“Alcatraz dos Jacarés”. É este o nome do novo centro de detenção para migrantes, junto ao parque natural Everglades, na Florida, Estados Unidos. O local, rodeado de pântanos, jacarés e cobras venenosas para desincentivar a fuga dos detidos, foi transformado em apenas oito dias e inaugurado oficialmente no início deste mês com a presença do Presidente norte-americano.
Horas depois, começaram a ser partilhadas publicações nas redes sociais, com alegadas imagens da prisão. As fotografias parecem dizer respeito a quatro pavilhões pré-fabricados no meio de uma densa floresta, sem sinais de civilização à volta.
Mas será esta imagem verdadeira?
Trump e a marcação cerrada a migrantes
Tem sido o mais importante desígnio do Presidente norte-americano desde que regressou à Casa Branca: reduzir a população imigrante nos Estados Unidos, com particular incidência na população em situação ilegal. Para isso, a administração Trump reforçou significativamente as regras de entrada e permanência no país. Prometeu deportações em massa, assim como acabar de construir o muro que mandou erguer na fronteira entre os Estados Unidos e o México, durante o seu primeiro mandato.
Para acolher migrantes ilegais detidos pelas autoridades norte-americanas, o Governo iniciou a construção de centros de detenção em vários estados do país. O mais recente, o Alligator Alcatraz, foi instalado numa pista de aterragem, e terá capacidade inicial para cerca de 3 mil detidos, segundo o governador estatal, Ron DeSantis, e o procurador-geral da Florida, James Uthmeier, que sublinha que “não há nenhum lugar para ir, nenhum lugar para se esconderem”. O centro foi construído em oito dias e conta com mais de 200 câmaras de segurança, mais de 8.500 metros de arame farpado e mil funcionários, entre os quais 400 agentes de segurança.
Florida is setting the national standard on implementing President Trump's illegal immigration agenda. pic.twitter.com/geZfwEoWVz
— Attorney General James Uthmeier (@AGJamesUthmeier) July 1, 2025
Aquando da inauguração da estrutura, Donald Trump recorreu ao sarcasmo para dizer que os imigrantes que tentem fugir correm o risco de ser atacados por répteis. “As cobras são rápidas, mas os jacarés… vamos ensiná-los a fugir de um jacaré. Se fugirem da prisão, como escapar: não corram em linha reta e sabem que mais? As vossas hipóteses aumentam em 1%”. A estrutura vai custar aos Estados Unidos 450 milhões de dólares por ano, segundo o Departmento de Segurança Interna dos EUA. A estrutura consiste em tendas e atrelados pesados.
Os primeiros dias em “Alligator Alcatraz”, contados por quem lá está
Os migrantes detidos começaram a chegar ao “Alligator Alcatraz” no dia 2 de julho e não demorou até serem relatadas condições indignas. Uma reportagem da Associated Press denuncia relatos de pessoas que garantem que “há vermes na comida, as sanitas não têm autoclismo, ficando o chão inundado com fezes e insetos”.
Esta agência internacional de informação tem sido uma das mais presentes no local, e são várias as fotografias e vídeos publicados desde o anúncio deste centro de detenção.
Também o New York Times publicou uma reportagem, na última quarta-feira, dia 16, fazendo um resumo do que têm sido as últimas duas semanas para quem foi levado para este centro de detenção improvisado pelas autoridades norte-americanas. Em entrevistas por telefone, vários detidos descreveram “banhos pouco frequentes, refeições que se resumiam a pouco mais do que lanches” e há outros que, sem acesso a medicamentos, estão “a adoecer com sintomas gripais e privação de sono”. As luzes, explicam, não se desligam, nem durante a noite.
De acordo com funcionários do estabelecimento ao jornal norte-americano, a maioria dos detidos — que são principalmente de origem hispânica — não está acusada de qualquer crime. Estas pessoas também não constam da base de dados pública, o que torna difícil que advogados, família, ou qualquer tipo de serviços consigam encontrá-los. Ainda assim, Ron DeSantis já está a ponderar abrir um centro de detenção semelhante no norte da Flórida.
Conclusão
De acordo com as várias imagens publicadas ao longo dos últimos dias por jornais e agências norte-americanas como a Associated Press, a fotografia que tem sido partilhada em várias publicações por utilizadores das redes sociais é falsa. Não tem qualquer correspondência com a realidade. Além disso, consultando o Google Maps, é possível verificar que há acessos rodoviários — ainda que precários — ao local onde está instalado o centro de detenção “Alligator Alcatraz”, contrariamente à publicação que circula. Ainda que a legenda que acompanha a fotografia tenha correspondências com a verdade, a imagem (provavelmente gerada por Inteligência Artificial) não é verdadeira.
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.