Pode até nunca ter sido esse o objetivo de Michael Richards, mas foi esse o inevitável resultado das escolhas que fez. Quando o ator e comediante aceitou integrar o elenco de uma nova série — que na altura ainda nem estava confirmada na NBC — que retratava a vida de um solteiro mais-do-que-banal em Nova Iorque e respetivos amigos e seus sedutores vazios existenciais, tudo mudou. Richards passou a ser Kramer. Nunca foi a personagem principal de “Seinfeld” mas passou a ser um símbolo de exotismo urbano, passou a ser adjetivo para a vida real, passou a ser protagonista em trocas de conversas sobre diferentes episódios.
Michael Richards tornou-se uma estrela e, apesar de tal reconhecimento acontecer graças a Kramer, o percurso enquanto humorista continuou, mesmo depois do fim da série, em maio de 1998. O stand-up era habitual e foi nesse exercício que, anos mais tarde, em 2006, se tornou “persona non grata” de quase todo o showbiz, depois de um incidente a meio de um espectáculo, em que atirou insultos racistas e xenófobos contra alguns espectadores.
São dois dos muitos episódios que marcam a vida de Michael Richards e são também dois dos momentos importantes no livro “Entradas e Saídas”, a autobiografia que a Casa das Letras publica no próximo dia 21 e da qual o Observador faz aqui a pré-publicação, precisamente com duas passagens relativas à construção de Kramer e ao desastre na sala Laughing Factory.
▲ A capa de "Entradas e Saídas", a autobiografia de Michael Richards publicada pela Casa das Letras. Cheg às livrarias no dia 21. A tradução é de Sebastião B. Cerqueira
A primeira temporada mais curta na história da televisão
O primeiro episódio que filmamos, que se chama “O Amigo Insuportável”, tem várias narrativas paralelas. O Jerry está a tentar ver-se livre de um amigo de quem já não gosta e a mulher com quem o George anda a sair já não quer estar com ele. Além disso, Kramer tem uma ideia de negócio: uma cadeia de restaurantes faça a sua piza. O argumento foi escrito antes de a Júlia ter entrado para a série, por isso só tem uma cena, que foi alterada à pressa para a Elaine aparecer.
Desde a primeira leitura em conjunto que a Julia deixa claro que uma cena não é suficiente. Também quer ter falas, vamos lá ter alguma igualdade de géneros, meninos. Lembro me da Cass no departamento dos pneus do Sears. A Julia também conhece bem o departamento dela. Não vai deixar os rapazes abarbatarem-se
com a série. É ela quem usa as botas cá em casa! Passou três anos no Saturday Night Live. Eu também sei o que é fazer um programa de sketches cómicos em direto e tenho noção da competição que há entre os diferentes membros da equipa. Não que nós tenhamos, ou venhamos a ter, problemas desses. Mas é importante impormo-nos junto dos produtores e dos argumentistas para entrarmos nalgumas das melhores cenas.
É uma questão de estar no programa, e não simplesmente de estar associado ao programa. E como é que eu me estou a encaixar nesta série? Estou a exagerar e a fazer palhaçadas, enquanto os outros estão todos a fazer versões aproximadas de si próprios, algo que fazem muito bem. Por esta altura, já não me importo se só entrar numa cena.
O meu objetivo é encontrar o Kramer, fazê lo ter piada, e ir para casa preparar me para o episódio seguinte. Estou a achar que esta série vai ser tipo Bosom Buddies, sempre centrada no Jerry e no Jason. Eu vou ter uma participação menor, vou ser um personagem secundário com uma ou duas cenas por episódio. Por enquanto está muito bem. Preciso de passar tempo com o Kramer. Não quero estar no centro das atenções. Quero poder passar despercebido enquanto o Kramer e eu nos conhecemos. Precisamos de estar um com o outro.
Entro em várias cenas, enquanto o Kramer se imagina a construir o seu império, a Kramerica, piza a piza. Tudo isto é muito simbólico: tenho de construir o meu personagem como a Kramerica, «piza a piza», cena a cena, episódio a episódio. Visto que o Kessler praticamente não aparecia no piloto, estou a fazer progressos; e quando o elenco se reúne para ler o guião, como faremos antes de cada episódio durante os próximos nove anos, vejo que o Kramer também vai ver um jogo dos Mets com o amigo do Jerry. Curioso.
Portanto, o Kramer afinal sai à rua. Há todo um mundo que este personagem pode explorar. Desde que recomeçámos a trabalhar, sem contar com a questão do cão, que decidi encarnar, ainda não falei com o Larry a propósito do Kramer. Reparo apenas, neste primeiro episódio, que afinal o Larry vê o Kramer a aventurar-se no mundo exterior. Isto é uma chamada de atenção. O Kramer tem pernas para andar.
Sempre gostei de ter uma história. Ajuda me a dar corpo ao esqueleto do personagem, a dar lhe vida. O Larry não está a pensar na história do Kramer, nem na de mais ninguém. Não está a pensar no Kramer fechado a sete chaves com agorafobia. Era só uma ideia engraçada, não era para levar à letra. Ah, mas quando se trabalha com o Michael Richards tudo isso é relativo.
Não vou perguntar ao Larry pela história do Kramer. Ele não tem tempo. Não está a pensar na vida dos personagens como se estivéssemos a fazer Tchekhov ou Ibsen. O Kessler era agoráfobo no piloto e agora está num jogo dos Mets? Não faz sentido. Mas o que é que isso importa? Isso era o Kessler. Agora é o Kramer.
São duas histórias diferentes e ainda vai haver mais. Costumo criar histórias para sentir que o personagem é uma pessoa de verdade, com uma vida e com chão debaixo dos pés. Assim tenho onde me apoiar. Começo a pensar nisso e a imaginar que podem ser as outras pessoas que acham que ele é agoráfobo.
O Kramer pode aproveitar se disso. É um tipo esperto. Senão como é que sobrevivia em Nova Iorque sem um emprego fixo? Vocês têm ideia de quanto custa um apartamento em Manhattan? Custa muita massa. Como é que o Kramer se safa?
Na imaginação do Kramer, as coisas são como ele quer que elas sejam. Vai atrás do que lhe parece melhor, até que de repente muda de «imaginação». É volátil, um histrião, o bobo dos bobos. Com ele vale tudo. É imprevisível, inidentificável. O Kramer vive pela imaginação.
Em vez de discutir isto com o Larry, discuto-o com a Joanne Linville, no Conservatory West. A abordagem dela, e da Stella, privilegia o uso da imaginação. Um ator do Método que tenha de fazer de prisioneiro vai dirigir-se a uma prisão e passar lá algum tempo, a falar com os prisioneiros. Mas a Stella acredita que um ator é capaz de usar a imaginação para descobrir este tipo de coisas dentro de si mesmo. Há que recorrer à imaginação. Muito bem. A realidade é tridimensional. A quarta dimensão é a imaginação.
O Kramer é imaginativo, todo ele é faz de conta. É realmente o quarto elemento em relação ao Jerry, à Elaine e ao George. O Kramer ilumina uma sala. Não é sombrio e reservado, como alguém que está preso dentro de um prédio. O telefone toca quando ele está na cozinha do Jerry. O Kramer tira um telefone sem fios do bolso das calças. «Estou sim, Indústrias Kramerica.»
O Kramer controla um império a partir de casa, do telefone que tem no bolso. Imagina que aquilo é um negócio low cost que está a gerir com grande eficiência. Enquanto ator, estou a fazer como se não houvesse Kramerica. O negócio do Kramer é completamente «imaginário». Ao passo que ele está absolutamente imerso naquilo. Não sabe que é a imaginação dele a funcionar.
É isso, este personagem é um bocado maluco, não é? Será esquizofrénico? É possível. Será que se vê realmente como um cão? Porque não? Era adorável. Olhemos para o episódio deste ponto de vista: o personagem vive pela imaginação. É uma espécie de Walter Mitty. É tudo aquilo que ele quiser. Isso faz com que seja interessante observá-lo. Quem é que ele é agora?
A NBC organiza uma sessão fotográfica sem mim. Só o Jerry, o Jason e a Julia é que recebem as respetivas folhas de serviço. Quando descubro, percebo que não vou durar muito. Vou fazer os episódios que faltam e depois mandam me embora. Faço planos para aproveitar o tempo que me resta da melhor forma possível.
Vou pegar no que me derem e vou fazer comédia. Se tenho de cair, vou cair com piada. Dizem me que foi um engano, mas não me enganam, o facto é que fizeram a sessão fotográfica sem mim. A série vai ser um trio. Estou preparado para dizer adiós quando acabar os quatro episódios. Vou fazer dos episódios que faltam uma missão pessoal.
▲ "Não apareço de Kramer para fazer uma cena com meia dúzia de falas, passo o dia todo com ele. No estúdio onde gravamos ou no exterior, sou o Kramer onde quer que vá"
Vamos ver o que consigo fazer com o material que me dão. Seja uma fala ou sejam cem, vou sacar gargalhadas com o que me derem. O mais importante é ficar perto do Kramer. Estou em trabalho de parto mas não sei se vou conseguir dar à luz a tempo.
Isto deixa-me inseguro. O trio já nasceu e está a ser criado. Isso faz de mim o quê? Um nado morto? Um quase nado? Vamos ver. O episódio que se segue chama se «A Vigia», e apresenta oficialmente a Elaine enquanto ex namorada do Jerry, deixando claro que ainda há entre eles uma proximidade íntima e desconfortável. Eu só entro numa cena, mas gosto da cena. Estou no apartamento do Jerry, a ajudar a mãe do Jerry a jogar Scrabble contra ele. Invisto na cena. Invento pormenores; espreito para asletras do Jerry. Ajudo a mãe dele a construir uma palavra. Defendo a não palavra «quon». Quero que ela ganhe. Gosto dos pais do Jerry. Gosto de estar em família. Sou um cão de família. Os pais do Jerry gostam do Kramer e aceitam no. Eu também gosto do Kramer. Sinto me confortável com o Kramer. Deixa me à vontade. Sei que é afetuoso. A série precisa do espírito doméstico dele. Ele é família. É um cão que dorme aos pés deles.
Em «O Assalto» e «A Dica das Ações», tal como nos episódios anteriores, o Kramer é pouco mais do que um esboço. Faço o que posso para lhe dar vida. Revejo os guiões com a Joanne. Tenho as técnicas mais avançadas da Stella Adler na bagagem. Esforço-me para fazer com que cada fala sobressaia. Invento uma história para o Kramer.
Começo a escolher roupa muito particular para o personagem: calças e camisas velhas que ele usa há vinte e cinco anos. Visto as roupas velhas do Kramer sempre que estou no estúdio, incluindo nas leituras do guião e nos ensaios. Não apareço de Kramer para fazer uma cena com meia dúzia de falas, passo o dia todo com ele. No estúdio onde gravamos ou no exterior, sou o Kramer onde quer que vá. O Jason e a Julia acham que sou maluco. Bom, isso até lhes pode dar jeito em cena. Os personagens deles também acham que o Kramer não joga com o baralho todo.
Sinto o K Man a chegar. Quanto mais tempo passo na personagem, mais confortável me sinto a interpretar um Kramer queestá sempre operacional, um cão com as orelhas espetadas. Ele ouve através das paredes. No entanto, como ainda não cheguei lá completamente, sinto que podia fazer melhor. Estou a tentar alcançar o Kramer o mais depressa possível, antes que me eliminem da série, antes que mais um episódio passe por mim.
Sem piada
Não costumo subir ao palco tão tarde. Como sempre, o público delira com a minha entrada de surpresa. Vai ser uma noite ótima!
Entro em palco e sigo direto por cima de umas mesas, espetando-me contra a parede. É divertido improvisar estas coisas com a audiência. Qual ficar em cima do palco com um microfone, já ultrapassámos isso e o Kramer! Até logo, Cosmo. O público está a chorar a rir. Começo o meu material. Eles continuam comigo.
Vamos a isso! Estou a fazer de cão, um cão preso pela trela, que tenta conhecer outro cão enquanto o dono o puxa. Como é muito físico, não consigo propriamente ouvir as gargalhadas, mas oiço muita conversa e muito barulho, principalmente a vir do mezanino.
Encarno o meu antigo personagem George, que fazia no Fridays, e dou lhes um grito à velho mal disposto, estilo «saiam do meu quintal!»:
– Calem se, porra!
É bruto e intenso e toda a gente desata a rir. O público gosta do confronto. Soltei-me da trela. Já fiz isto antes. É chocante! É irracional! Faz parte das ferramentas do Bobo. Vamos lá soltar-nos! Não faço isto na rua. É isto que é divertido nos clubes de comédia. Podemos ser malucos, fazer loucuras! Não é suposto fazermos estas coisas no mundo real. Estou a ser maroto e a audiência está a adorar.
Mas de repente oiço um grito dos lados do mezanino:
– Tu não tens piada. Não te achamos piada!
A sala cala se.
Olho lá para cima, na direção de onde veio a boca. Não sei se este tipo está a assistir desde o princípio ou se chegou atrasado, mas parece me que é o grupo dele que tem estado a fazer barulho e aquele comentário sobre eu «não ter piada» afeta-me a sério.
É claro que, agora que olho para trás, preferia ter concordado com ele. «Com certeza, hoje não me estás a achar engraçado. O que é que posso fazer por ti? Lavar te o carro, cortar te a relva? Não quero que vás para casa insatisfeito.» Mas em vez disso deixo que a boca dele me afete a sério. Sinto-a como um valente golpe abaixo da cintura. É verdade, foi um golpe baixo. Dizer a um comediante que não tem piada é desafiá-lo para um combate. Como é que eu transformo isto num momento engraçado? É um desafio. O tipo de obstáculo que temos de aprender a ultrapassar para nos tornarmos comediantes de stand up experientes, coisa que não sou.
Deixo-me levar pela inconsciência enquanto nos insultamos um ao outro. Ainda estou a achar que posso dar a volta no fim e fazer com que isto tenha graça. Infelizmente, torno-me o varredor dessa noite. Ele jogou sujo e eu joguei ainda mais sujo. Acabámos os dois na lama.
A sala foi completamente destruída, ficam todos chocados com a minha fúria e com a minha linguagem. Largo o microfone e saio do palco. O Jamie Masada, dono do clube, está mesmo ali.
– Onde é que está o gajo? – pergunto lhe.
– Tenho de falar com ele. Passei-me. Quero fazer as pazes.
O Jamie diz-me que o tipo se foi embora com os amigos. Foram acompanhados à porta. Devolveram-lhes o dinheiro e pediram-lhes que se fossem embora. Então põe-me também na rua! Tivemos os dois culpa daquela peixeirada. Não quero que isto acabe assim. Dirijo-me à porta principal do clube. Vou lá fora procurá-lo. Vamos ter uma conversa. Isto não pode ficar assim.
– Michael, eles já se foram embora! Vem lá para cima e esquece isso.
Estou à porta. Há muita gente no passeio. Eu era o último da noite. Estão todos a ir se embora. Uma miúda vê me e vem ter comigo, pede-me que lhe autografe o guardanapo. O namorado afasta-a de mim.
– Nós não queremos o autógrafo deste tipo – diz ele.
É verdade, foi um espetáculo triste. Lamento.
Estou lá em cima com o Jamie. Ele tenta acalmar me e relativizar a situação recordando outros desastres que aconteceram no Laugh Factory. O Kinison meteu-se numa cena de pancada à porta do clube, com um tipo que tinha ficado ofendido com as piadas que ele tinha feito sobre Jesus. De outra vez, o Carlin atirou uma cadeira a alguém que o interrompeu. A sério? No meio de todos os comediantes que ele podia ter mencionado? É que o Kinison foi mais ou menos responsável por eu ter deixado o stand up e o Carlin foi quem me deu vontade de voltar.
Ambos tiveram os seus ritos de passagem com o público. Será que este é o meu? E serei capaz de o passar? De me aguentar? É tarde e estou cansado. É suposto vir dar outro espetáculo amanhã à noite.
– Isto deixou-me de rastos, Jamie – digo eu. – É melhor cancelar o espetáculo de amanhã.
O Jamie não me deixa. Não te deixes ir abaixo por causa desta noite. Tens de continuar a trabalhar. Lembro-me da promessa que fiz, em como ia agarrar-me a este número mesmo que me levasse a lugares sombrios. Bem, as coisas são tão intensas e acontecem tão depressa! O que tem piada e o que não tem, a guerra dos opostos dentro de mim; os demónios e os anjos, toda a paz e o amor e a guerra e o ódio, tudo dentro de mim.
Fazer comédia a partir disso – desenvolver uma ideia, experimentar um personagem, transformar uma situação feia, desagradável e sombria em gargalhadas – nem sempre sou capaz. Mas o objetivo é insistir, aguentar me. Serei capaz de me aguentar?
▲ Kramer (Michael Richards), George (Jason Alexander), Seinfeld (Jerry Seinfeld) e Elaine (Julia Louis-Dreyfus)
«Tu não tens piada». Como se eu já não ouvisse estas palavras dentro de mim vezes suficientes. E ele pô-lo em termos tão claros, tão simples: o meu maior medo, não ter piada. Mais tarde, hei de perceber que tudo aquilo, tudo o que ele disse, fui eu. A voz dele é a minha. Isto sou tudo EU. O meu complexo de inferioridade desperta. A minha ira entra em erupção. Deitamo-nos abaixo mutuamente. Quem é que vai sair por cima? Tudo é fúria. Tenho de ultrapassar isto. Conseguirei aguentar me?
Houve várias noites nos clubes em que me perdi em divagações palavrosas, em que me deixei levar por certas disposições, pensamentos ou pelo que quer que me estivesse a preocupar. Nem sempre tive piada. Estou à procura da comédia. Por favor aparece, onde quer que estejas. Às vezes descubro qualquer coisa, que acrescento ao meu material.
Estou à procura de ouro no meio da lama. É um trabalho sujo. Estou nas minas. Isto aqui em baixo é escuro e abafado. Conseguirei aguentar-me? Na noite seguinte, estou outra vez no Laugh Factory. O número corre-me bem. Mas há uma senhora de um canal de televisão à minha espera quando saio do palco. Quer saber como é que vou pedir desculpas pelo meu racismo quando as filmagens forem reveladas ao país. Racismo? Pois, eu chamei-lhe coisas ofensivas.
E não me fiquei por aí. Que problema é o meu? A raiva. O meu problema é a raiva. Fiz merda. E não consegui falar com o tipo para nos desculparmos pelas coisas que dissemos um ao outro. Filmagens? Mas havia alguém a filmar-me ontem? Quem? Ninguém tem autorização para mostrar filmagens minhas nem do meu trabalho ao público. Está escrito no bilhete do clube: não é permitido tirar fotografias nem filmar os espetáculos. E o que é que esta jornalista faz nos bastidores? Quem é que a deixou entrar?
Na segunda-feira sou a história principal em tudo quanto é programa de notícias. Não tenho a presença de espírito para explicar o meu número, o meu processo, como funciono enquanto artista, as partes sem piada que são inerentes à construção de um espetáculo. Não tenho uma defesa para apresentar. Fiz asneira.
«Nunca culpes o público.»
Mas culpei, não culpei? Fiz asneira. Mas vou voltar à regra. Não vou culpar mais ninguém, para além de mim, pelo que aconteceu. Seja como for, aquilo fui tudo eu.