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▲Nuno Baltazar regressa à ModaLisboa na próxima edição, depois de um ano dedicado a outros projetos

(Rui Oliveira/Observador)

▲Nuno Baltazar regressa à ModaLisboa na próxima edição, depois de um ano dedicado a outros projetos

(Rui Oliveira/Observador)

Nuno Baltazar: "Sempre que ouço falar em 'indústria da moda', arrepio-me. É muito mais benéfico posicionarmo-nos como artesãos"

Depois de um ano entre uniformes e noivas, Nuno Baltazar regressa à ModaLisboa com uma mensagem política e posicionamento afinado: "É melhor ser uma boa mercearia gourmet do que um shopping"

Apresentou a primeira coleção na ModaLisboa de 1999, em dupla com Paulo Cravo, e em 2004 estreou-se a solo. Com exceção do período em que esteve envolvido no Portugal Fashion, no Porto, entre 2014 e 2019, só falhou a Semana de Moda de Lisboa em uma edição, em 2022. Até o ano passado. A ausência de Nuno Baltazar nas duas edições de 2024 da ModaLisboa, assim como a falta de novas coleções, pareciam representar uma pausa para o criador de moda. Mas não foi.

Em 2018, Nuno Baltazar investiu alto numa loja no Porto, a qual foi obrigado a fechar durante a pandemia, devido às restrições impostas. Quando tudo voltou à normalidade, em 2021, o criador não conseguiu manter o negócio e declarou insolvência. Desde a crise em 2021, envolveu-se também noutros projetos, como a criação de fardas para a Fundação Calouste Gulbenkian e uma coleção de noivas, que o obrigaram a ficar fora das últimas duas edições da ModaLisboa. Agora regressa com “Intermission”, uma coleção inspirada “naquilo que acontece entre uma coisa e outra”, influenciada pelo momento político e com muitas críticas à indústria da moda. Nuno Baltazar apresenta as novidades outono-inverno 2025/2026 no domingo, 9 de março, às 16h00. Ao Observador, antecipa o que vai levar à passarelle, numa conversa sobre intervalos, inovação, sustentabilidade e resistência.

Entre 2021 e 2022 passou por um processo de insolvência que se tornou público em 2023. Como viveu esta crise?
Tudo se tornou público muito mais tarde. E foi bastante prejudicial para mim na altura, porque na verdade foi quando as coisas já estavam mais equilibradas. De repente, isso foi notícia e obviamente não foi uma coisa positiva. Esse recomeço é sempre um recomeço difícil e por isso é que se calhar é este ambiente que me rodeia, essa questão do intervalo, da reestruturação. Acho que há pouquíssimos apoios para a moda de autor e para os autores de moda em Portugal. Para mim têm sido passos curtos, seguros e com escolhas que têm que existir. Mas confiante.

O ano passado tivemos duas edições de ModaLisboa nas quais o Nuno não fez parte do programa cartaz. Sente este momento como um regresso?
A ausência do ano passado foi muito natural para mim. Eu tinha outros projetos que estavam em curso e que eram incompatíveis com as datas das apresentações e, portanto, entre fazer duas coisas mal feitas ou fazer uma bem, eu optei pela segunda. Foi uma coisa que aconteceu com a máxima naturalidade e, exatamente com a mesma naturalidade, agora fazia sentido. Já era possível voltar a apresentar dentro do calendário normal e, portanto, foi normal, não foi nada de muito programado.

Em que projetos esteve envolvido em 2024?
Estive a fazer fardas para a Gulbenkian, não só para a fundação como para o coro da Gulbenkian e foram várias pessoas, deu muito trabalho. E também o desenvolvimento de uma coleção de noivas, que será mostrada brevemente.

Para quando e em que moldes será esta coleção de pronto a vestir de noivas?
Apesar de uma coleção ser algo que é desenvolvido para pessoas que eu ainda não conheço, com mais de 25 anos de trabalho acho que já carrego em mim também um pouco de cada história das mulheres que me inspiram, e que de alguma forma replico também nestas propostas. A coleção será apresentada no início de abril, não terá um evento público, será um lançamento de campanha. São aproximadamente 15 looks, que estarão disponíveis para consulta on-line. Os vestidos de noiva precisam sempre de ser experimentados e adaptados ao corpo de cada cliente.

Como costuma ser a sua relação com este segmento?
É muito particular, é muito próxima e isso que de facto me motiva. Aquilo que eu mais trabalho é a relação de um para um, portanto é um trabalho muito personalizado e que me agrada porque é de facto uma coisa que se aproxima muito do figurino, de vestir uma personagem para um dia, porque nenhuma mulher anda vestida daquela forma no seu dia-a-dia. É para um momento especial e, portanto, esse trabalho tem muito também de cinematográfico que é um ambiente que me agrada bastante. E, na medida do possível, contribuir para o seu empoderamento e bem-estar.

Está ansioso para esta próxima edição da ModaLisboa?
Obviamente, apesar de ter sido uma circunstância normal, é evidente que gosto sempre de apresentar o meu trabalho e um ano da ausência de desfile é sempre uma coisa que eu prefiro que não aconteça. Porque me faz feliz apresentar, para mim é importante apresentar coleções. Até porque um desfile é sempre o expoente máximo do exercício criativo. É muito mais do que fazer roupa e expô-la ou vendê-la, é contar uma história que tenha a ver com o nosso momento, com aquilo que me emociona.

O intervalo, para muita gente, é um momento vazio. Para mim não é. O intervalo é um momento altamente criativo e de grande desenvolvimento intelectual
Nuno Baltazar

O que já pode revelar da nova coleção?
Nesta edição vou apresentar uma coleção que se chama “Intermission: a primeira parte de um intervalo”. E esse intermission quer dizer intervalo. Tem a ver com a ideia mais conceptual de desenvolver uma narrativa daquilo que acontece entre uma coisa e outra, isto é, entre o primeiro e o segundo ato de uma ópera, entre o entrar numa sala de espetáculos e o início do espetáculo, o aquecimento de uma orquestra, por exemplo. Entre a perda e o recomeço, que existe o luto, por exemplo. Nesse espaço em que normalmente nós estamos mais em silêncio, porque a circunstância assim o pede, e é quase como se encarássemos estes momentos como momentos vazios. O intervalo, para muita gente, é um momento vazio. Para mim não é. O intervalo é um momento altamente criativo e de grande desenvolvimento intelectual, e, portanto, essa transição para aquilo que é uma coleção de roupa tem a ver com esse espaço que existe também entre uma peça de roupa e o corpo: os interiores das peças, os acabamentos, tudo aquilo que não se vê de uma maneira muito óbvia, como é que uma peça é quando não está completamente vestida, mas também não está despida. Nesse intervalo, no processo de vestir, como é que uma peça se comporta, é um pouco este o conceito que está por trás desta coleção.

Podemos esperar algo muito diferente daquilo que já vimos das suas coleções, ou continua a seguir a narrativa e a identidade de Nuno Baltazar?
É evidente que eu não quero perder a minha identidade e, portanto, ela está sempre presente, quer eu queira, quer não. Tem a ver até com códigos estéticos que já fazem parte da minha natureza e da maneira como eu me expresso. Aqui talvez a grande diferença seja a ausência de cor. Eu acho que o meu trabalho é muito pautado por cor e pela forma como eu faço as cores dialogarem entre si, entre cores mais intensas e outras secundárias. E aqui, realmente, talvez seja uma das duas coleções que eu fiz com menor cor.

Onde estará o grande destaque?
Ela é muito mais trabalhada a nível de textura, de contraste entre mate e brilhante, entre a riqueza de um tecido exterior e a simplicidade de um forro ou de uma tela, ou de outros acabamentos que sejam característicos do interior das peças. Como também estou a trabalhar esta ideia do luto antes do recomeço, de facto há uma ausência de cores fortes. O preto é, sem dúvida, o protagonista desta estação. E depois tons intermédios que vão entre o musgo, argila seca, um falso cinzento esverdeado. São cores muito neutras e que servem, basicamente, para fazer com que o preto e as texturas sobressaiam mais.

▲ A última participação de Nuno Baltazar na ModaLisboa foi em outubro de 2023, com uma coleção que trouxe cores e brilhos à passarelle

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Este tema tem também a ver com esse último ano, de certa forma, intervalo a nível de novas coleções, na vida profissional?
Sim, também. Eu, obviamente, sou sempre muito diretamente inspirado naquilo que se passa na minha vida, mas também tem a ver um pouco com aquilo que se passa no mundo, neste caso até mais do que outra coisa qualquer. Acho que esta reeleição de Trump foi algo que, de facto, me impactou muito. Quero encarar este momento com o máximo de positivismo lúcido. Quer dizer que eu estou atento, preocupado, e cada dia mais preocupado, com aquilo que é a realidade mundial, mas ao mesmo tempo, ativo de fazer a minha parte. E portanto, neste intervalo, entre uma coisa e outra, que eu acredito que melhores dias tenham de vir. Mas que este intervalo é importante também para nos reorganizarmos enquanto sociedade, enquanto figuras atentas, politizadas, engajadas com aquilo que são os principais temas mundiais e nacionais.
E portanto, coincide que eu também encontro paralelismo nisso no meu dia a dia, no meu trabalho. Tenho tentado sempre, nas minhas últimas coleções, que exista também um caráter politizado. A política e o mundo fazem parte do nosso dia a dia, tanto quanto o trabalho de ateliê, e portanto eu não consigo dissociar uma coisa da outra.

Faz falta esse movimento politizado dentro da moda de autor. Porque a moda de autor é também uma forma de arte, e a arte serve para inquietar, para questionar, para levantar questões, para provocar reflexão, discurso, e portanto é algo que é uma responsabilidade de todos.
Nuno Baltazar

Considera que a moda também tem um papel de força política?
Sim, sem dúvida, e infelizmente não é algo que seja muito assumido, quer para os meus colegas, quer a nível nacional, quer a nível internacional. Mas eu acho que é mais do que tempo de que isso aconteça, de facto faz falta esse movimento politizado dentro da moda de autor. Porque a moda de autor é também uma forma de arte, e a arte serve para inquietar, para questionar, para levantar questões, para provocar reflexão, discurso. É algo que é uma responsabilidade de todos. Se no final do meu desfile, no domingo, houver uma conversa de café entre pessoas que foram ver o desfile e que reflitam sobre aquilo que eu proponho, acho que já é um ganho.

Considera que há espaço para novos criadores de moda em Portugal?
Eu acho que não me importa muito se existe ou não espaço para jovens criadores, porque mesmo que não exista esse espaço, é importante que eles existam. Acho que quando os os jovens criadores sentem que têm algo a acrescentar, a trazer, e há um impulso que sentem na concretização do seu trabalho, devem avançar, independentemente de ser mais ou menos difícil. O caminho vai-se desenhando e é também uma estrada que se abre quando a pessoa tem convicção naquilo que quer fazer, porque Portugal não é um país fácil para qualquer manifestação artística, mas temos que resistir e nós, os designers que estão há mais tempo, também temos que receber o melhor possível todos estes jovens criadores. Acho que eles são muito bem-vindos, independentemente do país ter mais ou menos espaço para eles.

Acha que os novos criadores trazem inovação e têm um trabalho mais disruptivo?
É disruptivo no sentido em que, de alguma maneira, obedece a menos padrões ou está menos formatado. A forma como a maioria dos jovens criadores se manifesta artisticamente é interessante, é disruptiva, por isso. Mas também já ouvi alguns falar e pela forma como expõem e falam sobre o seu trabalho, acho pobre e pouco consciente. Não gosto de generalizar, nem quero, obviamente, mas acho que se nota que é uma geração menos atenta, que lê menos, conhece menos e, portanto, que aquilo que os move e esse lado disruptivo é uma coisa muito mais visual do que propriamente consciente, no sentido de ter uma mensagem por trás. E, nesse sentido, eu acho menos interessante. Independentemente da idade, alguém que se assume como um criativo tem que ter urgência, tem que ter curiosidade, tem que ter inquietação. O fazer só por fazer e por uma coisa muito visual não me interessa particularmente.

Já chega de passar a mão na cabeça das pessoas e considerar que a forma como consomem roupa é inconsciente. Não é inconsciente. Quer dizer, uma pessoa que compra uma T-shirt por três euros, como é que ela é paga? Como é que essa peça é paga? Como é que três euros podem pagar a pessoa que está a vender o espaço, o transporte, a matéria-prima?
Nuno Baltazar

Qual é a sua opinião a respeito da forma como a moda de autor chega ao consumidor? É possível fazer moda de autor mais acessível?
Não considero possível nem acho necessário, de verdade. Isto é, eu acho que basta que as pessoas pensem e não é preciso muito, mas às vezes as pessoas não pensam porque são preguiçosas. Já chega de passar a mão na cabeça das pessoas e considerar que a forma como consomem roupa é inconsciente. Não é inconsciente. Quer dizer, uma pessoa compra uma T-shirt por três euros, como é que ela acha que é paga? Como é que três euros podem pagar a pessoa que está a vender o espaço, o transporte, a matéria-prima? Alguém tem que ser explorado neste processo.
Considero que a moda de autor é uma moda muito mais sustentável, justa e, obviamente, isso também tem um preço. Há uma opção: tem a ver com educação, tem a ver com sensibilidade, com consciência e com alteração de hábitos que estão enraizados, mas que são possíveis mudar. Nós temos tantos hábitos que vamos mudando, por que não mudar esse?

As coisas não mudam porque a única forma de instituir alguma sustentabilidade nesta mecânica é, efetivamente, que a produção seja mais justa, seja menor e as pessoas comprem mais caro, mas menos roupa.
Nuno Baltazar

Como podemos agitar um gigante de consumo e de poluição como a moda?
Acho que, efetivamente, não há um grande interesse dos países, das nações, dos diferentes governos, nem da União Europeia, em mexer numa indústria que, na verdade, é tão poluente quanto lucrativa. E, portanto, esse é o grande problema. As coisas não mudam porque a única forma de instituir alguma sustentabilidade nesta mecânica é, efetivamente, que a produção seja mais justa, seja menor e as pessoas comprem mais caro, mas menos roupa. A moda de autor está completamente fora desse jogo, não está nesse campeonato, não pode estar. Tem que se diferenciar de alguma maneira. É impossível competir, não é esse o objetivo. Há um enorme trabalho a fazer para recuperar aquilo que já foi uma maior importância da moda de autor junto do público. Eu acho que a moda de autor e a visibilidade que os autores portugueses têm já viveu melhores dias. Acho que a moda portuguesa já teve uma melhor cotação do que aquela que tem hoje em dia e é importante olhar e pensar o porquê e de que maneira é que é possível contrariar essa tendência e reafirmar o posicionamento do trabalho de cada criador português.

Fala a nível internacional?
Internacional e nacional. A nível nacional mais ainda, porque nós estamos dentro de um universo de moda de autor independente; e aí acrescento essa palavra que faz muita diferença, uma coisa é fazer moda de autor dentro de um grande grupo financeiro, como as grandes marcas internacionais, outra coisa é fazer moda de autor independente, em que cada um de nós é, não só designer, mas é também dono das suas próprias marcas e gestor. Temos que batalhar pelo reconhecimento e pelo verdadeiro posicionamento daquilo que nós fazemos. Sempre que ouço falar em indústria da moda arrepio-me um bocado. Eu não pertenço à indústria da moda, porque o próprio nome já diz, é uma indústria e eu considero-me muito mais um artesão. Portanto, estou muito mais próximo daquilo que é um movimento artístico ou artesanal, sinto-me muito mais próximo do artesanato do que propriamente da indústria. E esse é o meu posicionamento. Acho que seria muito mais benéfico para a moda nacional que fosse esse o posicionamento. Somos um país demasiado pequeno, com uma escala muito pequena em várias áreas da nossa sociedade, quer industrial, quer artesanal, e por isso eu defendo sempre que em Portugal e nos projetos portugueses, é muito mais importante ser uma boa mercearia gourmet do que um shopping.

Não acredita em levar a moda portuguesa para fora e crescer em escala?
Depende do que é considerado uma larga escala. Se for uma larga escala justa, porque a questão é essa, é ser justa, é ter um custo, ser paga como deve ser e com algum cuidado. Não é apresentar seis coleções por ano, isso é apenas para promover o consumo desenfreado, sem qualquer tipo de controlo. O trabalho de um autor português pode ser mostrado como um processo criativo, autoral, que representa um criador português, exatamente como pode haver uma exposição de qualquer artista plástico em qualquer parte do mundo, sem que exista propriamente uma ação comercial associada. Eu acho que a cultura também tem a ver com isso, e a moda faz parte da cultura. Se nós fôssemos limitar tudo aquilo que é a presença de Portugal no mundo pela sua dimensão, então nós não íamos aos Jogos Olímpicos, não íamos a quase nada. Há questões que também têm a ver com presença, com posicionamento, com afirmação cultural, e a moda faz parte da identidade cultural de um país.

▲ O criador de moda português começou na ModaLisboa em 1999

Ugo Camera / ModaLisboa

Há alguém ou algum evento a nível internacional que gostaria de vestir ou participar?
Vai ser um clichê, mas eu acho que neste momento a pessoa que eu mais gostaria de vestir seria a Fernanda Torres. Por me parecer uma pessoa tão interessante, mesmo neste burburinho todo… Ainda hoje estava a ver uma entrevista dela, a dizer que a corrida para o Óscar começou em novembro e o cabelo dela já não aguenta uma escova. E eu acho esse lado tão interessante, porque é muito acima daquilo que é uma estratosfera. Realmente ela deve estar farta disto e quer é ir fazer outro filme. Vesti-la seria mais pelo prazer de a conhecer propriamente do que por estar numa red carpet. Acho que seria mais interessante pensar nisso do ponto de vista de crescimento enquanto pessoa, de poder contactar e trabalhar com alguém que me parece tão interessante quanto ela.

O que está a achar dos looks que a Fernanda Torres está a levar às red carpets das galas de prémios?
Acho que tem sido uma escolha muito consciente e muito equilibrada para o papel que ela representou. E portanto, obviamente ali é Fernanda Torres, mas é também a Eunice Paiva e toda a história que está por trás do filme e aquilo que ela representa e a importância que este filme tem internacional é gigante. Não podia ter sido mais na mouche, neste momento, porque de facto falarmos sobre o abuso de poder, a subversão daquilo que são os direitos fundamentais de qualquer ser humano, a empatia, o respeito e a liberdade. Ao mesmo tempo, a resiliência feminina, que eu acho absolutamente inspiradora neste filme, e que só uma mulher conseguiria ter. É um domínio que um homem não poderia nunca ter.

▲ Nuno Baltazar enfrentou um processo de insolvência entre 2021 e 2022. "Para mim têm sido passos curtos, seguros e com escolhas que têm que existir. Mas confiante"

Dulce Daniel

Em Portugal veste uma figura pública que se envolve e defende muitos temas sociais, além de aquilo que veste merecer atenção. Como é a sua relação com a Catarina Furtado?
Essa relação é muito próxima desta que projetei com a Fernanda, porque de facto vestir a Catarina é muito mais do que uma questão estética. Tem a ver com todos os nossos encontros, com a forma como visto e dispo as várias personalidades e a forma como em todo esse processo é tão presente nos nossos encontros a preocupação com o estado do mundo. São lições de vida constantes e diárias sempre que estamos juntos. É muito mais do que vestir alguém, é ser amigo, é ser cúmplice, é conhecer as suas inquietações e fazer dessas inquietações também as minhas.

A Catarina viu a nova coleção? Costuma mostrar ou pedir comentário sobre as novas criações?
Não, eu nunca mostro. O que acontece é que muitas vezes, apesar dela não ver, pergunta sempre qual é a história que está por trás de cada coleção. Antes de ir ver o desfile já sabe o que é que ronda o meu universo criativo nesse momento e está à par dessas minhas inquietações. Mas não vê nada antes, ninguém vê nada antes.

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