Estão a circular nas redes sociais Facebook e Instagram vídeos com imagens que, segundo vários utilizadores, foram recolhidas durante o funeral do Papa Francisco, que se realizou no final de abril. “Imagens estranhas no funeral do Papa Francisco no Vaticano. Segundo algumas pessoas, o portal foi aberto”, pode ler-se num dos posts. Noutra publicação, um utilizador diz que o funeral do Papa parece um ritual satânico.
Nas imagens, podem ver-se várias pessoas vestidas de branco (mas com capuzes negros na cabeça), que seguram tochas enquanto caminham — numa espécie de procissão. No entanto, o vídeo não foi gravado durante o funeral do Papa Francisco, a 26 de abril, em Roma.
O vídeo foi filmado na igreja de Santa Maria de Gracia, em Cartagena, no sul de Espanha, durante as celebrações da Semana Santa. Retrata um ritual religioso de membros do Tercio del Arrepentimiento de San Pedro. Este grupo é composto exclusivamente por mulheres que adotaram desde o início o estilo do desfile sampedrista, explica o site deste movimento.
O Tercio del Arrepentimiento de San Pedro sai em procissão nas Quartas-feiras Santas acompanhando o trono e o grupo escultórico que lhe dá o nome. As origens deste ritual remontam ao início dos anos 90. As imagens de um dos desfiles do grupo (cujos trajes coincidem com os que são utilizados no vídeo partilhado nas redes sociais) estão disponíveis na página de Youtube da Cartagena TV.
Os membros deste grupos usam uma túnica branca, uma capa preta de cetim bordado em ouro, um capuz alto preto de cetim com um cordão de algodão branco, uma faixa de veludo vermelho bordada em ouro, umas sandálias pretas com tira transversal, meias brancas e luvas brancas.
Conclusão
As imagens em causa não são do funeral do Papa Francisco. Retratam um ritual de membros do Tercio del Arrepentimiento de San Pedro, um grupo religioso do sul de Espanha.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.