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Cláudio Manuel Neves Valente, o português suspeito do ataque à Universidade Brown que matou duas pessoas e do assassinato do professor do MIT Nuno Loureiro, tem 48 anos, é natural de Torres Novas e vivia atualmente em Boston — a última residência conhecida antes dessa seria em Miami. No seu percurso académico há ligações à universidade onde fez o ataque e ao físico responsável pelo Centro de Ciência do Plasma e Fusão do MIT — é um ex-aluno de Brown, em Providence, Rhode Island, e formou-se no Instituto Superior Técnico como Loureiro –, mas as motivações não são ainda claras para as autoridades.
O suspeito apanhado por câmaras nas imediações do Campus no sábado terá depois disso, e com a caça ao homem montada pelas autoridades norte-americanas em curso, viajado para Brookline, Massachusetts, a cerca de 75 quilómetros, onde dois dias depois Nuno Loureiro foi assassinado à frente da filha de 14 anos. Nos dias seguintes as autoridades recusaram fazer qualquer ligação entre os dois crimes, mas as informações recolhidas permitiram esta quinta-feira suspeitar que teria sido usado o mesmo carro nos dois casos.
Cláudio Valente terá sido encontrado horas depois morto, com um tiro autoinfligido, num armazém, em New Hampshire, a uma hora de carro do último crime, a duas da universidade Brown.
Onde cresceu e viveu o suspeito?
Cláudio Valente nasceu em 22 de janeiro de 1977 e terá estudado na escola secundária Maria Lamas, Torres Novas, sendo natural daquela região do país. Continuou os seus estudos na capital, no Instituto Superior Técnico, na década de 90, de acordo com as autoridades norte-americanas, período que coincide com a passagem de Nuno Loureiro, natural de Viseu, por aquela instituição de ensino superior portuguesa. Ambos terão frequentado inclusivamente o mesmo curso, de Física.
Segundo noticiado pela CNN Portugal, o suspeito dos ataques trabalhou como monitor no Instituto Superior Técnico, tendo o seu contrato sido rescindido pelo presidente João Hipólito a 29 de fevereiro de 2000.
Em declarações na madrugada desta quinta-feira, Leah Foley, procuradora federal de Massachusetts, disse que a investigação acredita que Valente conhecia Nuno Loureiro, ainda que não tenham sido dados mais detalhes sobre o que faz as autoridades estabelecerem esta ligação.
Video of person of interest in Brown shooting: pic.twitter.com/fjufQ3MTdC
— Providence Police (@ProvidenceRIPD) December 14, 2025
A chegada a Boston com visto de estudante
A chegada aos EUA aconteceu poucos anos após a passagem pelo Técnico, no ano 2000. Terá entrado com um visto de estudante, pelo Aeroporto Internacional Logan de Boston, segundo escreve o New York Times. E é nessa altura que terá ingressado na Universidade Brown, tendo feito a matrícula no final do mesmo ano numa pos-graduação.
Após uma interrupção, que terá acontecido em abril de 2001, acabou por sair da universidade em junho 2003 — não tendo qualquer ligação atual com esta instituição. O mesmo jornal diz que tendo em conta a área dos estudos o mais provável é que conhecesse bem Barus e Holley, o complexo de física onde o tiroteio aconteceu.
ENHANCED VIDEO: We are releasing an enhanced video of the person of interest in the Brown University incident. Footage was captured on the East Side of Providence on Saturday afternoon before the incident.
Please share widely and contact the official tip line if you have… pic.twitter.com/mewBSflOiO
— Providence Police (@ProvidenceRIPD) December 16, 2025
Os investigadores acreditam mesmo que o atirador usou uma porta com acesso direto para uma rua com residências, dificultando a sua identificação pelas inúmeras câmaras que existem na Universidade, o que pode sugerir que conhecia bem o local.
Depois de ter estado com visto de estudante, acabaria por obter o estatuto de residente permanente legal nos EUA há menos de dez anos, em 2017, através de um programa de sorteio anual de vistos, que na madrugada desta sexta-feira foi suspenso pela Administração norte-americana, numa reação às conclusões desta investigação.
Mas Valente conhecia as vítimas do atentado em Brown?
Ao contrário do que acontece com a relação com Nuno Loureiro, as autoridades norte-americanas dizem não ter qualquer indício de que o suspeito conhecesse as vítimas mortais do ataque à Universidade Brown, nem mesmo qualquer um dos nove feridos. Apesar disso, a investigação continua para perceber se há alguma linha de investigação que trace uma relação ou ajude a encontrar uma motivação para o que aconteceu.
▲ Nuno Loureiro foi assassinado na segunda-feira
Instituto Superior Técnico/Jake Belcher
Após a passagem por Providence, há mais de vinte anos, Cláudio Valente foi vivendo entre Portugal — onde chegou a trabalhar durante anos — e os EUA. A última morada formal conhecida nos EUA foi em Miami, mas as autoridades recolheram informações de que no último mês se mudou para Boston, onde foi alugado o carro usado para se deslocar entre os vários locais onde cometeu os crimes.
Como a polícia passou a suspeitar de Cláudio Valente?
Apesar de inicialmente ter sido descartada uma ligação entre os dois crimes e de ter até sido detida uma pessoa com interesse que viria a ser libertada pouco depois, informações cedidas por uma pessoa que esteve próximo de Cláudio Valente e que acabaria por se apresentar às autoridades colocaram-no no centro dos dois crimes. Foi esse informador que levou a polícia até ao carro usado.
“Foi isso que nos levou ao seu nome, o que nos levou às fotografias dessa pessoa a alugar o carro e que correspondiam à roupa do atirador em Providence, por sua vez que correspondia à mochila que vemos aqui”, afirma o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha.
Durante todo este período tudo terá sido pensado ao pormenor pelo suspeito, que “usava um telemóvel que era difícil de rastrear”. Leah B Foley, procuradora dos EUA de Massachusetts, assume mesmo que o português “era sofisticado a esconder o rasto”, tendo até usado uma matrícula do do estado do Maine sobre a matrícula verdadeira do carro.
Onde e como foi encontrado o corpo suspeito?
O suspeito acabaria por tirar a própria vida dentro do armazém de Salem, New Hampshire, numa altura em que as autoridades já o tinham identificado e estavam prestes a detê-lo.
▲ Polícia no exterior do armazém onde o corpo de Cláudio Valente foi encontrado
Boston Globe via Getty Images
De acordo com o chefe de polícia de Providence, no estado norte-americano de Rhode Island, Oscar Perez, junto ao corpo de Cláudio Valente foi encontrada uma mochila e duas armas de fogo.
Na mesma conferência de imprensa foi revelado que nas proximidades foi ainda localizado o carro, dentro do qual as autoridades terão encontrado provas que correspondem ao ataque na Universidade Brown, adianta a BBC.
Texto atualizado com a informação de que Cláudio Valente não viveu nos EUA desde 2000, tendo passado uma parte dos últimos anos em território português.