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Especial inicialmente publicado a 17 de junho de 2016 

O sentimento de grupo, a força dos cânticos, a desinibição do álcool funcionam como um rastilho. Basta um dos fervorosos adeptos arremessar um copo ou uma garrafa para o ar e está tudo perdido. É quase selvagem, com adeptos em passo de corrida a acertar em tudo e em todos numa violência gratuita. O fenómeno do hooliganismo não é novo. Nasceu nos anos 70 em Inglaterra, passou fronteiras, sofreu mudanças. Mas não desapareceu. As polícias têm-no estudado e monitorizado como um desafio à segurança em eventos desportivos. Um desafio que está agora nas mãos da polícia francesa, responsável pela segurança do Euro 2016 e já com registo de dois episódios de violência entre adeptos russos e britânicos em Marselha e em Lille.

As autoridades francesas não podem estar surpreendidas. Em 1998, também em Marselha, já tinham registado mais de 100 feridos na sequência de comportamentos violentos de hooligans vindos de Inglaterra. E desde 2002 que, por imposição europeia, funciona nos departamentos de informações das polícias o Ponto Nacional de Informações de Futebol (PNIF), que permite a partilha de informações sobre os adeptos, quantos são e como se deslocam, quais os incidentes em que participaram, em que jogos, com que equipas. No fundo, qual o cadastro de cada um. E essa informação é fornecida aos operacionais, que avaliam o grau de risco de um jogo e pensam em todas as questões de segurança que um evento desportivo envolve.

Nestas informações, as polícias já sabem que há adeptos de determinados países e de apoiantes de clubes que se envolvem quase sempre em violência antes, durante ou depois dos jogos. A Rússia está nessa lista, assim como países como a Croácia, a Albânia, o Kosovo, a Sérvia. “Naquela zona de Leste, às vezes os confrontos são mais importantes que o próprio jogo. Há uma forte componente hooliganista nestes países em que existe um lastro histórico que pesa muito e o futebol acaba por ser uma válvula de escape para dar origem às rivalidades históricas”, diz ao Observador fonte policial. “Os seus apoiantes gabam-se dos incidentes em que estiveram envolvidos, é uma subcultura.”

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