Depois de ser divulgado que José Maria Ricciardi ia ser candidato à liderança do Sporting Clube de Portugal, o banqueiro respondeu a várias perguntas à CMTV quanto aos motivos que o levam a avançar para a corrida. Em quatro pontos, deixamos o resumo da entrevista.

“Estou-me nas tintas para que me achem um croquete”

Em relação às acusações de apoiantes de Bruno de Carvalho que querem “esquecer os croquetes do clube”, Ricciardi foi questionado sobre se “é o expoente máximo dos croquetes”. Rindo-se, o banqueiro respondeu educamente: “Estou-me nas tintas para que me achem um croquete”. E reiterou: “Nas. Tin…tas.” E continuou:

Não dou para essa missa dos croquetes. Os dois últimos campeões nacionais foram dois croquetes: foi o meu primo José Roquette e a seguir foi o dr. António Dias da Cunha. Também são considerados socialmente croquetes. Portanto, veja lá, os últimos dois campeões nacionais pelo Sporting eram croquetes. E o fundador do Sporting, que por acaso era meu tio avô, José Alvalade, também era um croquete. Se ele não fosse um croquete, se calhar não havia Sporting.

O agora candidato à liderança do clube leonino constatou também que “o Sporting é um clube interclassicista. Sempre teve todas as classes sociais”. Por isso, no momento mais insólito da entrevista, afirmou, “não entro nesse jogo da pastelarias e dos croquetes e das empadas e não sei quê. Acho ridículo”.

“Venho para pacificar o futebol”

O banqueiro afirmou também que a candidatura que agora apresenta é para “acabar com os insultos e os ataques” no futebol português. “Vai-se decidir nas quatro linhas”, disse Ricciardi, acreditando na vitória.

O candidato Ricciardi desvalorizou também a intenção de Luís Filipe Vieira, presidente do Sport Lisboa e Benfica, de contratar jogadores do Sporting que tinham rescindido com justa causa após a invasão de elementos da claque leonina à academia de Alcochete. “São tudo consequências de uma condição anómala que o Sporting viveu”, disse apenas.

“Quero terminar com estas guerras fratricidas que estão a fragilizar o futebol”, reiterou. O banqueiro, mostrando esta vontade de mudar o ambiente entre os clubes, elogiou ainda o jornalista Rui Santos, por dizer que “tem pugnado há muito pelo estado do futebol”. Para o candidato, o caso de Alcochete “é paradigmático” da situação a que chegou o clube.

“Nenhuma das candidaturas (a não ser a minha) reúne as condições necessárias”

Para Ricciardi, a principal razão para avançar é a fragilidade das outras candidaturas já apresentadas. “Acho que tenho uma experiência longa na banca e reuni uma equipa muita coesa e forte, que irei apresentar brevemente”, afirmou. Quanto a integrar na sua lista outros candidatos que já apresentaram a candidatura, como Frederico Varandas, não deixa a possibilidade de parte, mas recusou-se a falar sobre outros candidatos.

Quanto à nova candidatura de Bruno de Carvalho, manteve a posição que tem demonstrado até agora: “Não faz qualquer sentido. Os sócios decidiram que devia ser destituído”. Questionado sobre o alegado papel que teve no clube como “presidente sombra”, negou tais afirmações, dizendo que apenas ajudou quando foi necessário.

Nunca pertenci a nenhum cargo de direção do Sporting. Nunca fui um presidente sombra. Apenas contribui para ajudar o Sporting a resolver os problemas na área que é a minha especialidade”, afirmou o banqueiro.

Elogiando a atual de gestão do clube, liderada por Sousa Cintra, e a Mesa da Assembleia, liderada por Marta Soares, Ricciardi manteve as críticas a Figo: “Acho que isto está para pessoas com experiência e capacidade. É uma tarefa muito difícil. Quando me referi ao Luís Figo referi-me na generalidade do meu pensamento”.

Promessas: Peseiro continua treinador e o Sporting vai ser “sempre” dos sócios

Jorge Jesus não volta e Peseiro é para Ricciardi, agora, “o melhor treinador”. Para o candidato, Jorge Jesus não é opção porque “tem um contrato anual”, mas “No futuro nunca se sabe”. Contudo, “treinador dos sportinguistas é o José Peseiro.

Já quanto a investimentos para o clube, o candidato afirmou que vai garantir que o Sporting “mantenha a maioria na SAD”. Para Ricciardi, há “muitas alternativas de receitas” para garantir a sustentabilidade do clube. Por isso, não descarta que vai receber um salário, mas deixou outra promessa: “Os prémios dos jogadores não receberei de certeza, acho uma coisa inaceitável”.