Apesar de ter surgido numa fase mais avançado do período pré-eleitoral, e sabendo-se que nem sempre é fácil por questões de logística reunir os 1.000 votos necessários para apresentar uma lista a sufrágio, José Maria Ricciardi entregou esta terça-feira em Alvalade toda a documentação oficial, tornando-se o quinto candidato a oficializar essa vontade depois de Frederico Varandas, Pedro Madeira Rodrigues, João Benedito e Bruno de Carvalho (que, por ter sido suspenso de sócio por um ano pela Comissão de Fiscalização, não deverá ser aceite pelos serviços jurídicos do clube). E só a chegada, com quase todos os elementos que irão a votos em bloco, acabou por confirmar outros nomes que ainda não eram conhecidos oficialmente.

No dia da apresentação oficial, no CCB, o banqueiro tinha anunciado Miguel Frasquilho e João Proença para presidente e vice da Mesa da Assembleia Geral; José Eduardo como vice para o futebol; Luís Borges Rodrigues como número 1 para o Conselho Fiscal e Disciplinar; Zeferino Boal como elemento do Conselho Diretivo; e Diogo Lacerda Machado como membro da Comissão de Honra; esta tarde, surgiram três nomes ligados ao clube nos últimos tempos: Bruno Mascarenhas, vogal da Direção de Bruno de Carvalho que pediu a demissão bem antes da destituição; e Alexandre Cavalleri e Jorge Gurita, que tinham sido nomeados para a Comissão de Gestão mas que apresentaram a demissão para poderem ir agora a sufrágio.

Na Sala de Reuniões, com o líder da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares, como “anfitrião”, Ricciardi começou por aproveitar a oportunidade para deixar “um forte abraço a todas as famílias que estão a sofrer com o incêndio de Monchique, porque é um assunto mais importante haver famílias e casas em risco” do que a entregar das listas às eleições do Sporting e deixou o mote para aquilo que tentará preconizar – e que não foi entendido de imediato. “Nós, porque esta é a candidatura do nós, temos a solução para dia 9 de setembro”, disse. “8, solução para o dia 8”, interrompeu Marta Soares, não percebendo logo aí ser algo “propositado”. “Não, dia 9 porque a nossa preocupação, como todo o respeito que teremos pela campanha, é o dia a seguir às eleições”, explicou o antigo vogal e vice do Conselho Fiscal e Disciplinar do clube entre 1995 e 2013.

Cumpridas as formalidades (sendo que, mais uma vez, tudo se resumiu a cinco/dez minutos, ao contrário das duas horas que os elementos ligados à lista de Bruno de Carvalho passaram naquela sala de manhã), o antigo líder do BES Investimento e o Haitong Bank mostrou-se orgulhoso da equipa formada para o sufrágio e tentou posicionar-se face à concorrência.

“A situação financeira do Sporting é difícil mas ultrapassável. Existe um grande desafio no que diz respeito à tesouraria, além de termos uma situação líquida que não é positiva. O Sporting terá de ser gerido de forma mais profissional e racional em todas as áreas, sendo também ser vitorioso. Sei que os sócios não querem muitas vezes ouvir estes assuntos, mas sem dinheiro não se é campeão”, comentou, acrescentando: “O problema do Sporting resolve-se com boa gestão, liderança e experiência. Não acho que os jovens são piores do que os menos jovens e vice-versa, mas é fundamental a experiência. Isto aqui não é uma espécie de estágio que se vem fazer. O Sporting não pode ser dirigido por pessoas que querem vir estagiar para o clube”.

“Temos uma equipa forte e transversal. Não fazemos grupinhos, segmentos nem coisas de pastelaria. Temos uma grande equipa que depois irá ainda contar com um conjunto de profissionais executivos que iremos convidar, se ganharmos. Porque hoje o Sporting é uma realidade empresarial complexa que é preciso gerir da melhor forma para atingir o que os sócios querem, que é sermos campeões no futebol, que não somos há 16 anos, e continuar a ganhar nas modalidades”, completou.

Voltando a recusar falar muito sobre Bruno de Carvalho – “Sou contra a sua candidatura, não tem condições e está a desrespeitar os estatutos e os 72% que votaram a favor da sua destituição”, frisou –, Ricciardi tocou também ao de leve no programa, que quer que seja o mais simples possível. “Uma coisa que aprendi na vida é que a simplicidade e o ter um programa focado no que é essencial é o mais importante de tudo. Não virei com aqueles programas com 150 medidas, que depois quando estivermos a meio já ninguém se lembra das primeiras 40. Vamos fazer tudo para passar a nossa mensagem”, concluiu.