Profetas, polémicas e controlo. Quem são os mórmones que fizeram um templo de luxo em Lisboa? /premium

Cresceram discretamente e já são 45 mil em Portugal. Os mórmones têm uma história de polémicas, como a poligamia ou o encobrimento de abusos. Este fim de semana inauguram um templo de luxo em Lisboa.

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“É só para proteger as carpetes, não tem nenhum significado religioso.” O comentário humorístico do élder Kevin Duncan, alto responsável da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (cujos fiéis são vulgarmente conhecidos como Mórmones) à porta do novíssimo templo de Lisboa, enquanto calçamos umas proteções descartáveis para os sapatos, quebra o gelo que antecede a entrada num local que, pela atmosfera de secretismo que o rodeia, tem tanto de misterioso como de imponente.

O edifício em Moscavide, com 2.200 metros quadrados, começou a ser construído em 2015. Até hoje, a Igreja não revela quanto custou, mas duas coisas são certas: foram vários milhões de euros (no que toca à construção de templos, a Igreja não olha a custos, porque estes são uma representação do paraíso na Terra e têm de o parecer); e foi tudo pago a pronto (porque a Igreja não recorre a empréstimos nem a financiamentos para construir os templos, reservando sempre para este efeito fundos obtidos através das doações dos membros).

Apesar de os mórmones se incluírem entre as igrejas cristãs, aqui não encontramos os esperados crucifixos. O edifício faz lembrar uma enorme catedral, mas percebemos logo que há algo diferente ali. Um misto entre a grandeza americana que caracteriza esta denominação cristã nascida nos Estados Unidos e o luxo dourado de um hotel de cinco estrelas. Nos jardins que rodeiam o templo, construídos também para a comunidade local, não há nenhum vestígio de lixo no chão, nem sequer uma flor estragada. Tudo é perfeito — o paraíso na Terra, o lugar mais sagrado do mundo.

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Antes, o élder José Teixeira, um português que ocupa um lugar de topo na liderança mundial da Igreja, tinha dado aos jornalistas que visitaram o templo a melhor descrição que resume o espírito do edifício: “É um lugar de paz, de esperança, de conforto e de inspiração. Um lugar que está no mundo, mas que não pertence a este mundo”. De facto, tudo está demasiado cuidado para parecer que faz parte do mundo que conhecemos.

No topo da torre com 41 metros de altura está uma estátua dourada do anjo Moróni, o símbolo máximo do anúncio do Evangelho, filho de Mórmon e último da linhagem de profetas, cuja história está contada no Livro de Mórmon — mas já vamos à história desta religião. Por cima da porta principal, lê-se a enorme inscrição “Santidade ao Senhor. A Casa do Senhor”. A frase é a mesma em todos os templos do mundo — 209, incluindo os que estão em construção e em fase de projeto. Destes, só 14 são na Europa.

Entramos no templo na companhia do élder Kevin Duncan. É uma oportunidade rara. Após a cerimónia de dedicação, que decorre este domingo com a presença de altos responsáveis que vêm dos Estados Unidos para o efeito, isso deixará de ser possível. Ao contrário das capelas, que são abertas a qualquer pessoa (existem 66 congregações em Portugal) e funcionam como as paróquias católicas, servindo de ponto de encontro de uma comunidade local, nos templos apenas podem entrar os membros da Igreja que estejam autorizados a fazê-lo, através de um cartão de acesso que tem de ser renovado a cada dois anos — e que está no centro de uma das maiores controvérsias em torno da Igreja Mórmon.

"É um lugar de paz, de esperança, de conforto e de inspiração. Um lugar que está no mundo, mas que não pertence a este mundo"
Élder José Teixeira

Entrar num templo mórmon sem ser um fiel da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias só é possível nos chamados momentos de portas abertas — períodos de duas ou três semanas após a construção do edifício e antes da dedicação. Em Lisboa, foi possível visitar o templo nas duas últimas semanas de agosto e até o Presidente da República lá esteve. A partir deste domingo, a entrada fica reservada aos mais de 45 mil mórmones de Portugal: apesar de discreta, esta religião tem tido um grande crescimento no país ao longo dos últimos anos e já existem praticamente tantos mórmones como testemunhas de Jeová ou muçulmanos em Portugal.

Face a esta quantidade de fiéis, a Igreja considerou necessária a construção de um templo. É que, apesar de a vida espiritual corrente dos mórmones poder ser feita nas capelas locais, só nos templos é que é possível celebrar alguns sacramentos, nomeadamente os chamados “selamentos” — ou casamentos para a vida eterna. Até agora, os mórmones portugueses tinham de ir ao templo de Madrid para se casarem. E, antes da construção do de Madrid, só na Suíça o conseguiam fazer.

A maior surpresa do templo acontece logo à entrada. Se o exterior podia antecipar que no interior encontraríamos uma ampla sala de culto, semelhante à nave central de uma catedral, é logo ali que esquecemos todas as ideias feitas. Atrás da porta está, na verdade, uma receção, tal e qual como se de um hotel se tratasse. É aos voluntários que ali vão assegurar os turnos diários que os fiéis têm de apresentar o cartão que comprova que estão aptos a entrar no templo. Quem não for membro da Igreja ou não estiver preparado para entrar no templo tem uma pequena sala de espera à esquerda onde pode ficar a aguardar por alguém que esteja no interior. Só quem está habilitado é que pode seguir o pequeno corredor à direita do balcão da receção e seguir para o interior do edifício.

Atrás da porta principal não encontramos uma ampla catedral, como podia ser de esperar, mas sim uma receção

Antes de avançarmos, o élder Kevin Duncan detém-nos para voltar a sublinhar os luxos que vamos encontrar. A pedra exterior é calcário moleanos (um calcário português conhecido em todo o mundo), os pavimentos são compostos por carpetes personalizadas vindas especialmente dos Estados Unidos, os azulejos vêm de Espanha, da Turquia e de Itália. A madeira é africana, os vitrais norte-americanos, os lustres de cristal são Swarovski. “A Igreja não poupa esforços. Fizemos uma grande despesa, que se vê na qualidade da construção e dos acabamentos. Queremos que o templo possa representar o céu na Terra”, tinha-nos dito o élder José Teixeira minutos antes.

É já demovidos da ideia de encontrarmos uma grande igreja parecida com todos os outros templos cristãos que chegamos ao amplo corredor atrás da receção, com a altura de dois pisos. Dos dois lados, várias portas dão acesso às diferentes salas que compõem o templo. Ao centro, uma enorme escadaria transporta-nos para o piso de cima, onde há mais salas. No topo da escada, ao fundo do corredor, fica o lugar mais importante do templo: a Sala Celestial. Podia ser uma sala de um hotel de luxo, com sofás, carpetes, candeeiros e um enorme lustre no teto. É a única onde não se deve falar: apenas ficar em silêncio e meditar.

As outras salas são específicas para os diferentes sacramentos. Há a sala dos batismos, com uma grande piscina onde os fiéis podem ser batizados em nome dos seus antepassados mortos (para que se juntem a eles no paraíso); há também a sala dos selamentos, onde se realizam os casamentos para a vida eterna (os mórmones acreditam que, depois da morte, viverão em família no paraíso, enquanto os outros cristãos creem que o casamento se dissolve com a morte dos esposos); e ainda a sala de instrução, onde os fiéis assistem a vídeos sobre a doutrina e fazem promessas de fé.

Além disso, há no templo um conjunto de grandes balneários onde homens e mulheres mudam de roupa, trocando a indumentária do dia-a-dia por vestes brancas, iguais para todos, que devem ser usadas no interior do templo para assegurar que todos os fiéis são iguais entre si. Uma das divisões mais curiosas de todo o templo é a “sala das noivas”, onde, tal como se pode antecipar pelo nome, as noivas vestem os longos vestidos e colocam o véu, na companhia das mulheres da sua família, antes do casamento. A ideia é fazer a noiva sentir-se “uma rainha”, explicam-nos os mórmones que acompanham a visita.

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Saímos após 20 minutos no interior do templo com mais perguntas do que respostas. Quem são os mórmones? Como chegaram a Portugal e como cresceram ao ponto de se justificar a construção em Lisboa de um dos apenas 14 templos europeus? E como convivem com as outras religiões? Antes de entrarmos no templo, o presidente da Comissão para a Liberdade Religiosa, José Vera Jardim, tinha elogiado a Igreja Mórmon — que, aliás, tem o estatuto de radicada em Portugal, o que significa que os seus casamentos são reconhecidos para efeitos civis —, lembrando que “não é muito usual em Portugal as confissões minoritárias terem a organização e a vitalidade para se organizarem, porque se trata de uma questão de vontade, e construírem um templo desta dimensão, que será uma mais-valia para a cidade”.

Da namorada do militar americano às 66 capelas

Para compreender como a Igreja Mórmon entrou em Portugal é preciso recuar até 1967, mesmo antes de o 25 de Abril implementar definitivamente a liberdade de culto e a abertura a outras religiões além da Igreja Católica. Nesse ano, o mormonismo podia encontrar-se apenas na ilha Terceira, onde um grupo de militares americanos que estavam na base das Lajes havia formado uma pequena congregação reconhecida pela Igreja Mórmon a partir dos Estados Unidos — os estrangeiros tinham liberdade de praticar cultos não-católicos em privado.

Quando Maria Morgado se apaixonou por um desses militares americanos, deu o primeiro passo para se tornar na primeira mórmon de nacionalidade portuguesa. Interessou-se pela religião do namorado, converteu-se e, a 9 de outubro de 1967, foi batizada. Mas só depois de 1974 é que esta comunidade, irregular devido às constantes chegadas e partidas dos militares, se transformou numa verdadeira religião de âmbito nacional. Reconhecida oficialmente como comunidade religiosa em 27 de outubro de 1974, a Igreja Mórmon começou a organizar reuniões públicas na casa de um secretário da embaixada do Canadá, que havia sido nomeado pela Igreja para dinamizar a religião em Portugal.

No final de 1974, começaram as reuniões públicas, que contaram apenas com estrangeiros. Só em maio do ano seguinte é que, pela primeira vez depois da admissão da Igreja no país, um português se converteu oficialmente ao mormonismo. Três anos depois, já havia mais de mil mórmones em Portugal. Em 1981, Portimão via nascer a primeira capela. Hoje, há 66 congregações e mais de 45 mil fiéis no país.

"Não é muito usual em Portugal as confissões minoritárias terem a organização e a vitalidade para se organizarem, porque se trata de uma questão de vontade, e construírem um templo desta dimensão, que será uma mais-valia para a cidade"
José Vera Jardim, presidente da Comissão para a Liberdade Religiosa

Todos eles, juntamente com os mais de 16 milhões de mórmones que existem em todo o mundo, creem numa doutrina cristã que se afasta da da Igreja Católica e da das restantes denominações cristãs em vários fundamentos teológicos.

Esta crença remonta a uma linhagem de profetas paralela à que vem descrita na Bíblia — que os mórmones não rejeitam, mas a que acrescentam mais uma série de livros sagrados. A história específica desta linhagem de profetas tem o seu ponto de viragem relativamente à história narrada pelos outros cristãos por volta do ano 600 a.C., ano em que os mórmones acreditam que o profeta Leí atravessou o Oceano Atlântico e levou a família para o continente americano, que acreditam ser uma nova Terra Prometida. Ali, dizem, sucessivas gerações de profetas vão recebendo revelações de Deus — e são relatadas diversas aparições do próprio Jesus Cristo, já depois de ressuscitado, no continente americano.

A revelação continuaria por cerca de mil anos, até cerca do ano 400 d.C., altura em que, segundo a tradição, o profeta Mórmon e o seu filho, o profeta Moróni, compilaram todos os escritos dos profetas anteriores e os gravaram num conjunto de placas de ouro, que Moróni enterrou numa colina, na região que hoje faz parte do estado norte-americano de Nova Iorque.

“Tipicamente americanos”

E ali ficaram durante mais de um milénio — até serem desenterradas por um jovem de 15 anos, Joseph Smith. Crente, mas confuso com os vários caminhos religiosos que floresciam nos Estados Unidos no início do século XIX, o rapaz ter-se-á retirado um dia, no ano de 1820, para um bosque perto da sua casa, para meditar. Nesse momento, Smith terá sido visitado pelo anjo Moróni, que lhe indicou o lugar das placas de ouro.

Quatro anos mais tarde, Smith diz que recuperou as placas e traduziu-as do egípcio para inglês. O documento que resultou dessa tradução é conhecido, hoje, como Livro de Mórmon — e é, a par da Bíblia, da Doutrina e Convénios, e da Pérola de Grande Valor, um dos quatro livros sagrados para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fundada por Smith, oficialmente, em abril de 1830. A Igreja passou, depois, por tempos conturbados. A crescente popularidade das crenças difundidas por Smith obrigou as primeiras comunidades mórmones a mudarem-se de Nova Iorque para o Ohio, depois para o Missouri e por fim para o estado do Illinois, onde foi estabelecida a comunidade de Nauvoo — a primeira cidade mórmon organizada.

O templo de Salt Lake City, no estado do Utah, o maior do mundo, onde está a sede da Igreja Mórmon

AFP/Getty Images

O enorme crescimento daquela cidade, que começou a rivalizar com a própria cidade de Chicago, levou a que as comunidades locais se revoltassem contra os mórmones, que diziam ser os “santos dos últimos dias” — por considerarem que a revelação das placas a Joseph Smith significou o início dos tais últimos dias prometidos na doutrina cristã. Os confrontos escalaram de tal maneira que Joseph Smith acabaria por ser assassinado aos 38 anos, e a comunidade mórmon, liderada pelo sucessor Brigham Young, viu-se forçada a fugir e a atravessar o país. Dirigiram-se para o estado do Utah, onde fundaram a cidade de Salt Lake City, hoje capital do estado e também sede mundial da Igreja.

“São tipicamente americanos”, comenta ao Observador a socióloga Helena Vilaça, especialista em sociologia da religião, assinalando que o mormonismo surgiu “numa fase de grande vitalidade religiosa nos Estados Unidos, a fase dos great awakenings”. Mas, ao contrário das várias denominações protestantes, a classificação dos mórmones enquanto cristãos não é propriamente consensual.

Os mórmones, tal como as testemunhas de Jeová, são considerados por si próprios como cristãos, mas os outros ramos do Cristianismo têm dificuldade em reconhecê-los como cristãos. No caso das testemunhas de Jeová, por exemplo, são não-trinitárias, ou seja, o Deus Pai está acima do Deus Filho. Enquanto que, para a maioria dos cristãos, a fonte de autoridade é a Bíblia e, depois, o cânone do que foi decidido nos concílios é aceite, para os mórmones, além da Bíblia, há o Livro de Mórmon, a Doutrina e Convénios, e a Pérola de Grande Valor. Eles acreditam que a revelação de Deus não está encerrada e que Deus continua a falar profeticamente. O presidente da Igreja Mórmon é chamado profeta e Deus fala através desses profetas. Para os outros cristãos, nada mais foi acrescentado à Bíblia”, detalha Helena Vilaça.

"Os mórmones, tal como as testemunhas de Jeová, são considerados por si próprios como cristãos, mas os outros ramos do Cristianismo têm dificuldade em reconhecê-los como cristãos"
Helena Vilaça, socióloga da religião

Mas, ao contrário das testemunhas de Jeová, que, por acreditarem que o seu reino não é deste mundo, não votam nem se envolvem nas questões políticas, os mórmones estão “completamente integrados na sociedade norte-americana” e até são “profundamente patrióticos”. Na análise da socióloga Helena Vilaça, os mórmones “reforçam o sonho patriótico da América enquanto terra prometida” — porque Joseph Smith quis “construir uma nova Sião”. Aliás, continua a socióloga, “o facto de Mitt Romney ter surgido como candidato presidencial resulta de um percurso de longa duração da própria Igreja Mórmon”.

Perseguidos por serem contra a escravatura, os mórmones sempre defenderam a necessidade de dar um passo atrás na história do Cristianismo e regressar à igreja original, continuando o caminho de revelações proféticas de que, consideram, os outros ramos cristãos se desviaram. Ficariam mais conhecidos pelo seu programa missionário: a maioria dos jovens rapazes (e, mais recentemente, também das raparigas) é enviada durante dois anos para outros estados ou outros países, para difundirem a doutrina mórmon. Vão em duplas — para imitar o exemplo os apóstolos que iam aos pares evangelizar —, passam horas a estudar os escritos sagrados e a abordar pessoas nas ruas e de porta em porta e não podem participar em nenhum tipo de atividade de lazer durante esse tempo.

São um grupo proselitista, evangelístico”, explica Helena Vilaça. Mas são mais que isso. A busca pelos valores originais da fé levou os mórmones a recuperar imposições consideráveis. Não bebem álcool, nem café, nem chá. Têm um código — a “Palavra de Sabedoria” — que detalha tudo o que podem e não podem comer e beber. E, na recuperação de tradições mais polémica de todas, praticavam a poligamia. Como explica a socióloga, “eles achavam que a poligamia era uma questão bíblica. De facto, encontramos a poligamia presente no Antigo Testamento”.

Poligamia. O “mandamento de Deus” que hoje é proibido

Durante décadas, com efeito, a poligamia foi a norma entre os mórmones. Hoje, apesar de a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias afirmar e repetir que a prática é estritamente proibida, a questão ainda é um dos assuntos mais sensíveis — e polémicos — desta confissão religiosa. Oficialmente, a poligamia (mais corretamente a poliginia, já que apenas os homens podiam casar com várias mulheres, e nunca o oposto) foi permitida — e encorajada — entre a década de 1840 e 1904.

Ainda hoje, a Igreja defende que a prática da poligamia naquele período foi um mandamento de Deus. “A Bíblia e o Livro de Mórmon ensinam que o casamento entre um homem e uma mulher é o padrão de Deus, exceto em períodos específicos em que Ele declarou o contrário”, lê-se no primeiro parágrafo de um ensaio publicado pela Igreja dedicado à questão da poligamia — a que a instituição dá o nome de “casamento plural”.

Noutro texto — um dos vários documentos oficiais que a Igreja dedica à poligamia —, lê-se que a prática começou com o próprio fundador, o profeta Joseph Smith: “Depois de receber uma revelação que lhe ordenou que praticasse o casamento plural, Joseph Smith casou com múltiplas mulheres e introduziu a prática aos seus colaboradores mais próximos”.

De acordo com a instituição, o mandamento de Deus relativamente à poligamia não era desprovido de sentido. Ao casar com várias mulheres, um homem podia ter muito mais filhos, contribuindo, assim, para o crescimento mais rápido da comunidade e da Igreja — que estava nos seus inícios e precisava de fiéis para se afirmar. Hoje, muitos membros da Igreja descendem dessas famílias poligâmicas do século XIX. Ao mesmo tempo, defende a Igreja, o casamento plural deu a muitas mulheres economicamente desfavorecidas a possibilidade de casarem e de entrarem em famílias com maior estabilidade financeira. E os homens que casavam com várias mulheres acreditavam, efetivamente, estar a ajudá-las a ir para o céu — isto porque, de acordo com a doutrina mórmon, a vida eterna alcança-se por via da vida em família.

"Depois de receber uma revelação que lhe ordenou que praticasse o casamento plural, Joseph Smith casou com múltiplas mulheres e introduziu a prática aos seus colaboradores mais próximos"
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Para aqueles fiéis, assegura a Igreja, “o casamento plural era um princípio religioso que exigia sacrifício pessoal”, tal como testemunham relatos deixados por homens e mulheres que viveram casamentos plurais. Entre os principais problemas contavam-se as dificuldades financeiras, os conflitos e os ciúmes entre as mulheres que casavam com o mesmo homem. “Eles acreditavam que era um mandamento de Deus na altura e que a obediência lhes traria grandes bênçãos para eles e para a sua descendência, tanto na Terra como na vida que havia de vir”, sublinha a Igreja.

Os casamentos plurais só eram aceites com autorização expressa da liderança da Igreja — embora muitos fossem realizados a pedido da própria instituição. A maioria dos homens casava com duas mulheres e apenas os líderes religiosos casavam, habitualmente, com um número maior de esposas. Em 1857, estima-se que metade da população do estado norte-americano do Utah — onde viveu a primeira comunidade mórmon organizada depois da fuga de Nauvoo, motivada pelo assassinato de Joseph Smith — vivesse em famílias poligâmicas.

No final do século XIX, altura em que a quase totalidade dos fiéis mórmones ainda viviam no Utah, o número de casamentos poligâmicos começou a cair. Em 1862, a aprovação de leis que proibiam a poligamia nos Estados Unidos foi o princípio do fim para aquela prática na Igreja. A legislação chegou a ser contestada — e entre os movimentos opositores encontravam-se muitos mórmones —, mas acabaria por ser considerada constitucional e implementada em todo o território.

Muitos mórmones quiseram manter a prática e continuaram a celebrar casamentos plurais — e, durante a década de 1880, foram muitos os fiéis que acabaram detidos ou condenados a pagar multas por crimes de desobediência civil.

Só mais de uma década depois é que o então presidente da Igreja, Wilford Woodruff, publicou um documento — que ficaria conhecido como “O Manifesto” — em que declarou a sua intenção de obedecer às leis civis e aconselhou todos os fiéis que se abstivessem “de contrair qualquer casamento proibido pela lei”. Em 1904, o conselho tornou-se oficial e a Igreja baniu a prática do casamento plural.

Em 1857, estima-se que metade da população do estado norte-americano do Utah, onde vivia a primeira comunidade mórmon, vivesse em famílias poligâmicas

A poligamia, porém, não desapareceu por completo do movimento do Santos dos Últimos Dias. Foi, aliás, esse um dos grandes motivos de discórdia que estão na origem dos vários cismas que se perpetuam ainda hoje na existência de várias igrejas e comunidades mais pequenas, dissidentes da igreja original. Organizações como a Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias — que não reconhece a autoridade de Wilford Woodruff e se separou da igreja original em 1912, assumindo como objetivo central a preservação da prática do casamento plural — e outras seitas mais pequenas continuam a praticar a poligamia e a assumir-se como as verdadeiras continuadoras da obra de Joseph Smith.

Só no estado do Utah, estima-se que haja cerca de 30 mil pessoas a viver em famílias poligâmicas, quase todas ligadas a seitas dissidentes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Recentemente, o estado aprovou legislação que agrava as penas aplicadas aos praticantes de poligamia que sejam condenados por crimes, entre outros, de violência doméstica. Vários dos grupos defensores da poligamia manifestaram-se contra as novas regras, classificando-as como inconstitucionais por visarem apenas um grupo de pessoas, mas a Igreja pronunciou-se a favor. Hoje, qualquer praticante da poligamia fica automaticamente excomungado da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Todavia, apesar da proibição decretada em 1904, a verdade é que a doutrina mórmon relativamente à poligamia nunca mudou. A secção 132 da Doutrina e Convénios, um dos quatro livros sagrados para os mórmones, continua a prever a possibilidade do selamento com várias mulheres.

E embora seja proibida no domínio terreno, a poligamia continua a fazer parte das crenças dos mórmones relativamente à vida depois da morte. Os fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias acreditam que a vida eterna, no paraíso, é em família. É lá que vão encontrar-se com os seus antepassados, esperar pelos descendentes e viver com a família para todo o sempre, na companhia de Deus — a quem chamam Pai Celestial. Sobre todo este cenário, paira o “fantasma da poligamia”, como lhe chama a escritora norte-americana Carol Lynn Pearson, ela própria membro da Igreja e autora do livro “O Fantasma da Poligamia Eterna”.

Segundo Pearson, muitas mulheres crentes vivem no terror de morrer antes do marido, abrindo a possibilidade para que este volte a casar. Se isso acontecer, o homem pode reclamar na vida eterna todas as mulheres com quem casou na vida terrena — condenando-as a viver na tal poligamia eterna.

Embora possa parecer uma preocupação pouco palpável, a verdade é que a esperança na vida eterna em família é a motivação central da vida dos mórmones, e esta doutrina tem levado centenas de mulheres mórmones a viver graves problemas psicológicos, como salienta a escritora. Além disso, há efeitos que se sentem na vida terrena, especialmente se for a mulher ficar viúva: por um lado, há a grande probabilidade de nunca mais conseguir voltar a namorar (porque os homens acreditam que terão de a devolver ao primeiro marido na vida eterna); por outro lado, se voltar a casar e tiver filhos, esses filhos do segundo casamento também pertencem ao primeiro marido, a quem ela está selada. Para as mulheres mais devotas, este quadro está na origem dos medos mais difíceis de controlar.

Abusos. Investigações adiadas e advogados para impedir processos

Simultaneamente ao escândalo que afetou a Igreja Católica ao longo das últimas duas décadas, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias também teve uma grave crise relacionada com abusos sexuais, incluindo de crianças. O primeiro caso a ganhar grandes contornos mediáticos surgiu em 2001, poucos meses antes de o Boston Globe publicar a investigação da equipa Spotlight sobre os abusos na Igreja Católica.

O caso foi notícia quando a Igreja Mórmon divulgou que tinha chegado a acordo para pagar três milhões de dólares a um homem que afirmava ter sofrido, em criança, abusos sexuais praticados por um membro da Igreja, no estado norte-americano do Oregon. O caso remontava à década anterior, mas já na altura expunha uma das principais fragilidades da Igreja Mórmon neste assunto: quem é e quem não é membro do clero mórmon?

O profeta Russell M. Nelson, ao centro, é o atual presidente da Igreja Mórmon e líder do grupo dos doze apóstolos

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O abusador em questão detinha o título de sumo-sacerdote, um dos títulos atribuídos pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aos seus sacerdotes. Mas há uma diferença assinalável relativamente à Igreja Católica e às demais confissões cristãs: a quase totalidade dos rapazes e homens da Igreja Mórmon, a partir dos 12 anos de idade, são ordenados sacerdotes, nos vários graus ou ofícios (o mais comum é o de élder, sendo que o de sumo-sacerdote é o grau seguinte). Outro detalhe: à exceção dos líderes mundiais, o clero, incluindo os líderes locais, é todo composto por voluntários.

Por quem é que a Igreja deve, então, responder em tribunal? O caso de 2001 levou a dúvida para dentro dos tribunais. Se, por um lado, a vítima podia argumentar que o agressor era um clérigo mórmon, já que tinha o título de sumo-sacerdote, por outro lado, o facto de este não ter qualquer cargo de liderança e ser detentor de um título atribuído aos leigos mais comuns podia esvaziar o caso — afinal, a Igreja Católica também não responde pelos crimes praticados pelos seus fiéis, a não ser que sejam membros do clero.

Ao longo dos anos que se seguiram, multiplicaram-se os casos de bispos (ao contrário de outras denominações cristãs, os bispos mórmones são os líderes das pequenas comunidades locais) julgados e condenados por crimes de abuso sexual de crianças e de adultos. Mas também de outros membros da Igreja. Um dos casos mais mediáticos foi o de Michael Jensen, um jovem mórmon, filho de figuras de topo da Igreja em Martinsburg (Virgínia Ocidental), que abusou sexualmente de dois menores — também filhos de membros da Igreja — de quem estava a tomar conta.

Os crimes ocorreram em 2007 e Michael Jensen foi condenado em fevereiro de 2013 a uma pena entre os 35 e os 75 anos de prisão. Mais tarde, veio a lume um outro caso envolvendo Jensen: uma mulher da mesma comunidade revelou que o seu filho, de quem Michael Jensen também fora babysitter, também havia sofrido abusos em casa do jovem, em 2008. Mais: a mulher contou o caso ao bispo local na mesma semana. Nem ele nem os líderes religiosos locais denunciaram o caso às autoridades — e, em 2011, Michael seria ordenado élder e enviado em missão para o Arizona.

Em 2013, na sequência do julgamento de Michael, várias famílias daquela localidade moveram um processo contra a Igreja por não ter reportado nenhum dos casos às autoridades. Porém, nenhum líder religioso foi condenado.

Os escândalos não se limitaram aos Estados Unidos. Em 2017, o ex-realizador de cinema australiano Darran Scott foi condenado a dez anos de prisão, depois de o tribunal dar como provado que havia abusado sexualmente de pelo menos 11 rapazes. Scott começara os abusos na década de 90, aliciando jovens quando era treinador de futebol e dando-lhes comprimidos para dormir e drogas antes de abusar deles. Em 2005, chegou a ser interrogado pela polícia, mas negou as acusações e, no mesmo ano, juntou-se à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, chegando a receber o título de sumo-sacerdote. Na Igreja, usou o seu cargo de liderança para aliciar, pelo menos, mais seis rapazes, de quem viria a abusar durante vários anos.

E os relatos de abusos não se referem apenas a menores. Em 2018, uma mulher norte-americana apresentou queixa contra Joseph Bishop, um dos mais altos responsáveis da Igreja Mórmon, que, entre 1983 e 1986, havia sido presidente do Centro de Formação de Missionários, onde são treinados os jovens antes de serem enviados para as conhecidas missões de proselitismo em todo o mundo.

McKenna Denson alega que Bishop a violou em 1984 num centro de formação em Provo, no estado do Utah, quando ela tinha 22 anos. Só apresentou queixa em 2018, depois de ter confrontado o homem, então com mais de 80 anos. Nesse encontro pessoal, Bishop admitiu a McKenna Denson que era um predador sexual, embora não tenha assumido responsabilidades naquele caso específico. A gravação deste encontro entre a mulher e Bishop foi divulgada pela página MormonLeaks, em dezembro de 2017, e antecedeu a queixa. Três dias depois da divulgação da gravação, Bishop admitiu à polícia que tinha pedido a Denson que lhe mostrasse os seios.

A Igreja, porém, rejeitou qualquer acusação e argumentou que a queixa deveria ter sido feita ainda na década de 80, já que, nessa altura, o prazo de prescrição para aqueles crimes era de quatro anos — regra que, entretanto, foi abolida no Utah. Nesses quatro anos, porém, a mulher comunicou o sucedido ao líder da sua comunidade religiosa local e a outros responsáveis da Igreja, que lhe disseram que a acusação não tinha fundamento. Em documentos enviados ao tribunal e divulgados pela imprensa norte-americana, a Igreja tentou que o caso fosse arquivado devido à prescrição do crime.

McKenna Denson, a mulher que acusou o ex-líder mórmon Joseph Bishop, durante uma conferência de imprensa

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O caso mediático mais recente foi o do realizador de cinema Sterling Van Wegenen — fundador Sundance Film Festival e uma das mais respeitadas figuras da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tendo sido o autor de muitos filmes de doutrina da Igreja —, que, em abril deste ano, foi condenado a seis anos de prisão por ter abusado sexualmente de uma menor, em 2013 e em 2015. O nome de Van Wegenen veio a lume, na verdade, devido à denúncia de uma outra vítima: Sean Escobar, que acusa o ex-cineasta de ter abusado dele em 1993, confrontou-o em setembro de 2018 e gravou secretamente o encontro. Durante a gravação, que foi divulgada pela fundação Truth and Transparency, é possível ouvir Van Wagenen admitir o abuso. Este caso, já prescrito, não chegou a tribunal, mas abriu caminho à investigação dos casos mais recentes.

Sobre todos estes casos tem pairado a suspeita do encobrimento organizado por parte da Igreja aos seus membros mais influentes — sobretudo depois de a Vice ter publicado, em maio deste ano, uma reportagem a denunciar que a Igreja utilizou a sua própria linha de emergência dedicada aos abusos sexuais para silenciar as acusações. A linha de emergência, disponível 24 horas por dia para aconselhar os líderes religiosos sobre as leis relativas à notificação das autoridades civis em casos de abuso sexual — que variam de estado para estado nos EUA — tem servido, diz a reportagem, para a Igreja antecipar e evitar processos em tribunal, e não para ajudar as vítimas.

De acordo com a Vice, a Igreja não divulga nenhum tipo de informação estatística sobre as chamadas feitas para aquela linha nem sobre o seu encaminhamento. Já as chamadas são transferidas para um escritório de advocacia que, apesar de não ter ligações oficiais à Igreja, foi fundado por membros e tem sempre representado a instituição. Os advogados da Igreja analisam os casos antes de estes chegarem à polícia — e como se trata de comunicações entre membros da Igreja e advogados, são tratadas como sigilosas e não têm de ser reveladas às autoridades. Além disso, frequentemente, a Igreja envia advogados para falar com as vítimas antes de o caso chegar às autoridades, muitas vezes conseguindo silenciá-las.

A Igreja negou sempre ter utilizado a linha telefónica desta forma — embora na página oficial afirme que o serviço criado em 1995 serve “para fornecer aos bispos acesso imediato a profissionais para orientá-los quanto à maneira de proteger as vítimas de abuso”. Ou seja, os líderes religiosos locais devem comunicar qualquer suspeita internamente, e só depois recebem indicações sobre como proceder de seguida.

“Por exemplo, se uma adolescente relata ao seu bispo que sofreu um abuso, a sua primeira ligação será para o telefone de ajuda para saber sobre os recursos existentes para ajudar a vítima a prevenir mais abusos. Se o caso for de natureza criminal, o bispo também recebe instruções sobre como relatar o ocorrido para as autoridades legais. Não temos conhecimento de nenhuma outra Igreja que forneça assistência profissional para que seus ministros ajudem vítimas de abuso 24 horas por dia, 365 dias por ano. Isto funciona? Sim. Nenhum sistema é infalível, mas as vítimas estão a receber a proteção e o cuidado de que necessitam”, diz a Igreja.

Entrevistas explícitas a crianças e jovens sobre sexo

Relativamente aos abusadores, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias assegura que tem uma política de tolerância zero. Todos os membros da Igreja que forem condenados por abuso sexual de crianças são automaticamente excomungados e ficam excluídos de participar em celebrações e reuniões, não podendo assumir qualquer lugar de responsabilidade na instituição.

Mas, ao mesmo tempo que afirma que a proteção das crianças é uma das suas prioridades fundamentais, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias mantém uma prática que muitos têm criticado — e que, em alguns casos, esteve na origem de situações de abuso sexual: as entrevistas feitas a cada dois anos aos fiéis para garantir que estes têm condições para entrar nos templos.

Os templos mórmon não estão fechados apenas aos não-crentes. Na verdade, apenas os fiéis que a Igreja considera preparados lá podem entrar. Na página oficial, lê-se que “apenas os membros fiéis da Igreja têm permissão para entrar nos templos” — e que estes devem “observar os princípios básicos da fé e declarar o facto aos seus líderes locais uma vez a cada dois anos, para assim poder entrar no templo”. Na prática, isto traduz-se em duas entrevistas que cada fiel deve ter, uma com o seu bispo e outra com o líder regional, para garantir que cumpre os preceitos da fé mórmon. Se for aprovado, o fiel recebe um cartão com validade de dois anos, que lhe dá acesso aos vários templos que existem em todo o mundo.

Entre as perguntas feitas nestas entrevistas, encontra-se a seguinte questão: “Vive de acordo com a lei da castidade?

Porém, de acordo com uma reportagem da BBC publicada no ano passado, as perguntas são habitualmente muito mais específicas — e são feitas a crianças a partir dois oito anos (na entrevista que antecede o batismo) e, depois, a crianças a partir dos 12 anos, para as preparar para entrarem nos templos.

"Ensinam-nos que a masturbação só não é pior que homicídio, e senti que tinha um desvio sexual ou era um pervertido por fazê-lo"
David Sheppard, jovem mórmon britânico, à BBC

Em alguns casos, os bispos perguntam às crianças e jovens se já fizeram sexo, se já se masturbaram, se já tocaram num rapaz ou numa rapariga ou se já tiveram um orgasmo. David Sheppard, um mórmon britânico que falou à BBC, contou, por exemplo, que numa destas entrevistas confessou que tinha tido algumas namoradas — e foi interrogado durante seis horas sobre as suas práticas sexuais. A doutrina mórmon proíbe expressamente o sexo fora do casamento, a masturbação e a pornografia. “Ensinam-nos que a masturbação só não é pior que homicídio, e senti que tinha um desvio sexual ou era um pervertido por fazê-lo”, resumiu Sheppard.

As entrevistas são feitas cara a cara, numa sala fechada, em que a criança ou jovem, independentemente do sexo, está apenas com o bispo — ou, se o pedir, na presença de um outro jovem.

A prática continuada destas entrevistas levou o ex-bispo mórmon Sam Young a lançar a iniciativa “Protect LDS Children”, que, além de uma petição destinada a acabar com as entrevistas, inclui uma página na internet onde é possível ler centenas de histórias de crianças e jovens que sofreram abusos no contexto da Igreja e relatos de entrevistas intrusivas.

Muitos dos abusos aconteceram, precisamente, durante ou na sequência daquelas entrevistas, que ainda se continuam a fazer para definir quem são os “membros fiéis”. Será também assim com o templo de Lisboa, onde só quem for aprovado poderá entrar.

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