“O Pedro Marques está calmíssimo”, garante o próprio em mais um dia zen

15 Maio 2019

Pedro Marques ouviu o presidente da Dan Cake queixar-se de falta de apoios a empresas médias e respondeu à tarde, dando graças por falar de temas europeus. Quer "alisar" diferenças fiscais na UE.

Artigo atualizado ao longo do dia

A rota de Pedro Marques, por este dias, tem-se feito de empresas escolhidas por uma de duas razões: ou é um exemplo em matéria de fundos comunitários, ou é um exemplo em matéria de investimento social. Isto para apanhar uma de duas valências do socialista, como ex-governante negociador do próximo quadro comunitário e futuro eurodeputado e como ex-governante que trabalhou com instituições sociais. Mas esta quarta-feira de manhã foi mais bolos. E tortas também. A comitiva socialista passou pela Dan Cake, em Póvoa de Santa Iria, que não se enquadra em nenhuma daquelas frentes. Aliás, o candidato do PS até ouviu queixas sobre isso mesmo. À tarde já alinhou outra vez pelos fundos, na segunda — e última iniciativa — do dia (fora comício), depois de perguntas dos jornalistas sobre as queixas da manhã.

Kantilal Jamnadas, presidente e fundador da empresa, fez as honras da sua fábrica. Apresentou linhas de produção, fez adivinhas sobre bolachas folhadas e apresentou os trabalhadores da Dan Cake aos candidatos socialistas Pedro Marques e Margarida Marques (número quatro da lista do PS às Europeias). Mas a grande dinamizadora da visita foi a antiga autarca de Vila Franca de Xira, a socialista Maria da Luz Rosinha, que nos 16 anos à frente do município estreitou laços com uma das fábricas mais importantes do concelho. Um caso de sucesso, de iniciativa empresarial individual que se orgulha (ou queixa) que “o único apoio” que teve em 40 anos “foram 250 mil contos quando se investiu nestas instalações”.

Kantilal Jamnadas a apresentar aos candidatos socialistas os produtos que saem da fábrica da Póvoa de Santa Iria

O fundador da Dan Cake (e líder da comunidade hindu em Portugal) queixou-se desta falta de apoios, em comparação com os países com que concorre, especialmente Espanha onde o IVA é mais baixo e os apoios existem. Já a sua empresa, “porque tem 5oo trabalhadores, já não é uma Pequena e Média Empresa”, por isso não é elegível para fundos europeus. “Os grandes projetos têm tudo, mas os de média dimensão não”, disse Kantilal Jamnadas que se queixa, por isso mesmo, de ter dificuldades em competir com os países que o rodeiam, nomeadamente Espanha, onde a taxa de IVA pelos mesmos produtos que saem da fábrica de Jamnadas a 23% é de 10%.

“É giro estarmos a discutir Europa. Temo feito pouco isso”

Maria da Luz Rosinha, ex-autarca de Vila Franca, acompanhou o candidato na visita

Pedro Marques havia de responder à tarde, questionado pelos jornalistas, para dizer que defende a “aproximação da base fiscal” entre Estados-membros. “Há países que têm bases fiscais que não têm a ver com a taxa de imposto mas com a parte de rendimentos que são ou não tributados que são diferentes de uns países para os outros. E isso tem permitido uma certa offshorização fiscal dentro do espaço da União Europeia”. Deu mesmo exemplos de países, como a Holanda, para reconhecer que “na perspectiva fiscal há diferenças competitivas que temos de ir alisando para termos todos uma base de competitividade idêntica”.

Depois destas afirmações espantou-se consigo mesmo: ” É giro que dentro desta conversa convosco estamos a discutir um bocadinho da Europa, temos feito tão pouco isso nesta campanha. E afinal até estamos, a pretexto de uma vista do PS, esta manhã a discutir um bocadinho do futuro da Europa e só por isso já valeu pena”. Desta vez a crítica é à comunicação social — que afinal o tinha questionado sobre estes mesmos temas –, mas aplica-a quase sempre a Paulo Rangel, de quem não quer dizer mal…dizendo.

Abstenção é o “pior inimigo” (e Rangel o mais criticado)

Depois de visitar a Tekever (a empresa portuguesa que se dedica à produção de drones e que tem fábrica no aeródromo de Ponte de Sôr), Pedro Marques atirou ao adversário dizendo que “tem faltado muita elevação à candidatura do PSD desde que começou esta campanha. Tem faltado manifestamente paciência para falar com as pessoas, até para falar com os jornalistas, parece. E depois houve esse momento lamentável a ideia de sobrevoar a dor daquelas pessoas e daquele território é num certo sentido como foi dito por aquele autarca uma afronta, em particular da Pampilhosa”, disse, insistindo no episódio que o fez fazer o discurso mais forte da campanha, anteontem à noite em Faro.

Ainda aconselha o PSD a “arrepiar caminho” e a “mudar de estratégia de campanha”, deixar de “dizer mal por dizer mal”. E promete, por seu lado, tentar “não andar a dizer mal dos adversários porque isso não ajuda a combater a abstenção e esse, garante é o seu “pior inimigo”. Mas a crítica à estratégia estava feita.

Quanto a si garantiu na terceira pessoa: “O Pedro Marques está calmíssimo e empenhadíssimo em falar com as pessoas, em explicar propostas para a Europa, em explicar porque a Europa é importante”. E depois ataca de novo o lado de lá dizendo que não foi “a campanha do PS que escolheu andar a sobrevoar a região centro em ves de falar com as pessoas afectadas”.

Na Tekever, empresa de drones, voltou a cumprimentar os trabalhadores

Quanto à abstenção, é um inimigo a abater e que, neste terceiro dia de campanha, o candidato socialista não se cansou de referir. Na reunião com os trabalhadores da Dan Cake esteve  a sensibilizar para a necessidade de votar a 26 de maio. “Deixar os outros escolher por nós é muito perigoso”, disse Pedro Marques apontando para o que aconteceu no Brexit, quando muitos jovens deixaram de exercer o seu direito. No auditório da empresa estavam cerca de 30 trabalhadores que ouviram o mesmo apelo dos dois socialistas.

“O objetivo é votar, é fundamental votar”, dizia Margarida Marques. Foi a mesma mensagem que foram passando por cada trabalhador que encontraram na fábrica, com Maria da Luz Rosinha a dar uma ajuda preciosa na apresentação dos visitantes aos trabalhadores: “Estes são os nossos candidatos, o primeiro da lista, Pedro Marques, e a número quatro, Margarida Marques. São os dois Marques, mas não têm nada a ver um como outro”. “Somos uma equipa”, acrescentava o candidato. Mas era sobretudo Rosinha que fazia o combate à abstenção. Por aqueles corredores estreitos, quentes, entre máquinas e cheiro a bolos, sempre que apanhava alguém disparava: “É tão importante votar na Europa como nas autárquicas”.

Estas duas empresas foram as duas únicas iniciativas públicas que Pedro Marques teve nesta quarta-feira, dia em que voltará a contar com António Costa na sua campanha — no jantar-comício da noite, em Almeirim. É o segundo dia consecutivo em que o líder se junta à caravana socialista, depois do comício de Faro. Um momento alto depois de mais um dia sem a agitação típica de uma campanha eleitoral .

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rtavares@observador.pt
Eleições Europeias

Another brick in the wall?

Maria Castello Branco

Como todos os que desfrutaram da liberdade de circulação e do Erasmus bem sabem, a Europa é o pluralismo de nações, mas ela está demasiado centralizada e burocrática para que a diversidade seja ouvida

Crónica

Portugal, um país à prova de fake news /premium

José Diogo Quintela

Porra Vasily! Então, mas o que é que andas a fazer, pá? Portugal não necessita dos nossos trolls, nem das nossas fake news. Os partidos tradicionais encarregam-se de escangalhar a imagem da democracia

Eleições Europeias

Populismo e eleições europeias

Ricardo Pinheiro Alves

O crescimento do populismo xenófobo é alimentado pelo aumento do populismo igualitário, conduzindo a uma progressiva radicalização da vida pública como se observa actualmente nos países desenvolvidos.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)