1235,5kWh poupados 1235,5 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

i

FOTOILUSTRAÇÃO RODRIGO MENDES/OBSERVADOR

FOTOILUSTRAÇÃO RODRIGO MENDES/OBSERVADOR

Quem atacou quem no primeiro debate de Lisboa na rádio? Moedas o mais atacado, mas Leitão também não foi poupada

Debate na Rádio Observador juntou os quatro principais candidatos à Câmara de Lisboa e a estratégia de cada um saltou à vista. Moedas deixou PCP avançar sobre Leitão que fez aviso a João Ferreira.

Como é tradição entre incumbentes, Carlos Moedas foi o maior alvo de ataques, vindos de todos os adversários e de todas as direções. Só Alexandra Leitão se aproximou por carregar nos ombros o peso de 14 anos de governações socialistas, um legado a que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa acabou por se agarrar com todas as forças para se defender.

Ainda assim, sobressai deste debate transmitido na manhã desta sexta-feira em direto pela Rádio Observador, o papel de João Ferreira, que atacou quase tanto Moedas como Alexandra Leitão, a candidata do PS. O mesmo aconteceu com Bruno Mascarenhas, do Chega, que continua a tentar colar PSD a PS. O Observador contabilizou os ataques que cada um dos adversários fez durante o debate.

Moedas. O alvo de todos que se defendeu com a herança do PS

Ataques a Alexandra Leitão: 6
Ataques a João Ferreira: 2
Ataques a Bruno Mascarenhas: 1

Carlos Moedas foi o mais atacado por todos durante o debate e usou a herança da governação socialista como a arma de defesa e de arremesso, o que transformou Alexandra Leitão no seu alvo a abater. Nos seis ataques diretos à socialista, da habitação à higiene urbana e mobilidade, Moedas continua a apostar numa ideia de que o trabalho está a meio e que partiu de um patamar desafiante.

“Há realmente problemas de higiene urbana que vêm de há catorze anos, de decisões políticas tomadas pelo seu partido” ou “tivemos decisões políticas do PS totalmente erradas”, foi justificando Moedas, sempre a apontar no sentido de Alexandra Leitão, que estava sentada mesmo ao seu lado. Por outro lado, aproveitou o passado recente para colar o PS a uma “esquerda radical” ou “extrema-esquerda” ao dizer que, por “cegueira ideológica”, houve bloqueios a projetos da autarquia.

Descreveu-se como “um presidente que o PS e a oposição sempre bloqueou”, dizendo que nunca pode “comprar ou vender qualquer ativo da câmara ou qualquer terreno” devido aos votos dos partidos da oposição, enquanto “o PS vendeu 800 milhões de património entre Costa e Medina”. E voltou a virar-se para Alexandra Leitão para recordar que Fernando Medina, na altura, foi completamente contaminado pelo Bloco de Esquerda, sempre numa tentativa de mostrar que este é um PS radicalizado. De tal forma que, na apresentação de candidatura, chamou a si os socialistas moderados.

De resto, num plano muito mais reduzido, Carlos Moedas atacou João Ferreira também pela oposição feita durante os últimos quatro anos e a tal “cegueira ideológica” a que se referiu. E deixou praticamente para o final uma crítica comum a todos os adversários, pedindo que não se façam “julgamentos públicos” sobre o acidente do Elevador da Glória — o tema que entrou de rompante da campanha e que coloca o presidente da autarquia à espera de respostas.

Alexandra Leitão. Moedas foi alvo, mas o aviso mais sério foi a João Ferreira

Ataques a Carlos Moedas: 8
Ataques a João Ferreira: 1
Ataques a Bruno Mascarenhas: 0

Há um momento do debate em que Alexandra Leitão acusou Carlos Moedas de nada ter feito para travar o Governo na venda de património do Estado em Lisboa, mas acabou por ter um reparo do candidato do PCP (ver em baixo), que nem era visado. Vinda de um debate televisivo onde a estratégia comunista centrada no PS fez mossa, Leitão atirou-se a João Ferreira: “Deixe-me que lhe diga com toda a simpatia”. E quase de dedo em riste fez uma espécie de aviso ao comunista: “Tudo o que possa ter acontecido de menos bem para trás não tem nada a ver com os quatro anos que estão a ser julgados agora”.

Foi a única vez que atacou João Ferreira — para lhe dizer que era “injusto e pouco rigoroso” pôr esta governação e as anteriores no mesmo saco –, mas foi uma investida significativa num contexto de PS acossado pelo PCP em Lisboa. Mesmo sem querer fazer de João Ferreira adversário, Leitão vinha com a estratégia comunista atravessada e não resistiu a ir para esse campo — enquanto o principal adversário Moedas assistia.

De resto, a linha de ataque principal centrou-se mesmo em Carlos Moedas, que foi o adversário nesta corrida que a socialista mais vezes criticou (oito vezes, nas contas do Observador) e em vários temas. Começou pela mobilidade, atacando a gestão de Moedas pela Carris, pela falta de faixas BUS, as ciclovias perigosas e as dificuldades para os peões. Mas também pela habitação, onde atacou Moedas sobretudo pela fraca capacidade de mobilizar privados para a construção de nova habitação — e ainda tentou acertar novamente as contas das chaves distribuídas em Lisboa por Medina. Disse que a cidade “está mais suja”, que Moedas se queixa de falta de condições de governabilidade sem razão (o PS deu essas condições “e não está arrependido”) e ainda tentou explorar a aliança de Moedas com a IL, quando falou na “liberalização total” que os liberais defendem em relação aos TVDE. Continua a tentar a entrada ao centro, deixando mais desguarnecida (e atacada) a sua esquerda.

João Ferreira. Quase tantos ataques a Moedas como a Leitão

Ataques a Carlos Moedas: 6
Ataques a Alexandra Leitão: 4
Ataques a Bruno Mascarenhas: 1

João Ferreira chegou a soar em uníssono com Carlos Moedas quando os dois lembraram à socialista que também o quartel da Graça tinha sido concessionado de forma questionável. “Exatamente”, incentivava Moedas quando o comunista interrompeu a acusação que Leitão fazia ao autarca de nada ter feito para travar vendas de património público em Lisboa pelo Estado.

O comunista usou essa acusação de Leitão por duas vezes para lembrar a socialista que o PS não tinha feito diferente e também que não é a Câmara que tem de comprar ao Estado central “que também tem deveres na habitação”. Ao ponto de ter suscitado um aviso de Leitão (ver em cima), a que respondeu garantindo que não considera que PSD e PS sejam iguais (“não é igual”), mas que a gestão socialista “não deve ficar fora da equação”.

A estratégia de João Ferreira de somar à esquerda ficou bem patente na curta diferença entre o número de ataques que fez a Moedas (6) e os que fez a Leitão (4). Ainda os juntou para apontar à falta de estabilidade das equipas camarárias e ainda na repartição de competências na higiene urbana, que lembrou ter nascido sob a gestão socialista (2012).

João Ferreira avançou para o terreno de ataque de Leitão a Moedas e acentuou a sua estratégia de somar à esquerda. Mas não deixou de ser Moedas o principal alvo, por não assumir posição na linha circular, pela política de mobilidade e ambiental, por não ter falado sobre as vendas de património do Estado e pela higiene urbana. Neste último tema ainda cruzou com um ataque a Bruno Mascarenhas, do Chega, ao dizer-lhe que a transferência de poderes para as freguesias na higiene urbana abre “portas aos tuttis fruttis desta vida. O Chega tem apoiado este modelo na AML”.

Bruno Mascarenhas. O ataque conjunto a PSD e PS

Ataques a Carlos Moedas: 7
Ataques a Alexandra Leitão: 4
Ataques a João Ferreira: 2

Foi o mais apagado do debate, ainda que tenha tentado mimetizar a narrativa iniciada no primeiro confronto político a quatro: uma espécie de são todos iguais e o Chega é a alternativa. Fê-lo em ataques a PS e PSD, com tacadas tanto a Moedas — ao referir “não teve a capacidade de limpar pessoas que estão a dirigir a higiene urbana em Lisboa há muito tempo” —, como a Alexandra Leitão, recordando que “muitas delas são do PS”. Pelo caminho, ainda conseguiu criticar a CDU no que à higiene urbana diz respeito, defendendo que os comunistas querem um sistema que ponha os “sindicatos a controlar o maior número de pessoas” possível.

Também acabou por argumentar com a “cegueira ideológica”, que atribuiu aos três adversários, na questão da mobilidade, acusando PSD, PS e PCP de “privilegiarem o transporte individual, [como] as bicicletas e as trotinetes, e não um bom transporte coletivo”. Queixou-se ainda, durante uma das restantes intervenções, do excesso de TVDE.

Bruno Mascarenhas considerou que “a cidade está pior” e acusou Carlos Moedas de ser o responsável, designadamente por fazer “propaganda”. E ainda tentou dizer que Moedas sabe “muito bem” o que aconteceu no acidente do Elevador da Glória, que o Chega fez perguntas, e acabou a ser contrariado pelo presidente da autarquia num dos momentos de bate-boca mais quentes do debate. Já ao cair do pano, a prova de que a estratégia de Mascarenhas será a tradicional colagem entre socialistas e sociais-democratas e a tentativa de polarização com o Chega: “Este sistema está cheio de pessoas acusadas de corrupção no PS e no PSD.”

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.