“Os detalhes da herança de Francisco Pinto Balsemão chocam todo o país!” A frase foi publicada no Facebook a 1 de novembro e acompanha uma suposta notícia do jornal Eco, cujo título seria: “A última surpresa de Francisco Pinto Balsemão: por que a lenda da comunicação deixou aos herdeiros uma plataforma de investimento em vez de milhões”.

Segundo este suposto artigo, Pinto Balsemão, fundador e presidente do grupo Impresa, que detém a SIC e o jornal Expresso, teria surpreendido os herdeiros com um testamento “inesperado”, que incluiria “cadernos de 1973, memórias da redação e investimentos misteriosos”.

Mas trata-se de uma notícia falsa, como várias outras que surgiram na sequência da morte do antigo primeiro-ministro, a 21 de outubro.

O grafismo garrido e o tom do texto que anuncia a notícia (“Ele escondeu isso por muitos anos! Leia os detalhes aqui!) já faziam prever que se tratasse de uma notícia falsa, uma vez que artigos noticiosos de órgãos de comunicação social, por regra, evitam sinais de pontuação como pontos de exclamação, que denunciam sensacionalismo. Neste caso, todo o enunciado da publicação nas redes que promove a suposta notícia apela ao clickbait.

Clicando na suposta fonte, o link da alegada notícia, somos confrontados com uma página que, de facto, reproduz com grande fidelidade o aspeto gráfico do ECO. Tem o mesmo logótipo, cores e layout semelhante, reforçando a ilusão de legitimidade.

No entanto, o conteúdo é falso e a página não pertence ao jornal ECO. Desde logo, o layout acima está visível, mas nenhuma das palavras ou botões é clicável. Ou seja, não é possível aceder a outras notícias do jornal ou navegar pelas editorias. Isto porque, na verdade, trata-se de uma página que não está, ao contrário do que tenta fazer parecer, ligada ao ECO.

Depois, observando o URL da página em causa, verificamos que não é um URL de uma notícia do jornal. O domínio culturedfuturejolly.com,visível na barra do navegador, não corresponde ao domínio oficial do ECO, que é eco.sapo.pt. Aliás, quando questionamos o motor de busca sobre o dito domínio, o resultado é o seguinte:

Ou seja, o próprio motor de busca não tem grande informação sobre o domínio em que o artigo está publicado. Uma coisa é certa: a peça não está publicada no jornal ECO. Uma pesquisa no verdadeiro site do jornal — que, de resto, tem reportado sobre a herança de Balsemão — leva-nos a concluir que não há nenhuma peça com a informação que aqui é veiculada.

Por último, o suposto artigo alega ser assinada por Diogo Ferreira Nunes. Ora, o jornalista em questão não assina notícias no jornal ECO desde 2023, como prova a sua página de autor no jornal. Ainda assim, o Observador contactou Diogo Ferreira Nunes, que confirma que não trabalha no ECO “desde 31 de julho de 2023”. “Ainda assim, reportei o assunto por e-mail ao publisher do ECO, António Costa, dia 14 de Novembro”, continua. E esclarece: “Não escrevi o artigo.”

Conclusão

O site culturedfuturejolly.com é falso e não tem qualquer ligação ao jornal ECO. Nenhuma informação publicada no artigo em questão foi divulgada por um orgão ou fonte fidedigna. Além disso, a pessoa que alegadamente assinava o artigo confirma ao Observador não estar na redação daquele jornal desde julho de 2023.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

IFCN Badge