É provável que nunca tenha ouvido falar de Fran Lebowitz. É mais provável ainda que conheça algumas das suas palavras. Pelo menos as oito mais reproduzidas, regra geral em canecas, marcadores de livros e até alguns livros: “Think before you speak. Read before you think” (Pensa antes de falares. Lê antes de pensares). Ao fim dos sete episódios que compõem a mini-série de Martin Scorsese para a Netflix “Pretend It’s a City” apetece compilar um livro de citações. Um total de três horas e meia a ouvir a autora e humorista de 70 anos conversar com o realizador e a resistir ao impulso de sublinhar o ecrã ou cobri-lo de post-its.

Em inglês diz-se “wit”, três letrinhas apenas que designam o chamado humor inteligente. Dá sempre que pensar quando um termo não tem tradução direta para a nossa língua. Como a palavra “saudade”, que os portugueses gostam de reivindicar só para si. “Wit” é, por exemplo, a capacidade de relacionar coisas à primeira vista díspares de uma forma que ilumina e diverte. Como quando Lebowitz, que não tem telemóvel nem computador (“não sabia que toda a gente ia aderir a esta máquina”), explica a sua relação com a tecnologia. Ela sabe que a Internet existe. Tal como sabe que as Kardashians existem. E que estão relacionadas com a Internet.

[o trailer de “Pretend It’s a City”:]

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