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Rui Costa e João Noronha Lopes foram os dois candidatos com mais votos na primeira volta das eleições, num total em conjunto acima dos 72%
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▲Rui Costa e João Noronha Lopes foram os dois candidatos com mais votos na primeira volta das eleições, num total em conjunto acima dos 72%

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Rui Costa e João Noronha Lopes foram os dois candidatos com mais votos na primeira volta das eleições, num total em conjunto acima dos 72%

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Pontos comuns, diferenças e aquilo que nenhum programa traz: entre as ideias, Rui Costa e Noronha acabaram a medir capacidades de liderança

Rui Costa e Noronha Lopes pensam igual no Associativismo, divergem no Benfica District e querem ganhar com estruturas diferentes no futebol e nas modalidades mas o maior choque foi sobre "liderança".

Muito se falou, muito já se tinha falado, muito se deverá continuar a falar. As eleições de 2025 no Benfica foram mais do que um mero sufrágio para escolher os novos órgãos sociais. Bateram um recorde mundial de votação na primeira volta (mesmo que isso não tenha valido entrada direta no livro do Guinness… por não ter sido eleito um presidente), tiveram o dobro do número máximo de candidatos em 121 anos de história (seis), fizeram multiplicar durante largas semanas, nos meios de comunicação e redes sociais, todo o tempo em que se falava do passado, presente e futuro do conjunto da Luz. Agora, numa segunda volta com apenas dois candidatos, vai chegar ao fim este sábado. O que vai sobrar? Os programas que cada um defendia.

Rui Costa chegou mesmo a dizer num debate que Noronha Lopes podia ter 300 páginas de ideias que nem por isso tinha um projeto melhor do que o seu. O número é exagerado, com o gestor a apresentar 53 páginas de programa da lista F contra apenas apenas 15 páginas do atual presidente, mas há um ponto em que teve “razão”: não é por haver mais ou menos folhas que uma coisa fica melhor ou pior. Questão: muitas vezes o mais importante não é tanto aquilo que se diz querer fazer mas sim a forma como se faz. E foi aí que sobraram as maiores divergências entre os dois candidatos sobretudo nos debates, com uma questão acima de todas as outras – capacidade de liderança. É também por aqui que os sócios irão decidir o voto.

Há vários pontos comuns entre os programas, com o Associativismo a surgir como exemplo paradigmático até nas medidas que ambos querem aplicar em caso de vitória. Há depois outras vertentes onde as diferenças são claras e assumidas, nomeadamente no futebol onde ambos contam com estruturas distintas que têm José Mourinho como ponto de contacto. Por fim, sobrou algo que colocou Rui Costa e Noronha Lopes em choque frontal: a forma como o Benfica se posiciona hoje no futebol nacional, seja a nível de instituições, seja na discussão do plano de centralização dos direitos televisivos. André Villas-Boas, número 1 do FC Porto, também se quis juntar quando referiu que “o Sporting tem o presidente do Benfica no bolso”. Se um quadro, um diretor ou um administrador podem ser contratados, um líder só assume essa função após ser eleito por uma maioria daqueles que representa e foi por aí que Noronha Lopes foi tentando desbravar aquela que quis colocar como maior distinção face a Rui Costa enquanto Rui Costa puxava dos galões de “homem do futebol”.

Exemplo prático, no último debate da BTV. “O Benfica ausentou-se das negociações da centralização dos direitos televisivos quando entendeu mas nunca ficando fora. O que está a fazer, quer ao Governo quer às instituições, é mostrar que o que está em cima da mesa é uma mão cheia de nada. Não sendo cumpridas as promessas, o Benfica vai estar fora. Saiu da centralização por acreditar que neste momento há uma mão cheia de nada”, explicou Rui Costa. “O futebol português não vale nada sem o Benfica. O Rui Costa deve assumir isso e quando diz que não se opõe aos direitos televisivos porque não queria ficar sozinho, isto revela que não sabe o que é o Benfica”, atirou Noronha Lopes. “Agora vai ensinar-me o que é o Benfica?”, questionou o atual presidente. “Não, vou ensinar-lhe a ser líder”, retorquiu depois o adversário.

Futebol. Mourinho, Bernardo e formação entre pontos comuns com estruturas diferentes

O resumo do mandato 2021-2025 à luz dos títulos no futebol sénior tem sido um dos pontos fortes dos duelos de palavras entre candidaturas, com um Campeonato, uma Taça da Liga e uma Supertaça a aparecerem como um currículo curto para um clube como o Benfica. Mais: o insucesso atravessou um período de (rara) crise do FC Porto entre o final da era Pinto da Costa e o início de um novo paradigma com Villas-Boas bem como uma fase em que o Sporting ficou refém da saída de Ruben Amorim para Manchester antes de Rui Borges chegar, carimbar o bicampeonato 71 anos depois e alcançar mesmo a dobradinha.

Rui Costa assume que os resultados foram curtos mas que o trabalho desde 2021 conseguiu colocar o clube mais perto do sucesso, João Noronha Lopes diz que a falta de títulos reflete o falhanço de um projeto. “O maior legado desportivo de Rui Costa nestes quatro anos foi o bicampeonato do Sporting”, atirou numa das últimas ações de campanha. Perante esta realidade, os caminhos são diferentes com José Mourinho como ponto comum nos dois projetos e com Bernardo Silva como promessa de Noronha Lopes. “Mas ele virá com qualquer um na presidência porque basta apenas ele querer”, assegurou Rui Costa (falando do seu exemplo).

Benfica head coach José Mourinho leads a training session at Benfica Campus in Seixal, Almada,  Portugal, 20 October 2025. Benfica faces Newcastle United FC at UEFA Champions League third round football match on 21 October in Lisbon. RUI MINDERICO/LUSA

▲ Rui Costa e Noronha Lopes contam com José Mourinho em caso de vitória – mas com estruturas diferentes no futebol

RUI MINDERICO/LUSA

Assim, e em termos práticos, Rui Costa defende que a reestruturação feita no departamento de futebol, que atravessou várias áreas e levou a saídas como Lourenço Pereira Coelho ou Rui Pedro Braz e colocou Mário Branco como diretor geral numa estrutura que contará também com um novo chief scout já contratado mas que será apenas apresentado depois das eleições, é o modelo que melhor serve ao Benfica tendo Mourinho na condição de treinador. Já Noronha Lopes apresenta um organograma distinto de alto a baixo: Nuno Gomes será o vice-presidente para o futebol, Pedro Ferreira regressará como diretor geral a reportar ao vice, Tomás Amaral volta também ao Seixal como diretor desportivo para fazer a gestão diária do futebol e Vítor Paneira como diretor técnico junto da equipa (um papel que é assumido nesta parte por Simão Sabrosa no atual formato) acompanhando também a situação de todos os emprestados. No resto, naqueles que são os desejos “não palpáveis” e subjetivos, sobram pontos comuns: aposta na formação, valorização do scouting, retenção máxima de talento, mais títulos nacionais, maior dimensão europeia e reforço do projeto feminino.

Finanças. Os programas que resumem a ideia do costume: reduzir custos e potenciar receitas

É um tema central em qualquer clube/empresa da dimensão do Benfica, torna-se um assunto a resvalar para o secundário numa campanha eleitoral. Porquê? Tudo o que seja muito pormenorizado não tem tendência a “prender” a maioria do eleitorado, que de forma natural fica sempre mais focado nos assuntos desportivos do que em tudo o resto. É isso também que acaba por estar vertido nos programas de Rui Costa e João Noronha Lopes: pouca informação detalhada sobre a matéria (algo que foi surgindo por parte dos dois responsáveis financeiros da lista, Nuno Catarino e José Theotónio), alguns soundbytes que acabam depois por surgir mais em debates do que propriamente em entrevistas. Noronha tem razão quando diz que o passivo aumentou 100 milhões de euros ao longo do mandato, Rui Costa tem razão quando diz que o ativo também teve um forte acréscimo ao longo do mandato. Pontos comuns? É preciso potenciar as receitas, é necessário encontrar outras formas de encaixe para reter o talento e a única linha vermelha é mesmo a perda da maioria da SAD.

Olhando para o compromisso eleitoral de Rui Costa, existem objetivos concretos para o mandato: chegar aos 500 milhões de euros de receita por ano, diminuir o passivo financeiro em 100 milhões, aumentar o valor por época através da venda dos direitos televisivos, valorizar as ações da SAD, priorizar o aumento da receita e dos ativos e duplicar a receita em eventos não desportivos, merchandising e digital. Quando à estrutura societária da SAD, poucas alusões com essa garantia de que em nenhum cenário será possível o Benfica não ter a maioria do capital social da sociedade. Em contrapartida, e por várias ocasiões, Rui Costa foi falando na importância de fazer um bom contrato para a transmissão dos jogos na Primeira Liga entre 2026 e 2028, deixando para depois uma posição concreta sobre o processo de centralização.

▲ Aumento do Estádio da Luz é uma das potenciais novas fontes de receita do Benfica além da questão do naming

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Já o programa de João Noronha Lopes anuncia várias medidas sem especificar os números macro que estão em causa no mandato. Fala na necessidade de ser feita uma auditoria externa, anuncia o congelamento das subidas de preço dos Red Pass, propõe um Portal da Transparência que servirá também para detalhar tudo o que é o Orçamento do universo benfiquista, garante uma faturação que possa sustentar toda a atividade operacional da SAD e do clube e prevê uma redução de custos com particular atenção ao que é gasto com os FSE. Em paralelo, o programa assegura que o Benfica manterá sempre a maioria da SAD, tendo depois de procurar investidores estratégicos minoritários num modelo com parecenças ao do Bayern garantindo que os encarnados ficam sempre detentores de dois terços do capital social. A questão da centralização também é vista como um ponto chave no plano financeiro, com Noronha Lopes a querer “liderar” esse processo.

Infraestruturas. Um Benfica District que divide, uma Luz e um Seixal que une

A parte das infraestruturas ficou inevitavelmente marcada durante a campanha pela apresentação do projeto do Benfica District, num plano ousado para revitalizar toda a área do Estádio da Luz e arredores que caiu na zona cinzenta entre a ideia do clube e a “promessa” do candidato. Ainda assim, e a partir daí, tudo passou por aí: ou se aceitava o que estava em cima da mesa, ou se mexia o que estava em cima da mesa, ou se recusava o que estava em cima da mesa – por não cumprir o pretendido ou, sobretudo, por ter custos acima daqueles 220 milhões de euros anunciados que demorariam a ser amortizados no plano económico. Essa é também uma das grandes diferenças entre os programas de Rui Costa e João Noronha Lopes, que ao longo das 53 páginas nunca faz sequer uma referência à ideia do District (nem que seja para um possível “estudo”). O que há de comum? A necessidade de aumento de lotação da Luz, para chegar a novas receitas e encurtar a lista de espera para o Red Pass, o investimento no Seixal e um novo “paradigma” para as modalidades.

O programa de Rui Costa resume a parte das infraestruturas a três pontos chave: o supracitado Benfica District, que além de aumentar a lotação do Estádio da Luz e mudar toda a sua fachada envolve pontos como uma arena para 10.000 espectadores, dois pavilhões multiusos para as modalidades, uma piscina com 25×25 metros, um teatro/espaço para eventos, um campo de futebol, uma pista de corrida, instalações comerciais, hoteleiras e residenciais e um novo espaço de convívio antes e depois dos jogos; a Cidade Benfica, que possa juntar não só todas as modalidades mas também escalões de formação mais novos (com a capacidade de haver uma amortização do investimento pelo que se deixa de pagar pelos alugueres); e o Hotel 1904, onde ficava a antiga sede na zona dos Restauradores e que recebeu o último debate na BTV. Foi aí também que Rui Costa falou do que não está no programa, nomeadamente o aumento do Seixal para construir mais campos.

▲ Benfica District é um dos principais pontos de discórdia entre programas: para Rui Costa, avança; para Noronha Lopes, não sai do papel

Da parte de João Noronha Lopes, as ideias são apresentadas de forma mais cautelosa por haver indicadores que só poderão ser verificados em caso de eleição mas está prevista a expansão e modernização do Estádio da Luz à margem de um Benfica District que não entra nos pontos do gestor por comportar um investimento muito superior aos 220 milhões de euros anunciados, a expansão do Benfica Campus no Seixal pensando de outra forma a “casa” do futebol feminino e a modernização de toda a zona envolvente da Luz, incluindo os dois pavilhões e as piscinas. Além disso, a lista F propõe também a compra do local de fundação do clube e a requalificação da Casa-Museu Eusébio, no bairro de Mafalala, em Moçambique.

Modalidades. Como potenciar receitas, como ganhar mais, como ter ambição europeia

Pode não ser um tema tão sexy como o futebol, é sempre um assunto que não passa ao lado de milhares e milhares de sócios e adeptos que olham para os clubes como muito mais do que o futebol. As modalidades do Benfica não foram um ponto tão central no debate como deveriam ser mas existem pontos em comum entre as duas candidaturas, mais concretamente três… e um como curiosidade. Comecemos pelo último: Felipe Gomes, antigo jogador e capitão da equipa de basquetebol, é o vice de Noronha Lopes com o pelouro, tendo pela frente Tomás Barroso, antigo jogador e capitão da equipa de basquetebol, como “homólogo” do lado de Rui Costa, neste caso substituindo Fernando Tavares. À parte disso, ambos têm o objetivo de chegar a mais vitórias e ambos assumem que é necessário fazer mais para aumentar as receitas via sponsors – o que depois permite menor “esforço” do valor referente às quotizações utilizado para haver um maior investimento.

João Noronha Lopes propõe uma estrutura que, além de Felipe Gomes, tenha um coordenador geral na parte desportiva e outro coordenador geral no plano operacional, tendo já apresentado o antigo diretor-geral do COP, João Paulo Almeida. Em paralelo, além de iniciativas para fazer dos pavilhões “Infernos da Luz” e de planos comerciais para potenciar receitas, e de planos a médio/longo prazo como o reforço da ambição europeia em títulos ou subida da equipa de basquetebol à Euroliga, a lista F aponta para a importância dos embaixadores do clube por modalidades com funções diversas, com nomes como Ricardinho e Jean Jacques. O projeto olímpico e a tentativa de catapultar o râguebi para outro patamar também estão entre as ideias.

O jogador do Benfica, Arthur (D), festeja após marcar um golo contra o Sporting, durante o jogo da final do play-off da Liga de Futsal, realizado no Pavilhão João Rocha, em Lisboa, 29 de junho de 2025. MIGUEL A. LOPES/LUSA

▲ Aposta nas modalidades é comum às duas listas com outro ponto de concórdia: a necessidade de encontrar mais receitas de sponsors

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Já Rui Costa aponta no seu compromisso eleitoral com os sócios a consolidação dos projetos que foram nascendo ou crescendo no mandato 2021-2025, um rácio de vitórias em títulos superior aos adversários mais diretos juntos e dois troféus europeus, apontando também para o Benfica como clube com mais atletas no Plano Olímpico e para um novo impulso para o râguebi. Também aqui, à semelhança do que acontece com Noronha Lopes, a formação surge como premissa fundamental para potencial talento para as equipas A. De recordar que, na última temporada, o basquetebol manteve a sua hegemonia em termos nacionais, o hóquei em patins não conseguiu títulos apesar do forte investimento, o futsal recuperou o Campeonato ao Sporting após um longo jejum, o voleibol viu quebrada uma série de vitórias consecutivas no Campeonato (já a equipa feminina foi campeã 50 anos depois) e o andebol voltou a ter uma época muito aquém face aos rivais.

Associativismo. Mais pontos comuns do que diferenças para valorizar sócios e Casas

Por mais que não se queira, este é aquele tema que ganha uma enorme preponderância durante o período de campanha eleitoral mas que depois acaba por se ir esfumando aos poucos ao longo de qualquer mandato. E porquê? Porque é aquele que fala mais aos sócios, sobretudo aqueles que vivem fora do distrito de Lisboa, mas que perde “peso” perante outras molas reais do clube como o futebol. Assim, acaba por ser natural todo o destaque dado por ambas as candidaturas ao tema, com João Noronha Lopes a colocá-lo logo no topo do seu programa eleitoral e com Rui Costa a dedicar mais pontos ao longo do seu compromisso com os sócios. Pontos comuns? A importância de uma maior proximidade com associados e a preponderância das Casas naquilo que é a dimensão do clube. A partir daí, as medidas apresentadas são diferentes.

No lado de Noronha Lopes, o facto de haver uma vice-presidência apenas para o associativismo (Raquel Vaz Pinto) dá o mote para uma série de medidas que pretendem colocar os sócios no centro de tudo: a criação de um Provedor do Sócio, a nomeação de um diretor das Casas, a inauguração da Casa do Sócio no Estádio da Luz, o regresso do Comboio do Benfica em dias de jogo, incentivos não só para os sócios mas também para quem pretenda regressar à sua condição de filiado, o regresso do Congresso das Casas do Benfica, a tentativa de expansão de Casas no estrangeiro ou a celebração de um Dia do Benfiquismo, entre vários outros pontos que querem sobretudo valorizar a vários níveis aquilo que é a condição de associado dos encarnados.

Adeptos mobilizam-se para votar nas eleições para os órgãos sociais do SL Benfica, no Estádio da Luz, em Lisboa, 25 de outubro de 2025. Mais de 160 mil sócios do Benfica são chamados, este sábado, a escolher o próximo presidente do clube. Há seis candidatos e, se nenhum conseguir 50% da votação, haverá segunda volta a 8 de novembro. MIGUEL A. LOPES/LUSA

▲ Votação recorde na primeira volta das eleições voltou a mostrar a necessidade de colocar os sócios no centro de tudo

MIGUEL A.LOPES/LUSA

Já Rui Costa, entre vários pontos comuns com o programa de Noronha Lopes, coloca fasquias “fixas” como chegar aos 500.000 sócios até ao final do mandato, em 2029 (sabendo que, com a renumeração, o número atual irá tendencialmente baixar). De resto, fala no regresso do Congresso das Casas, na implementação de uma Casa do Sócio, na abertura de mais três Casas 2.0 como existe hoje em Santarém, na manutenção das conversações com a CP para retomar o Comboio Benfica e na reformulação da parceria TV/Net e Comunicações com as Casas. Aqui, mais do que em qualquer ponto, há mais parecenças que diferenças.

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