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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Um dia com Ricciardi: WhatsApp, lives no Facebook e uma imperial com as claques antes do jogo /premium

Encontrou-se com a lista no Colégio Alemão, fez lives no Facebook, passou pelas claques e vibrou na central com o golo de Jovane. Um dia com José Maria Ricciardi, candidato à presidência do Sporting.

A entrevista à Sporting TV tinha acabado há pouco tempo. José Maria Ricciardi acede ao pedido do Observador para responder a algumas questões como foi sendo feito por todos os outros candidatos — mas, como a hora do início do jogo não está assim tão longe, aproveita para passar pela sala de caracterização enquanto tudo é montado numa sala ali ao lado no mesmo corredor. Questões feitas, dúvidas desfeitas e um último pedido: consegue dar três toques na bola? “Deixe-me então preparar primeiro, se faz favor”, pede. Ao saber que entre os outros cabeças de lista não existe propriamente muitos artistas da bola, parece ficar mais calmo e logo numa das primeiras tentativas consegue o tal número mínimo de três. Mas quer mais. E vai tentando. “Mesmo não sendo nenhum jogador conseguia dar mais, é a bola que não está a subir o suficiente”, explica. E continua a tentar.

Se existe traço que pode definir o banqueiro é este: competitivo, empenhado, destemido com o risco, alguém que quando coloca algo na cabeça é muito complicado desfazer essa ideia. Tem sido assim nos debates, tem sido assim nas entrevistas, tem sido assim nas várias sessões de esclarecimento que deu nos últimos dias. E também foi assim ao longo do dia, neste caso aquilo que se pode chamar um dia de Sporting onde tanto fez vídeos em direto para a página oficial do Facebook da candidatura como foi à sede de claques do clube brindar de imperial na mão. No final, conseguiu a recompensa que mais desejava – a vitória dos leões, com um golo nos últimos minutos de Jovane Cabral, a jovem coqueluche verde e branca nos dias que correm.

[Veja o vídeo em que José Maria Ricciardi responde às perguntas do Observador – e dá uns toques na bola]

Ricciardi é um candidato diferente dos outros e tem perfeita noção disso na forma como muitas vezes percebe o que se passa à sua volta, incluindo algumas bocas menos favoráveis, sem desarmar ou mudar a expressão. Aliás, grande parte do tempo está a sorrir, quase como se tivesse saído de uma bolha para encontrar uma zona de conforto que nunca tinha experimentado. Neste caso, e ao contrário dos restantes nomes, percebemos pelo trajeto que fazemos do Colégio Alemão até Alvalade que não existe propriamente um meio termo: ou as pessoas gostam, aproximam-se e dão alento para a última semana de corrida ou não gostam, afastam-se e atiram algumas farpas soltas às vezes impercetíveis. Indiferença ou aquela ideia do “não gosto nem desgosto”, isso, não existe. Mas esta também é a pessoa que não se furta a passar pelas zonas mais movimentadas, que tira selfies, que depois de ouvir alguém dizer “Eu não vou votar em si” pede um minuto para responder a dúvidas começando com um “Não o vou tentar convencer a votar em mim”.

José Maria Ricciardi juntou-se aos restantes elementos da lista perto do Colégio Alemão e foi a pé para Alvalade

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11h-19h

A recusa ao rodízio de entrevistas e a importância de alguém com credibilidade

Existe uma diferença visível no rumo que a campanha que o banqueiro tem vindo a fazer sofreu nas últimas semanas. Puxando o filme atrás, e depois do anúncio oficial na CMTV, Ricciardi deu uma entrevista grande a um jornal desportivo onde explicou os motivos que o levavam a avançar com a primeira candidatura à presidência do Sporting (depois de ter estado quase 20 anos no Conselho Fiscal e Disciplinar a partir de 1995, como vogal e mais tarde vice, além de ter integrado ainda o Conselho Leonino por inerência e nomeação), fez uma viagem a Nova Iorque para contactos com possíveis investidores estrangeiros, oficializou as listas e teve no primeiro debate, que acabou por ser a quatro na CMTV, uma espécie de rampa de lançamento para o que se seguiria. Depois, e sobretudo no seguimento do primeiro estudo de opinião publicado pelo jornal A Bola, deixou de assentar parte da campanha nas entrevistas e nos debates, passando mais tempo em encontros com sócios, nos núcleos e nas redes sociais.

Dos 120 milhões a breve prazo ao jogador que ganha cinco milhões sem jogar: o primeiro debate do Sporting

Rebobinando agora um pouco mais esta campanha, antes e durante a apresentação oficial do seu projeto no CCB, José Maria Ricciardi foi repetindo que não tinha qualquer conta pessoal no Twitter, chegando mesmo a deixar a ameaça a quem se estava a apropriar do seu nome de que poderia levar as suas ações mais longe. Hoje, englobado na comunicação da sua campanha, não só recorre às redes sociais como faz lives no Facebook e, surpresa do dia, responde a várias mensagens no WhatsApp que criou com o intuito de poder responder a dúvidas e questões sobre o que pensa para o futuro do Sporting. “Várias vezes, durante o dia ou à noite, não só responde como chega a telefonar a algumas pessoas por considerar que é a melhor forma de chegar a elas, qualquer que seja a mensagem. E já chegou a ligar a pessoas que lhe enviavam textos com reparos ao que dizia e dizendo que não votavam nele, ele é assim”, explica a assessoria de imprensa do número 1 da lista B nas próximas eleições.

“Sem pachorra” para o passado, com uma surpresa no presente, crente num futuro melhor: a apresentação de Ricciardi

Na véspera do jogo, Ricciardi tinha estado numa sessão de esclarecimento num hotel em Lisboa, onde teve oportunidade não só de dialogar com várias pessoas como também de responder a perguntas que iam chegando através do Facebook. Pela hora tardia a que terminou, e porque no domingo ia arrancar bem cedo para o Norte do País, acabou por não ter qualquer ação da parte da manhã, poupando energias para o que restava não só do fim de semana mas também da última semana. Assim, o sábado de candidatura com uma entrevista no canal do clube, individual, gravada e transmitida no dia seguinte. E, ao contrário do que tem acontecido nas anteriores intervenções, chega de polo verde e sem fato ou gravata. Já maquilhado, senta-se, deixa os óculos na mesa e confere os apontamentos que tem à sua frente no início. “Aquele rodízio de entrevistas a que não fui não é digno de um presidente”, desabafou momentos antes do arranque.

Por questões de agenda e por estar no Norte todo o domingo, a entrevista individual na Sporting TV foi gravada no sábado

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“Essa questão do futebol de que têm falado é um equívoco. Aliás, nos últimos anos o Sporting teve o melhor treinador em Portugal e não ganhou porque o problema é a falta de união, de coesão e de liderança. É isso que temo em relação ao futuro: se falhar mais uma vez, depois não haverá margem para andar na primeira divisão europeia e é preciso resolver problemas económicos e financeiros para se ganhar no futebol. Se algum desses experimentalismos falhar, a situação depois vai ser crítica. Um traz pessoas da Argentina [nd.r. Frederico Varandas], outro no Norte da Europa e que ainda agora estavam no sorteio da UEFA a representar outro clube [n.d.r. João Benedito]… É tudo folclore, mas deixo para os sócios”, referiu, prosseguindo: “Se vou ter ordenado como presidente? Sim, como qualquer outro. Se há coisa que detesto é isso do pro bono, traz sempre desconfiança”.

"É isso que temo em relação ao futuro: se falhar mais uma vez, depois não haverá margem para andar na primeira divisão europeia e é preciso resolver problemas económicos e financeiros para se ganhar no futebol. Se algum desses experimentalismos falhar, a situação depois vai ser crítica".

Em assuntos mais ou menos ligados ao Sporting, é frontal. Admite que nos últimos anos houve casos na sua família que “correram francamente mal”, mas salienta que sempre teve a ambição de ser banqueiro para dar seguimento a uma tradição de 150 anos. Para mostrar que é preciso alguém com credibilidade e reputação para falar com bancos e investidores, vai buscar o exemplo de Carlos Vieira, de quem admite não morrer de amores (e que é algo recíproco), que na véspera tinha falado numa situação financeira muito difícil. “Deixe que lhe diga que até existe alguma irresponsabilidade e inconsciência sobre aquilo que o clube está a viver da parte de outros candidatos”. Quando é pedida uma recordação, fala nas manifestações que teve na tribuna do Jamor na final da Taça de Portugal de 2007, onde estava o então Presidente da República Cavaco Silva, que não passaram ao lado de ninguém após do triunfo por 1-0 do Sporting frente ao Belenenses com o golo aos 88′. E ainda tem memória de, aos dez anos, ouvir o relato da final da Taça das Taças de 1964 com o MTK de Budapeste.

De forma mais ou menos assumida, de maneira direta ou nas entrelinhas, não perde uma oportunidade para ir enviando farpas para alguns dos adversários. Para Benedito, quando fala nas comparações com o modelo de Rummenigge e Beckenbauer. Para Varandas, a acusação de ser um presidente treinador. Para ambos, a certeza de que, “sem desprimor para ninguém, liderar pequenas empresas não é a mesma coisa do que um barco da dimensão do Sporting”. E é nesse contexto que avança com toda a importância da internacionalização da marca, nos Estados Unidos, na Ásia e em África, sobretudo nos PALOP, antes de fazer a defesa da sua equipa: “Falar mal ou criticar o José Eduardo só mesmo por maledicência ou inveja, mas isso não me afeta nada; Caneira é alguém que sabe imenso de futebol mas junta também a isso a capacidade de gestão”. “Referências como presidentes? Duas: João Rocha, um dos maiores de sempre sem ser um especialista em futebol; e José Roquette, o meu primo, que fez um trabalho notável construindo um estádio cinco estrelas e uma Academia”, completou.

Ricciardi encontrou-se com os membros da lista perto do Colégio Alemão depois de sair de Carnaxide

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19h-20h45

Os lives no Facebook a caminho de Alvalade a pé e o convívio com as claques

Quando sai da Sporting TV, José Maria Ricciardi entra no carro com motorista e arranca para a zona do Colégio Alemão, no Campo Grande. Ainda nem sequer fechou a porta e já está a agarrar no telefone, não disfarçando a urgência em fazer um contacto. Em Carnaxide, além do staff de apoio, não tem mais ninguém das listas candidatas às eleições; ali, na zona anteriormente combinada, a realidade é outra. O banqueiro não é propriamente um grande adepto de festins, como havia nas eleições no final da década de 80, onde campanha que não tivesse balões verde e brancos, fitas e bolas ao barulho não era uma verdadeira campanha. Ainda assim, estão já preparadas quatro jovens equipadas a rigor com t-shirts brancas da lista B para distribuírem pelos interessados que vão passando rumo ao jogo, de camisola, cachecol e/ou bandeiras.

José Maria Ricciardi: “Estou-me nas tintas para que me achem um croquete”

José Eduardo, Zeferino Boal e Jorge Gurita, candidatos a vices do Conselho Diretivo em diferentes áreas, já se encontram no local onde chega também entretanto Bruno Mascarenhas, antigo membro da Direção de Bruno de Carvalho que se demitiu antes da Assembleia Geral destitutiva. E estão por lá ainda Miguel Frasquilho e João Proença, números 1 e 2 à Mesa da Assembleia Geral no próximo ato eleitoral, e Marco Caneira, o antigo jogador leonino eleito para assumir a pasta do futebol. É aqui, neste arranque de viagem, que começamos a ver algo que se tornaria regra: Ricciardi não é propriamente uma figura unânime, mas lida bem com isso, num jogo de cintura elogiado pelos próprios rivais.

“Não fazemos grupinhos, segmentos nem coisas de pastelaria”: José Maria Ricciardi oficializou lista às eleições

“Olha o gajo do BES, ainda queria vir para aqui”, atira um adepto sem deter a marcha. “Deixe-me dar os parabéns a este amigo, pela coragem que está a ter para salvar o nosso clube”, destaca outro que trava a marcha para ir buscar a t-shirt da lista B, cumprimentar o candidato e demonstrar o seu apoio. O banqueiro é o primeiro a dar o mote para arrancarem a viagem, até por estar preocupado também com o live do Facebook que estava marcado com os seus seguidores e que entretanto atrasou. E a “febre” das t-shirts é tal que um polícia que anda por ali chega mesmo a pedir uma para levar a um amigo. Ainda antes de passar por baixo do viaduto da Avenida Padre Cruz, faz a primeira intervenção, sempre com a preocupação de responder às perguntas que vão sendo colocadas pelos adeptos leoninos nas redes sociais.

Ainda não têm idade para votar, mas foram muitos os jovens que quiseram tirar selfies com Ricciardi

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Existe uma preocupação de alguns elementos da comitiva em manter o grupo sempre junto, dando quase ideia de ser uma equipa a chegar a Alvalade. Inicialmente, a trajetória indiciava que estaria a ir em direção ao Pavilhão João Rocha; depois, há uma inversão no rumo e Ricciardi dobra o edifício Visconde de Alvalade (o seu tio avô) e vai como quem segue para o Alvaláxia. Mais um live, mais cumprimentos a sócios e adeptos que vão passando. “Olhe, vou chegar lá e dou dois votos a cada, ponho uma cruz em todos”, diz um deles. “Muito bem, mas deixe-me falar consigo para esclarecer a importância destas eleições. E não quero convencê-lo a votar em mim, só quero que me possa ouvir um minuto”, pede o banqueiro. Alguns canais que faziam diretos no exterior do estádio antes do início do jogo apontam os holofotes ao candidato mas acabam por não acompanhar a sua marcha em direção à zona das claques do clube. E é mesmo para aí que o líder da lista B acaba por seguir.

Mais um live, mais alguns cumprimentos a sócios e adeptos que vão passando. "Olhe, eu vou chegar lá e dou dois votos a cada, ponho uma cruz em todos", diz um deles. "Muito bem mas deixe-me falar consigo então para esclarecer a importância destas eleições. E não quero convencê-lo a votar em mim, só quero que me possa ouvir um minuto", pede o banqueiro.

A comitiva percebe que existe mais do que uma sondagem a ser feita nos arredores de Alvalade mas acaba por relativizar todo esse movimento, dizendo que só o simples facto de o local onde a questão acaba por ser feita acaba por desvirtuar o resultado final, mesmo tratando-se de um mero estudo de opinião, em alguns casos não vinculativo por ser apenas um barómetro interno para as candidaturas medirem o pulso ao universo verde e branco a uma semana do sufrágio. Entretanto, José Maria Ricciardi já tinha entrado na Casinha da Juventude Leonina, a claque mais representativa do Sporting, com alguns membros da sua lista. E é aí que surge a principal surpresa do dia, pela forma como passa alguns minutos de forma cordial no espaço.

Na sede da Juve Leo, teve uma visita guiada pelas instalações, viu como funciona a venda de bilhetes e fez um brinde pelo Sporting

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Em comunicado conjunto ainda em julho, os quatro grupos organizados de adeptos do Sporting tinham manifestado “total independência e equidistância” em relação a todas as candidaturas que pudessem surgir. Logo aí, todas as dúvidas acabaram por ficar esclarecidas. Foi por isso que, apercebendo-se da chegada de Ricciardi, Nuno Mendes, mais conhecido por Musta, o número 1 da Juve Leo, foi até à zona de entrada, fez as honras da casa numa curta visita às instalações e teve ainda oportunidade de fechar por breves momentos a bilheteira para mostrar ao banqueiro como funciona o sistema da claque na venda de ingressos, da confirmação da filiação ao grupo até ao preço das entradas. Pelo meio, houve ainda a oferta de uma imperial aos visitantes, numa deslocação selada com um brinde de agradecimento enquanto se ouviam músicas do Sporting.

Mais uma volta, mais uma guinada. Após sair da sede da Juventude Leonina, Ricciardi parecia encaminhar-se para o caminho contrário em direção ao lugar que ocuparia durante o jogo; no entanto, acabou por travar a marcha e ir ainda à sede de mais duas claques. Junto ao Directivo Ultras XXI, o candidato troca algumas palavras com Filipe Ribeiro, mais conhecido por Gabi, o número 1 da claque, e avança depois para o interior. “Isto é só malta de direita!”, ouve de um dos elementos que por lá andavam. “Olhe, por acaso temos mais pessoas do PS”, responde com uma naturalidade que desarma os presentes. Mais uma imperial, mais uma passagem por uma sede, neste caso da Brigada Ultras Sporting, onde se repete o filme com algumas pessoas a olharem duas vezes para o banqueiro tentando perceber se era mesmo ele. Da parte de Ricciardi, ia distribuindo sorrisos e cumprimentos, sendo ou não apoiantes. Só ficou a faltar a Torcida Verde. Por não ter tempo, não chega a passar por lá, mas fica a garantia de que chegaria uma explicação da sua comitiva para isso mesmo aos próprios.

O banqueiro, aqui com Caneira, passou pela Juve Leo, pelo Diretivo (na foto) e pela Brigada, seguindo para o estádio

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20h45-23h

“O Mundo sabe que” de cachecol ao alto, as selfies e a festa com o golo de Jovane

A subida para a zona de acesso da porta 1 é feita num passo mais acelerado. O grupo apanha o elevador (grande, por causa das cargas e descargas de material), que fica de tal forma cheio que ainda se ouve o alarme para o excesso de peso, e ainda assim algumas pessoas têm se esperar pela próxima viagem. Antes de ir para o seu lugar, passa pela Casa do Marquês, onde estão alguns elementos da equipa de veteranos leonina, e desce para o hall VIP, entrando por aí para o setor A1, onde veria o jogo. Ainda chega a tempo da entrada das equipas e do “O Mundo sabe que”, cantado de cachecol bem esticado no ar. Senta-se, ajeita os óculos e está pronto para ver o encontro frente a uma equipa que surpreendeu no início do Campeonato.

Ainda chegou a tempo do "O Mundo sabe que", o cântico que envolve todo o estádio antes do apito inicial

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Os primeiros minutos arrancam aplausos para combinações ofensivas que colocam a baliza do Feirense em perigo. Ladeado por José Eduardo, vice que terá a responsabilidade do futebol, e Miguel Frasquilho, candidato à liderança da Mesa da Assembleia Geral, vai falando cada vez mais com os companheiros de bancada durante aquelas horas, não disfarçando a impaciência por não ver o caudal atacante inicial resultar em golo. A partir de certa altura, começam a sentir-se os fantasmas do passado, com os nervos a ficarem à flor da pele com mais uma oportunidade falhada por Edinho na pequena área em cima do intervalo. Antes, mesmo ali ao seu lado, alguns associados tinham colocado a partida em segundo plano focando atenções em Jaime Marta Soares, líder da Mesa que se preparava para descer ao relvado com o campeão europeu do triplo salto, Nelson Évora; com o medalhado nos Europeus de atletismo adaptado Luís Gonçalves; e com o presidente da Comissão de Gestão, Artur Torres Pereira. “Tu é que és o culpado disto tudo, vai-te embora!”, ouve-se. Ricciardi passa ao lado das críticas.

No final da primeira parte, regressa ao hall VIP onde permanece durante os 15 minutos de descanso. A caminho dessa zona, a mesma que atravessou quando oficializou a entrega da lista, aproveita para tirar algumas selfies, incluindo com muitos jovens (alguns ainda sem capacidade de voto, acrescente-se, mas que simpatizam com a figura do banqueiro). Por ali estão Eduardo Barroso com o filho, Francisco Salgado Zenha (vice de Frederico Varandas para a área financeira) ou João Benedito com mais alguns nomes da sua lista e André Cruz, que fala um pouco de todas as línguas quando lhe fazem perguntas. “Tem lugar há 14 anos aqui? Olhe, mas eu nunca o vi cá”, diz um sócio num tom mais elevado. “Olhe que não, está enganado. Tem mesmo lugar e não é assim”, vão tentando esclarecer do lado da sua candidatura. Entretanto, o banqueiro, de mãos nos bolsos, dando pequenos passos para a frente e para trás mais nervoso com o nulo que não se desfaz do que propriamente com o que se passa à sua volta, vai recebendo alguns associados naquela zona que vão chegando para lhe dar os parabéns pela candidatura.

A informação privilegiada, a camisola do Benfica e o caso BES: o debate do Sporting (e as suas táticas)

O segundo tempo recomeça na mesma toada, sem golos na baliza de Secco e com algumas boas saídas ofensivas do conjunto de Santa Maria da Feira. Ricciardi, agora a trocar mais vezes impressões com Frasquilho do que com José Eduardo, vai olhando de quando em vez para os ecrãs gigantes conferindo o tempo de jogo. Aplaude todas as substituições, quase se levanta nos períodos de maior galvanização da equipa de José Peseiro. E seria Jovane Cabral, a nova pérola que já antes utilizou como exemplo de como a formação do Sporting continua a produzir grandes talentos, a marcar o único golo a três minutos dos 90′ regulamentares. Festa rija com todos aqueles que o rodeiam, incluindo Caneira que está na fila de cima, e um certo alívio que se torna transversal a toda aquela bancada. Após o apito final, quando a maioria abandona o estádio, permanece no lugar a retribuir o agradecimento dos jogadores com palmas e não deixa de se mostrar espantado pela festa que é feita na Curva Sul com todos os que estão no relvado, inspirada num cântico de Pedro Portela depois da quebra do jejum de Campeonatos no andebol. Quando todos recolhem aos balneários, sai e volta a passar pela Casa do Marquês, onde aproveita para comer qualquer coisa com os elementos da lista e combinar o dia seguinte, que contará com passagens por Braga, Porto e Coimbra.

A seguir ao golo de Jovane Cabral, celebrou com José Eduardo e Miguel Frasquilho; no final, festejou com Caneira a vitória

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Há um vídeo gravado pela candidatura do antigo líder do BESI e do Haitong Bank que resume o que têm sido estas últimas semanas do banqueiro. Na simulação de uma conversa no WhatsApp, é pedida uma boa razão para votar na lista B. A resposta é a seguinte: “Bom dia caro sócio indeciso. Dou-lhe cinco razões para não votar José Maria Ricciardi: 1) não vou esconder a situação real do Sporting; 2) sim, vou mudar o estádio e dar aos sportinguistas a casa que tanto merecem; 3) sim, vou implementar processos tentáveis para as modalidades poderem crescer; 4) no futebol, vou procurar a maior rentabilidade para nos tornarmos o número 1 da Europa; 5) a escolha é sua: pode votar noutro candidato que omita o que eu nunca irei omitir”. “Obrigado!”, escreve o remetente, antes de ser trocado o seu nome de “sócio indeciso” para “sócio decidido”. O banqueiro teve como traves mestras do discurso a capacidade de liderança, a experiência, os conhecimentos na área financeira e a estabilidade; com o tempo, foi procurando manter a mesma linha mas com uma maior aproximação aos sócios do clube, seja na ida aos núcleos, seja na forma como vai interagindo nas redes sociais. E este sábado foi um exemplo disso mesmo.

Antes do jogo e ao intervalo, Ricciardi foi tirando fotos e selfies com sócios do Sporting

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O Observador vai publicar até às eleições do Sporting reportagens com todos os candidatos à presidência do clube.

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