A história é longa e detalhada, contada num tom quase heroico. Novak Djokovic é descrito como um tenista que “sempre foi conhecido pela sua humilde e profunda ligação às suas raízes em Belgrado, na Sérvia”. E há um alegado “encontro emocionante” que surpreendeu “até os seus fãs mais devotos” e que ficou viral nas redes sociais, em publicações que começaram a circular no início do mês.

As publicações alegam que o tenista caminhava “pelos corredores familiares” da sua antiga escola, na Sérvia, quando “virou uma esquina perto do ginásio” e “avistou alguém que não via há décadas”: John, um funcionário das limpezas que ainda ali trabalhava, apesar de já ter 79 anos. O idoso é descrito como uma “figura importante na escola”, sendo conhecido “pelo seu sorriso gentil”. O suposto reencontro entre os dois é contado ao pormenor: Djokovic terá gritado por John, que por sua vez terá arregalado os olhos antes de se abraçarem.

Comovido com a dedicação do funcionário da escola, que alegadamente ainda trabalhava para “sustentar a sua família e pagar as contas médicas da sua mulher”, o tenista terá pedido “mais detalhes” ao diretor da escola e regressado uma semana depois. Desta vez, estaria acompanhado, trazia consigo “máquinas fotográficas e alguns amigos”. Após um suposto discurso, segundo as publicações, Djokovic “entregou ao Sr. John um cheque suficientemente avultado para cobrir as despesas médicas da sua mulher e permitir-lhe reformar-se confortavelmente”.

Além disso, fez com que a escola lhe dedicasse um banco no pátio com as seguintes palavras: “Ao Sr. John, que manteve estes corredores a brilhar e os nossos corações cheios.”

A história termina com a indicação de que o gesto de Novak Djokovic “espalhou-se rapidamente, inspirando pessoas em todo o mundo”. Mas além das publicações feitas nas redes sociais, do Facebook ao Threads, não há qualquer menção ao momento. A imprensa internacional, nomeadamente a especializada em desporto, não tem qualquer notícia sobre o tema. E apesar de serem mencionadas “máquinas fotográficas” no alegado dia da surpresa a John, não há mais imagens além das duas que foram partilhadas online.

É notório que as fotografias partilhadas nas redes sociais não são autênticas e foram geradas com recurso à inteligência artificial. Ainda assim, para confirmar esta perceção, o Observador recorreu à plataforma Hive Moderation, que tem um detetor de IA, que indicou com mais de 99% de certezas que as duas imagens foram geradas com ‘ajuda’ dessa tecnologia.

Conclusão

Novak Djokovic foi fotografado ao lado de um funcionário das limpezas da sua antiga escola, chamado John, que ainda trabalha aos 79 anos? Não é verdade. O alegado gesto do tenista, que teria dado ao trabalhador um cheque “avultado”, não aconteceu. Não existem quaisquer artigos ou informações sobre a história na comunicação social internacional, nomeadamente na imprensa especializada em desporto. Além disso, as únicas duas imagens que têm sido partilhadas e que alegadamente corroboram a existência de John (e do momento entre os dois) não são autênticas. Foram geradas com recurso à inteligência artificial.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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