Duas horas e quarenta minutos de debate. Onze candidatos. Um par de duelos particulares para acompanhar e muito desconforto à esquerda. Previsivelmente, André Ventura foi o grande agitador do debate organizado pela RTP, mas acabou por não ser ele o protagonista do momento mais quente noite: Henrique Gouveia e Melo voltou a atacar o passado profissional de Luís Marques Mendes e o social-democrata acusou o almirante de estar a fazer uma “ordinarice”.

Em contrapartida, João Cotrim Figueiredo e António José Seguro (mais este último) acabaram por ter uma noite relativamente tranquila, distribuindo uns quantos remoques, mas passando ao largo dos duelos mais feios. Diferenças de estratégia que parecem acompanhar a tendência verificada nas últimas sondagens: socialista e liberal a subirem, Ventura a manter, Mendes e Gouveia e Melo com sinais menos positivos.

À esquerda, a grande novidade da noite marcou um bate boca (rápido) entre candidaturas: confrontado com o cenário de desistência, Jorge Pinto assumiu que não será por ele que António José Seguro não chegará a Presidente da República — curiosamente, uma formulação semlhante àquela que Jerónimo de Sousa usou na noite eleitoral de 2015, o momento inaugural da ‘geringonça’ de António Costa. Desta vez, no entanto, Catarina Martins mal disfarçou o incómodo, António Filipe não passou cartão. E ainda houve a estreia de três outros candidatos.

Quem atacou quem no debate com todos os candidatos presidenciais? Seguro foi o alvo preferido

André Pestana. Tiro a Ventura, desilusão com a ‘gerigonça’

Ataques a André Ventura: 2
Ataques a António José Seguro: 1
Ataques a Catarina Martins: 1
Ataques a António Filipe: 1
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 1

O adversário que André Pestana mais atacou foi André Ventura. Primeiro, de forma velada, quando — naquilo que até era um ataque inicial a PS — comentou que “o que está a crescer [em Portugal] é a extrema-direita que tem como referência Donald Trump”. Mais à frente no debate, o dirigente sindical voltaria a atirar a André Ventura, agora de uma forma mais direta, referindo-se às subvenções que os partidos recebem. Para atingir André Ventura no que mais lhe dói, referiu que o Chega é, a par de PS e PSD, dos partidos que mais recebe do Orçamento do Estado.

André Pestana também não poupou a esquerda, num ataque coletivo aos partidos da gerigonça. Com Catarina Martins e António Filipe — que foram figuras de destaque nesse acordo parlamentar de esquerda — na sala, o dirigente sindical atirou: “A geringonça desiludiu o País”. António José Seguro, que é apoiado pelo partido que liderou a geringonça, teria direito a um ataque mais direto: “O PS que tanto se reivindica como esquerda também falhou ao não oferecer melhores condições de vida aos portugueses”.

O liberal João Cotrim Figueiredo também esteve na mira de André Pestana, quando este visou diretamente o candidato apoiado pela IL por defender como exemplo de modelo económico o liberalismo nos EUA. A acusação levou até a uma resposta imediata de Cotrim: “Não ponha palavras na minha boca que eu não disse”.

André Ventura. Colar Seguro ao PS e Mendes ao Governo

Ataques a Antónioo José Seguro 4
Ataques a Luís Marques Mendes: 3
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 1
Ataques a Catarina Martins: 1
Ataques a António Filipe: 2
Ataques a Jorge Pinto: 2
Ataques a André Pestana: 1

Tal como aconteceu no Debate da Rádio, André Ventura consegui sobressair nos ataques aos adversários — mesmo quando há muita gente à volta da mesa. De tal forma que, num bate-boca prolongado entre os candidatos da esquerda relativamente a desistências e não-desistências em nome de António José Seguro, o candidato apoiado pelo Chega interrompeu para chamar “fraude” à candidatura de Jorge Pinto.

Ao contrário de Cotrim (a quem só atirou após um ataque do liberal e apenas para se referir à “arrogância” do adversário) e Gouveia e Melo (que saiu totalmente ileso dos ataques diretos), António José Seguro, Luís Marques Mendes e os candidatos de esquerda foram várias vezes visados. Catarina Martins e António Filipe foram atacados pela participação na geringonça e, mais uma vez, segundo Ventura, pelo estado em que essa governação de António Costa deixou o país.

Já a estratégia para dois dos principais adversários foi idêntica: procurou colar António José Seguro ao PS (desde logo com a “herança” do PS na imigração, mas também sugerindo que o socialista também foi responsável pela geringonça, tendo em conta que perdeu para António Costa a liderança do PS) e Luís Marques Mendes ao Governo, reiterando que será uma “marioneta” e o “Presidente do Governo”.

No final, ainda se picou com André Pestana — que o acusou de se queixar dos subsidiodependentes enquanto lidera um dos partidos que mais recebe — para assegurar que o Chega e a IL (dando mérito ao adversário Cotrim) apresentaram propostas para acabar com benefícios fiscais e as mesmas foram chumbadas.

António Filipe. O lembrete da Troika para afastar o fantasma do voto útil

Ataques a António José Seguro: 1

Foi só um ataque (se é que podemos considerá-lo) durante o debate com todos os outros candidatos. António Filipe foi duro sobre a condenação (ou falta dela) do Governo português à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e rejeitou alimentar comparações sobre o regime de Nicolás Maduro com o Estado Novo em Portugal, lembrando que “nunca ouviu um antifascista a pedir uma intervenção externa”.

Mas o ataque surgiu poucos segundos depois. Quando a questão era se os candidatos à esquerda admitiam desistir da candidatura para apoiar António José Seguro, António Filipe não deixou espaço para dúvidas. “A minha candidatura é para levar até ao fim. Ponto final” ou “a minha candidatura não é satélite de ninguém”, disse quando se pôs a questão.

E rematou: “Vale pouco lamentar as consequências e ser cúmplice das suas causas e apoiar as políticas que conduziram o país”. Pode ser interpretado como um reparo, ou um lembrete, sobre o currículo de Seguro quando liderou o Partido Socialista e viabilizou o primeiro orçamento de Pedro Passos Coelho na altura da Troika.

António José Seguro. Afastar-se de picardias e acabar com um extra no bolso

Ataques a André Ventura: 1
Ataques a Luís Marques Mendes: 1
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 1

António José Seguro parecia o ponta de lança na área a aproveitar tudo o que vinha de qualquer lado para chutar à baliza, mesmo que o remate se limitasse apenas à gestão do silêncio. A estratégia foi especialmente nítida quando Gouveia e Melo tocou num ponto que lhe é caro, as concessões das foltovotaicas na Madeira à empresa que Mendes geria. O PS de Seguro chegou a pedir inquérito ao negócio em 2014, mas agora o socialista candidato presidencial evitou meter-se no meio da picardia que corria entre os seus dois adversários no debate.

Em vez disso, tentou diferenciar-se: “Estou nesta campanha para elevar o debate público”. Isto quando dia anterior tinha sido ele mesmo a explorar as suspeitas sobre Mendes, ao dizer que há “interesses económicos” nas candidaturas e a declarar que consigo em Belém “os interesses ficam a porta”. Agora o mais que fez foi repetir a ideia focada em Mendes, mas de forma genérica e sem admitir a quem se dirigia.

Pouco entrou em mais despiques, atacando apenas em resposta e de forma muito concreta. Depois dessa tirada para Mendes, voltou a dizer a Ventura que “está na eleição errada” por falar de medidas para controlar a imigração e corrigiu Cotrim, que o acusou de estar “há décadas na política”: “Onde estive nos últimos dez anos?”. Tentou sobretudo lucrar pelo silêncio com os despiques entre os seus principais adversários. E saiu com um extra: aquilo que soou a uma pré-declaração de apoio de Jorge Pinto.

Catarina Martins. Surpreendida por Jorge Pinto, mas recusando desistir

Ataques a André Ventura: 2
Ataques a António José Seguro: 1
Ataques a Luís Marques Mendes: 1
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 1
Ataques a Jorge Pinto: 2

Um renovado apelo de Jorge Pinto de união à esquerda para atacar a primeira volta apanhou Catarina Martins desprevenida. “Acho tudo isto muito confuso. Se queria concertar alguma posição podia-me ter telefonado. Dizer que fez um discurso ou aparecer uma notícia parece-me esquisito”, lamentou a eurodeputada, após o deputado do Livre ter assumido que não seria obstáculo à eleição de Seguro como Presidente.

Catarina Martins tem-se mostrado frustrada na resposta às sucessivas questões sobre uma eventual desistência e voltou a denunciar a discussão de “questões laterais” entre os candidatos. “Acho que a esquerda está a fazer um péssimo trabalho ao país”, atirou. Depois de parecer ter aberto a porta a um entendimento com Jorge Pinto, a antiga coordenadora do Bloco fechou rapidamente.

Para tal, começou por acusar os candidatos de direita de “conviverem bem” com as crianças nascidas em território nacional ficarem 10 anos sem a nacionalidade portuguesa. Continuou visando os mesmos candidatos — aos quais acrescentou Seguro — por apoiarem um Governo que “quer colocar toda a gente” em contratos a prazo. “Jorge Pinto considera que, ainda assim, a esquerda deve ir votar num candidato que deixou passar cortes dos subsídios de férias durante a troika, revertidos pelo TC. No que me diz respeito, a esquerda terá em quem votar no dia 18”, concluiu.

João Cotrim de Figueiredo. Um ataque de rajada aos quatro principais adversários

Ataques a António José Seguro: 2
Ataques a Luís Marques Mendes: 2
Ataques a André Ventura: 2
Ataques a Henrique Gouveia e Melo: 1
Ataques a André Pestana: 1

João Cotrim de Figueiredo não poupou nenhum dos outros quatro candidatos que também têm hipótese de passar à segunda volta. O seu primeiro alvo, sem o nomear diretamente, foi André Ventura, por abrir “um precedente grave” ao desvalorizar o direito internacional — por lhe ter agradado o resultado desta intervenção dos EUA na Venezuela. Conseguiu fazer isto, manifestando essa mesma satisfação pela queda de um ditador, mas contestando a forma como Trump agiu, sem concertar posições com os aliados nem preparar o futuro imediato na Venezuela.

Na segunda intervenção, atacou o grande adversário com quem tem disputado o eleitorado da AD, Marques Mendes, ao considerar “provinciano” que o queiram impedir de manifestar admiração pelo espírito reformista de Sá Carneiro e pela coragem política de Pedro Passos Coelho. Depois fez pontaria a António José Seguro e ao seu pacto para a saúde, sem se saber o objetivo.

Na terceira intervenção, que era para ser sobre os temas que entende que falta discutir nesta campanha (cultura e conhecimento), disse que “sem isso não vai haver a mudança que as pessoas querem” e aproveitou para, de rajada, atacar os quatro principais adversários: Seguro e Mendes por estarem na política há décadas; Gouveia e Melo por não se conhecerem as suas ideias políticas; e Ventura por não ter hipótese de vencer a segunda volta contra nenhum candidato, segunda as sondagens.

Quase a terminar, não deixou passar um ataque de André Pestana a quem defende o neoliberalismo americano. Indignou-se, perguntou a Pestana se alguma vez o tinha ouvido a defender o sistema de segurança social dos EUA e acusou-o de “demagogia”. Pelo meio, na sua luta pessoal com Marques Mendes, conseguiu falar primeiro sobre as pensões baixas do que o candidato da AD. E viu-o naquela tensão a acusar Gouveia e Melo de “ordinarice” — sem ter de se meter no assunto.

Jorge Pinto. A desistência em cima da mesa

Ataques a André Ventura: 1
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 1
Ataques a Catarina Martins: 2
Ataques a António Filipe: 1

A possível desistência de Jorge Pinto da corrida a Belém marcou o debate. Ao ser confrontado com a notícia de uma possível abertura a uma concertação com os partido de esquerda para dar vantagem a Seguro, Jorge Pinto afirmou: “Não será por mim que António José Seguro não será Presidente de Portugal”. O candidato passou a bola a Catarina Martins (apoiada pelo Bloco de Esquerda) e António Filipe (apoiado pelo PCP), que criticou por não terem mostrado abertura para um possível acordo até ao momento.

E não ficou por aqui. Jorge Pinto atirou uma vez mais a Catarina Martins, referindo que apesar de ter lançado o desafio para uma união à esquerda, quer ser ele “o contrapeso democrático” necessário ao país. A discussão do tema levou a que os ânimos se exaltassem e Jorge Pinto atacou ainda diretamente André Ventura, virando o jogo contra o candidato apoiado pelo Chega: “Fraude é mentir diariamente”, disse-lhe.

Na lista de visados de Jorge Pinto (que no debate da rádio tinha sido bastante curta) surge ainda João Cotrim Figueiredo. O candidato criticou o liberal por ter trazido para o debate o tema da cultura quando, no momento de rever a Constituição, teve intenções de eliminar “a linha do direito ao acesso à cultura”.

Gouveia e Melo. Ofensiva (extra)ordinária contra Mendes

Ataques a Luís Marques Mendes: 3
Ataques a António José Seguro: 2

Gouveia e Melo levou para o debate a estratégia de tentar cortar com a espada um sistema com duas cabeças: o candidato apoiado pelo PS e pelo PSD. Começou até a ser bastante duro com Seguro, acusando-o de vender a alma aos costistas num “casamento por conveniência” apenas pela conquista do poder. Mais à frente voltaria a atirar com tudo contra Seguro, dizendo que era um candidato “indeciso” e “redondo” que não conseguiria garantir a segurança do País.

Aproveitou, nesse ataque uma efeméride para ferir Seguro com um fogo amigo: “Amanhã faz nove anos que morreu Mário Soares, que disse sobre um candidato que está aqui ao meu lado que não tinha capacidade de decisão, era uma pessoa que não tinha o respeito do seu próprio partido”. Aí, até tiveram uma pequena altercação. “Deixe-me acabar”, disse Gouveia e Melo. Seguro retorquiu: “Não o interrompi. Não esteja nervoso”. O almirante ripostou de novo, com mais acidez: “Não estou nervoso.”

Mas o calor do debate acabaria por levar Gouveia e Melo a ser mais duro ainda com Marques Mendes, com quem não disfarçou a irritação. Se o primeiro ataque ao candidato do PSD foi ténue e indireto (“Temos de ser transparentes e não opacos”), numa segunda intervenção foi mais claro: “É muito difícil ter candidatos que são facilitadores de negócios e que possam ir para a Presidência”. Marques Mendes não deixou passar e disse que Gouveia e Melo nunca tinha dado nenhum exemplo. É aí que vem um terceiro ataque, mais irritado e implacável em quatro tempos.

Em intervenções laterais, já depois da sua vez na ronda, Gouveia e Melo levantou suspeitas sobre empresas (“empresas: JMF, ACA, Nutron, Atrys e outras empresas que estão relacionadas com influências. Por exemplo, os painéis solares da Madeira, como é que foram?”). Sobre o que fazia Mendes: “Já disse qual é a sua profissão?” ou “E tem praticado advocacia?”. E, por fim, quando o candidato apoiado pelo PSD acusou o almirante de optar por “ordinarices”, Gouveia e Melo foi aos arames num tom de aviso: “Ordinarice use a palavra com cuidado, porque ordinário em termos éticos é favorecer negócios com o Estado”.

Durante o debate, Gouveia e Melo faria ainda ofensivas em bloco aos dois (disseminados em intervenções ou grandes ataques já referidos) como, por exemplo, culpar PS e PSD pelo Estado da Saúde ou repetir que os dois nem conseguiram ganhar os seus partidos nem são consensuais nos mesmos.

Humberto Correia. Pobreza, pobreza, pobreza

Ataques: 0

Humberto Correia não atacou nenhum dos outros 10 candidatos presentes no debate e aproveitou o tempo de antena para vincar a importância que os problemas da pobreza e do acesso à habitação têm na sua candidatura. “A minha missão é resolver o problema da habitação de todos os portugueses”, afirmou o candidato. Enquanto antigo emigrante em França durante mais de duas décadas, defendeu que “Portugal não pode viver sem imigração”, mas que será preciso controlo para garantir que os portugueses “não são absorvidos”. Apesar de não ter sido um ataque direto a qualquer um dos presentes, alertou também para as alterações climáticas, que serão “o fim da humanidade”.

Luís Marques Mendes. Reagir à “ordinarice”

Ataques a Henrique Gouveia e Melo: 4
Ataques a André Ventura: 1
Ataques a Cotrim Figueiredo: 1
Ataques a António José Seguro: 1

Depois de dois dias de más notícias trazidas pelas sondagens, que começam a gerar sérias preocupações entre sociais democratas, Luís Marques Mendes chegou ao debate televisivo com uma estratégia bem diferente da que utilizara no debate da rádio. Se no primeiro tinha passado por entre os pingos da chuva, aproveitando a ausência de ataques dos adversários para tentar manter um discurso pela positiva, desta vez Mendes pareceu avaliar os riscos que as sondagens indicam e apareceu preparado para atacar.

O alvo principal, por iniciativa de Mendes mas também por necessidade de responder às provocações lançadas durante o debate, seria claramente Henrique Gouveia e Melo. Logo de início, Mendes quis recuperar a tese do almirante sobre dissoluções da Assembleia da República – admitiu utilizar a ‘bomba atómica’ em caso de incumprimento grave de promessas eleitorais por parte do Governo – para acusá-lo de não defender verdadeiramente a estabilidade do país, valor que considera prioritário. Mais à frente, e puxando pelo eleitorado da direita e do PSD em particular, lembraria que esta tese poderia ter sido aplicada ao Governo de Passos Coelho durante o tempo da troika.

Mas Mendes não ficaria por aí: no bolso levava também guardado e pronto a disparar o ataque a Gouveia e Melo por ter assumido que teria feito greve em dezembro, “coisa tipicamente do PREC”. Ainda assim, o seu ataque mais violento seria, na verdade, um contra-ataque, ao ver-se obrigado a responder de novo à acusação do almirante de que é um “facilitador de negócios” – “não sou, nunca fui”, declarou em tom duro, antes de concluir que o militar se “especializou em ordinarice”, num dos momentos mais quentes da noite. Mais uma vez, Mendes acabaria por acusar Gouveia e Melo de lançar insinuações e suspeições sobre os seus tempos como advogado sem as concretizar, ouvindo o almirante enumerar sem mais detalhes empresas com que trabalhou.

Os outros candidatos que podem tirar votos a Mendes ou diminuir as suas hipóteses de passar à segunda volta acabaram por sofrer ataques coletivos, mesmo sem que se desse ao trabalho de nomeá-los diretamente: sugeriu que Ventura é um candidato partidário e de fação, que Seguro defende a teoria “que não faz sentido” de que os ovos não devem estar todos no mesmo cesto (ou seja, que Presidente e primeiro-ministro não devem ser da mesma cor política), e que, a juntar a Gouveia e Melo, todos estes candidatos dizem ser independentes mas estão na verdade apostados em “criar dificuldades ao Governo”.

Rematou com outro ataque coletivo sobre uma das questões que têm dominado a campanha, mesmo que não seja claro se esta insistência se traduzirá em votos – classificou Gouveia e Melo, Cotrim e Ventura como “oportunistas” por usarem a memória de Sá Carneiro para se colarem ao antigo primeiro-ministro do PSD, que não era “radical nem liberal”.

Manuel João Vieira. A felicidade

Ataques: 0

A única coisa que Manuel João Vieira defendeu com alguma seriedade foi o direito constitucional à felicidade. Com alguma boa vontade, é possível admitir que o candidato estivesse genuinamente empenhado em lançar as bases de uma discussão jurídica e filosófica (que existe) sobre o conceito de realização plena do indivíduo e o papel do Estado na defesa desse direito.