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O que é o gás?

O gás é um tipo de combustível e uma fonte energética não renovável, ou seja, um recurso capaz de gerar energia para vários fins, quer sejam industriais ou produção de eletricidade, utilização residencial no aquecimento e cozinha, e mobilidade.

Os gases combustíveis são hidrocarbonetos (um grupo de compostos orgânicos formados apenas por átomos de carbono e hidrogénio) e, entre o tipo de gases existentes, pode-se referir os gases de petróleo liquefeito (GPL), como o propano, o butano e o GPL Auto – que são obtidos através de complexos processos de refinação – o gás natural (abundante na natureza) e os gases renováveis.

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O que é o gás natural?

O gás natural é um combustível fóssil cuja formação resulta da degradação de material orgânico, que se foi acumulando em camadas sob a superfície terrestre e no fundo dos oceanos, sendo sucessivamente coberto por areia e rocha. Submetido a condições de temperatura e pressão elevadas, parte deste material rico em carbono e hidrogénio transformou-se em carvão, petróleo e gás natural.

O gás natural é composto por uma mistura de hidrocarbonetos leves, como o metano, o etano, o propano e o butano – o metano é o componente predominante, com um teor acima de 70%. Além destes elementos, o gás natural também contém dióxido de carbono e vapor de água. Pode ser encontrado em grandes fendas e espaços entre camadas de rocha, nos poros de formações de xisto, arenito e outros tipos de rocha sedimentar, ou nos depósitos de petróleo bruto. Da extração até ao consumidor, este gás quase não sofre processos de transformação industrial, sendo essencialmente utilizado tal como existe no subsolo.

Com usos domésticos, industriais ou na mobilidade, o gás natural é um combustível versátil, disponível e seguro. A sua utilização faz parte da vida quotidiana: climatização, cozinha, transportes, geração de calor e altas temperaturas, ou como matéria-prima da indústria química.

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Qual é a importância do gás natural?

A necessidade de um novo mix energético de menor intensidade carbónica posiciona o gás natural, cada vez mais, como uma alternativa viável. Por diversas razões.

Primeiro, é uma matéria-prima abundante: estima-se que as reservas conhecidas sejam suficientes para mais de 120 anos de consumo global, ao ritmo atual, e que as reservas totais possam ser utilizadas por mais de 250 anos.

Em segundo lugar, o gás natural é uma alternativa mais económica quando comparado com outras fontes de energia. O seu preço é mais competitivo e como permite uma utilização constante e um processo de queima eficiente, é possível atingir elevados níveis de rendimento nos equipamentos, enquanto se diminui o consumo de energia e os custos de manutenção.

Por último, o gás natural é uma peça-chave para a transição energética, tendo sido considerado como uma energia sustentável pelo Parlamento Europeu em 2022. A combustão de gás produz essencialmente vapor de água e as emissões de dióxido de carbono, e de óxidos de enxofre ou azoto são inferiores aos valores do carvão ou petróleo, razão pela qual é defendido o seu papel como “combustível ponte”, que permitirá descarbonizar a produção de eletricidade substituindo o carvão nas centrais de geração elétrica. Há, porém, divergências no mundo académico quanto à validade destes pressupostos. Robert Howarth, professor da Universidade de Cornell, foi coautor de um estudo que atribui ao gás natural uma pegada carbónica superior ao dos principais fósseis carbónicos.

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O que são gases renováveis?

Os gases renováveis são combustíveis provenientes de fontes de energia limpa, ou seja, não produzem emissões adicionais quando são queimados. Ao contrário do gás natural, formado ao longo de milhões de anos, os gases renováveis são o produto de processos químicos, termoquímicos ou bioquímicos. Estes gases podem ser facilmente armazenados em grande quantidade nas redes já existentes, existindo duas formas primárias de gás renovável: o biometano e o hidrogénio verde.

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O que é o biometano?

O biometano é produzido a partir da valorização e tratamento de resíduos orgânicos. Resulta de um processo de digestão anaeróbia onde, num ambiente livre de oxigénio, a matéria orgânica se decompõe originando o biogás, fundamentalmente uma mistura de metano e de dióxido de carbono. Para se obter o biometano, o biogás passa depois por processos de purificação e remoção de dióxido de carbono, daqui resultando um gás rico em metano semelhante ao gás natural fóssil, mas com emissões reduzidas. Deste processo obtém-se o biogás, que origina o biometano depois de removido o dióxido de carbono.

O biometano pode ser distribuído através da rede de gás já existente e pode ter as mesmas utilizações – indústria, aquecimento, cozinha, ou geração de eletricidade, por exemplo.

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O que é o hidrogénio verde?

O hidrogénio verde é um combustível renovável produzido através de fontes de energia limpa, como a solar ou eólica. O hidrogénio é o elemento mais abundante na atmosfera. Todavia, encontra-se sempre ligado a outros elementos – como o oxigénio na forma de água (H2O). Logo, a utilização isolada do hidrogénio exige a quebra de ligações moleculares. A eletrólise é o processo mais comum para obter hidrogénio, um método que utiliza a eletricidade para separar as moléculas de água em átomos de oxigénio e hidrogénio. Diz-se que o hidrogénio é verde quando o processo de eletrólise recorre a eletricidade renovável de base solar ou eólica.

O hidrogénio verde, além de ser passível de armazenamento em grandes quantidades, pode ser utilizado na geração de eletricidade, em substituição ou complemento do gás natural em determinadas indústrias, como a siderurgia ou a refinação, bem como na produção de novos combustíveis sintéticos livres de emissões poluentes – os RFNBOS, Renewable Fuels Of Non-Biological Origin.  Estes combustíveis são um produto tão bom como o seu equivalente fóssil, com a vantagem de ser neutro em carbono.

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Como é que o gás pode ajudar na descarbonização?

A transição energética é um dos maiores desafios que a sociedade enfrenta. Só a combinação das melhores soluções disponíveis permitirá alcançar as metas de neutralidade carbónica até 2050 de forma equilibrada e economicamente viável. Ainda que seja um combustível fóssil, o gás natural tem um papel vital na descarbonização, já que permite a substituição gradual de fontes energéticas mais poluentes, como o carvão. Aliás, a infraestrutura de gás natural já permitiu, nos últimos anos, alcançar reduções significativas de CO2. A par do gás natural, os gases renováveis, nomeadamente o biometano e o hidrogénio verde, também terão um lugar de destaque no novo sistema energético. O potencial combinado destes dois tipos de gás determinará o rumo da descarbonização, garantindo uma transição equilibrada, justa e acessível.

A produção de biometano, por exemplo, permite capturar gases prejudiciais ao meio ambiente, principalmente o metano, que tem um efeito 20 vezes superior ao dióxido de carbono enquanto gás com efeito de estufa. Além disso, também ajuda a resolver a questão do tratamento de resíduos. Mas uma das maiores vantagens do biometano reside no facto de poder substituir, já hoje, o gás natural sem necessidade de alteração de infraestruturas de distribuição.

Apesar das vantagens do gás natural, da urgência em mitigar as alterações climáticas e acelerar a transição energética, o consumo de carvão no mundo voltou a bater recordes em 2023. Sobretudo porque é mais barato e abundante. Muitas nações, perante a disrupção provocada pela Rússia nos mercados internacionais e face à necessidade de importarem gás na forma liquefeita, voltaram-se para o carvão como uma opção mais económica.

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Que impacto terá a substituição do gás natural por gases renováveis?

A substituição gradual do gás natural por gases renováveis tem como objetivo reduzir drasticamente as emissões de CO2 associadas ao uso deste combustível e, consequentemente, a descarbonização da rede de gás.

Sendo as moléculas de biometano e dos combustíveis sintéticos semelhantes às do gás natural, não há custos adicionais de adaptação da rede e da infraestrutura de distribuição.

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Em que ponto estão as reservas de gás natural na Europa?

Em 2022, devido às perturbações que a guerra na Ucrânia causou nos mercados, com um aumento dos preços de energia a alimentar a cavalgada da inflação na zona euro, a União Europeia decidiu tomar medidas para aumentar o armazenamento de gás natural, garantindo assim acessibilidade e disponibilidade de abastecimento a todos os cidadãos, sobretudo durante o inverno.

Os números mais recentes, mostram que o espaço europeu tem um nível médio de enchimento dos armazenamentos de 69%, para fazer face ao inverno deste ano. Portugal é o país europeu com os níveis de reserva mais elevados, na casa dos 90% de acordo com a REN, criando um buffer energético estratégico que protege as indústrias e os consumidores portugueses.


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Qual o impacto da posição geoestratégica de Portugal?

Devido à sua localização, Portugal está numa posição privilegiada para a produção, armazenamento e exportação de gases para a Europa. O porto de Sines é o maior hub portuário do país e destaca-se pela sua capacidade de armazenamento onshore e tanques de GNL, o que permitirá fazer a reexportação de gás e o abastecimento de navios.

Além disso, o perfil geográfico da Península Ibérica confere-lhe uma posição pivot no fornecimento de gás natural proveniente de África, América do Sul e Caraíbas. Mais ainda, Portugal tem disponíveis instalações de armazenagem e regaseificação que dão maior flexibilidade ao país e são garantes da política de segurança energética nacional.

Portugal beneficia também de grande capacidade de geração elétrica solar e eólica, a custos inferiores ao da generalidade das geografias europeias, o que configura uma vantagem competitiva, por exemplo, para a fixação de centros de dados que suportam a digitalização da sociedade, ou para a produção de gases renováveis essenciais à descarbonização da mobilidade e do setor industrial.

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Qual é o impacto do gás natural nos preços da energia?

Em alguns países, o mercado de gás natural tem vindo a crescer, com a procura por este combustível a aumentar significativamente. No entanto, as tensões geopolíticas estão a provocar volatilidade nos mercados: o preço do gás natural aumentou em todas as principais praças de negociação no segundo trimestre de 2024.

Ainda assim, estima-se que o preço comece a baixar a partir de 2027, devido à maior oferta de gás natural assente nas contribuições dos Estados Unidos e do Qatar.

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Como é que os gases renováveis podem ajudar a reduzir a conta da energia?

Quando comparada com uma eletrificação completa, a combinação de eletricidade e gases renováveis pode gerar poupanças em Portugal até aos 2.500 milhões de euros em 2050, o que reduz a necessidade de investimentos e os custos para consumidores e empresas.

Prevê-se que adaptar as redes de gás para a descarbonização custará entre 1.120 e 1.740 milhões de euros, enquanto a eletrificação completa pode custar até 3.200 milhões de euros. Só o biometano, por exemplo, por não requerer mudanças nos equipamentos, pode permitir uma economia de 1.400 milhões de euros para os consumidores.

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Qual é o futuro do gás?

Portugal assumiu o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050 e, uma das vias determinantes para se alcançar as metas propostas é a incorporação gradual e crescente de gases renováveis no sistema nacional de gás.

O biometano é um dos gases renováveis que terá um papel fundamental. Tendo em conta o potencial de produção de Portugal e o facto de que não é necessário alterar infraestruturas, espera-se que, até 2050, o biometano represente cerca de 60% do consumo total de gás.

No caso do hidrogénio verde, a Estratégia Nacional para o Hidrogénio estipula uma meta de incorporação de hidrogénio nas redes de gás de 5% até 2025 e entre 10% e 15% até 2030. Até 2050 estima-se que o hidrogénio verde represente cerca de 40% do consumo total de gás em Portugal.

Apostar em gases renováveis é o caminho para alinhar Portugal com as metas europeias de descarbonização e fortalecer a posição do país como líder em soluções energéticas inovadoras e sustentáveis.