Uma montagem com quatro imagens de alegados pelicanos a “empurrarem” a espinha para fora do corpo tem estado a ser partilhada nas redes sociais, com uma legenda onde se explica que os animais estão a arrefecer com a ajuda daquele processo. “Hoje aprendi que quando os pelicanos estão com calor empurram a espinha para fora da boca para ficarem mais frescos”, lê-se na legenda, em inglês.

Hoje aprendi que quando os pelicanos estão com calor, empurram a espinha para fora da boca para ficarem mais frescos

Na verdade, “os dois animais retratados nas figuras do lado esquerdo nem sequer são pelicanos”, revela David Gonçalves, professor de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. “Trata-se de uma espécie de ave africana, muito particular. O nome científico é Balaeniceps rex e como nome comum, em português, será qualquer coisa como bico-de-tamanco. Pertence à Ordem Pelecaniformes, tal como as espécies de Pelicanos.”

Desfeito que está o primeiro erro, vamos ao segundo: “As aves não estão a empurrar a espinha para se arrefecerem, estão apenas a bocejar”, explica outro investigador da mesma universidade. “Estes bocejos com são feitos com amplitude suficiente para que a parte de baixo do bico seja pressionada contra o pescoço”, começa por indicar ao Observador Ricardo Jorge Lopes, investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e curador da coleção de aves do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto. Assim, “toda a parte inferior do interior da boca, que costuma estar escondida pela membrana que os pelicanos têm na parte inferior do bico, fica visível”.

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Sobre o que pode levar os pelicanos a “bocejar”, o investigador da Universidade do Porto compara-os com os humanos: “Muitas vezes é um comportamento de conforto, como acontece connosco.” Mas há mais uma justificação: “Pode ser uma reação a uma perturbação externa”, explica, dando como exemplo “a presença de outros seres de que eles não gostam”.

Quanto à colocação da espinha fora do corpo, “isso seria impossível”. Ricardo Jorge Lopes explica que, além de estar “ligada ao crânio”, está localizada “nas costas do animal e tem à sua frente todo o aparelho digestivo e respiratório, o que torna impossível esse tipo de contorcionismos”.

Conclusão

Não é verdade que os pelicanos “empurrem” para fora do corpo a espinha com o objetivo de se arrefecerem. O processo a que a publicação se refere é comum e representa simplesmente um “bocejo”.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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