smartphones, terem capacidade para manter o preço final do produto”, contextualiza.
“Portanto, vão começar a aumentar os preços, os consumidores vão ter de pagar.” Já nos produtos de topo de gama, “o que vai provavelmente acontecer é que os fabricantes como a Samsung, Apple, etc, vão ter de começar a ser mais cuidadosos com o tipo de memória que colocam nos produtos”. Num cenário mais tenso, até podem vir a tomar as duas opções.
As projeções atualizadas da IDC para 2026 incluem agora uma “potencial contração do mercado global [de smartphones], acompanhada de um aumento do preço médio de venda”. A anterior estimativa, divulgada em novembro de 2025, já apontava para uma quebra de 0,9% nas remessas de smartphones. Agora, passa para uma contração de 2,9% num cenário moderado e de 5,2% no cenário mais pessimista — tudo dependerá “do tempo que durar a situação”, explica a consultora. “Estamos a falar de uma queda significativa nos telefones que já não se via desde o tempo da pandemia”, completa o analista Francisco Jerónimo.
Também há dois cenários para a subida do preço médio de venda. Num contexto mais moderado, a IDC considera que pode existir uma subida entre “3 e 5%” em relação aos dados de 2025. No cenário pessimista, os preços podem crescer entre 6 e 8%. “As subidas de preços serão significativamente mais altas no mercado de baixa gama, onde as margens são mais curtas e os fabricantes vão ter de passar o custo aos consumidores finais”, diz o relatório.
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Independentemente da gravidade da questão dos chips, a consultora prevê que os utilizadores fiquem cada vez mais tempo com o mesmo telefone. “É provável que surjam ciclos de substituição de equipamentos mais longos em mercados com custos crescentes, causando um menor poder de compra”, diz.
▲ Consultoras como a IDC ou a CounterPoint Research projetam subidas dos preços médios da eletrónica de consumo devido à escassez de memórias
SOPA Images/LightRocket via Gett
Se no mercado de smartphones há “pressão”, no segmento de PC a IDC alerta para um cenário de “disrupção”. A altura em que a escassez de RAM se torna mais evidente “cria uma tempestade perfeita para a indústria de PC, que colide com o ciclo de fim de vida do Windows 10 da Microsoft e com o impulso de marketing dos PC de IA”, diz a consultora. Os PC de IA são computadores com a particularidade de terem um chip NPU (unidade de processamento neural) concebido para a execução de tarefas de IA.
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Têm, tendencialmente, mais RAM — os equipamentos Microsoft Copilot+, por exemplo, exigem no mínimo 16 GB de memória, mas em alguns casos a fasquia pode chegar até aos 32 GB de RAM. “À medida que a indústria assiste à necessidade de ter mais RAM, torna-se proibitivamente mais caro fazê-lo, mesmo que consigam ter matéria-prima”, alerta a consultora IDC. “Isto vai resultar em preços mais altos, margens menores ou potencialmente uma redução da quantidade de RAM nos sistemas novos, na pior altura possível para isto acontecer.”
Nas projeções feitas em novembro, a consultora apontava para uma contração de 2,4% no mercado global de PC (em termos de remessas de unidades). No fim de 2025, foram acrescentados os cenários moderado (-4,9%) e pessimista (-8,9%). À semelhança das projeções para os smartphones, também se perspetiva um aumento do preço médio de venda de PC, entre 4 e 6% no cenário moderado e entre 6 e 8% num pessimista.
“Monitorização contínua” e perspetivas de que a crise se mantenha ao longo do ano. O que dizem as empresas de tecnologia
Aqui e ali algumas empresas foram fazendo avisos para a necessidade de subirem preços dos produtos por causa do encarecimento das memórias. “Os vendedores de computadores estão a sinalizar aumentos de preços à medida que a pressão se intensifica na segunda metade de 2026”, segundo o relatório da IDC.
A norte-americana Dell, por exemplo, deixou o aviso logo em novembro, quando apresentou resultados trimestrais. “(…) Há dinâmicas que vamos ter de navegar, mas estamos confiantes na nossa capacidade de assegurar fornecimento e ajustar os preços conforme for necessário”, disse Jeffrey Clarke, vice-chairman e diretor de operações da Dell, durante uma conferência com analistas. “É algo sem precedentes. Nunca vimos os custos a subir à velocidade a que está a acontecer. E, já agora, não é só nas DRAM. É também nas NAND [tipo de memória flash], nos discos rígidos, nós de ponta em toda a rede de semicondutores. A procura é muito superior à oferta”, esclareceu o executivo.
O Observador contactou diversas marcas de smartphones e PC para perceber como estão a gerir os constrangimentos na disponibilidade de memórias. As respostas são semelhantes: o desafio é transversal e os comentários — quando existem — são cautelosos. Também sem concretizarem se vão refletir o aumento dos custos dos materiais no preço final dos equipamentos.
Nuno Parreira, diretor-geral da Samsung Portugal, refere apenas que o “o aumento dos preços dos semicondutores é uma questão global” e que é expectável “que tenha algum tipo de impacto em toda a indústria, não apenas na Samsung”. É que, mesmo que a empresa sul-coreana tenha uma divisão de produção de memórias, a divisão de consumo não é imune à turbulência no mercado. “Esperamos continuar com as nossas parcerias estratégicas, construídas através de uma relação de longa data com os nossos parceiros, de forma a continuarmos a evitar esforços para minimizar o impacto dos consumidores.” Sem resposta ficaram as questões sobre a possibilidade de aumentos de preços ou de alterações ao calendário de lançamentos.
▲ A sul-coreana Samsung tem parte da produção de memórias a nível global
JEON HEON-KYUN/EPA
Já fonte oficial da Xiaomi explica ao Observador que a companhia chinesa “está a acompanhar de perto” a dinâmica do mercado, “trabalhando em estreita colaboração com parceiros e fornecedores para garantir estabilidade e flexibilidade na oferta”. A empresa não concretiza se espera que alguma gama de produtos possa vir a sentir mais os efeitos, preferindo explicar que opta por uma abordagem de “monitorização contínua da cadeia de abastecimento e de um planeamento flexível”.
Questionada sobre se poderá ver-se obrigada a fazer alterações, seja no plano de lançamentos seja na configuração dos modelos, a marca chinesa diz que “quaisquer ajustes serão ponderados com base numa análise cuidadosa da dinâmica do mercado local, das expectativas dos consumidores e do panorama competitivo”. E, em relação a preços, fonte oficial da Xiaomi resume que a escassez dos chips “está a ter um impacto nos custos dos componentes em toda a indústria”. “Ainda assim, os preços dos nossos produtos são determinados por uma série de fatores, incluindo variações nas taxas de câmbio, requisitos fiscais e regulamentares, custos de logística e distribuição e as condições operacionais de cada mercado”.
A empresa diz que, “à medida que a dinâmica do mercado global continua a evoluir, ajustamos periodicamente os nossos preços para garantir que refletem com precisão essas realidades, ao mesmo tempo que apoiamos o investimento sustentável na qualidade e inovação dos produtos”.
A Huawei respondeu às questões do Observador dizendo que não lhe cabe “comentar o estado das cadeias de abastecimento globais de componentes”, “tal como não comentamos sobre os nossos futuros lançamentos de produtos.” A tecnológica afirmou que se orgulha “de ter estabelecido um conjunto forte e diversificado de fornecedores de componentes”, dizendo ainda que trabalha “arduamente para minimizar o impacto que quaisquer potenciais perturbações nas cadeias de abastecimento globais possam ter nos nossos negócios (…)”.
A Honor disse “não ter nada a responder” sobre este assunto. Não foi possível obter resposta por parte da Google nem da Oppo.
A Asus, que está tanto no mercado dos smartphones como dos PC, respondeu ao Observador com uma declaração do co-CEO Samson Hu. O executivo fala sobre um “desafio que o setor dos PC enfrenta”, resultante “do desequilíbrio entre a oferta e a procura”. “A procura tem sido sobretudo impulsionada pelo segmento dos servidores, em particular pelos servidores de IA, onde a necessidade de capacidade de DRAM registou um aumento significativo. Do lado da oferta, os principais fornecedores de DRAM não expandiram a sua capacidade de produção nos últimos anos, o que contribuiu para o cenário atual”, contextualiza. Samson Hu diz, no entanto, que a Asus identificou “a tendência no início de 2025, nomeadamente a redução na oferta de DRAM e a subida dos preços, tendo, por isso, iniciado atempadamente um prolongamento gradual do ciclo de inventário”.
Em relação ao futuro, o executivo diz que a Asus continua “a trabalhar em estreita colaboração com todos os nossos fornecedores de DRAM, respondendo com flexibilidade às condições do mercado, incluindo a possibilidade de reforço adicional dos níveis de inventário”. Já sobre a política de preços, assume que a empresa terá “em consideração os custos globais, os canais, os parceiros e a procura dos consumidores”. “Ajustaremos o mix de produtos em conformidade e procederemos a ajustes de preços sempre que tal seja adequado, num processo flexível e dinâmico.”
Também a Acer remete para uma escassez que “não é nova”, mas que se intensificou na segunda metade de 2025”, responde Jaume Pausas, gestor de marketing da Acer Computer Ibérica. “Isso está a causar escassez de fornecimento e aumento de custos, por isso estimamos que este será um ano desafiante que pode afetar os custos e a disponibilidade”, diz o gestor. “No entanto, não é nada que não tenhamos vivido antes, uma vez que estas flutuações são comuns no nosso segmento.” E, tal como os congéneres da indústria, também considera que “uma mudança na cadeia de abastecimento é realmente complicada”, estimando por isso que a situação “poderá prolongar-se ao longo de todo o ano de 2026”. Explica que a marca está “a trabalhar com os fornecedores e a otimizar inventários para tentar garantir o abastecimento”, mesmo com as “tensões do mercado”.
A chinesa Lenovo, que além da presença no mercado de PC é também dona da marca de smartphones Motorola, diz ao Observador que o “aumento na procura por tecnologias de memórias avançadas está a provocar constrangimentos na oferta e custos mais elevados dos componentes, uma realidade que está a afetar todos os fabricantes de tecnologia”.
Porém, neste contexto, diz estar “melhor posicionada do que a maioria para gerir esta dinâmica de mercado, graças à sua escala global, flexibilidade operacional e excelência na execução”. A marca diz manter “uma posição de liderança nas compras, apoiada por relações sólidas e de longo prazo com fornecedores bem como por uma estratégia robusta de múltiplas fontes de abastecimento, que ajuda a garantir um fornecimento consistente e custos competitivos para os clientes.”
A Apple, que poderá ser afetada em vários dos seus produtos, mas com destaque para o iPhone, não respondeu às questões. A LG escusou responder sobre o tema. Contactada, a HP em Portugal também disse não ter uma posição a partilhar sobre a crise das memórias. Porém, a nível internacional, já teceu comentários, dizendo que “estamos a ter uma abordagem prudente em relação à nossa orientação para a segunda metade do ano”, admitiu o CEO da HP, Enrique Lores, à Bloomberg. A empresa estima que a memória represente entre 15 e 18% do custo de um PC típico.